EntreContos

Detox Literário.

Inumação (Davenir Viganon)

inumacao-imagem

Acordei tonto e minha cabeça latejava com restos de um pesadelo que terminou. Raspei a mão em uma superfície de madeira quando fui tocar a nuca. O sangue pastoso grudou nos dedos, fazendo arder um machucado. Os olhos eram inúteis naquela escuridão. Com o tato, senti que uma forma retangular me cercava. Estava preso. A respiração acelerou enquanto procurava uma alça qualquer para me libertar. O ar fugiu dos pulmões e eu quis ir junto.

Gritei várias vezes. Cada vez mais alto, soltando saliva e lágrimas. Contorci meu corpo enquanto batia nas tábuas de cima daquela caixa. Apenas o som abafado e o cheiro de madeira nova me prendiam junto ao pavor. Um pouco de terra nos olhos, na boca e no nariz, me fez tossir.

– Socorro! – Gritei desesperado. Imaginei a palavra morrendo em meio a porção de terra que me separa do mundo. Quem conseguiria ouvir? Parei de gritar ao pensar. Lágrimas misturaram-se com terra que estava no meu rosto. Tentei respirar com calma, mexer pouco os membros. As duas mãos ainda encostadas no tampo daquele caixão.

Limpei o rosto com a manga da camisa e decidi tatear os bolsos. Encontrei meu chaveiro e celular no bolso direito. Errei o código de desbloqueio por duas vezes até conseguir entrar. Usei a luz da tela para ver o interior. Não era bem um caixão pois não tinha o formato característico, estreito nas extremidades, mas um retângulo feito de tábuas porcamente pregadas.

O cheiro de terra inundou o ar. Voltei ao celular. 47% de bateria. Disquei o número de emergência, mas a ligação não foi completada. Então, olhei o ícone na parte de cima da tela que indicou não ter chip. Abri o aparelho e tateei. Nada. Remontei o aparelho e liguei novamente. 46% de bateria.

Suspirei tentando me lembrar como fui parar ali. Forcei a memória e minha cabeça voltou a latejar. Consegui ver uma sala branca antes de quase desmaiar de dor.

Voltei ao celular, varrendo os ícones, procurando alguma salvação e ela apareceu. A conexão wi-fi estava funcionando. Não acreditei. Tinha alguma chance. Entrei no watts. Fiquei olhando os grupos tentando encontrar um que fosse útil. Os títulos e contatos estavam borrados. Os nomes que lia e as fotos sorridentes não me lembravam. Meus olhos caçaram alguma bolinha verde de status. Cores fortes e alegres para um jogo de morte. Nenhum deles estava online. Ainda me restavam 35% de bateria, e não sabia até quando ia ter conexão.

Resolvi tentar o Facebook. Publiquei pedidos de socorro:

> ME TIREM DAQUI PELO AMOR DE DEUS. FUI ENTERRADO.

Digitei repetidamente, com algumas variações. Dizem que só os amigos de verdade leem postagens sem fotos. Nenhum deles estava online agora. Então, as curtidas nas postagens apareceram. Nenhum comentário. Os dedos eram minha boca virtual. Gritava com os polegares mas ninguém me ouvia. Meus gritos em caixa alta em queda livre nas timelines alheias. Apenas algumas postagens ocupando pouco espaço.

Longos minutos… Então descobri que podia desacelerar o tempo. Bastava baixar o celular, apagar a tela, juntá-lo contra o peito e pensar no que fazer, olhando a escuridão. Me ouvia respirando. O som me fazia respirar cada vez mais rápido. Ensaiei um choro, mas não havia ninguém para ver, nem ouvir. Glândulas lacrimais reduzidas a inutilidades comparadas a um aplicativo de rede social. Músculos faciais se contorcem, dali em diante, apenas na minha mente. Fisicamente imóveis, como se já estivesse morto. O desespero rebatia desaguando nos dedos que voltavam a digitar mais e mais pedidos.

Digitei furiosamente tentando convencer qualquer um de que estava mesmo numa caixa de madeira alguns metros abaixo da terra. Para provar, tirei uma foto. Calculei quantos por cento da bateria se gasta nisso. Postei e nenhum comentário apareceu. Curtidas com carinhas risonhas, respostas com imagens de risadas.

A bateria baixou aos 15% e os avisos de recarregar soavam como um último adeus. Uma tontura começava a me atingir. O ar estava acabando também. Era abafado. Já estava acostumado ao cheiro da terra. Então, o celular ficou mole nos dedos e pendeu um pouco para o lado enquanto digitava. A ideia de escrever uma palavra final encolheu numa sinapse da memória, que no modo de economia de energia, perdeu-se.

5%.

Desci pela timeline, vendo minhas postagens se misturarem as postagens sobre mim. Haviam contatos meus trocando suas fotos de perfil. Murais pretos com laços brancos. Uma foto qualquer minha surgiu “Luto eterno.

1%.

Olhei a bateria. Tomado por uma repentina paz, deixei o sono me levar.

0%.

 

* * *

 

Acordei em um quarto repleto de tons claros. Uma cama tão acolhedora que me envolvia em maciez e conforto ao me espreguiçar. Um leve perfume tomava conta do ar e a temperatura era agradável. Estava despido de qualquer mal estar. Levantei-me para andar pelo espaçoso aposento. Prateleiras de livros sem título me remetiam a lindas estórias que havia lido neles. Não saberia contá-las, pois apenas as emoções que despertaram ficaram comigo. Dei a volta pela cama, passando pelas prateleiras. Olhei pelas janelas e via apenas nuvens que caminhavam lentamente, como crianças brincando de voar.

As salas possuíam divisórias abertas, separando tons diferentes de cores calmantes e ambientes aconchegantes. Cada janela dava a visão de um exterior diferente. Vi jardins, cachoeiras, florestas de fantasia e tudo que de belo a imaginação pode conceber.

O tempo deslisava preguiçosamente. Despreocupado, desfrutei de cada prazer que cada cômodo servia. Em alguns, haviam os simples prazeres da vida: ler um livro, correr de pés descalços ou tomar um sorvete de uva. Em outros, me debrucei sobre prazeres inimagináveis. Minhas terminações nervosas foram embebidas em gozo latente. Sempre incapaz de medir quantas horas, ou eras, fiquei em cada sala, apenas movia-me ávido por novas descobertas.

Certa vez, entrei em uma sala branca e praticamente vazia. No centro, uma pequena mesa e uma ampulheta. Toda a areia estava parada na metade superior. Aproximei-me do objeto e percebi que um pouco da areia já havia caído. Apreciei um único grão, em trajetória lenta, se depositar no fundo do compartimento inferior. Saio do cômodo.

Na sala seguinte, me entreguei a espaços abertos fugindo de uma claustrofobia que me atacava. Depois, em outro lugar, me joguei numa nova coleção de prazeres, dos mais singelos aos mais inebriantes. Contudo, a lembrança daquela ampulheta veio comigo, cada vez mais forte. Senti cada grão atingir a parte de baixo do compartimento como um aviso misterioso. Então, os prazeres que havia sentido, até então, tornaram-se torpores. Sorriam, bajulavam e esfregavam-se a minha volta sem ganhar minha atenção. Só via mais um grão chegando ao fundo do abismo. Sem saber o motivo daquilo. A angustia de não saber me invadiu, aos poucos me jogou num abismo, um grão de areia de cada vez.

Passei a trocar de sala com frequência. Meu desejo era alcançar a ampulheta e destruí-la. A única coisa que não servia as minhas vontades. Queria espatifá-la no chão e pisar nos pedaços partidos. Impulsos violentos tomaram conta de mim. Prazeres eram agora satisfeitos apenas pela dor. As caminhadas descalço na grama, foram substituídas pelo passo pesado de coturnos. Os livros por machados e fuzis. A nudez dos livres por armaduras e camuflagens. O sexo ardente, pelo estupro, penetração e corte das lâminas variadas. Lindas canções, risadas e beijos por gritos guturais, ofensas e intimidações.

– Vai para o inferno! – Dizia para cada vítima antes de executá-la e deixar o prazer daquelas mortes tomarem conta do meu ser. O sabor doce do sangue e da pólvora. Enquanto isso, em meu íntimo buscava fugir daquela sensação horrível que dos grãos de areia atingindo o fundo da ampulheta. A angustia daquela contagem regressiva. Cada grão daquela areia, uma granada. Até que o último grão aproximou-se do fundo.

Sai de um palco de guerra urbana, carregando um fuzil pelo ombro. A face suja de terra. Mancava por um ferimento a bala. O sangue esguichado pintava minhas roupas. Troquei de ambiente. Pela primeira vez repetiu-se. Era a sala branca, da mesma forma que antes: a mesinha de centro e a ampulheta. Desta vez com o compartimento inferior estava quase cheio.

Aproximei-me e vi o último grão de areia, caindo lentamente. Movi minha mão para agarrar a ampulheta e, finalmente, destruí-la. Estava quase lá quando senti meu corpo puxado para longe. Fui arremessado para o canto da sala. Havia um homem trajado para a guerra.

– Vai para o inferno! – Gritei enraivecido.

Tinha o meu rosto. O sósia riu ao me ver.

– Você aprendeu bem, mas não seja imbecil! – Disse aproximando-se.

Agarrou-me com força descomunal e me jogou num caixão de madeira. Lembranças de tudo que passei, e por tudo que viria a passar, invadiram minha mente. Era um vislumbre passageiro de onisciência. Soube das palavras desesperadas que sairiam da minha boca:

– Eu te imploro. Tudo de novo não.

O demônio saboreou minhas palavras. Segurou-me pelo pescoço e repetiu, por gosto, a mesma frase, que misturava uma condenação, uma constatação e um desejo. Apenas para me fazer esquecê-la após um golpe na nuca.

– Vai para o inferno!

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45 comentários em “Inumação (Davenir Viganon)

  1. Davenir Viganon
    16 de outubro de 2016

    Olá amigos do Entre Contos, sou o autor “desses contos”. Está no plural, pois fui convencido, por maioria de votos, que são dois contos separados pelos 3 asteriscos. E que o segundo está bem pior que o primeiro. Realmente não funcionou. Além disso teve o tema. Achei que o protagonista estar enterrado bastava para associar ao cemitério, acho que de uma forma ou outra isso pesou. Pretendo reler os comentários, pois tem mais coisas além desse consenso. Fiquei satisfeito por não ter errado tanto o português, ao menos, não a ponto de aparecer frequentemente nos comentários. O meio da tabela ficou justo para mim.

    Quanto ao significado do conto, não tem muito o que explicar, a não ser que alguém venha me perguntar diretamente. É um conto sobre uma alma no inferno. Um inferno como repetição. O capiroto, está presente o tempo todo, torturando aquela alma. Foi o que quis dizer com o pseudônimo (“pseudemônimo” acho que o pseudônimo ficou tão disfarçado que passou batido para alguns hehehe).
    Outra ideia que coloquei, foi a do inferno como uma repetição eterna. A ampulheta representava isso, quando o ciclo se fecha, recomeça. Tanto que penso no conto como uma estória que poderia começar em qualquer parte.
    Em meio a isso, as referências as redes sociais e a influência ao conto do Rubem Cabra, que li no “A Linha Tênue”. Influência essa que, juro, me lembrei apenas após ter escrito e, obviamente, sem o mesmo brilho.

    Pretendo republicá-los, se não apenas a primeira parte, as duas em separado. Já que as duas juntas não funcionaram como esperava.

    Um abraço para quem leu minha auto-critica.
    Nos lemos na próxima 🙂

  2. Felipe T.S
    14 de outubro de 2016

    Achei o conto interessante. A leitura foi tranquila, ambas as partes são bem escritas, mas ainda assim a história não me encantou. Realmente não consigo explicar o pq. A ideia é boa, principalmente as relações possíveis entre a primeira parte e a segunda, assim como alguns questionamentos que ficam no ar, mas comigo não funcionou muito. Vi que muitos colegas já ajudaram com dicas, a unica que posso passar é para que continue escrevendo e lendo muito. Parabéns pelo trabalho, queria ter gostado mais, quem sabe em uma segunda leitura, não?

    Abraço!

  3. Pedro Luna
    14 de outubro de 2016

    Putz. Desespero e decepção. Duas palavras que resumiram a minha leitura. Logo que o conto começa, pensei: não é possível, conto de nego enterrado vivo de novo? Mas apesar disso, o conto é muito sufocante. O lance do celular, apesar de já ter visto antes, funcionou. O desespero de postar algo e ninguém comentar, nem curti. Me senti no lugar do cara e foi TRASH. Eu achei MUITO bom.

    Mas veio a segunda parte e a leitura perdeu interesse. Muito diferente da pegada anterior. Não gostei. Preferia que tivesse terminado junto com a bateria.
    Abraços.

  4. Simoni Dário
    14 de outubro de 2016

    Olá Pseudemônimo

    O título deste conto deveria ter sido AGONIA INFINITA. Nossa, a primeira parte me deixou sem fôlego, fiquei com receio de continuar lendo.

    A segunda parte perdeu fôlego e aí já não curti tanto, mas tive receio de continuar a leitura e a claustrofobia voltar.

    O texto lembrou vários filmes, um deles, Efeito Borboleta, outro com Tom Cruise e tem um que o protagonista também é enterrado vivo.

    Está bem escrito (melhor na primeira parte), mas não curti muito no geral.

    Bom desafio.
    Abraço.

  5. Daniel Reis
    14 de outubro de 2016

    12. Inumação (Pseudemônimo)
    COMENTÁRIO GERAL (PARA TODOS OS AUTORES): Olá, Autor! Neste desafio, estou procurando fazer uma avaliação apreciativa como parte de um processo particular de aprendizagem. Espero que meu comentário possa ajudá-lo.
    O QUE EU APRENDI COM O SEU CONTO: a narrativa claustrofóbica da primeira parte é notável, e prende mesmo a atenção. Gostei do ritmo e da escolha das palavras aí. Mas a segunda parte me pareceu um anticlímax – tipo: “morreu, já foi, agora é outra história”. Cuidado com as transições e contrastes.
    MINHA PRIMEIRA IMPRESSÃO SUBJETIVA DO SEU CONTO, EM UMA PALAVRA: Esquizofrênico

  6. Phillip Klem
    13 de outubro de 2016

    Boa noite, pseudônimo.
    O que me cativou no seu conto foi a escrita. Suas descrições estão muito boas. Na primeira parte do conto pude sentir toda a agonia e aflição do personagem. Quase me faltou o ar quanto a bateria do celular chegou ao fim. A construção de frases e a criação do ambiente estão ótimos.
    A segunda parte, apesar de bem escrita, achei um pouco confusa. Tive dificuldade em me concentrar e senti que minha leitura não foi tão fluída quanto na parte anterior. Enfim… acho que o ponto alto aqui foi sua escrita.
    Parabéns e boa sorte.

  7. Anderson Henrique
    13 de outubro de 2016

    Gostei do conceito mais do que da execução. A história é bacana, o final é bom, mas há alguns desacertos que podem melhorar consideravelmente o conto. Vamos a alguns deles: tem uns tempos verbais bem misturados, parágrafos que iniciam no pretérito e finalizam no presente. Sugiro uma revisão.

    Percebi bastante repetição de palavras muito próximas que, ou geram cacofonia, ou dão a sensação de que faltou apuro na revisão (“Então, os prazeres que havia sentido, até então / esfregavam-se a minha volta sem ganhar minha atenção / Só via mais um grão chegando ao fundo do abismo. Sem saber o motivo daquilo. A angustia de não saber me invadiu, aos poucos me jogou num abismo, um grão.”). Dá pra melhorar essas construções.

    – “restos de um pesadelo que terminou”. Resto já dá a idéia de que terminou (ou está por terminar). Eu cortaria esse “que terminou”. Veja: “Acordei tonto. Minha cabeça latejava com restos de um pesadelo.” Não dá a mesma idéia e ainda deixa o texto mais enxuto?

    – Acho que os primeiros parágrafos são muito bons. Deixam o leitor grudado, querendo saber o que tá pegando. Minha sugestão é apenas uma revisão primorosa para aparar as arestas. Quando o personagem desperta no quarto branco, o texto se perde um pouco, pois as cenas ficam um pouco abstratas.

    Por fim: um bom conto, que vale a leitura pelo teor, mas que precisa de uns poucos ajustes. Coisa que se resolve com uma boa revisão.

  8. Pedro Teixeira
    13 de outubro de 2016

    Olá, autor(a)! Achei a primeira parte infinitamente superior à segunda, com as descrições sensoriais, a crítica às redes sociais, as sentenças tão bem construídas que expressam a angústia. Na segunda parte busca-se um looping infinito que me parece vagamente inspirada num conto do Gaiman, e aí acho que não funcionou: são fatos e informações demais para um espaço pequeno, apesar de a ideia ser interessante. Pelo que entendi o inferno era a situação que ele estava passando, repetidamente, mas isso não teve força suficiente para arrematar bem o conto.
    No mais, parabéns pelo trabalho, e boa sorte no desafio!

  9. Bia Machado
    12 de outubro de 2016

    Tema: Ok, há caixão, mas há cemitério? Sinceramente, não sei. O cara pode estar enterrado em outro lugar. Ele pode nem estar enterrado de verdade. Sei lá mesmo.

    Enredo: A parte em que está enterrado vivo é a melhor, muito melhor, aliás. Juro que tentei entender aquela parte do quarto de tons claros em diante. Não sei se entendi, mas tentei. Só que não gostei, me parece até que o texto acabou ficando como “2 em 1”, na segunda parte me pareceu o purgatório, um castigo “dos bons”, mas fiquei sem saber o porquê daquilo tudo, por isso ficou meio que gratuito e esse foi o motivo dessa parte do texto não ter me envolvido… Peço desculpas por não ter conseguido entender suas reais intenções aqui, autor/autora.

    Personagens: É muito bom o narrador-personagem. Ele leva bem a narrativa. Fosse em terceira pessoa, não teria o mesmo efeito.

    Emoção: Gostei muito da primeira parte. Da segunda levo apenas uma boa leitura, mas sem empolgação.

    Alguns toques: Volte aqui depois e me explique, por favor, rs. Tenha dó dessa leitora! 😉

  10. Luis Guilherme
    12 de outubro de 2016

    Boa tarde pseudônimo, tudo bem?

    A Anorkinda achou que eu tinha escrito esse texto (será que escrevi? hmmm), e eu falei pra ela que não fui eu, mas que eu gostaria de ter usado esse pseudônimo, que foi o melhor! hahaha

    Vamos ao que interessa, né?

    Engraçado que tem dois textos de enterrado vivo em sequencia. Aliás, a parte do enterrado é a melhor do seu conto, sem dúvida. Achei bem simbólica a parte das pessoas curtindo a foto dele preso lá, pra mim foi o ponto alto da história. Pode parecer fora da realidade, mas é só ver aqueles casos em que tem alguém acidentado, e as pessoas, em vez de ajudar, ficam postando e enviando fotos do acidente, e acabam desperdiçando um texto precioso que poderia salvar a vítima. Quanta imbecilidade essas mídias sociais fazem as pessoas manifestar, né? (não sou nenhum tipo de anti-social, também curto facebook, só apontei uma questão).

    Assim, seu texto é bem real e contemporâneo.

    Porém, não gostei tanto assim da segunda parte. Apesar de ter concluído bem e dado um sentido ao conto como um todo, achei que não deu liga e teve uma queda de nível. Eu tava lendo empolgado, e senti que do nada faltou algo.

    Ainda assim, um ótimo conto. Parabéns!

  11. Thiago Amaral
    12 de outubro de 2016

    Esperava alguma história de enterrado vivo, mas demorou pra aparecer!

    Bom, a parte do caixão não apresentou nada de novo, a não ser pela crítica às redes sociais. A partir desse momento, pensei que o conto todo giraria em torno dessa ideia, o que achei engraçado. Mas não era bem isso.

    Em seguida, a trama consegue um tom mais poético até, e se desenvolve, conseguindo um significado. Perdeu-se o clichê do cara no caixão e teve algo a dizer. O tema do tempo a se esvair está presente desde o começo, e continua a assombrar o protagonista até após a morte, talvez.

    As descrições são simples e não causam impacto.

    Um bom texto, mas que não tem força o bastante para ser um dos meus favoritos. Até!

  12. Maria Flora
    12 de outubro de 2016

    Olá! Seu conto expressa uma ideia original e você merece um parabéns. Gostei da sala da ampulheta, acredito que poderia ser melhor trabalhada. Não pude deixar de concordar com o que alguns colegas me disseram: que o texto se divide em dois contos. Talvez, pensando agora, fosse a intenção do autor. A segunda parte é interessante e merece ser ampliada, com mais descrições. Parece faltar algo que “ligue” as duas partes. É um texto muito bacana. Boa sorte!

  13. Catarina
    12 de outubro de 2016

    QUERO CONTINUAR LENDO? TÍTULO + 1º PARÁGRAFO:
    Mais uma versão de terror enterrado vivo. Em primeira pessoa? Quero ler sim.

    TRAMA muito boa no primeiro conto. Brilhante até, se tivesse terminado por aí estaria em minha lista. Só que não. Não sei o que se passou na cabeça do autor ao decidir inserir outro conto, com narrativa inferior e confusa, depois de algo tão bom. Parece que houve uma tentativa de looping infinito, mas não funcionou comigo.

    AMBIENTE: 1º conto: Há sufocamento e desespero real em contraste com as relações supérfluas das redes sociais. 2º conto: não tenho a menor ideia onde se passa.

    EFEITO feliz mergulho com bigorna amarrada nos pés. Senti autossabotagem. Não sei se voluntária ou involuntária.

  14. Gilson Raimundo
    11 de outubro de 2016

    Eu sou fã do imponderável, daquilo que brilhantemente foge do normal… vc tem aqui dois contos e começou da forma que gosto, esse maldito celular que acaba a bateria rapidamente e essas redes sociais com amigos virtuais que em nada colaboram foram muito bacana… a segunda parte não seguiu o mesmo ritmo, talvez pela empolgação que tive com a primeira, ficou comum… outra coisa. …cadê o tal do cemitério. .. um enterrado vivo (ou não. ) por si só não caracteriza a ambientação.

  15. Gustavo Aquino Dos Reis
    11 de outubro de 2016

    Achei o trabalho genial na primeira parte.

    Tudo muito bem escrito, sensorial em sua agonia. A narrativa muito bem orquestrada e com um climão de suspense.

    O conto caminhava para um dez muito bem merecido, tanto pela escrita, quanto pela história até aí.

    Então, veio a segunda parte.

    Entendi o contexto dela. Porém, ela fez o conto perder todo o brilho. Isso, autor, pelo menos na minha humilde opinião.

    Um conto que seria ótimo, tornou-se bom apenas.

    No entanto, parabéns.

  16. Gustavo Castro Araujo
    9 de outubro de 2016

    Gostei muito da primeira metade do conto. É claustrofobicamente real. Dá para sentir a agonia do protagonista, sua surpresa inicial, passando pela indignação com a falta de resposta e por fim a resignação. Lembrei-me do filme “O Silêncio no Lago”, quando o Kiefer Shuterland acorda e percebe que foi enterrado vivo. Um pesadelo que já assombrou qualquer pessoa.
    A segunda metade perde um pouco essa pegada, mas é natural. É nela que percebemos os motivos que levaram o protagonista à morte (e ao inferno). Todavia, aqui o real se transforma em fantasia, na medida em que se percebe que tudo não passa de uma maldição. Ainda que bem construída, essa passagem me frustrou um pouco porque esperava, ou melhor, desejava, que o conto não resvalasse para esse lugar-comum. De todo modo, é uma explicação que convence (claro, desde que abandonados os pés no chão). O lance da ampulheta foi bem sacado, com os grãos se precipitando aos poucos – como a bateria que se esvai na primeira parte.
    Enfim, um conto muito bem elaborado e que revela um autor já experiente. Parabéns!

  17. mariasantino1
    9 de outubro de 2016

    Oi?

    Gostei demais, demais mesmo da aflição palpável unida à frieza das curtidas (da tecnologia que se torna inútil, em síntese). A danação eterna também é bacana, mas o tema deixou a desejar. No geral eu deixo me levar pela mensagem e como o autor consegue repassá lá, sem dá muita importância pro tema, mas neste desafio estou pontuando isso (fato que pode retirar alguns contos da minha lista) e percebi que vc foi muito brando no lance do cemitério. O fato de ele está em um Caixão não me foi suficiente para justificar o uso do cemitério.
    Já a parte de vida após a morte ficou subjetivo demais. O cara era um assassino ou alguém do mal e vira ali todos os seus pecados? Por isso ele foi pro inferno? Beleza se for isso, mas da forma que está ao menos pra mim, me pareceu dois personagens quando mudou o cenário (do caixão para as salas) e por esse motivo, terminou que eu não me liguei ao segundo tanto quanto ao primeiro e quando veio a revelação do lance de inferno fiquei até indiferente, sem torcer ou me importar com ele.
    Parabenizo pelas sensações da primeira parte e imagens bonitas e reflexivas em todo o texto. Queria ter gostado mais, mas não foi possível.

    Boa sorte no desafio

  18. Oi, Pseudônimo,

    A bateria do celular morrendo junto ao personagem é uma ótima figura de linguagem. Tenho uma história real e terrível de um amigo… Ele postou no facebook que o celular havia falecido e, na mesma noite, ele se foi. Seu conto me lembrou dessa triste passagem… No texto, porém, sua ideia imprime um quê de contemporaneidade, o que é muito bom. A bateria acabando junto com ele é perfeito, e as pessoas curtindo o real desespero do personagem mostra como nossos tempos são bizarros.

    Também gostei da ideia do eterno ciclo no inferno e do tempo a se repetir continua e eternamente.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  19. Evandro Furtado
    9 de outubro de 2016

    Fluídez – Good

    Sem problemas com a sintaxe ou com a ortografia. O texto corre relativamente bem, sem maiores obstáculos.

    Personagens – Good

    Eu-narrador – um grande filho da p*+@.

    Trama – Good

    Basicamente temos duas partes bem definidas. A primeira é muito bem desenvolvida, claustrofóbica. A segunda também é interessante, mas tem menos apelo, com esse diabão no final sendo meio que um let down.

    Estilo – Outstanding

    A narrativa em primeira pessoa é essencial na primeira parte. Ali, também, o autor trabalha com metáforas e comparações em um nível espetacular. Gostei do paralelo entre a frivolidade da vida e a timeline do Facebook, e como, em ambos, a empatia entre as pessoas é representada. A segunda parte, apesar de ainda ser narrada em primeira pessoa, parece abrir-se de volta. Não é apenas a ambientação, mas o autor consegue desenvolver o texto de tal forma, que parece que o plano de visão do leitor se amplia. Aqui o autor usa também outras imagens bem interessantes como a ampulheta que solta um grão de areia por vez, a sala branca e vazia que traz um ar de solidão e isolamento.

    Efeito Catártico – Average

    Um texto magnífico no campo das metáforas e da linguagem figurada que deixa a desejar quando o autor tenta explicar o que aconteceu.

    Resultado Final – Good

  20. vitormcleite
    8 de outubro de 2016

    Adorei a primeira parte do teu conto. De todos os textos apresentados, este é dos textos que mais me entusiasmaram aqui no entrecontos, a segunda parte não mexeu comigo e até me pareceu meio pesada, mas no final percebi (ou estarei enganado) a intenção. Resultou um conto bem interessante e só posso deixar muitos parabéns.
    Adorei a primeira parte (agora deveria recomeçar este comentário, mas tu dizes: Vai para o inferno.)

  21. Marcia Saito
    8 de outubro de 2016

    Olá
    Apesar dos pequenos erros de gramática, nada que uma revisão não resolva, e também pela não menção do tema do Desafio, achei-o bom. Sua leitura foi fluida e nao houve nenhum ponto de estranheza.
    Somando às bos qualidades deste, as menções de uso de tecnologia considerei criativo e algo que é dificil de se achar em outros contos.
    Já coloquei-na minha lista de votação de favoritos.
    Continue bem assim e não se abata pelos comentarios negativos pois tudo depende de ponto de vista e gosto tambem, pois é assim que se alcançará leitores além desse Desafio.

  22. Pétrya Bischoff
    6 de outubro de 2016

    Olá, Sr. Pseudônimo (ou como chamei em minhas anotações, o Enterrado Vivo :P)
    O texto apresenta duas partes tão completamente distintas, que pensei se tratar de outro personagem.
    A ambientação e descrições da primeira parte estão incríveis. Pude sentir o desespero do personagem e ser tomada pelo mesmo sentimento. É um conto a parte nesse conto;é visceral. A narrativa, em primeira pessoa, contribui para essa imersão do leitor, pois enquanto EU leio em primeira pessoa, todas essas coisas acontecem comigo. Para mim, poderia ter terminado aqui mesmo.
    A segunda parte, com o perdão da palavra, cagou tudo. É demasiadamente fantasiosa e uma atmosfera completamente destoante do restante. Mesmo que haja belas descrições, o leitor chega aqui tão tenso e reteso que não as absorve corretamente.
    Primeiro penso que o cara tinha morrido e encontrado o descanso em tons metamorfos e, de repente, chega o horror da guerra e me confunde negativamente. Concluí que ele havia sido um soldado, morreu em outras circunstâncias e foi pro inferno…
    Se fosse somente a primeira parte, estaria na minha lista, mas essa segunda parte… Vou digerir melhor e amadurecer essa ideia. De qualquer maneira, parabéns e boa sorte.

  23. Iolandinha Pinheiro
    5 de outubro de 2016

    Pois bem, deixei o seu conto por último porque sou extremamente claustrofóbica e um conto como o teu é um verdadeiro desafio para mim. Pior que acabei lendo várias vezes a maldita primeira parte. Tentei fazer leitura dinâmica, mas achei injusto como você, li de pouquinho em pouquinho, mas a leitura perdia a fluência. Acabei lendo a bagaça toda passando muito mal com sensação de falta de ar, mas li. Está muito bem feita a cena de desespero do rapaz. Quando chegou na segunda parte eu pensei. Poxa, era só um sonho. Mas não, era muito pior. Na verdade o rapaz havia sido condenado a passar a eternidade passando pela mesma agonia. Que horror. Lendo o seu conto eu me tornei até uma pessoa melhor, só para não ter risco algum de ir para o inferno. Aceito o purgatório se não houver este tipo de castigo. É isso. O conto é bom e embora tenha quase me matado é um candidato ao top 10.

  24. Fheluany Nogueira
    4 de outubro de 2016

    Uma narrativa instigante, fiquei esperando que alguém viesse desenterrar o personagem. E não é que ao final até sua alma se perde?

    Gostei mais da primeira parte, o suspense com a bateria acabando, as críticas ao vazio das redes sociais; somente não deu para identificar o cemitério… A segunda parte, também tem um andamento mais dinâmico e provocam uma reflexão sobre como seria o inferno. O prazer é dado para que se note melhor o contraste com a dor?

    Leitura fluente, falhas no emprego dos tempos verbais. Parabéns pela criatividade. Abraços.

  25. Fabio Baptista
    4 de outubro de 2016

    A primeira parte lembrou bastante um filme com o Ryan Reynolds em que ele passa o tempo todo enterrado, também com um celular, se não me engano. Essa semelhança a princípio me deixou com o nariz torcido, mas no decorrer o conto vai ganhando características únicas e conquistando. Essa questão do Facebook foi muito bem explorada. Estava tudo muito bom… daí veio a segunda parte.

    Não que ela seja ruim, ou mal escrita, pelo contrário. Mas na minha opinião não casou em nada com a primeira. Eu vi que tem um loop (pelo menos entendi assim), mas isso não tirou a impressão de que são duas boas peças não muito bem encaixadas.

    Abraço!

  26. Davenir Viganon
    3 de outubro de 2016

    Olá Pseudemônimo
    O título é simples e não adianta nada do conto, talvez apenas um ritual referente ao enterro, pois é o significado da palavra. Talvez seja um título simples demais.
    O ritmo começa acelerado com a situação do enterro, e depois fica um suspense. O conto tem uma ideia, apresentada no final, de um ciclo que se repete eternamente. O capiroto parece brincar com o protagonista no pós-morte, dando alívio, depois prazer, só para tirar depois. Vi essa coisa do protagonista trocar de ambientes no inferno num conto do Rubem Cabral no Linha Tênue.
    Gostei bastante!
    Um abraço!

  27. Jowilton Amaral da Costa
    3 de outubro de 2016

    Gostei bastante do conto. A narrativa é ágil, tem um fôlego danado, e deixa o leitor, falo apenas por mim, claro, muito angustiado. Não imaginava de jeito nenhum o final, fui pego de surpresa e gostei. Ótimo conto. Boa sorte.

  28. Wender Lemes
    2 de outubro de 2016

    Olá! Pergunto-me como ninguém teve a ideia desse pseudônimo antes – acho que as melhores ideias são sempre assim. Sobre o conto, gostei de ambas as partes. A cena do caixote é triplamente perturbadora. Geralmente, neste tipo de cena, temos a falta de oxigênio como elemento guia da angústia, mas aqui este elemento se alia à narrativa frenética e à bateria diminuindo continuamente. A relação com as redes sociais foi interessante para mostrar a superficialidade deste tipo de contato – muito se diz, mas pouco se leva a sério. Acho que o tema está subentendido na segunda parte, ainda que de forma bastante sutil. O inferno seria o cemitério das esperanças do narrador. Fora os deslizes já apontados pelos colegas, é um conto muito bem escrito. Parabéns pela técnica, boa sorte.

  29. Marcelo Nunes
    30 de setembro de 2016

    Bom dia. Seu conto está bem escrito, a leitura fluiu bem até o final. Fez bem as descrições e sensações.

    Me lembra um filme, essa passagem dentro da caixa com o celular. Mas não fez que eu perdesse o interesse no resto do texto.

    Relatou muito bem como funciona e serve o Facebook. Não me surpreendeu o final do conto, mas gostei no geral.

    Parabéns e boa sorte.
    Abraço

  30. Brian Oliveira Lancaster
    30 de setembro de 2016

    VERME (Versão, Método)
    VER: Começo destacando o pseudônimo. Bastante criativo. O uso de tecnologias atuais deu um tom contemporâneo cheio de sarcasmos e ironias; o ponto alto do contexto.
    ME: No entanto, a construção inicial pareceu melhor que a final, em minha opinião. As trocas de cenários me lembraram do famoso filme “Vanilla Sky”, do tom Cruise, onde no meio do filme [spoiler]… Achei que o autor ia manter o pé no chão, pois estava indo muito bem. Aguardava alguma crítica nas entrelinhas, mas resolveu seguir pelo caminho mais fácil. Quanto ao texto em si, está bem escrito, mas notei algumas trocas temporais inconstantes. A premissa inicial é excelente, mas, infelizmente, se diluiu durante as divagações. O final faz todo o sentido, mas esbarrou em clichês do gênero.

  31. Anorkinda Neide
    29 de setembro de 2016

    Então…
    a pergunta q naõ quer calar em mim: pq vc nao terminou o conto ao final da bateria, ali, qd a respiração parou? rsrs
    tá, seria curto, seria mini, seria minimalista, sei lá..mas eu acharia bom, com o acrescimo de algum sinal de cemiterio, claro.. pq ele nao apareceu por aqui.
    inclusive o personagem diz q nao esta num caixao, mas num caixote de madeira, entao, nao nos remete a um cemiterio.
    .
    bem, a segunda parte até q começou bem, poderia ser a alma dele num pós-morte, mas nao era, era um looping no inferno rsrs o texto caiu muito desde q o homem viu a ampulheta.
    o texto mesmo, com varios erros, tempos verbais oscilando, algumas coisas q a Claudia já apontou e esta frase:’Então, os prazeres que havia sentido, até então, tornar…’ duas palavras ‘então’ muito próximas uma da outra. ahh tem um ‘saí’, sem acento tb.
    .
    depois os erros cessam e flui melhor no diálogo com ele mesmo..mas o enredo em si, já estava descambado para mim. Até gostei da ampulheta e de q pensar no tempo passando pode nos provocar toda a angustia da existência, mas vc focou noutra coisa, q na real, nao entendi q coisa é… rss
    .
    enfim, o conto ficou confuso demais pra minha cabecinha fraca, foi mal
    boa sorte ae, abraço

    • Pseudemônimo
      29 de setembro de 2016

      De certa forma, o conto termina com o fim da bateria.
      Pense nisso.

  32. Ricardo Gnecco Falco
    29 de setembro de 2016

    Olá, autor(a)!
    Vou utilizar o método “3 EUS” para tecer os comentários referentes ao seu texto.
    – São eles:

    EU LEITOR (o mais importante!) –> A leitura foi bem tranquila e o conto inteiro transcorreu sem entraves. O início ficou um pouco menos fluído do que o restante, mas depois a história ‘pega’ e segue bem até o final. Boa imaginação e imagens/sensações bem descritas. De 1 a 10, daria nota 7 ao trabalho. O final ficou redondo e fechou bem com o início. Boa crítica às redes sociais. Parabéns!

    EU ESCRITOR (o mais chato!) –> Bem escrito e bem dividido. O começo está um pouco mais lento, mas o ritmo certo é alcançado logo a seguir. O/a autor/a soube aproveitar bem o tempo/espaço do qual dispunha, não sobrando ou faltando nada na história.

    EU EDITOR (o lado negro da Força) –> Uma boa narrativa curta, misturando crítica social, filosofia, religião e terror. O resultado ficou interessante.

    Boa sorte,
    Paz e Bem!

  33. Amanda Gomez
    27 de setembro de 2016

    Olá, Pseudônimo.

    Gostei do seu conto, com algumas ressalvas..

    A primeira parte é muito boa, empolgante, faz o leitor deitar naquela caixa e, sofrer a agonia junto com o personagem, realmente é o ponto alto do conto…. Usar o artificio de redes sociais, pedido de socorro virtual, também, foi uma ótima sacada e, mostrou algo que é fato: as coisas são levadas muito pouco a sério nesse mundo virtual, a maioria acha que tudo é piada e, estão todo dispostos a colocar uma foto de luto eterno, pra justificar suas alienações, enfim, gostei dessa parte mais crítica também.

    O conto decai um pouco na segunda parte ( estou dividindo assim, pq sim) A leitura sofre um pequeno baque e, o leitor acaba se tornando indiferente aquele personagem que está ali agora, como se não fosse o mesmo da caixa, resumindo: a empatia praticamente desaparece.

    A portas se abrindo, o levando para prazeres e surtos, não foi algo muito empolgante, mas entendi aonde o autor queria me levar, e fui. Foi uma viagem, curta e repetitiva, que nos levou a um final satisfatório. Já tinha em mente que ele estava vivendo algo repetido, que estava no inferno sendo torturado por um demônio (?).

    O conto ficou bem executado, as emoções do personagens eram palpáveis. Fica as perguntas pra saber quem era o homem, o que ele fez para estar ali… pq.. se ele foi pro inferno (?) coisas boas não foram…. é a uma forma simplória de se pensar, mas é uma das possibilidades, uma vez que o autor deixa isso a cargo do leitor.

    por um momento, achei que o assassino apareceria na rede social dele, curtindo ou compartilhando as mensagens de socorro, hehehe.

    Parabéns pelo conto e, boa sorte no desafio.

  34. Claudia Roberta Angst
    27 de setembro de 2016

    Não sei porque ainda não comentei este conto. Já havia lido o texto há alguns dias. Talvez para afastar da mente a terrível imagem do enterrado vivo. Quem nunca teve pesadelos depois de ver um filme com uma cena assim?

    Encontrei pequenos lapsos de revisão.
    O tempo deslisava > o tempo deslizava.
    haviam os simples prazeres > havia os simples prazeres (o verbo HAVER quando empregado no sentido de EXISTIR, fica sempre no singular)
    A angustia > a angústia

    O tema proposto pelo desafio foi abordado, embora no final, fique mais para inferno do que para cemitério.

    O suspense mantido pelo decréscimo da bateria foi bem legal, quer dizer, foi bem tenso, mas funcionou. Assim como o ritmo da narrativa tornou a leitura mais fácil.

    Pobre narrador, sufocando sob a terra, condenado a reviver um pesadelo infernal.

    Boa sorte!

  35. jggouvea
    26 de setembro de 2016

    Esse é um texto que me trouxe dois tipos de reações. Eu já o lera ontem, mas não quis comentar porque tinha a esperança de ter reações diferentes hoje. Não rolou.

    Em primeiro lugar, toda a parte do enterramento está muito bem escrita e me cativou. Mas toda a parte seguinte me pareceu um tanto frágil em comparação com a outra, e prejudicou em vez de esclarecer. No geral é um conto que estabelece um cenário bom, mas não o leva a um desfecho interessante (ainda que, pelo menos, o leve a um desfecho, diferente de outros aqui).

    Há muita ponta solta a prejudicar o andamento. A ampulheta é um objeto importante, mas não conseguimos realmente entender o que ela simboliza ou faz e partir de certo ponto é difícil saber o que é alucinação por experiência de quase-morte e o que é real. Minha impressão é de que é tudo ilusão depois, e que o final representa um breve retorno do personagem ao seu corpo, apenas para morrer em seguida. Se é isso, o conto é bem pouco surpreendente, mas consegue fazer algum sentido.

    Mas de nenhuma maneira me cativou um dos votos.

    • Pseudemonimo
      27 de setembro de 2016

      A ampulheta é uma representação da repetição, do inferno como repetição.
      Grato pela leitura.

  36. Ricardo de Lohem
    26 de setembro de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Uma história muito original e diferente, que lembra um pouco “O Cemitério sem Fim”” , de Edgar O Corvo. Na verdade, aquele conto é muito superior a este, em vários aspectos, mas nem por isso o presente é desprezível, ao contrário: é melhor que a maioria dos que li até agora. Uma coisa que não gostei: que história é essa de colocar palavras estrangeiras em itálico, como “Facebook”, “online”, “timeline”? Isso é bastante ridículo e ultrapassado, de uma época na qual as palavras estrangeiras eram consideradas coisa do outro mundo, por favor, não faça mais isso, jure que não vai mais fazer isso! Tudo bem, acredito no seu juramento. Ele foi enterrado vivo por engano, ou foi um psicopata? Não entendi muito bem, mas está certo, não é preciso contar tudo numa história. A segunda parte é mais interessante, se bem que um pouco mais de mistério seria bem-vindo, em vez de falar várias vezes a palavra “inferno” só pro leitor ter certeza do que esta acontecendo. Um bom conto, gostei, você está de parabéns, ficará bem colocado, Pseudemônimo, aliás, gostei do pseudônimo também, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  37. Fil Felix
    26 de setembro de 2016

    Nosso lar encaixotado.

    Coincidentemente, o conto anterior a este também mostra uma cena com alguém sendo enterrado vivo (Faminta). Lá foi um momento, aqui ele ocupa um espaço mais importante.

    GERAL

    A primeira parte está ótima, gostei bastante. De início não estava comprando a ideia, mas ao final as coisas se encaixaram. Quer dizer, como alguém é enterrado com celular e fica no Facebook? Mesmo sem sinal, entraria em algum site policial, dos bombeiros, enviaria mensagem com a localização para todo mundo que conhecesse ou não. Por isso achei pouco real, mas ao se tratar de um inferno particular, a ideia coube muito bem! O uso da porcentagem da bateria e até mesmo a utilização do celular também tira o tema “enterrado vivo” do lugar comum e abre novas possibilidades, conseguiu fisgar na leitura. A segunda parte também é boa, mas gostei menos, principalmente porque as cenas no caixão me levou a um conto de sobrevivência, de como sair dali. Se iria realmente sair. Disso parte para um pós-morte-infernal. Pra mim, deu uma quebrada no ritmo.

    Gostei dessa frase: “Meus gritos em caixa alta em queda livre nas timelines alheias”. Época de modernidade líquida, dos pedidos de socorro líquidos, também.

    ERRORr

    Não percebi nenhum erro grosseiro na escrita, está tudo muito bem redigido. Com exceção de um “daquela sensação horrível que dos grãos atingindo…”, acho que esse “que” sobrou. Em relação ao tema, é possível associar o “enterrado vivo” ao “cemitério”, mas fica subentendido que o caixão está em algum lugar de sua mente, não necessariamente um cemitério.

  38. Priscila Pereira
    25 de setembro de 2016

    Oi Pseudônimo, gostei muito do seu texto, mas me pareceu que não obedece totalmente o tema… apesar de seja lá onde for que o personagem está, para ele lá é um cemitério… está muito bem escrito, prende a atenção e fala sobre uma outra perspectiva… gostei muito. Parabéns e boa sorte!!

  39. Taty
    25 de setembro de 2016

    O conto me pareceu confuso, não entendi bem muita coisa, mas sou meio lenta mesmo.

    O rapaz estava condenado ao inferno e sua punição eterna seria reviver a angustia da morte e um vislumbre de felicidade depois, mas se revolta e começa tudo de novo ?

    Então, cadê o cemitério ?

    É isso.

  40. Olisomar Pires
    24 de setembro de 2016

    Se formos observar rigorosamente a obediência ao tema, acho que muitos contos do desafio não se enquadrariam.

    Esse é, de longe, o que menos obedeceu até agora. Mas vá lá, digamos que está valendo.

    A primeira parte é clichê por demais: sujeito enterrado vivo com celular que pede socorro nas redes sociais. Nenhuma situação surpreendente na escrita ou no estilo.

    Aí vem a segunda parte e nos diz que o sujeito está numa viagem pós-morte, essa é bem mais interessante que a primeira parte, inclusive a leitura flui melhor, apesar da repetição das situações e um certo ambiente muito vago, então ele é mandado de volta pra vida pra morrer de novo (ou ter essa sensação), ou seja, é tudo fictício, não há nenhuma esperança para o sujeito que aparece no caixão, o seu corpo real já deve estar apodrecido há tempos.

    Enfim, é bem escrito, mas infelizmente não me conquistou.

    Boa sorte.

  41. Evelyn
    24 de setembro de 2016

    Oi, Pseudemônimo.
    Cheguei na parte dos 5% de bateria quase gritando SOCOOOOOOOOOOOOOORRROOOOOO!!!! Fato. Quanta agonia essa parte provocou. Enquanto eu li eu mergulhava na mesma situação. Insuportável. Não só pelo fato do personagem estar preso em um caixão, mas por ele perceber sua morte real – e virtual, já que os amigos das redes sociais não liam publicações sem imagens. Tremendo desconforto, foi o que eu senti. Algo inexplicável.
    A divisão provocou em mim um alívio. Mas não foi nada suave essa segunda parte. A relação de vida, de transformação, me remeteu à reflexão de como nos reduzimos ao nada quando seres humanos. A total falta de controle, nossos desejos de poder, de força, nos destroçando como humanos. Nossas culpas, nossos medos, nossas façanhas hediondas. Somos o que somos? Não somos coisa alguma. Toda a nossa arrogância deixa de existir na morte. Único destino traçado. Única linha, reta ou torta. Nossa façanha final.
    Parabéns pelo texto. Muito bem escrito. Denso. Tenso. Subjetivo. Amei.
    Abraço!

    • Evelyn
      24 de setembro de 2016

      Quero acrescentar mais algumas coisas, porque esse conto mexeu comigo… Mexeu muito comigo por inúmeras razões bem particulares.
      Eu acho que você foi muito feliz em fazer a quebra. Porque quando se chega na metade, se pensa que terminou e não terminou. Acho que a segunda parte mostra algo muito pior. A primeira, a morte do corpo. A segunda a morte da alma. O motivo pelo qual ele volta. Ele volta e deve vivenciar aquilo tudo.
      A ampulheta foi a imagem que seguiu junto da leitura na sequência.
      Conseguiu fazer a imagem fixar-se. Impregnou a metade da segunda parte para o fim com a dita da ampulheta. Porque mais cruel que a morte é o tempo. E no conto há uma inversão de tudo depois que a ampulheta aparece. Ela é um marco.
      É sutil o significado. Tem muitas sutilezas nesse conto. É um conto extremamente simbólico. E também extremamente inteligente.
      A ideia de estar sendo enterrado vivo pode ser lida de várias maneiras.
      Tem uma frase que diz que existem mortos que não fazem ruído. É o que acontece com o sujeito desse conto. Ele é uma pessoa que não fez diferença.
      Ninguém sentiu mesmo a falta dele. Se estivessem interessados nele, se ele fizesse a diferença, alguém leria a mensagem. Viver aquilo já é uma pena. Viver de novo é uma pena pesada.
      Então, é isso.
      Abraço!

    • Ricardo Gnecco Falco
      29 de setembro de 2016

      “Toda a nossa arrogância deixa de existir na morte.” – Gostei disso, Evelyn. Realmente, este conto nos desperta sentimentos profundos. Parabéns para o/a autor/a! 😉

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Publicado às 24 de setembro de 2016 por em Retrô Cemitérios e marcado .