EntreContos

Literatura que desafia.

Liberdade no Horizonte (Claudia Roberta Angst)

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Ignorando os sucessivos bocejos do pai, Paulo apontava para o mapa mundi exposto na tela do seu tablet. Já haviam brincado disso várias vezes e o menino ainda não se cansara do jogo.

− E que país é esse? – Perguntou com o sorriso nos olhos, imaginando se o pai saberia a resposta.

− Brasil. – Gustavo respondeu sem titubear.

Orgulhava-se de seus conhecimentos sobre os aspectos geográficos e históricos mundiais. Era um aficionado por culturas de diferentes civilizações. O interesse do filho funcionava como motivação para manter a mente atenta a novas fronteiras.

− Já foi lá, Papai?

Não, nunca estivera naquela parte do mundo. Talvez, nem tanto por falta de oportunidade, mas por uma estranha aversão aos trópicos herdada dos pais. Era o desconhecido ameaçando a estabilidade conquistada com tanto esforço. Melhor seria deixar o clima misterioso de aventura tropical para os filmes de ação.

− Não, mas dizem que é um lugar muito interessante.

Paulo percebeu a movimentação dos lábios do pai formando um contagiante bocejo e os braços esticarem-se em um longo espreguiçar. No entanto, a despeito do cansaço paterno, ele não estava pronto ainda para dormir. Queria saber mais sobre aquele reino desconhecido.

− Que língua falam por lá?

Instigado pela curiosidade do filho, Gustavo pensou por um ou dois minutos antes de dar a resposta. O menino aguardava impaciente, como se o tempo estivesse atravessando a noite mais lentamente do que o normal.

− Inglês e Espanhol. Em alguns estados, ainda se fala o Português.

− Como nós? – Paulo sentiu-se momentaneamente familiarizado com aquele ponto no mapa.

− Sim, o Brasil já foi uma colônia de Portugal, mas isso faz muito tempo. Nem vale a pena saber. – Respondeu tentando acabar com o assunto.

− Me explica?

Gustavo rendeu-se ao olhar suplicante do filho, que fazia com que ele se sentisse um herói, detentor do maior conhecimento do mundo.

− Há uns trinta anos, o Brasil conquistou sua independência, ou seja, deixou de ser terra dos outros. Mas antes disso, foi colonizado pelos portugueses durante séculos e depois invadido pelos espanhóis, que prometiam tornar o país uma grande potência.

− O que é uma grande potência?

− Quando se manda em tudo, uma espécie de chefão dos outros países, sabe?

O menino sacudiu a cabeça, concordando e esperando mais história.

− Depois, foram os britânicos que dominaram parte do território brasileiro, sobretudo o litoral. Você já estudou sobre a sangrenta Guerra de Malditas? Não? Pois, então, foi um conflito militar entre o Reino Unido e a Argentina.

− E quem ganhou a guerra, Papai?

− Os argentinos, claro. No final, Evita Peron instalou seu governo nas terras brasileiras e Buenos Aires tornou-se a capital dos “malditos sem camisa”. Foi um momento histórico. Dizem que foi a era de ouro do país.

− Evita Peron?

− Era uma atriz sueca, que nasceu Eva Garbo e se casou com o imperador da Argentina, Che Guevara Peron. Fez um estrago danado aquela lá, mas depois que ficou viúva, resolveu brincar de WAR e expandir o domínio argentino pela América do Sul. E o Brasil, entrou nessa. Mas antes disso, aconteceu muita coisa….

− Pode me contar?

Gustavo coçou a barba, pensativo. Não sabia se era uma boa idéia estender aquela conversa. Não queria despertar ainda mais o filho que não parecia ceder ao sono apesar do adiantado da hora.

− E se você tiver pesadelos com isso? Sua mãe vai me matar se souber.

− Ela não precisa saber…

Ele, então, olhou para o filho que sorriu com cúmplice determinação. Estava crescendo rápido demais, longe dos passos que havia imaginado. Cedeu à insistência de Paulo, como sempre.

Buscou na memória o que aprendera nas aulas de História e adaptou o que vira em alguns documentários do tempo em que cursara Antropologia. Por segurança, omitiria alguns detalhes que Paulinho, na inocência de seus primeiros anos escolares, não necessitava conhecer.

Gustavo cruzou os braços recebendo o frio da noite que começava a amortecer seus sentidos. Com a voz tranqüila, porém firme, contou a história do jeito que se apresentou.

☼☼☼☼☼☼☼☼

− Arre, que hoje não é dia de se levantar!

Virou-se com a preguiça de quem adiaria o amanhecer se pudesse. Olhou para a mulher que já estava de pé e se deixou invadir pelo desejo. A pele macia e o frescor das promessas depositadas nas curvas generosas pareciam miragem, resquícios de sonhos.

− Avia-te, Pedro, ou perdes a cabeça além da coroa.

Ele sorriu ao constatar a falta de cerimônia de Maria. Nenhum respeito ao protocolo imperial, nada de tratamentos adequados. Ali, ele era apenas Pedro: amante, amigo, um gajo sem firulas.

Aquela mulher tinha razão, pois a situação era mesmo bastante instável. Mas a cama parecia-lhe um lugar muito mais aprazível do que qualquer trono. De que lhe valeria ser rei da mais promissora colônia do império lusitano?

Praguejou contra a própria primogenitura. Seu irmão Miguel era, sem dúvida, o mais indicado para enfrentar a ira da coroa portuguesa e o faria com toda a altivez. Ele, não. Preferia se aventurar em outras fronteiras, deleitar-se com outros poderes, mais mundanos e prazerosos.

− Mulher, ouça o que digo: ainda hei de me arrepender de deixar teu leito e tuas ancas.

Maria riu graciosamente, sentindo as faces rubras e o corpo amolecer em tardio desejo. Mesmo assim, tratou de expulsar o nobre visitante, sem mais delongas. Não podia se dar ao luxo de estender aquela visita, pois Joaquim Pereira, seu marido, não tardaria a voltar de viagem.

Apesar de haver apreciado muito a aventura com o português, a jovem senhora  precisava preservar o pouco que restava de sua reputação. As más línguas não demorariam a disparar ladainhas aos ouvidos dos mais curiosos.

Seria muito arriscado manter o amante por perto, ainda mais ele se dizendo um membro da família real. Maria das Ostras não lhe deu muito crédito por isso. Sabia que os homens eram capazes de dizer barbaridades para alcançar a intimidade de uma mulher.

Pedro tratou, então, de partir da vila, empurrado e não menos emburrado. Se precisava mesmo seguir viagem, que fosse o mais cedo possível. Reuniu a tropa necessária, depois de aceitar dois ou três convites para se banquetear em companhia bastante hospitaleira. Ignorou todos os avisos quanto ao perigo de beber ou comer naquelas paragens. Devia ser implicância dos mais precavidos senhores,  pensou e relaxou a guarda. Deleitou-se o mais que pôde e só então enfrentou a dura jornada.

Não tendo alcançado metade do caminho de volta, Pedro praguejou. Não lhe ocorrera que a viagem fosse tão árdua, pois sua intenção era apenas homenagear os Andradas, sem muita ostentação, conhecendo sua cidade de origem.

Ouvira algo sobre corrupção entre os seus subordinados e isso não lhe parecera tão aviltante. Uns pecadilhos aqui e ali, quem nunca os tivera? Nada comprovado que pudesse resultar em um impedimento. Mas o povo falava e o perigo rondava o poder.

Pedro conhecera Maria das Ostras em uma das vielas encardidas de Santos. Os olhos astutos e as formas fartas da moça adoçaram os dias e as noites que, até então, haviam se mostrado bastante enfadonhas. Ali, sem o uniforme oficial ou a coroa que lhe pousasse algum respeito, Pedro não recebera atenção especial do povo, que parecia não ver muita diferença entre o príncipe e um membro qualquer da comunidade.

Na corte, a história era outra. O seu excelente manejo com armas trouxera-lhe fama, mas era o seu talento com as mulheres que impressionava a todos, sobretudo aos dedicados pais de família. Estes escondiam as filhas donzelas, assim que percebiam a sombra do príncipe alcançar as pedras próximas às suas residências.

Há alguns meses, a família real voltara à Europa, pressionada pela restituição do Pacto Colonial. A Corte de Lisboa exigia também o retorno de D. Pedro. Ele que largasse aquela terra o quanto antes. Desejavam recolonizar o Brasil e a presença do príncipe atrapalhava os planos de exploração da terra.

Como era para o bem de todos e felicidade geral da nação, Pedro disse ao povo que ali ficaria, mais por inércia do que por vontade. Ceder ao apelo popular era apenas a opção mais confortável para aquele momento. Não desejava bancar o herói. Acreditava ter atos mais interessantes a praticar.

☼☼☼☼☼☼☼☼

A maresia parecia puxar Pedro de volta ao pé da serra, para os braços roliços de Maria das Ostras. Qualquer gota de mar valeria mais do que aquela tortuosa viagem sem fim. No entanto, sentia que era o seu dever resistir àquela tentação, pelo menos por ora. Depois, veria o que fazer.

A corte também tinha lá os seus encantos. Havia a senhora Domitila de Castro Canto e Melo, a quem já havia cedido corpo, alma e, quem sabe, em algum delírio, um título de nobreza. No entanto, Titila encontrava-se próxima demais dos corredores do palácio, ameaçando a imagem da família real. Pedro temia que a amante se deixasse contaminar pela monotonia do dia a dia na corte. Isso seria imperdoável, repetia para si mesmo.

Montado em uma mula preta, retinta, das mais teimosas e empacadas, Pedro seguia viagem, começando a subir a serra do mar e temendo por um desmoronar de terra. Jurou a si mesmo que evitaria, a qualquer custo, repetir aquele trajeto, mesmo com Maria das Ostras apetecendo-lhe os instintos mais básicos.

Junto ao riacho do Ipiranga, Pedro pediu que todos apeassem. Não conseguiria se controlar por mais tempo. A distância percorrida já lhe havia torturado além do suportável. A comilança, o pecado da gula cometido sem remorsos, começava a cobrar seu preço. O estômago ardia e algo se remexia em suas entranhas. Buscou alguma privacidade atrás da vegetação nativa, esgueirando-se dos olhares jocosos dos companheiros de viagem. O mal-estar cedeu ao alívio e ao odor pútrido que alcançou as narinas dos desavisados.

− Onde está o reizinho? – Perguntou um jovem que se aproximava do grupo.

− Está a cagar atrás de alguma moita por aí. – Disse um dos oficiais sem a menor cerimônia. Era, de fato, a verdade, nua, crua e agachada.

Pedro apressou-se em se recompor antes que lhe flagrassem em situação vexatória. Recebeu a correspondência com as mãos trêmulas, um pouco pela ira da interrupção, mas ainda mais pela fraqueza que se instalava no seu corpo.  Leu, de forma rápida, sem pausa para vírgulas, a noticia de que havia sido rebaixado de príncipe regente a mero delegado das cortes. Uma afronta, sem dúvida, para lhe fazer ceder e assumir seu lugar junto à família em Portugal.

Mesmo diante da evidente provocação, a ideia de tomar uma nau e seguir para o velho mundo, não lhe agradava em nada. Seria outra viagem sem proveito algum, que duraria tempo demais, causando-lhe enjoo e enfado.

Ainda refletindo sobre a sua nova posição, Pedro ouviu um  rastro de cochichos sobre mensagens importantes e a situação instável do reinado. Fofocas de comadres alcoviteiras – foi o que pensou sem censurar o que lhe vinha à mente.

As outras mensagens eram bem distintas: uma de Maria Leopoldina e outra de seu conselheiro. A sorte está lançada, dizia José Bonifácio, nada temos a esperar de Portugal, a não ser escravidão e horrores. Aporrinhações, indagações sobre o rumo de sua vida e seus planos diante da pressão da corte. Arre, que não devia mesmo ter se levantado!

Francisco, o Chalaça, melhor amigo de Pedro, fazia muita falta naquele momento. Se lá estivesse, decerto cochicharia algo em seu ouvido. As palavras sairiam lentas, misturando o português e o francês de modo desigual. O que lhe diria seu confidente de tantos anos? Ora, vá cagar, Pedro, e que tudo mais se dane!

 ☼☼☼☼☼☼☼☼

Com as palavras de José Bonifácio atropelando seus pensamentos, Pedro tentou manter uma ordem racional dos fatos. As opções não eram tantas assim, a seu ver. Se a independência fosse proclamada, não haveria de ser reconhecida facilmente.

Fosse naquele dia ou em outro qualquer, não existiria uma saída fácil. Talvez aquele pedaço de mundo não fosse mesmo fadado a ser livre, afinal. Os séculos seguintes talvez trouxessem a resposta da questão que se precipitava naquele momento.

Enquanto a ânsia pela liberdade clamava por espaço e direito, a independência parecia chutar o ventre da pátria, sinalizando estar pronta para nascer. Pedro, de repente, deu-se conta da urgência do momento. Talvez, aquela ocasião fosse a mais propícia para inflar o peito e gritar algo como Independência ou Morte.

Pedro sabia que poderia, se quisesse, suscitar o rompimento dos grilhões lusitanos, mas se encontrava sem forças para tanto. Sucumbira ao desarranjo intestinal que não cedia nem mesmo diante dos mais veementes protestos.

Ao tomar fôlego, Pedro imaginou-se rasgando as cartas recebidas, atirando os fragmentos ao solo e pisoteando aquelas verdades como se fossem formigas sem merecimento ou reconhecimento. A imagem, construída em sua mente, trouxe-lhe um pouco de alívio que, no entanto, durou muito pouco.

O traje que vestia, já não tão apresentável, era tecido em algodão dos mais toscos. O príncipe recusava-se a usar o uniforme oficial por considerá-lo desconfortável demais para longas jornadas. Naquele momento, não se arrependia da escolha do vestuário. Era só não inspirar com muito afinco e tudo terminaria bem.

Para piorar a situação, começara a chover, de forma leve a princípio, depois ganhando volume de ameaça torrencial. Não, não era mesmo um bom dia para tomar decisões, mesmo as mais intempestivas.

Bonifácio, ao escrever aquela mensagem, deveria estar de maus bofes, talvez com a úlcera atacada por alguma comida condimentada. Isso fez Pedro lembrar-se do banquete servido na última casa visitada em Santos. Havia de ter sido lá, a fonte da inquietação nas suas entranhas. Maldita homenagem!

A chuva tornava a trilha ainda mais perigosa e seria preciso parar a qualquer momento, ora para se protegerem dos céus que ameaçavam despencar, ora para que o nobre rapaz voltasse a se agachar em humilhante prostração.

Ainda sentindo o gosto de bílis e com os pingos de chuva a lhe despentear o cabelo, Pedro desistiu de qualquer ato heróico, calando o brado retumbante ainda nos pulmões. Os homens que o acompanhavam, nada diziam, pois se encontravam exauridos demais para expressar qualquer dúvida ou opinião. As várias paradas no caminho mostraram-se muito mais cansativas do que a viagem em si.

Apesar do seu precário estado, Pedro manteve-se atento por todo o trajeto.  Surgiam em sua mente imagens de um provável destino espreitando no horizonte, algo bastante desconhecido e assustador. O futuro mostrava-se tão ameaçador quanto uma inevitável armadilha.

Foi então que se decidiu. Cessava ali sua participação em terras tupiniquins. Partiria o quanto antes para Portugal. Subiria na próxima embarcação decente com destino ao outro lado do mundo.

Pedro começou a elaborar mentalmente os planos de viagem, tentando ignorar a chuva e a lama. Levaria consigo Maria, a das ostras, não a Leopoldina. Se a vida fosse realmente justa, assim seria.

 

☼☼☼☼☼☼☼☼

 

− Então isso é tudo, senhor meu marido?

Pedro desconfiou do tom irônico empregado por Maria Leopoldina. Imaginou se ela referia-se às bagagens ou ao fim da estadia naquelas terras. Havia uma pesada sombra de desaprovação nos olhos azuis ligeiramente caídos da nobre austríaca.

− Sim, isso é tudo. – Respondeu, ouvindo o som da risada da doce Domitila que brincava com algumas crianças, enquanto o sol se punha no horizonte distante. Aquela seria uma longa viagem, mas ele, certamente, contaria com alguns momentos de balanço acolhedor.

O jovem monarca apenas se ressentia por ter deixado Maria das Ostras junto ao mar. Ela, teimosa e arrisca, não cedera aos seus apelos para que se juntasse à ala de serviçais que o acompanhariam em viagem. Era orgulhosa demais para deixar de ser livre, mesmo que o solo santista não lhe oferecesse nada além da já tão conhecida miséria. Agora, pensava Pedro, jamais descobriria a razão da alcunha Maria das Ostras. A não ser que houvesse uma correspondência anatômica entre…

Lisboa, com certeza, seria um bom destino para a sua família. A cidade mantinha laços estreitos com a civilização e as donzelas portuguesas não eram de todas más, afinal.

Já acomodado no leito e saboreando as últimas frutas brasileiras que haveria de provar, Pedro pensou no que seria daquele povo tão pitoresco e cheio de cores alegres. Cederiam aos desmandos portugueses, entregando toda riqueza que arrancassem do solo?

O que seria dos índios e, principalmente, das belas índias, e de todas as mulheres ainda a descobrir? Pedro deixou-se invadir por uma onda de melancolia ao constatar que todas as fantasias que já tivera se transformariam em vagas lembranças. Ao mesmo tempo, preservava a insistente esperança de que, em um futuro breve, o Brasil se tornasse uma pátria independente.

Já bastante enjoado e sonolento com o balanço das ondas, Pedro imaginou-se imperador do Brasil. Como seria reinar em solo brasileiro, livre dos abusos de Portugal? Ele nunca saberia.

Fechou os olhos e assobiou os primeiros compassos do que teria sido um belo hino de independência.

Que maçada!

 

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29 comentários em “Liberdade no Horizonte (Claudia Roberta Angst)

  1. Wilson Barros
    2 de junho de 2016

    A montagem do conto é bem diferente do que geralmente se vê por aqui. A inversão temporal me recorda os grandes clássicos de ficção científica. O estilo é didático, o que de maneira nenhuma diminui o valor do conto. Além disso, o texto tem momentos cômicos bastante felizes. Tudo isso produziu uma peça de leitura bastante agradável. Parabéns.

  2. Virginia Cunha Barros
    1 de junho de 2016

    Oii! Legal, mais um momento histórico do Brasil ligeiramente alterado… e puxa, uma alteração e tanto! Eu só tenho que dizer que senti um pouco de falta no final retornar ao menos um pouquinho pra conversa do pai com a criança que pediu que contasse a história… bom, mas isso é só um detalhe. Parece que o destaque foi mesmo para a pessoa do Pedro que terminou sem dar o brado retumbante, né? Achei divertido, parabéns pelo trabalho, tá?

  3. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de junho de 2016

    Chicão,

    O conto me agradou. Confesso que a primeira parte ficou um tanto quanto didática, escondendo o quilate da sua escrita e conferindo um gancho inapropriado. A segunda parte engata uma história muito bem contada, esmeradamente bem escrita – adorei o regionalismo luso – e com tons picantes. O RHA está aí, apresentada na caracterização de um Pedro mulherengo, falho e com problemas intestinais.
    Parabéns.

    E muito boa sorte no desafio.

  4. Wender Lemes
    31 de maio de 2016

    Olá, Francisco Antônio. Este é o terceiro conto que avalio no desafio atual.

    Observações: o autor possui uma boa técnica, o início do conto funciona muito bem para nos situar em um futuro em que o Brasil não teria se tornado independente – o que não diminuiria a fragilidade da coroa portuguesa, visto que acabou perdendo sua colônia de qualquer maneira. Entretanto, opta-se por contar a história no ponto em que ela começa a divergir, ou seja, quando Pedro I resolve voltar para Portugal. O enredo é envolvente e o humor razoavelmente sutil contribui para tornar a história mais leve.

    Destaques: gostei, particularmente, da caracterização de Pedro I e do modo como ele se relaciona com o Brasil. Dados os registros que temos de sua “conduta” faria sentido que ele não se importasse tanto com o país e mais com a comodidade que ficar lhe proporcionaria.

    Sugestões de melhoria: fiquei curioso para saber mais sobre como funcionariam as invasões ao Brasil, mas compreendo que o limite de palavras não tenha dado espaço para isto.

    Parabéns e boa sorte!

  5. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Correção: Pedro I

  6. Daniel Reis
    31 de maio de 2016

    Prezado escritor: para este desafio, adotei como parâmetro de análise um esquema PTE (Premissa, Técnica e Efeito). Deixo aqui minhas percepções que, espero, possam contribuir com a sua escrita.

    PREMISSA: interessante a ideia de um Dom Pedro I que não proclama a independência, e as consequências disso. Só que história do prólogo ficou muito explicativa e antecipou as consequências da decisão.

    TÉCNICA: bem escrita, a história conduz a leitura principalmente na segunda parte (a que deveria ser a essência). O diálogo inicial me pareceu muito didático e forçando uma ambientação. Mas a segunda parte mostra a pesquisa do autor e o cuidado com a construção e motivação da personagem D. Pedro II.

    EFEITO: narrativa interessante, mas francamente o diálogo inicial é totalmente dispensável.

  7. Thomás
    30 de maio de 2016

    Olá Francisco.
    Achei seu texto bem trabalhado e coeso.

    Um tanto monótono em alguns momentos, mas muito bom no geral.

    Já vi esse perfil de D Pedro I em outras oportunidades e acho que você aproveitou muito bem tal característica no seu conto.

    O humor é o ponto forte.

  8. vitormcleite
    30 de maio de 2016

    Muito bom texto, lamento somente não ter percebido a ligação entre os “dois textos”, mas ´por tudo o mais só posso dar os meus parabéns. Tentativas de humor que por vezes não funcionaram, mas há sempre uma próxima para sair melhor. Parabéns.

  9. Pedro Luna
    29 de maio de 2016

    Olá, eu achei o texto bacana e a escrita boa, pois a leitura fluiu com naturalidade. Só achei ele muito didático. Na primeira parte, o autor ou autora usou da manobra de “pai conta história para o filho” para trazer para a história as mudanças na realidade. Foi uma boa escolha para não deixar o texto confuso, mas tornou tudo muito didático e o diálogo, no fim das contas, para mim, ficou um pouquinho irreal, pois não creio que um pai conversaria assim com o filho. Bom, tudo é possível.

    Quanto a segunda parte, achei divertido, e o Pedro me lembrou a caracterização dele naquela mini série O Quinto dos Infernos, bem bacana. Apesar de ficar com a impressão de que o texto tem parágrafos demais para história de menos (se reparar, é tudo muito simples, e a cavalgada de Pedro e seus devaneios levam muitos parágrafos, que eu acho que poderiam ser cortados), eu posso dizer que gostei do resultado.

    No geral, bacana, bem escrito, e se pudesse sugerir mais uma coisa, seria por mais diálogos na segunda parte, mantendo um tom cômico. Sei que critiquei muito, mas gostei, acredite. Abraço.

  10. Anorkinda Neide
    29 de maio de 2016

    Olá!
    Pois, realmente são dois textos.. hehe
    Fui interrompida e voltei à leitura algum tempo depois e tinha esquecido completamente da primeira parte, li o imperador preguiçoso como sendo totalmente independente mesmo da outra fase do conto.
    Posso estar errada, mas não achei que esta narrativa sobre Dom Pedro fosse o pai contando ao menino a historia. Pra mim, ele contou lá as coisas q quis mas o autor passou a narrar ao leitor o cerne de toda a mudança na Historia que foi a decisao de nao dar o grito no Ipiranga. Dae mudou todo o rumo da America Latina!
    Eu ri alto quando da Evita, Che Guevara e afins, gostaria q seguisse naquele tom, a segunda parte me cansou, sabe… rsrs
    Boa sorte , abração

  11. Swylmar Ferreira
    29 de maio de 2016

    Oi autor, o conto em duas partes é interessante, a gramática está boa, assim como a criatividade e a adequação ao tema. Gostei dos diálogos e humor.
    Boa sorte e parabéns.

  12. José Leonardo
    29 de maio de 2016

    Olá, Francisco Antonio.

    [Guerra das Malditas, boa sacada. Embora num primeiro momento tenhamos pensado em Malvinas [[e eu tenda a me aproximar mais do #teamThatcher do que do #teamJuntaMilitarArgentina, é como disse o grande Borges referindo-se ao conflito: “Dois carecas brigando por um pente”]], a menção a Eva Perón [[que morreu 30 anos antes da disputa dos carecas pelo pente falkandiano]] pode se referir a outra guerra, anterior às Malvinas, possivelmente tendo Banânia como pomo de disputa. Hermanos ganharam; mulatitas brancas, tango, Gardel, Aconcágua, Maradona, Las Leonas etc.]

    [Depois embananou-me a cabeça essa história de Evita. Foi bom.]

    Caro autor, havia tanta RHA na primeira parte do texto que [se seu conto fosse uma pessoa, usaria chapéu de banana?] precisei analisar bem, rir um pouco, mas achar tudo tão crível que contribuiu para continuar a leitura. Vieram, em seguida, as demais e me pareceram um tanto desconectadas da linha que imaginei a princípio ser um norte para o enredo.Mesmo assim, gostei bastante. A impressão que tenho, na verdade tão realística, é que o Brasil [se fosse um corpo, nasceria de pernas abertas e mãos atadas, sempre a postos para sevícias, deleites, risadas estrangeiras — somos sempre Banânia] é um acidente da natureza e deveria ser devolvido para os dinossauros.

    [Mas estamos aqui, firmes e fortes, direitosos, esquerdosos, centrosos, gansos, patos, coelhos, saltimbancos, santos, freiras de telhado, cheques pré-datados, Didis Mocós Sonrisais, espertos, trabalhadores suados e mal pagos, vilipendiadores do Amanhã, maníacos saídos de uma película de David Lynch, pessoas normais, anormais, amorais, morais, imorais, adiposos na hidrofobia e anoréxicos nos sentimentos. Enfim. Brasil, Brazil, Brazuela, Pindorama Falsificada.]

    [Ainda há salvação, no entanto. Algumas pessoas que conhecemos nos fazem acreditar no futuro.]

    É isso.

    Imensos parabéns pelo texto (eu gostei bastante, bastante mesmo) e boa sorte neste desafio.

  13. Simoni Dário
    28 de maio de 2016

    Olá Francisco Antônio
    Muito bom o conto. O início foi me cativando aos poucos, estava achando meio blá blá blá e aos poucos a conversa entre pai e filho foi chamando minha atenção e fiquei curiosa para saber onde ia dar. Uma frase desta parte me intrigou: “Por segurança, omitiria alguns detalhes que Paulinho, na inocência de seus primeiros anos escolares, não necessitava conhecer.” Aí imaginei muitas coisas, uma delas é que a família fosse de descendentes da família real portuguesa e acabou que continuei em dúvida até o final da leitura. Outra coisa que achei, por conta dessa frase, é o que o pai conta para o filho “inocente e nos primeiros anos escolares” situações onde Dom Pedro I se farta com outras mulheres, apesar de ser casado, e que parece não combinar com histórias para crianças. Qualquer coisa dessa parte da história, menos isso.
    A segunda parte do conto onde entra Dom Pedro I foi muito bem desenvolvida, lembrando trechos do livro 1822. Entendi que uma RHA que também entrou além do fato de Pedro I não ter proclamado a Independência do Brasil foi a de Maria das Ostras (realmente só lembro da Marquesa de Santos, a Domitila), e o fato de Dom Pedro I ter ficado com a esposa, Dona Leopoldina, e ido viver na Europa sem concluir a sua grande participação na história do Brasil. Foi bem agradável de ler. Senti falta da conclusão de Gustavo para Paulo sobre o desfecho de tudo, daí conclui que o menino pegou no sono, ou ambos (eu precisava dar um desfecho para minha cabeça).
    No geral foi uma leitura prazerosa onde dá para perceber que o autor é talentoso. Gostei.
    Parabéns!

  14. Pedro Teixeira
    28 de maio de 2016

    Olá, Francisco! Um conto interessante. Achei que faltou conexão da primeira parte com a segunda, como se fossem duas tramas diferentes. Não fez sentido pra mim os espanhóis prometerem que o Brasil se tornaria uma potência. Gostei do humor, do ritmo e das descrições da segunda parte, em especial a importância que teve a indigestão de Dom Pedro. Um bom conto. Parabéns e boa sorte no desafio!

  15. Eduardo Selga
    28 de maio de 2016

    A narrativa é constituída de dois blocos temporais, sugerindo um presente relatado por um narrador posto à distância e o passado. Ou, ainda, afirmando dois passados distintos. Tanto num caso quanto em outro temos o mesmo trato verbal (pretérito).

    Do meu ponto de vista, está no modo como a temporalidade foi trabalhada um problema grave na estrutura e que compromete essa narrativa, cuja qualidade poderia ter sido melhor, pelo potencial do argumento: a primeira parte não se conecta com a segunda, é totalmente dispensável, do modo como foi posta. A intenção foi, acredito, fazer com que a segunda parte representasse o Brasil narrado pelas lembranças do pai (mas não diretamente por ele), personagem da primeira etapa. Mas a disjunção faz parecer duas narrativas diferentes que, embora contíguas, não se interpenetram. Para evitar isso seria necessário que a voz narrativa do pai aparecesse de quando em quando na segunda fase ou que ao fim ele e seu filho retornassem. Nesse caso, a estrutura temporal sairia de tempo 1-tempo 2 para tempo 1-tempo 2-tempo 1. Independente disso, teria contribuído para o distanciamento temporal se os tempos verbais fossem distintos. É bem verdade que na primeira parte predomina o pretérito imperfeito e na segunda o perfeito, mas essa diferença, na recepção textual, é pequena. É quase como se fossem um mesmo passado.

    Um ponto positivo da narrativa é a reprodução da linguagem do Português usado no Brasil imperial. Nesse sentido, achei prudente e adequado na economia geral do texto o pouco uso do diálogo, pois a abundância deles poderia abrir espaço para a fuga a essa fidelidade.

    Outro elemento que funcionou esteticamente bem foi o domínio da ironia e do humor. Ambos os recursos não se confundem, embora frequentemente eles dialoguem e convivam mutuamente. O uso de ambos os recursos me parece o grande trunfo desse conto. O(a) autor(a) claramente fez uma boa pesquisa da historiografia relativa ao fatos aqui narrados, e sobre eles aplicou uma ótima camada de ótimos humor e ironia, inclusive fazendo revelar, em relação ao Brasil e ao seu povo, se não a percepção do autor certamente a de uma boa parte da população: a de que existe nas raízes do povo brasileiro uma espécie de pecado original, uma espécie de maldição que nos faz e fará sempre incultos, representada no conto pela lascívia do imperador D. Pedro II, sua preguiça, sua falta de cerimônia. Vai nesse sentido a cena do imperador “obrando” na moita. Por sinal, quem teve a oportunidade de assistir ao longa “Carlota Joaquina, princesa do Brazil”, dirigido pela Carla Camuratti, verá uma cena similar, porém o “cagão” é outro: D, João VI.

    Deixem-me fazer um reparo relativamente ao humor. Tive a sensação de que foi no intuito de causar riso a miscelânea incluindo referências à Guerra das Malvinas, Evita Perón, Che Guevara e à atriz mexicana Eva Garbo. Se foi essa intenção, não funcionou. Ficou parecendo apenas recortes apara reforçar a ideia de realidade histórica alternativa. Reforço, por sinal, desnecessário, pois está clara a alternativa usada: a não proclamação de independência por parte de D, Pedro II.

  16. Leonardo Jardim
    25 de maio de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto (antes de ler os demais comentários):

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): são dois textos em um, muito desconexos entre si. No primeiro, um diálogo de pai e filho conta uma RHA bem agitada para o Brasil. Na segunda, uma versão muito bem humorada e irônica das desventuras de D. Pedro I ao não proclamar a independência às margens do Ipiranga. Acontece que a única ligação entre essas partes seria o fato do pai contar ao filho a segunda história. Isso não funcionou muito bem, pois a ironia aplicada, o foco nas relações do príncipe regente e o excesso de detalhes não pareciam ser coisas que um pai conta pra um filho pequeno. Para as partes funcionarem juntas, seria necessário, também, um retorno ao quarto do filho ao final. Analisando como tramas diferentes, porém, são boas histórias.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, sem nenhum problema, no tom certo, sem incomodar em nenhum momento. Daqueles textos que, apesar de um errinho ou outro que não consegui anotar, dá vontade de continuar lendo.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): essa leitura sarcástica de D. Pedro eu já vi em um monte de lugares. Isso tirou um pouco o sabor da segunda parte.

    🎯 Tema (⭐⭐): além da independência não ser proclamada, tivemos outros desbravamentos, como um imperialismo argentino na América Latina.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o texto é leve, divertido e gostoso de ler. Não é, porém, un texto de grande impacto, justamente por abordar um mote já meio batido. Preferia saber mais de como estaria o Brasil hoje depois de tudo isso…

  17. Gustavo Castro Araujo
    24 de maio de 2016

    O conto é interessante na medida em que joga com uma possibilidade deveras instigante: o que teria acontecido caso Dom Pedro I não proclamasse a independência? Exatamente por isso gostei da parte inicial, já que é onde se explica esse desfecho: vieram os espanhóis e os americanos. Não deixa de ser bacana imaginar como seria nossa realidade caso a história se desenrolasse desse jeito.

    É isso que, a meu ver, configura uma realidade histórica alternativa, esse pensar, esse imaginar. Toma-se um fato conhecido para reescrevê-lo e, a partir daí, criar um novo mundo.

    Bem, voltando ao início do texto, digo que apesar de considerá-lo importante para a compreensão do todo, creio que alguns trechos pecaram pelo didatismo em excesso. O que contrabalançou foi a construção competente da relação pai-filho. Daí minha percepção positiva.

    Quando se começa a falar de Dom Pedro, o conto adquire um ar cômico, escorando-se na conhecida personalidade fanfarrona de nosso primeiro imperador. Gostei bastante dessa parte porque o autor conseguiu emprestar verossimilhança às descrições, misturando fatos conhecidos com outros menos, culminando na decisão de nosso futuro ex-monarca em voltar a Lisboa.

    Embora não seja desconhecido o fato de que D. Pedro passava mal da barriga quando ia de Santos a São Paulo, não deixa de ser engraçado imaginar as cenas, até mesmo porque bem descritas, em meio às preocupações e às pressões sofridas.

    Em suma, um conto muito competente, um mergulho certeiro, a meu ver, na essência da RHA. Parabéns.

  18. Fabio Baptista
    19 de maio de 2016

    Com exceção a pequenos lapsos de revisão (apontados abaixo), a técnica está perfeita: clareza, fluidez, maturidade, sabedoria na escolha das palavras e na construção das frases e diálogos, gerando alguns momentos bem divertidos, inclusive (“Está a cagar atrás de alguma moita por aí”, foi excelente).

    O início, com papai Gustavo mostrando seus conhecimentos geográficos, foi interessante para contextualizar (apesar de ter ficado um pouquinho “didático” além da conta), mas não serviu muito bem como gancho para a história que seria contada a seguir. Acredito que teria sido melhor suprimir esse trecho, ou retornar à cena pai e filho em alguns momentos durante a narrativa do D. Pedro, para que eles (pai e filho) pudessem comentar certos eventos. Daria uma dinâmica diferente, dando ao leitor algumas pausas para respirar na RHA da independência e justificaria a apresentação do pai e filho no começo.

    A história alternativa de D. Pedro é interessante, contada em um tom agradável, levemente cômico, levemente sabrinesco (envolvimento com a Maria das Ostras). Talvez algumas coisas pudessem ser limadas, para dar mais agilidade ao desenvolvimento. A decisão do personagem é convincente.

    Só essa frase final que eu definitivamente não entendi. Acabou perdendo impacto, pois terminei o texto com a sensação de “wtf???”.

    – Guerra de Malditas
    >>> Maldivas?

    – noticia
    >>> notícia

    – trouxe-lhe um pouco de alívio que, no entanto, durou muito pouco
    >>> pouco / pouco

    – teimosa e arrisca
    >>> arisca

    – A não ser que houvesse uma correspondência anatômica entre…
    >>> Se foi o que eu imaginei, Pedróca poderia dizer muito bem se havia ou não taç correspondência, não?

    – Que maçada!
    >>> ??????

    Resumo: Muito bem escrito, mas dividido em duas partes que não se encaixaram muito bem. Frase final estranha (pelo menos não entendi). Bom conto, no apanhado geral.

    Abraço!

  19. Pedro Arthur Crivello
    19 de maio de 2016

    caro autor , embora seja interessante a introdução, alem de ter mostrado de como ficou o mundo sem a independência do brasil, acho que não encaixou com o resto do conto. seu vocabulário é muito rico porem acho que isso não bastou para o texto ,faltou algo a mais para se envolver com a história.

  20. Andreza Araujo
    19 de maio de 2016

    Olha, eu até gostei do início com cara de introdução. Ali, você explica bem resumidamente (através da fala do personagem Gustavo) o que acontece com o Brasil depois que D. Pedro voltou para Portugal. Poderia ter desenvolvido melhor, talvez…. Digo que pra mim foi suficiente. Entretanto, não gostei da construção de algumas frases, principalmente as do menino. As perguntas dele pareciam forçadas, colocadas ali apenas para dar ao autor a chance de explicar as mudanças na sua RHA. Não ficou orgânico, natural… E achei também que ficou meio espremida a forma como o pai narrou os acontecimentos históricos. Muita informação em poucas falas, tirou o ar de conversa.

    Sobre o resto do conto, uau! Olha, seu vocabulário é uma delicinha. Soube a hora de usar palavras pouco usuais sem com isto deixar o texto pomposo. Ao contrário do que achei da primeira parte, nestas cenas com o famoso Pedrinho, eu gostei bastante das falas, foram bem críveis. Até mesmo abusou dos “tu”, “teu”, etc. E por que não teve a mesma ideia na cena inicial já que os personagens eram portugueses, hein? Só te dando uns tapinhas, senhor Francisco Antônio!

    No geral, sabe o que o seu conto me fez sentir? Felicidade. Fiquei mesmo feliz com a leitura. O desenvolvimento, apesar de longo, é muito bem feito, explorando facetas inimagináveis de Pedrinho! O humor é leve, não está presente o tempo todo, e por isto ele é genial, na medida certa.

    O final é um pouco óbvio, já que a narração deixou claro qual era a famosa cena histórica. Mas isto não tira o brilhantismo do desenvolvimento.

    Que sacada!

    Detalhes de revisão:
    Logo no início tem um “Papai” maiúsculo no meio da frase.
    Existe um “ideia” sem acento e um com acento.
    E “herói” manteve o acento com o Novo Acordo Ortográfico, é verdade, mas “heroico” perdeu! (Eu precisei googlar aqui, fiquei na dúvida kkk).
    “tranqüila”? Trema foi abolido. Repita comigo: “Não trema na linguiça”.

    Abraços!

  21. Brian Oliveira Lancaster
    19 de maio de 2016

    LEAO (Leitura, Essência, Adequação, Ortografia)
    L: O texto tem uma boa quebra de ritmo inicial, pena que não voltou ao pai e filho na conclusão. Gostei do bom humor e do tom inusitado, apesar de algumas piadas mais para o fim soarem deslocadas pelo que foi apresentado desde o início. No entanto, a atmosfera cativa.
    E: Um enredo cômico nas entrelinhas, sem explicações exageradas, o que foi ótimo. Fácil de acompanhar e de criar o cenário pretendido. O autor preferiu focar mais no cotidiano do que nas guerras em si, e acho que isso foi certeiro. Apenas na questão de humor deveria ser mais balanceado. Começa com uma história entre pai e filho e termina, literalmente, numa piada de português.
    A: Ocorre uma cisão, apesar de não contada em detalhes. São fatos históricos apenas expostos pelo narrador. Mas se esmera em descrever como chegou àquele ponto. Tem seu mérito pelo fator mais cotidiano.
    O: Escrita fluente, eficaz. Notei apenas uma “arrisca” em vez de “arisca”, mas nada que atrapalhe o restante. Boas construções de diálogos, apesar de simples.

  22. angst447
    18 de maio de 2016

    Olá, autor! Desta vez, resolvi montar um esquema para comentar. Espero te encontrar no pódio.

    * Título – A imagem e o título entregam um pouco do enredo, mas sem prejudicar o interesse.

    * Enredo – D.Pedro deixando de ser imperador do Brasil para se refugiar na Europa com a família. Bem provável que a vontade dele tenha sido essa, ao invés de proclamar a independência do Brasil.

    * Tema – O conto abordou o tema proposto pelo desafio.

    * Revisão – Não encontrei lapsos na linguagem, nem falhas de revisão.

    * Aderência – O começo prendeu minha atenção e me animou por estar em forma de diálogo, o que agiliza a leitura. No entanto, como outros falaram aqui, essa parte pai e filho ficou meio perdida, sem um link posterior. Talvez, fosse mesmo desnecessária, mas entendo que tenha utilizado o recurso para definir a RHA. A parte de Pedro foi mais divertida e fluiu melhor, pelo menos para mim. Bom trabalho.

  23. Thiago de Melo
    17 de maio de 2016

    Olá, Francisco Antônio,

    Gostei do seu conto, mas acho que me interessei mais porque gosto de história e gostei de ver alguns detalhes do comportamento de Dom Pedro. Também achei legal que você incorporou fatos reais da história do Brasil que poucas pessoas conhecem, como a diarreia do futuro imperador heheheheh.

    Porém, a exemplo do que outras pessoas nos comentários anteriores também perceberam, achei que ficou faltando um link entre a primeira parte do conto e a segunda. Você descreveu bem como foi o momento da proclamação da independência e fez uma mudança na qual Dom Pedro não gritou “Independência ou Morte”. O problema é que eu acho que a realidade histórica alternativa está exatamente no que aconteceu entre ele não proclamar a independência e o futuro alternativo no qual o brasil foi invadido por ingleses e espanhóis. Só que dessa parte a gente só consegue ver um pouco no início do conto e os instantes seguintes à não proclamação no final do conto. É como se o seu conto estivesse mostrando pro leitor o lado errado da moeda. Você mostrou o lado histórico real, e nós só conseguimos ver a parte “alternativa” pelas beiradas.

    Repito, eu gostei do conto, achei a parte cômica muito legal, mas você poderia ter explorado mais os desdobramentos da não proclamação da independência.
    Um abraço!

  24. JULIANA CALAFANGE
    16 de maio de 2016

    o conto não me pegou. Confesso q só consegui terminar na 2a tentativa. A primeira parte é totalmente desnecessária e não faz sentido com o resto do texto. Fiquei esperando que vc fosse fazer o link no final, mas não fez. A parte de D. Pedro é melhor, a linguagem flui melhor, tem um certo toque de humor, q eu gosto, mas também não me envolveu. Me pareceu um texto inacabado, um rascunho que ainda precisa ser trabalhado, lapidado, pra que fique bom. Tem potencial pra isso!

  25. Davenir Viganon
    15 de maio de 2016

    RHA: Dom pedro não declarou independência do Brasil
    A primeira parte ficou sem desfecho e sinceramente não sei o porque dela estar ali. Ainda falando do início, o autor poderia ter aproveitado para imaginar como seria esse mundo com a história alternativa, tivemos apenas alguns dados, mostrados e não contados. Provavelmente para os portugueses não tenha mudado nada de essencial, o que é compreensível, pois nessa realidade Portugal, também não tinha relação colonial com o Brasil. (presumi que se trata de Portugal ou de um autor português, mas não tenho certeza)
    O que mais gostei foi a parte do Dom Pedro. Poderia ser o conto todo. O humor ficou leve, na medida certa para mim. O ritmo é lento (isso não é necessariamente ruim aqui) e acredito ser a melhor escolha, pois ajuda a entrar no período. Afinal não havia a quantidade frenética de informação que nos é corriqueira atualmente.
    Gostei.

  26. Evandro Furtado
    15 de maio de 2016

    Ups: O estilo de linguagem adotado foi magistralmente empregado. A trama, entre contornos satíricos, se beneficiou disso também. Personagens bem trabalhados, sem problemas com a gramática.
    Downs: A primeira parte se fez desnecessária. Pareceu mais um gancho com medo de que algumas pessoas não conseguissem entender a RHA no restante do texto. Fiquei esperando alguma deixa que ligasse o arco de Pedrito com a primeira parte. Infelizmente, não veio.
    Off-topic: o Brasil provavelmente se deu bem nesse universo, já que não começou sua história devendo.

  27. Catarina
    15 de maio de 2016

    O COMEÇO simplório não combina com o FLUXO denso do miolo do conto. Talvez seja proposital, mas não me encantou. A TRAMA é rica em detalhes, mas a gordura do texto tirou um pouco da emoção. A ALTERNATIVA se tornou interessante pela força do personagem Pedro, o que ficou latente no FIM. Senti falta de um desfecho entre Gustavo e Paulo.

  28. Olisomar Pires
    14 de maio de 2016

    Bom texto, o tema não é novo ou inédito, já li variações – o conto se destaca pelo humor e um certo “Tô nem aí” dos personagens. E a exemplo de outros aqui do desafio, é longo, não que isso seja defeito, o problema é que saber quanto falta pra acabar, estando na metade ou pouco mais do conto não é um indício bom, pelo menos pra mim. Em geral, se sustenta.

  29. Ricardo de Lohem
    14 de maio de 2016

    Olá, como vai? Vamos ao seu conto. Uma história alternativa da independência do Brasil, aparentemente escrita por um português. O forte não foi o enredo, mas sim as descrições e o humor. Acho que devia ter investido mais no último, se a história fosse inteiramente voltada para o cômico, poderia ter sido bem melhor. É um bom texto, desejo Boa Sorte.

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Publicado às 14 de maio de 2016 por em Realidade Histórica Alternativa e marcado .