EntreContos

Detox Literário.

Órbita Vermelha (Davenir Viganon)

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A noite , no início daquela manhã, no passo cambaleante das putas ciscando pelos bares abertos na rua São Paulo. Tomado pelo asco, Tavares chegou a diminuir a velocidade de sua viatura à paisana querendo acabar com aquela putaria, mas hesitou. Seus colegas, de armas em punho e mulheres no colo, o avistaram do barzinho. Era tarde para fingir pressa, baixou os vidros querendo se livrar dos colegas bêbados.

– Ô Carlinhos, tu já tem ingresso para ver o Brasil na semifinal? – Gritou alegremente Mattoso, com a mão deitada na generosa coxa da mulher.

– Não, você tem para me dar? – Na verdade, Tavares estava esperando o Brasil vencer a Colômbia nas quartas. Não estava interessado em pagar caro para ver um jogo da Colômbia contra sabe-se lá quem.

– É para comprar, seu folgado. Eu tenho uns aqui comigo. Se deixar ficar muito em cima, não vai conseguir depois. Eu tô apostando que vamos pegar a União Soviética nessa semi. Imagina só, ver o Brasil dar um sacode naqueles vermelhos!? – Riu alcoolicamente enquanto sovava aquelas coxas – Vai Neymar!

– Olha, ainda não sei. Depois eu vejo contigo.

– Você que sabe.

Acenou e rapidamente voltou a acelerar o carro, rumou até o quartel do exército na Avenida Barbacena.

Quatro homens entraram na sala em silêncio. Com roupas bem passadas, de café da manhã e banho tomados. O primeiro, apressou-se em remover os fones de ouvido da mulher nua, de feridas secas e olhos semicerrados, sentada numa cadeira de madeira. Seu rosto pendia para baixo, derretendo como se fosse a única parte que pudesse fugir dali. Colocou os fones no bolso do jaleco e fez exames rápidos para verificar suas condições vitais. Com um aceno de cabeça, o segundo homem, que já deixara o casaco e o quepe numa cadeira, despejou um balde de socos frios no abdome da mulher.

Nem fingem mais querer respostas, pensou o terceiro homem, carregando uma identificação dizendo: Inspetor Tavares, Polícia Federal.

Assistia o trabalho dos militares, oficialmente, como observador. Relembrava os dados, daquele frangalho humano, contidos numa pasta que carregava. Apertou-a contra a barriga. Estremeceu quando as feridas secas, onde ficavam as unhas, eram premidas com uma fina agulha pelo segundo homem. O primeiro grito de um longo dia.

– Porque está nervoso? É essa cadela? – Perguntou o quarto homem, chamado apenas de Banes.

– Não. Tenho te mostrar algo.

– Está nessa pasta? Poderia ter deixado na minha mesa. Mas se não fez é urgente.

– Sim, é urgente. Tenho motivos para acreditar que esta mulher é inocente.

– A commy é sua amiga? – O termo falado em inglês, vazou de seu ótimo português.

– Não é por amizade Banes, é questão de segurança nacional. Tanto do meu país, como do seu.

– Então o UNSCARE está comprometido. É isso? É uma constatação grave. – Banes alertou enquanto conversavam em sua sala. Era a segunda vez que Tavares explicou o problema.

– Exatamente. O software não tem problemas de rastro, digo, não deixamos pista na detecção de fontes de compartilhamento pirata. Nossa infiltração na comunicação de elementos subversivos, financiadas por Moscou, continua indetectável, mas.

– Ao menos  – interrompeu Banes – não está expondo a operação, pelo que você me diz – ainda com os olhos no relatório de Tavares.

– A nossa segurança, nesse sentido, está garantida.

– Porém… – Tavares entendeu que a testa enrugada significava: Explique de novo. Sou burro, não está vendo?

– Porém, o problema é que não podemos mais atribuir, com uma boa margem de certeza que, quem está disseminando essa pirataria subversiva, na Deep Web, no Google, é quem o UNSCARE aponta. – A expressão de Banes, continuou pensativa. Puta que pariu, pensou Tavares, como essa anta liga o computador em casa? Respirou e continuou – Isso significa que não sabemos se estamos prendendo as pessoas certas.

Banes ergueu as sobrancelhas.

– Como chegou a essa conclusão?

– Veja bem. Tenho mais de quinze anos de experiência caçando esse tipo de lixo que infestava a internet no Brasil. São como vermes, precisam ser alimentados um pouco, depois que crescem, ficam lentos e podem ser capturados de uma vez só. Não adianta pegar indivíduos. Sozinhos nada fazem.

– Vá direto ao ponto, sei que não gosta do UNSCARE.

– Esse software, o UNSCARE, supostamente deveria elevar a vigilância a outro nível. Não apenas pegando quem compartilha o novo filme do Batman, mas agindo no indivíduo em cada coisa que ele produz na internet. Ele monta uma ficha, ou perfil, que é alimentada a cada clique suspeito na rede. Então, o software faz uma lista com os possíveis conspiradores. Mas uma quantidade razoável de nomes nas listas que verifiquei não se encaixa nos padrões já confirmados. O reconhecimento dos padrões do programa está comprometido. Isso significa que o resultado das listas confirmadas não passam de – respirou fundo – algo aleatório.

– Isso é apenas uma teoria, Tavares.

– Sim, é uma teoria, mas para comprová-la preciso de acesso ao código fonte do UNSCARE. Nós operamos o software, porém seu funcionamento é fechado por seu governo e por isso estou aqui.

– Sinceramente, não vejo motivos claros o suficiente para essa desconfiança toda em relação ao UNSCARE.

Ou você não entendeu merda nenhuma e não quer admitir, Tavares pensou, mas achou melhor convencê-lo.

– Há quanto tempo nos ajudamos Banes? Será que minha intuição de nada vale?

– Sim, vale, e esse é o único motivo de eu encaminhar sua solicitação para Langley.

Tavares ficou muito satisfeito. O longo tempo que mantêm contato entre suas agências, a ABIN e a CIA, deixou tudo mais fácil de se pedir para Banes. Sentia-se aliviado, a resposta não deveria demorar mais de dois dias úteis. Como era sexta-feira, e ainda era cedo, daria tempo de ir comprar umas cervejas e ver o jogo contra a Colômbia em casa. Se o Mattoso ainda estiver enchendo a cara, quem sabe compraria os ingressos dele no caminho.

No terceiro dia, Tavares bateu o telefone com força pela décima vez. Quando finalmente Banes atendeu, foi evasivo, falou que a burocracia afetava os EUA também. Quase acreditou, se não sentisse o nervosismo na voz. Retornou aos papéis e dados, recolhidos e analisados. Há anos perambulava na tensão perene entre o Departamento de Inteligência da PF e a ABIN em Brasília. Ano passado, foi transferido para a Superintendência de minas e ontem fechou dois meses trabalhando no caso daquela mulher. Ela era uma camuflagem do seu verdadeiro trabalho. O UNSCARE, objeto da sua paranoica investigação, podia ser um grande erro do governo. Nunca gostou da ideia de todo o fluxo de segredos e desconfiança habituais fluírem pela rede. Umas unhazinhas arrancadas são aceitáveis, mas erros dessa ordem fariam o Brasil um ninho de russos infiltrados.

Tavares saiu do escritório e foi até o quartel do Exército encontrar Banes, o homem da CIA. Sabia que não o encontraria lá, então conversou com alguns conhecidos na base até conseguir vê-la. Sem demora, já estava no caminho das celas. Sem meios de provar a falha do software, nem com a ajuda de Banes, restava seguir o instinto. Este dizia que aquela mulher é inocente e o UNSCARE culpado.

Encontrou a mulher amarrada em uma cadeira da mesma forma que o vira, dias antes. Não pediu para deixá-la daquele jeito e pensou talvez ser o padrão.

– Ana da Silva Cullman, 32 anos. Natural de Sapiranga, Rio Grande do Sul. Microempresária do ramo calçadista. – Disse, lendo a ficha – Como foi parar aqui? – Tavares estava com a ficha. Na linha que apontava a acusação dizia “Interação ativa/apologética em fórum comunista”.

Ana tremeu. Naquelas alturas esperar pelo que fariam era tão apavorante quanto o ato.

– Vim… apenas c-comprar material. Um c-contrato. Assinar.

– Tá mentindo, cadela. Fala! Teu celular, usa para caçar um macho no Tinder, sua puta? – Silêncio.

– E seu computador pessoal, o desktop?

– Não tenho. – O pavor estava nos olhos

– E antivírus, no celular. Você passa? – Pensou em explodir diante das negativas e chamar um ajudante para fazer o trabalho sujo, mas não fez.

– Eu nunca me preocupei com essas coisas. Não sou casada, nem tenho filhos. Ninguém olha no meu celular.

– Sua puta comunista, não mente pra mim! – Gritou próximo ao rosto de Ana. Mas qual delas, pensou. A que tinha registros normais e batia com o depoimento ou a que tinha uma série de dados comprometedores presentes no relatório UNSCARE?

Tavares levantou-se furioso. Queria fugir daquela sala como ele fosse o preso. Saiu sem dizer palavra alguma. Não sabia o que fazer.

Numa sala escura de acesso muito restrito, foi impressa uma folha com a sigla UNSCARE, no cabeçalho. Estava ligado ao software de vigilância mais avançado do mundo livre, utilizado pelo Programa de Segurança Digital Brasileiro. A ordem de recolhimento imediado estava emitida no nome de Carlos Tavares.

Em menos de três horas, Tavares estava nu, sentado em uma cadeira de madeira maciça, com placas de metal gelado, numa sala de abafada e quente. Antes que pudesse acordar completamente, um balde de água foi virado sobre ele. Ouviu o clique da alavanca antes da eletricidade fazer seus músculos dobrarem em si. Enquanto lutava para não mastigar os dentes, tentou se manter firme mentalmente, pois estava consciente do que viria. Sabia que eram previsíveis. Ainda sim, foi insuportável. Antes de sair, colocaram fones de ouvido que tocava uma mesma nota, sem parar, aguda e estridente de algo que em poucos minutos já não conseguia discernir, ainda que tivesse a noite toda para tentar. Apagou com a cabeça latejando e no dia seguinte, quando o homem de jaleco retirou os fones, ainda ouviu aquele som enquanto tomava os socos para acordar. Mas só começou a gritar depois que o outro homem segurou a ponta dos dedos. Viu as agulhas. Então parou.

– Mas que merda. Tirem logo esse homem dai. – Foi a última coisa que Tavares ouviu antes de apagar novamente.

Quando acordou, estava em uma cama de campanha do Exército. Não disseram nada e Tavares também não perguntou. Sabia que nada diriam. Logo após o almoço, servido no leito, Banes entrou no quarto, sozinho. Estava com o olhar vivo e atento.

– O que aconteceu Banes? – Tavares perguntou primeiro.

– Não sei como dizer isso, mas acho que você acabou vendo por si. O UNSCARE tem falhas e você estava certo.

– Vai pra puta que te pariu Banes. Me joga de volta na cadeira, mas não me vem contar essas merdas pra cima de mim – As lágrimas saltaram no rosto dolorido enquanto gritava.

– Tavares, você estava certo e eu errado, o que mais você quer ouvir?

– Alguém fez isso porra! Uma coisa é pegar um pé de chinelo, mas eu? Tu sabe quem eu sou, caralho!

– Sim, eu sei. Mas você precisa saber, que Langley investigou o problema que você apontou no UNSCARE. Descobrimos a fonte.

Tavares pareceu mais calmo, mas era exaustão.

– Eu estava na pista e nem cheguei perto de descobrir. Fala logo, quem sabotou o UNSCARE?

– Há! Os russos, o que você achava?! Introduziram um vírus que dava controle parcial do sistema para Moscou, chamado COSMO VITA

– O que? Comunas infiltrados na operação do software de vigilância mais poderoso do mundo? Difícil acreditar nisso.

– Onde você acha que eles iam querer se infiltrar? No gabinete da pesca? Mas isso não importa mais. Eles já encontraram o desgraçado e ele ganhou uma toca em Guantánamo. Enquanto você, vai receber uma condecoração nos Estados Unidos por ter dado informações cruciais que nos levaram a pegar o espião em plena Langley, e fez isso do Brasil. Não é maravilhoso? Mas tudo dentro da máxima discrição, obviamente. Você não pode dar uma palavra sobe a sua investigação, nem sobre o que ocorreu em decorrência dela. Porque você não leva sua família para Disney? Eu posso providenciar tudo, você não terá de colocar a mão no bolso.

Tavares aquiesceu. Percebeu que estava com uma roupa hospitalar sem bolsos.

Pareceu que semanas se passaram, mas foi apenas um dia depois de tudo aquilo. Tavares não conseguia dar um nome que pudesse repetir em sua consciência. Estivera nos dois lados daquilo. Um único dia no outro lado, fora o suficiente para deixá-lo fechado e um pouco avesso a tudo. No dia seguinte voltou ao escritório para fechar o caso. O Superintendente era o único sabia de sua ligação com a ABIN. Ambos sabiam que qualquer queixa de sua parte receberia apenas um dar de ombros como resposta. O caso de Ana Cullman terminou com um arquivamento por falta de provas. O que não deixou de surpreender seu chefe. Ele nada fez além de jogar a batata quente para o arquivo.

– Recebi o memorando. É bom tê-lo de volta, Tavares. Você está liberado para tirar uns dias de folga.

Ter um agente federal cheio de curativos nos dedos e no rosto, andando pelo prédio, era embaraçoso e gerava fofocas. A liberação para as férias era a primeira ordem de seu chefe após o encerramento do caso. Quando atravessava a sala, passando pelas mesas, ouviu o burburinho de seus colegas. Estavam alegres demais para ele fosse o assunto. Parou para ajeitar sua mesa antes de sair. Ficava ao lado da de Mattoso.

– Ô, Carlinhos. Tu vai ver o jogo amanhã?

– Eu vou tirar uns dias de folga, mas o jogo – decidiu na hora, tateando os ingressos no bolso – eu vou ver sim.

– Era só pra saber.

A grandiosidade de uma Copa do mundo, trouxe um alívio para Tavares. Era bom um pouco de ar livre e multidão. A excitação das ruas, decoradas com bandeirinhas e souvenires, oferecidos pelos sorridentes vendedores, nas esquinas. O fardamento de hoje era a camisa da seleção. Com o manto amarelo, colocou-se em marcha com a família (esposa e filho), até o estádio Mineirão. O sol quente estava agradável nas imediações do estádio.

Uma bombinha, que estourou perto de Tavares, levou seu coração a estratosfera. O som ecoou nos seus ouvidos, mais tempo do que gostaria, deixando irritadiço mesmo após entrar no estádio. Lá dentro, ouviu o hino da seleção adversária da semifinal, a União Soviética, que havia vencido os franceses por 1 a 0 e garantido a vaga para enfrentar os donos da casa. Apesar de um pequeno grupo, que insistiu em vaiar, a maioria do estádio preferiu o silêncio respeitoso. Daquela distância Tavares viu o uniforme todo vermelho, com três listras brancas nas mangas, dos soviéticos com a inscrição CCCP no peito, além do odioso símbolo da foice e martelo, em amarelo, no lado esquerdo do peito. Desgraçou os malditos que plantaram seu nome no relatório.

O hino do Brasil, que tocou logo em seguida, foi cantado por Tavares a plenos pulmões. Buscava invadir e destroçar o moral dos jogadores soviéticos. Sua cabeça latejava em som agudo, como se os fones de ouvido ainda martelassem. Tomou um pouco de sua cerveja e o jogo começou. Não demorou muito tempo para o estádio vir abaixo de alegria. O talentoso Oscar abriu o placar com um belo gol, logo no início do jogo. Passados uns quinze minutos, e algumas cervejas, a esposa de Tavares foi ao banheiro, levando o filho junto.

– O jogo está acirrado não é, mas nunca se sabe. Os soviéticos podem surpreender. – Disse uma moça, de volumosos cabelos ruivos e sotaque do sul, vestindo a amarelinha. Tavares levou um susto quando reconheceu Ana. – Obrigado por me inocentar.

– Do que você está falando? – respondeu ainda surpreso.

– Você foi o único que não me bateu e depois eu fui liberada. Só poderia ter sido o senhor. Muito obrigada – Tavares se acalmou – Estamos ganhando, mas é bom não mexer com os soviéticos. – Continuou Ana, mudando de assunto.

– Tá com medo deles? A gente está ganhando. Daqui a pouco vamos dar de goleada neles. – Quando concluiu a frase, notou que Ana estava fechada e tensa. Ela olhou de volta, fechando um ciclo de olhares e entendimentos.

– O que você está fazendo aqui?

– Além de ver minha seleção? – Ana soava casual.

– Além de se entregar?

– Não vou me entregar e você não vai me entregar, mas vamos pular a parte em que eu te ameaço, pode ser?! Tu está exposto demais e se algo sair na mídia sobre mulheres e homens de bem sendo torturados. Não alguns, mas vários. Acho que nem precisa de muita coisa além da sigla UNSCARE e pronto, a merda atingiria o ventilador. Tu seria o primeiro suspeito de vazar tudo e se, de uma hora para outra, você apontasse para mim, bem… tu sabe.

– Mas, foram vocês que jogaram o vírus, o COSMO VITA.

– É isso que o homem da CIA te disse? Confirmou que o UNSCARE está com defeito? Deixa eu te contar uma novidade querido, eu sei que é difícil admitir para si mesmo, mas você estava errado o tempo todo.

Pararam a conversa. Gol de empate da União Soviética. Ana sorriu discretamente.

– Eu sei que errei sobre você. Uma espiã de Moscou.

– Sou de Volvogrado, mas teu erro não foi só esse, está mais na raiz de tudo que o levou até aqui: O UNSCARE não nunca teve defeito.

Gol da URSS.

Tavares pareceu trancar a respiração. Começou a juntar as coisas. Se ela tiver razão, minha prisão foi coisa do Banes, por chafurdar no UNSCARE. Já Ana não era inocente. Será que Banes sabia? Se ela está aqui, não teve russo preso em Langley porra nenhuma. A CIA me passou a perna. A KGB enganou a CIA. Ela pode ter mentido agora, ou não. Puta que pariu!

– O que você quer, afinal?

– O mesmo que eles. Seu silêncio. Eles prendem quem quiser em seu país. Continuaremos apenas observando. Se algo mudar, te encontraremos. Adeus, Tavares.

Sua esposa voltou com o menino, mas Tavares não viu Ana sumir. Ficou latejando as dúvidas na cabeça. Nem respondeu a esposa quando ela perguntou quem era aquela ruiva. Seu mundo desabava, gol após gol. Uma derrota acachapante. Só conseguia pensar no quanto estava fodido.

Depois de ter acordado tarde, estava sozinho na mesa do café. Sua cabeça, antes latejante da ressaca da derrota, estava agora repousada sobre o jornal. Uma mancha de sangue cobriu a manchete do dia: “A maior VERGONHA do futebol brasileiro”.

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39 comentários em “Órbita Vermelha (Davenir Viganon)

  1. Davenir Viganon
    4 de junho de 2016

    Esse desafio foi especial para mim. Primeiro, por ser Historiador; segundo, porque eu sugeri o tema; terceiro, o pessoal abraçou a ideia na votação e o resultado foi esse desafio massa que todo mundo se puxou pra bolar estórias que gostei muito de ler. Sintam-se todos abraçados:)
    Estou bem satisfeito com minha colocação (13º). Como disse nos desafios anteriores, sinto que estou melhorando e vocês me ajudam muito.
    Quanto ao meu conto, eu cheguei revisar, então mudei coisas da estória de última hora e deveria ser revisado de novo, enfim. Tenho que melhorar isso. Apesar da premissa dele ser simples (A URSS ainda existir) foi difícil imaginar como seria esse cenário. Queria ter sido mais criativo e não ficar apenas uma atualização de algo que existiu antes de 1990 e se prolongou por anos. Tentei usar a copa do mundo de 2014 e a vigilância na internet para atualizar o cenário, mas acho que escolhi o caminho fácil demais, por medo de um cenário complexo demais que não fosse entendido.

    Curiosidades do conto Órbita Vermelha:
    1) Anna Cullman foi inspirada na espiã russa Anna Chapman. https://pt.wikipedia.org/wiki/Anna_Chapman
    2) Banes é inspirado no Smiley do John Le Carré (ele se faz de idiota.😉 )
    3) O título foi inspirado no conto: “Estrela vermelha, orbita invernal”, que também imaginou a URSS ainda existindo mas a estória é totalmente diferente.
    4) UNSCARE é um anagrama para CENSURA, pode conferir:)
    5) COSMOVITA é um anagrama para MOSCOVITA.
    6) O autor leu todos os livros do Ian Flemming e (quase) Tom Clancy; além da trilogia Bourne do Robert Ludlun e um e outro do John Le Carré mas acho que isso já tava meio na cara quando leram meu conto né? :v

  2. Pedro Luna
    3 de junho de 2016

    Gostei da trama de espionagem, envolveu tudo que tinha direito, tecnologia, russos, espiã, tortura. Deu agonia a cena do fone de ouvido. As cenas ficariam boss em um filme, principalmente planos abertos no estádio.

    A URSS vence o Brasil, mas foi de 7×1? Kkk. Gostei do personagem Tavares e o personagem do seu amigo desperta dúvidas o tempo inteiro. A realidade em contos assim é que não se deve confiar em ninguém. Você conseguiu tornar crível a sua trama de espionagem, pois a todo tempo eu sabia que alguma merda ia acontecer e ela veio no fim. A escrita também é clara e obejtiva, sem rodeios.

    Bom conto.

    • Banes
      3 de junho de 2016

      Que bom que você gostou do Tavares. Ele era um grande amigo meu. Quanto ao jogo, não vejo muita graça no futebol, qualquer pesquisa na internet e você descobre que foram 7 goals a 1.
      Segue uma imagem do jornal para você não fazer mais perguntas sobre o que aconteceu..

      Ass. Banes

  3. Wilson Barros
    2 de junho de 2016

    O estilo peculiar, agradável, já revela o autor, que sempre achei parecido com Alcântara Machado. A ideia de realidades alternativas virtuais, estilo matrix, é muito interessante. O conto é um exemplo de uma ideia boa, que quase se desenvolve por si só. Muito bom, parabéns.

  4. Simoni Dário
    2 de junho de 2016

    Olá Tavares, ou melhor, autor.
    Contos de espionagem não rendem comigo. Entendi muita coisa pelos comentários. Achei até leve o enredo apesar de ficar chocada com as cenas que visualizei de tortura. A narrativa até que flui bem, queria gostar mais do assunto que você aborda aqui para poder tecer melhor comentário. Nota-se que o autor tem esmero com a narrativa e deu um bom final ao texto. Parabéns!

  5. Virginia Cunha Barros
    1 de junho de 2016

    Oii! Teu conto me fez lembrar 1984, principalmente por causa das torturas, nossa como me arrepiaram! Eu não gosto muito de futebol, mas achei que combinou perfeitamente com o tema, meio que ajudou a contextualizar com a caça aos comunistas. Eu tive um pouco de dificuldade de entender umas frases, mas a história no geral deu pra pegar bem, gostei da reviravolta no final, a espiã que era espiã mesmo haha… é isso então colega, parabéns pelo trabalho!

  6. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de junho de 2016

    Um bom conto de espionagem, intrigas e com um climão “ameaça comunista na nova era”. Na minha concepção, é um trabalho muito bem feito, com doses de homeopáticas de humor e tensão.

    O RHA ficou difícil de interpretar para mim – escrevo isso sem ter lido os comentários dos colegas que, possivelmente, serão capazes de elucidar a questão.

    Porém, é uma obra bem feita.

    Tavares, não sei por qual razão, me fez lembrar da palavra “tovarish” que em russo quer dizer “camarada”. Acho que o ambiente ditatorial me fez viajar demais.
    Parabéns e muito boa sorte no desafio.

    • Ana Cullman
      1 de junho de 2016

      Também tive essa impressão. Os americanos devem ter pensado isso também. Foram eles que mataram o Tavares, talvez achando que ele fosse nosso “tovarish”.

  7. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá! Este é o quarto conto que avalio no desafio atual.

    Observações: a narrativa se sustenta bem. Foi uma boa escolha misturar o futebol com a temática de espionagem. Fiquei um pouco perdido quando o Tavares foi incriminado, mas a reviravolta com a ruiva se mostrando espiã foi interessante.

    Destaques: a trama é bem fechada e o protagonista é carismático. O ambiente criado é razoavelmente verossímil (com o “sete a um” nosso de cada dia).

    Sugestões de melhoria: uma revisão cairia bem no texto, visto que ele já começa com uma frase estranha. No geral, não prejudicou tanto a narrativa, mas é sempre bom revisar. Algumas passagens poderiam ser mais bem explicadas. Sei que este estilo exige que se deixe alguns espaços para a dúvida e que é difícil regular isto. O espaço deve ser suficiente para a curiosidade do leitor, todavia não tão grande que o deixe perdido.

    Parabéns e boa sorte.

  8. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: Pulp fiction no estrito senso: uma salada, onde não há um fato motivador único para a mudança da história – a URSS continua a existir, o Brasil tem um serviço secreto torturador, etc. Tudo ao mesmo tempo. Ficção de espionagem já é confusa por natureza. Mas essa aqui se superou…

    TÉCNICA: além de pontuações e vírgulas, a história se atropela em diálogos dignos de filme nacional. Ou uísque nacional.

    EFEITO: em poucas palavras, um conto indigesto. Não consegui absorver nada. Desculpe a sinceridade.

  9. Thomás
    31 de maio de 2016

    Boa trama, Tavares!
    Bom ritmo. Sem monotonia, Diálogos interessantes, embora haja alguns erros aqui e ali.
    Acho que você poderia explorar um pouquinho mais as emoções de suas personagens…

    Sua escrita é bem fluida e faz o texto “passar rápido”.

    Gostei.

  10. vitormcleite
    30 de maio de 2016

    História boa de ler, mas onde falta algo. Lamento mas a história não me empolgou, estava a ler e sentia que era tudo muito “contadinho” e faltava sentir a realidade. A linguagem dos policiais ajudou um pouquinho, mas depois a cena das torturas,,, parecia uma história para meninos… tinhas que ter posto sangue fazer-nos sentir os murros no estômago, percebes? Gostei, mas faltou teres feito o leitor sentir-viver mais os acontecimentos.

  11. Swylmar Ferreira
    30 de maio de 2016

    Conto de espionagem muito interessante, apresenta uma boa trama e um desenvolvimento legal. é inegável a RHA é aparente mostrando um mundo onde a URSS continuou a existir. O conto apresenta uma série de vai e vem que gerou certa confusão. Procuro encarar os contos com uma visão mais de leitor e o conto me chamou a atenção, principalmente o personagem principal, o Tavares que foi um joguete nas mãos dos russos e americanos.
    Parabéns e boa sorte

  12. Thiago de Melo
    30 de maio de 2016

    Olá, amigo Tavares, (misturando português e russo isso seria um pleonasmo rs)

    Devo dizer que fiquei um pouco perdido em alguns momentos do seu conto, mas acho que essa falta de clareza faz parte das narrativas de espionagem. Isso faz a gente ficar se perguntando o que está acontecendo e quem é quem. Apesar de ter ficar meio perdido no início, depois que peguei o jeito do seu texto consegui me envolver pela narrativa.
    Gostei dos diálogos e, especialmente, da parte final com a contraposição do diálogo com os gols. Parabéns.
    A única coisa que me incomodou um pouco foi que pareceu tudo muito rápido, um pouco inverossímil. Já que estamos falando de narrativas de espionagem, o grande Tom Clancy tem uma frase muito apropriada para o que quero dizer: “O único lugar onde a vida precisa fazer sentido é na ficção” (ou algo assim)
    Num dia o cara estava investigando, no outro ele estava sendo torturado a madrugada inteira apanhando, acorrentado e com fone de ouvido “endoidecedor”. Daí soltam ele é ele vai ao jogo do Brasil na Copa. Achei que ficou meio forçada essa parte.

    No mais, gostei bastante!
    Um abraço

    • Banes
      3 de junho de 2016

      Você me fez lembrar que há muitos anos o então presidente Clancy falou algo parecido com o que você citou. Até hoje não consegui entender se ele falava dos seus livros ou do seu tempo de presidente.

      Ass. Banes

  13. Eduardo Selga
    29 de maio de 2016

    Respondendo uma réplica de um autor desse desafio, eu disse, por outras palavras, que quando o engenho na elaboração do enredo não salta aos olhos, o sintático-semântico assume um peso enorme.

    É o caso desse conto, cuja trama é boa, mas há inconsistências, como a personagem, após ser severamente torturada, assistir à partida de futebol ´sem sequelas de nenhum tipo. A tortura praticada por forças militares em tempos de guerra (quente ou fria), quando não mata ou invalida o sujeito, deixa-o sem forças por um longo tempo. O bastante para não sentir vontade de assistir a partidas de futebol.

    A quantidade de erros no uso de vírgulas é muito grande, como já foi bem observado, e como é um sinal de pontuação muito importante para determinar ritmo e intencionalidades da elocução do narrador e dos personagens, tantos erros comprometem demais. Junte-se a isso falhas de digitação, palavras mal colocadas e tempo verbal equivocado. Nesse último aspecto serve de exemplo “era a segunda vez que Tavares explicou o problema”, em que o pretérito perfeito não cabe ao verbo explicar, e sim o imperfeito, por causa do “era”.

    No trecho “tu está exposto demais e se algo sair na mídia sobre mulheres e homens de bem sendo torturados” é difícil captar no primeiro momento o exato sentido pretendido, pois a pontuação está inadequada, como que faltando interrogação ao fim e ponto depois da palavra “demais”.

    Vejamos o trecho abaixo.

    “Tavares saiu do escritório e foi até o quartel do Exército encontrar Banes, o homem da CIA. Sabia que não o encontraria lá, então conversou com alguns conhecidos na base até conseguir vê-la. Sem demora, já estava no caminho das celas. Sem meios de provar a falha do software, nem com a ajuda de Banes, restava seguir o instinto. Este dizia que aquela mulher é inocente e o UNSCARE culpado”.

    O problema está no uso de “vê-la”. Até chegar a esse verbo o texto fala em “encontrar Banes, o homem da CIA”, o que dá a entender que o “ver” refere-se a ele, portanto seria “vê-lo”. Porém, no parágrafo seguinte temos “encontrou a mulher amarrada em uma cadeira da mesma forma que o vira, dias antes”, o que pode sugerir que é a mulher a pessoa que ele pretendia encontrar. Mas é uma referência que para chegar demora tempo bastante para gerar confusão.

    Há uma interessante situação de intertextualidade, proposital ou não. É na melhor cena do conto, a respeito da tortura da espiã, em que algumas situações lembram a cena de tortura do livro “O prisioneiro”, de Érico Veríssimo, onde um sargento é obrigado a torturar um guerrilheiro da resistência do Vietnã, portanto um soldado do comunismo, a mesma ideologia da espiã desse conto. Outros pontos similares: na cena do Érico há um médico muito preocupado com as condições de saúde do vietnamita, e aqui o personagem faz “exames rápidos para verificar suas condições vitais”; o sargento do autor gaúcho executa a tarefa com muito incômodo e nervosismo, enquanto nesse conto, o policial, embora não torture, também se mostra nervoso (‘porque está nervoso? É essa cadela?”); em “O prisioneiro” há na cela de tortura um observador, assim como o protagonista dessa narrativa o é (o narrador diz que ele “assistia o trabalho dos militares, oficialmente, como observador”).

  14. Pedro Teixeira
    28 de maio de 2016

    Olá, autor! O conto tem um enredo e narrativa interessantes, mas os vários erros de revisão atrapalharam a fluidez da leitura. O desfecho me pareceu um tanto abrupto; apesar das dicas lançadas ao longo da narração, acabou ficando vago. Talvez com um maior número de palavras fosse possível encaixar melhor as informações e a reviravolta. Enfim, um conto interessante. Parabéns e boa sorte no desafio!

  15. Anorkinda Neide
    27 de maio de 2016

    Olá!
    O erro maior de revisao q me saltou aos olhos foram as vírgulas, por favor, insira-as! rsrs
    Não pude me conectar à trama pois pouco entendi.. estas sutilezas das investigações, o q se descobre nas entrelinhas ou com rebuscados raciocínios não é pra mim, não nasci para ser nem espiã, nem detetive! Dae q eu precisaria daquelas chatas explicações a la Scooby doo…. 😛
    Mas fiquei triste com a morte do protagonista.
    Estou achando legal a atenção dada aos leitores tanto pela espiã qt por Barnes! valeu! hahaha
    Boa sorte, abração!

    • Banes
      27 de maio de 2016

      Também fiquei perdido em meio a tanta coisa acontecendo. Mas uma coisa eu posso garantir: Nunca confie nos russos, acho que Tavares fez isso e acabou morrendo.

      Ass. Banes.

  16. Leonardo Jardim
    25 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐⭐▫): é bem elaborada e bastante fechada, com uma boa reviravolta e um bom final. Gostei do clima de Copa e de conspiração. Algumas passagens e transições, porém, ficaram confusas, como na parte em que ele é preso, ficou muito abrupto. Fora isso, é uma boa história.

    📝 Técnica (⭐⭐▫▫▫): o texto contém alguns problemas que incomodam bastante, principalmente de pontuação e inversão de tempos verbais. Acho que o autor precisa ter um pouquinho mais de atenção à revisão e à escrita, trabalhar um pouco mais a linguagem ao invés se preocupar unicamente com a trama, pois acaba travando a leitura. Seguem alguns pontos que anotei enquanto lia (não era meu foco):

    ▪ Relembrava os dados *sem vírgula* daquele frangalho humano

    ▪ O termo falado em inglês *sem vírgula* vazou de seu ótimo português

    ▪ Há quanto tempo nos ajudamos *vírgula* Banes? (E outros casos semelhantes)

    ▪ Enquanto você *sem vírgula* vai receber uma condecoração

    ▪ Daquela distância *vírgula* Tavares viu o uniforme todo vermelho

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): o conto possui doses de novidade, mas alguns elementos espionagem usados são comuns.

    🎯 Tema (⭐⭐): a guerra fria não acabou, EUA e URSS continuam disputando forças e a internet é um elemento novo nessa disputa. Gostei dessa abordagem de RHA, focando mais no depois do que no como.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): já adiantei que gostei bastante do texto e a reviravolta funcionou comigo, ainda mais trazendo aquele gosto amargo de 7×1 de volta no final. Essa conexão com o futebol (sair ganhando, mas tomar uma goleada de virada) ficou muito bom mesmo.

  17. Andreza Araujo
    23 de maio de 2016

    Cara, seu texto me deixou tensa. Ainda estou sentindo certo desconforto nos ombros.

    Título: interessante. Pensei que leria mais um conto de Ficção Científica, algo sobre Marte talvez. Então percebi que o nome se referia à vigilância da URSS. Genial. Se parar pra pensar, também poderia significar o final do conto, com a cabeça do nosso amigo sobre a poça de sangue e… não? Ok, rsrs.

    O início tem um ar de descontração, ao mesmo tempo me deixou apreensiva. Pensei que rolaria um tiroteio ali.

    As cenas de tortura são angustiantes. E olha que a tortura foi até leve, de certa forma (existem torturas bem piores, isto que eu quis dizer). É que eu fico bem impressionada com essas coisas.

    A parte do programa espião me lembrou do seriado “Person of Interest”, conhece? Caso negativo, um resumo: um supercomputador foi programado para encontrar pessoas em apuros, mas os mocinhos da história não sabem se as pessoas indicadas são as vítimas ou as assassinas. É um seriado muito bom, por sinal. hahaha

    Voltando, é uma trama bem elaborada. Todas as cenas foram bem desenvolvidas. Ali no finalzinho estranhei a moça ter aparecido assim de repente, mas ela era uma espiã, poderia ter seguido o cara até aquele lugar da arquibancada, ou já sabia qual era o lugar dele e ficou aguardando. Ou seja, na minha cabeça funcionou, mas talvez esse pequeno detalhe pudesse ter ficado claro no texto.

    Olha, aquele final intercalando os gols da URSS com os diálogos foi genial.

    Para não dizer que tudo são flores: muitos, mas muitos errinhos bobos de revisão! Como alguns aqui já deram exemplos desses erros, não vou me alongar neste ponto.

    Parabéns! Gostei muito.

  18. Fabio Baptista
    19 de maio de 2016

    A escrita é muito boa, apesar de um número considerável de falhas de revisão (listadas abaixo). Conseguiu contar a história com agilidade e clareza dentro do que a trama permitiu.

    Achei bacana o contexto criado para a história e o uso da Copa do Mundo como pano de fundo.
    O jogo de espionagem foi legal, mas confesso que sou meio tapado para esse tipo de enredo. Costume me perder com facilidade nas reviravoltas e foi o que aconteceu no final, quando a personagem torturada vem ameaçar o Tavaraes (encontrando-o num Mineirão lotado). Pelo que notei da reação do Tavares, ele também ficou na dúvida sobre que diabos estava acontecendo afinal. Mas, para mim, não foi uma dúvida boa… nesse tipo de história eu prefiro as coisas mais explicadinhas, mastigadas… do contrário, não tem muito como saber se atitudes anteriores foram verossímeis ou não.

    A prisão do Tavares me lembrou bastante “Minority Report”, pensei que a trama evoluiria para algo do tipo.

    – A noite , no início daquela manhã
    >>> ??????

    – Não. Tenho te mostrar algo
    >>> faltou um “que”

    – Há quanto tempo nos ajudamos Banes
    >>> Há quanto tempo nos ajudamos, Banes

    – O longo tempo que mantêm contato entre suas agências, a ABIN e a CIA, deixou tudo mais fácil de se pedir para Banes.
    >>> Essa frase soou estranha, apesar de compreensível.

    – Este ***dizia*** que aquela mulher ***é*** inocente
    >>> mistura de tempos verbais

    – numa sala de abafada e quente
    >>> sobrou um “de”

    – O que aconteceu Banes
    >>> O que aconteceu, Banes

    – O Superintendente era o único sabia de sua ligação
    >>> outro “que” comido

    – Estavam alegres demais para ele fosse o assunto
    >>> outro

    – O talentoso Oscar abriu o placar com um belo gol
    >>> odeio esse fdp.
    >>> (mas foi só um desabafo :D)

    – Deixa eu te contar uma novidade querido
    >>> Deixa eu te contar uma novidade, querido

    – O UNSCARE não nunca teve defeito
    >>> sobrou um “não”

    Conto bem escrito, mas mal revisado.
    Bom desenvolvimento, mas resolução aberta demais.

    Abraço!

    • Banes
      20 de maio de 2016

      Eu também tenho problemas para entender coisas complicadas. Tavares é que tinha muita paciência comigo. Explicava aquelas coisas de programação quantas vezes necessário. Formávamos uma boa equipe. É verdade que ele andava distante. Achei que tinha superado a sabotagem dos russos no nosso sistema, mas antes que pudesse falar com ele novamente… bem, você já deve saber. Acho que vocês brasileiros dão muita importância para o Futebol. Os russos sabem explorar as nossas fraquezas. Se você não entendeu, o aconselho a nem tentar querer saber mais. Outro conselho: tome cuidado com os russos.

      Ass. Banes.

  19. Pedro Arthur Crivello
    19 de maio de 2016

    gostei da realidade histórica que você introduziu, com o Brasil ainda tentando lidar contra o comunismo como na ditadura. o final foi bem chocante e cheio de significado, parabéns fechou com chave de ouro. a história foi envolvente ,teve altos e baixos ,e sua linguagem ficou muito boa . em tud foi um dos textos mais estruturados que vi

  20. Brian Oliveira Lancaster
    18 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: Um contexto de espionagem fez falta por aqui. Pontos por isso. Toda a atmosfera, mesmo que crua, trouxe uma carga dramática excelente. Não sou muito fã de textos mais viscerais, mas o suspense consegue manter o leitor preso.
    E: É um Rha bem contida, mas eficiente. Nenhum termo técnico atrapalhou, assim como a construção evento após evento. Tudo foi bem balanceado, exceto talvez, sua prisão temporária – pois deslocou tempo demais em poucas horas, mas não atrapalha. Deixei que a imaginação trabalhasse com o restante. Um final duvidoso bem pontuado de acordo com o gênero escolhido, com uma camada de estereótipo brasileiro.
    A: Toda a alteração vem da tecnologia e das diferenças culturais e, em menor importância, o jogo. Esse clima de conto policial ajuda na criação de um elo histórico. Está lá ao redor, sutil, mas está.
    O: Eficiente. Notei apenas um “não nunca” perto do fim, um pequeno deslize. Mas que não compromete a qualidade da história de teor mais cotidiana.

  21. JULIANA CALAFANGE
    18 de maio de 2016

    Gostei muito, adoro o gênero. Sou fã do Ludlum! Seu texto me manteve interessada do começo ao fim, apesar dos erros de revisão. Claro q com mais palavras poderia ter elaborado melhor os personagens e as situações, mas isso não comprometeu. Também acho que vc pode melhorar um pouco aquela cena final com a Ana. Fica faltando alguma coisa. Essa é minha única crítica. Parabéns!

  22. Davenir Viganon
    17 de maio de 2016

    RHA: A URSS ainda existe.
    O inicio falando de futebol, me enganou. Achei que seria o terceiro conto sobre isso, mas logo depois a coisa ficou pesada e tudo mudou. Então o tema foi mais fácil de pegar. A URSS ainda está por ai, junto com ela a Guerra Fria. Mas e o Brasil, é uma ditadura? Parece uma ditadura, pelas torturas, mas tortura tem na nossa democracia também (Amarildo que o diga).
    Notei que o autor teve uma preocupação em criar uma trama elaborada de espionagem. É muito fácil acabar colocando algo com pouco sentido e se perder. O que acarreta em mais explicações que podem ficar sacais. Mas tem coisas que dá pra tocar de ouvido, como se diz. A mistura com futebol foi só para “abrasileirar” a estória, mesmo com os personagens estrangeiros. Como já falaram aqui, sobre a inspiração em Robert Ludlun e Ian Flemming é evidente, mas não se pode culpar o autor por não usar livros e contos de RHA que tem por ai, ninguém é obrigado a lê-los. Um abraço!

  23. Gustavo Castro Araujo
    16 de maio de 2016

    Um conto sobre espionagem no estilo acelerado do Lundlum. Mal dá tempo para respirar. Uma realidade em que a URSS permanece como força política seria o sonho de muita gente, especialmente de escritores como Ian Fleming, pois poucos assuntos renderam tantos bons livros nessa vertente como a guerra fria. Achei que você fez um bom trabalho, considerando-se o limite de palavras. Fiquei um tanto incomodado com a alteração dos tempos verbais e também com a falta de revisão em determinados trechos. Mas isso não suprimiu a curiosidade despertada e a leve epifania provocada pelo final. Pobre Tavares, aparentemente era o sujeito mais durão do bairro, mas na verdade era o trouxa de plantão. Deu no que deu. Boa história. Parabéns.

  24. Evandro Furtado
    15 de maio de 2016

    Ups: Foda! Trama densa, personagens super bem construídos… Além disso, você partiu de uma premissa fantástica, conseguiu explicar bem seu universo antes de seguir para o final usando o futebol e a política paralelamente pra fechar com chave de outro. Olha, aplausos pra você.
    Downs: Infelizmente, parece que uma revisão final passou longe. Além de vários errinhos pontuais, os tempos verbais ficaram bagunçados em diversos momentos. Uma pena.
    Off-topic: acho pouco provável que essa goleada viesse em 2014. Agora, alguns anos antes com um ataque com Arshavin, Pavlyuchenko e Shevchenko, isso provavelmente aconteceria. Ou, que sabe, nesse universo, esses jogadores ainda estejam em sua melhor forma…

    • Banes
      15 de maio de 2016

      Olá. Tavares não pode responder, pois foi envenenado pelos russos. Lamentável. Não conheço tanto de futebol como ele, (prefiro baseball) mas sei que os russos se valem de anabolizantes de última geração que tem passado pelos melhores testes desenvolvidos na América. Nosso governo tem planos para boicotar a próxima copa do mundo que será na URSS, por conta das inúmeras denúncias de doping, mas nem sabemos se a nossa seleção terá a vaga. Pelo que ouvi por ai, acho que o resultado surpreendeu todos.

      Ass. Banes

  25. Catarina
    15 de maio de 2016

    O impacto do COMEÇO me seduziu imediatamente. O FLUXO azeitado fez da TRAMA o mecanismo principal de uma ALTERNATIVA histórica sutil. O conto vai e volta e chega ao FIM retratando o triste momento atual brasileiro. O diálogo com a ruiva ficou frágil. Um conto inteligente e sem obviedades.

    • Banes
      15 de maio de 2016

      Fiquei sabendo dessa conversa, mas não acredito que ela tenha acontecido. Tavares teria me avisado, nos conhecíamos há muito tempo.

      Ass. Banes.

  26. angst447
    15 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    Título – Duas palavras que não entregam nada do que o conto revelará. Soa bem.

    Enredo – Futebol, tortura, programa espião com possível defeito – elementos que se permeiam sem deixar pontas soltas. Esperava que a tal Ana fosse uma cidadã inocente mesmo, mas o final contrariou minhas expectativas. Também achei um tanto forçada a moça estar lá assim, do nada, livre, leve e solta, gozando de plena saúde e ameaçando sutilmente Tavares. Aliás, é o segundo conto que leio que tem um personagem com esse nome.

    Tema – O conto desenvolveu o tema do desafio, sem problemas. Uma realidade histórica alternativa, com o Brasil se dando muito mal no futebol e a União Soviética firme e forte no contexto mundial.

    Revisão – Pouca coisa a ser revista, um “que” faltando em uma frase. Apenas estranhei “Desgraçou os malditos que plantaram seu nome no relatório” > O verbo “desgraçar” significa causar desgraça para alguém. No caso, acho que o autor quis dizer algo como “praguejou contra”, “amaldiçoou” .No geral, o conto está muito bem escrito e sem falhas.

    Aderência – Os diálogos sempre me chamam a atenção e facilitam muito a minha leitura. Apesar do conto abordar momentos de tortura que me causam repulsa e aflição, no geral, meu interesse manteve-se estável. Bom trabalho!

    • Ana Cullman
      16 de maio de 2016

      Olá Cláudia, tudo bom? Tavares não pode falar contigo, ele está meio morto sabe? Fiquei sabendo da morte dele por envenenamento, só depois que estava de volta em Sapiranga. Provavelmente foram os americanos, pois não estavam satisfeitos com Tavares querendo acessar o código fonte do seu precioso programa de vigilância.
      Minha aparição foi repentina eu sei, talvez estranha. Mas tu te surpreenderia com a facilidade que alguns conhecidos nos lugares certos podem fazer por ti em momentos de apuros. Consegui que me libertassem imediatamente. Recebi desculpas oficiais do governo e uma “recomendação” de silêncio. Meu disfarce continua intacto e meu treinamento no KGB, ensinou a disfarçar a dor quando necessário. Se aparentasse estar fragilizada jamais teria condições de “aconselhar” o silêncio a Tavares e ser ouvida. Ele acabou sendo vítima dos americanos, coitado.
      Tudo de bom querida e não conte esse nosso segredinho, sobre mim, para ninguém, tá bom? Hoje em dia é fácil achar alguém distraído falando o que não deve.

      Ass. Ana da Silva Cullman. AKA. Anna Vasilyevna Kushchyenko.

  27. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    1. RHA apresentada: URSS é potência no futebol e viva no mundo, Brasil luta contra o comunismo.
    2. Tempo do conto: indeterminado.
    3. Dilema: Software espião apresenta defeito, agências secretas perdidas, falhas dentro da rede.
    4. Escrita: Dentro da normalidade;
    5. Ritmo ou desenvolvimento: Bom, embora a conexão ou alegoria do futebol como plano de fundo retira o mistério que esse tipo de estória exige, os personagens me parecem deslocados, a cena final no estádio é suspeita, como uma interrogada-torturada se desloca tranquilamente após o cárcere, encontra o agente num local repleto ? meio forçado – além disso, não encontro o desfecho satisfatório, o agente morreu ? porque ?
    6. Conclusão: Bom texto, mas evitaria o aspecto social dos colegas de trabalho e menção à família, deturpa o ambiente.

    • Ana Cullman
      27 de maio de 2016

      Olá Olisomar.
      Contatos, meu caro, “amizades” se quiser chamar assim. Habilidades desenvolvidas em anos de treinamentos compulsório em Moscou. É difícil de acreditar eu sei e acho ótimo que pensem assim. Quanto a encontrar Tavares, sinceramente, quem consegue se manter escondido na era da internet com tantas câmeras e selfies nas redes sociais? Usando o programa certo é impossível. Agora o porque da morte de Tavares? Obviamente foram os americanos.

  28. Ricardo de Lohem
    14 de maio de 2016

    Olá, como vai? Então é assim: a URSS continua a existir , e o Brasil é uma ditadura que combate o comunismo. Tudo bem, é RHA, o problema é que esse tipo de história de sociedade repressora e ditatorial é difícil de ser feita porque tem que competir com grandes clássicos do gênero, como 1984, de George Orwell, além de inúmeros romance de espionagem da guerra fria. É uma tarefa muito dura fazer melhor que George Orwell, eu não tentaria. Fiquei o tempo todo comparando a história com 1984, não teve jeito, foi difícil gostar da história por causa, em parte, desse parâmetro. Um conto razoável, desejo Boa Sorte.

    • Banes
      15 de maio de 2016

      Infelizmente Tavares não pode responder, foi vítima de um envenenamento. Provavelmente coisa dos vermelhos. Eles envenenaram Orwell também por conta deste livro. Mas acho que posso responder por ele, trabalhávamos juntos a um bom tempo e posso afirmar que os EUA não se aliam a ditaduras. O Brasil é um exemplo de democracia e combate ao terrorismo e ao comunismo, pois tomam medidas enérgicas quando necessário.

      Ass. Banes.

  29. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Interessante a trama, tem ritmo, o final é vago, no geral, gostei do conto.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .