EntreContos

Detox Literário.

Sem Olhos em Ssstlas (Rubem Cabral)

olhos

Cretáceo Superior – As Terras do Meio do Mundo.

O dia começara pantanoso naquela manhã, quando nuvens mornas e coloridas por algas verde-azuladas, por certo oriundas do Mar Interior Ocidental, esfregaram-se felinamente nas cúpulas da mítica cidade de Ssstlas, anunciando assim a quase pontual chegada da segunda estação das monções. Sustentando as citadas abóbodas da metrópole, revestidas por muitas camadas de asas de libélulas gigantes, grossos arcos confeccionados com talos de samambaias, mascados e trançados laboriosamente, descendiam em espirais até perfurarem o solo, centenas de metros abaixo. Sob a proteção daquele domo opalescente se desenhava uma planície de barro seco bem pisoteado e duro como granito, onde muros de esterco compactado dividiam os muitos setores perfeitamente definidos a partir do centro, qual gomos de uma fruta: o leito arenoso e aquecido do berçário dos ovos, a arena de embates, os currais dos iguanodontes, as tocas habitacionais, a imponente Catedral do Magistério.

Ainda longe dali, o Terceiro do clã dos Mergulhadores da Costa Pedregosa soprou através de um osso de filhote de parassaurolofo que ele sempre levava atado ao pescoço. Então, em função de algum comportamento simbiótico entre o gado que ele tangia e os herbívoros de cristas doadores do osso – esses últimos incrivelmente alertas quanto à presença de predadores – o rebanho de iguanodontes que o seguia através da estrada parou num estalo. Terceiro contou-os então com suas mãos de três dedos. “Onze adultos e um filhote-isca”, ele sibilou satisfeito para si mesmo no dialeto da costa. “Sem perdas dessa vez”.

Os animais bicudos e estúpidos que ele conduzia ergueram-se por alguns instantes sobre as patas traseiras e farejaram o ar, com os olhos assustados. Empunharam os polegares afiados como adagas. Terceiro sorriu, soprou o osso outra vez, porém num tom mais grave e longo, e o rebanho colocou-se novamente de quatro e continuou a segui-lo pacificamente. Em dez minutos sequer se lembrariam de terem sentido qualquer medo.

O pastor não era uma criatura muito impressionante quando confrontado aos enormes espécimes que ele liderava: era bípede, tinha pouco mais de cinco pés de altura e só vestia um bracelete de conchas em um dos braços longos. A cabeça grande, com uma crista de penas que ele podia abaixar ou eriçar, exibia dois olhos graúdos, esmeraldinos e inteligentes, com pupilas verticais. Seus muitos dentes afiados e voltados para trás, as garras curvas e os esporões dos pés, clamavam em conjunto: carnívoro salteador.

Terceiro olhou para o alto. Sentiu um pouco de frio: talvez a temperatura mal passasse da do seu próprio sangue quente. A estrada continuava a partir dali sombreada por muitos milhares de braças e seria tentador tomar um atalho através da mais ensolarada floresta de cicadáceas à sua direita, mas esse era um risco que ele preferiria não correr. Seu clã havia preventivamente espalhado urina de tiranossauro em boa parte das margens daquela estrada, e então aquele era o único caminho realmente seguro a seguir. A Pequena Carniceira de Chifres estava sempre à espreita por aquelas bandas.

O grupo havia finalmente alcançado o alto de uma colina e, apesar da nebulosidade, já era possível dali notar-se o brilho do domo que cobria Ssstlas, ainda distante, quando uma voz falando o áspero dialeto do Vale Seco repentinamente se anunciou:

— O que te impedirias de tomar um rebanho de um infante costeiro cuja cabeça bate na altura do teu peito, eu te pergunto: o que te impedirias, Illya?

Terceiro sibilou, sacou um enorme porrete incrustado de dentes pontudos a partir dum bolsão e falou:

— Que o costeiro tenha dentes do Vale Seco, envenenados com erva-de-dormir-para-sempre em sua maça, prova de sucesso de combates anteriores com gente de sua laia? Quem me ameaça?

Uma fêmea, suas cores desmaiadas a entregavam, saiu de trás de um tronco e ergueu uma das pernas musculosas, com as garras em posição de eviscerar. Tinha pintura-seiva de guerra, vermelha e verde, espalhada pelo peito e abdome, e as penas da cabeça estavam todas de pé.

— E eu te pergunto, Illya: que honra têm os costeiros-que-cheiram-à-maresia, se fazem uso de ferramentas que não os próprios corpos para lutar? Covardes que temem as próprias sombras!

— E existe maior desonra que perder a propriedade de seu clã, irmã? Dê mais um passo e garanto que comerei sua carcaça rançosa nos próximos dias, que, quando de volta à minha vila jogarei seu couro infestado de parasitas em nossa latrina comunal, e que lá defecarei com gosto, em lembrança de sua desgraça!

A fêmea pareceu bastante ofendida com a possibilidade. Fez um sinal de trégua e abaixou a perna; um gesto de confiança. O pastor respondeu ao sinal e guardou o porrete. A conduta de combate assim exigia. Nem mesmo os carniceiros do Vulcão Faminto seriam baixos o suficiente para atacar de surpresa e quebrar o protocolo.

— E Illya te pergunta, forasteiro: não tens nada que possa mitigar sua fome? Há três dias que ela não come nem carne podre. Ela fez um favor em não te atacar, afinal. Mesmo com o porrete não evitarias te ferir seriamente. Ela é iniciada nas artes de combate Sslobodon-Ur.

— Tenho peixe e iguanodonte secos. Como me pagaria pela cortesia, irmã?

— Falas bem o dialeto da cidade? Não serás enganado pelos comerciantes e voltarás com muito menos do que seria correto por um rebanho de quatro mãos de polegares-de-faca? Não reparaste que Illya parou de falar em teu dialeto e agora usa o teu, sem sotaque ou erros? Ela é fluente em seis línguas e conhece bem as práticas dos comerciantes de Ssstlas.

— Mas usa o “tu” ao invés do “você” – ele riu. — Só meus avós falavam assim. Aproxime-se, eu aceito o acordo. Vamos parar e comer, Illya. Eu sou o Terceiro – ele disse, sorrindo muitos dentes.

A fêmea farejou o ar, abrindo e fechando as largas narinas, ainda desconfiada, porém só percebeu o odor pungente de charque e pescado, não havia aquele cheiro de testosterona típico das ciladas. Terceiro reparou em algo diferente nela, mas não soube definir. Riu outra vez, desta vez para si mesmo: a fanfarrona era apenas meia pata mais alta que ele.

***

A meros dez mil pés-padrão a norte da cidade, com o cume invariavelmente escondido em neblina matizada por misteriosos feixes de luzes azuis, ficava O Monte. Não especialmente alto ou largo, mas completa e estranhamente nu de vegetação a partir de certa altura e talvez até o topo, que ninguém jamais avistou.

Aqueles três raros procompsognatos-de-crista que subiam a elevação então – o maior, a única fêmea do grupo, alcançaria os joelhos de um raptor – eram curiosos em demasia. Não haviam farejado o usual almoço de carniça por ali, mas o fascínio das luzes ou o estranho perfume elétrico os atraiu como insetos à chama.

Quando as criaturinhas enfim cruzaram a linha onde a maciez do musgo e das samambaias cedia lugar à rocha, tiveram, por alguns segundos, um vislumbre abobalhado do porquê chamavam aquele lugar de Monte NãoSubir. E logo as cinzas de um deles se juntaram às outras cinzas de todos os outros visitantes anteriores que foram descartados: os não inéditos, os excessivos, ou ambos.

***

Na Catedral, sob seis níveis subterrâneos construídos com blocos de obsidiana, sobre as escaldantes fontes de gás-de-ver, que não paravam de emitir vapores por um instante; ali residia o maior dos segredos do sucesso de Ssstlas, A Que Sempre Houve: o Saber-Adiante. Novecentos ciclos ao redor do sol haviam passado desde sua fundação, e a cidade continuava onde sempre esteve; inabalada às mudanças do mundo que convulsionava lá fora.

Fora assim que seus cidadãos preparam com meses de antecedência armadilhas para um ataque em massa de tribos de troodontes selvagens, oriundos do sul e do leste, massacrando-os com facilidade e garantindo o fornecimento de charque por mais de um ano então. Fora dessa mesma forma que a cidade poupou recursos para a Mãe de Todas as Secas, evitando a Grande Fome que democraticamente se abateu além de seus domínios.

No Salão da Revelação, Delphia, uma frágil pitonisa, saiu do transe e gemeu, longa e lamentosamente, como um filhote pisoteado por uma mãe descuidada. Seu corpo se sacudiu em espasmos intensos. Os acólitos vieram de todos os lados para apoiá-la, extremamente preocupados.

— Morte, morte… Terrível… A morte das mortes! A obliteração… – A pequena disse, trêmula, revirando os olhos brancos como osso, ainda lambuzada em alcaloides coloridos. E então desfaleceu, sem forças, nos braços dos serviçais.

Um rumor então não demorou mais que algumas dentadas-de-tempo para escalar as Torres de Espinhos, onde o Magistrado se reunia naquela manhã, para tratar de assuntos muito mais mundanos.

No anfiteatro principal, iluminado por piras de piche borbulhantes e com piso e parede de pedra-pome macia, circulando uma mesa oval revestida com a madrepérola mais fina, os representantes das vinte e uma vilas unidas debatiam economia.

— Em função do exposto, decido baixar o valor da carne fresca de iguanodonte para onze amonites por peso-padrão a partir do primeiro dia do Mês-do-Segundo-Abate.

Houve algum resmungar por parte de alguns, porém ninguém era tolo o suficiente para contestar diretamente o Ancião Tyr. Ignorando-os, e conseguindo a seguir arrancar uns tantos sorrisos, o idoso de quase trinta continuou:

— No entanto, devido ao recente ataque da Velha Tirana aos criatórios do Lago Turvo, subiremos o peso-padrão do charque de parassaurolofo e apatossauro para compensar as…

— Vossa Sapiência, permiti-me interromper?

O Aleijão, assim as más línguas chamavam àquela criatura magrela que irrompeu na sala, de enormes olhos lacrimejantes e com um braço só. Ao menos assim faziam os que não conheciam sua reputação e influência.

— Drac, que isso seja realmente importante! – Resmungou o Magister.

Sob o olhar desconfiado dos membros do conselho, os dois se retiraram até a antessala.

— Chegaram aos meus ouvidos, Vossa Justeza, que Delphia teve hoje uma visão terrível e que desmaiou a seguir. Meus olhos-no-submundo garantiram-me que ela falava de uma grande morte, a maior delas. Temi que ela pudesse ter previsto vossa própria morte, pois não haveria algo pior para Ssstlas.

Um arrepio correu por toda a espinha dorsal de Tyr. Involuntariamente, ele começou a mover a ponta da cauda gorda para os dois lados, como uma serpente tentando escapar de um predador. Morrer, definitivamente, não estava em seus planos para o futuro próximo, em especial quando se lembrava que o próximo na linha de sucessão, Ratzyr “O Justo”, era um onívoro detestável e perigoso liberal.

— Mas essa não é aquela mesma jovem cega que previu um grande incêndio causado por um raio? Ou a quebra da safra de plantas aquáticas no verão passado? Não houve nada disso!

— Em verdade, Vossa Providência, houve um princípio de incêndio na floresta, que apagamos com facilidade por termos preventivamente armazenado água em várias torres ao redor da cidade. Da mesma forma, nossos agricultores plantaram o dobro no lago, e mesmo com a quebra houve então pasto o suficiente para o rebanho de apatossauros. A moça ainda acertou em cheio sobre o ataque do povo do Vulcão Faminto aos Alagados no segundo dia do Ano da Grande Erupção. Também previu a morte de seu antecessor na quinta semana do Mês-do-Cio, recordai-vos? A Suprema Orya a considera sua substituta natural, e o maior talento da casta.

— Se tudo o que você me conta é verdade, o que você está esperando? Exijo falar imediatamente com a jovem! – Ele explodiu, impaciente.

— Ora, mas que espécie de auxiliar eu seria, se eu não me antecipasse às necessidades do mestre? Vossa Lisura é, afinal, meu terceiro Magister! – Drac arreganhou a boca, tentando sem sucesso replicar um sorriso na cara feia. — Delphia espera, não muito contente, ouso dizer, em vossa sala privada. Sede breve, portanto. Não tardará e teremos a velha Orya mordendo nossos flancos.

***

— Em nossa idílica vila na Costa Pedregosa, senhor, nossos animais só se alimentam do melhor: água cristalina, musgo, algas, pinhões e ervas aromáticas, que dão um sabor todo especial à carne e faz crescer uma grossa camada de gordura sob a pele, que rescende a frutos secos quando derrete. Humm! Nós os massageamos todos os dias, desde a mais tenra idade, o que resulta em suculência e textura sem igual. Por tudo isso, não podemos aceitar sua generosa oferta de doze amonites por peso-padrão. No entanto, se deseja qualidade acima de tudo, creio que o senhor não se importará em pagar catorze.

Terceiro quase engasgou enquanto escutava o desfile de mentiras e bajulações de Illya no galpão dos mercadores. Seus bichos nunca comeram nada diferente em suas vidas miseráveis e apenas conheceram o chicote em seus couros duros. E que perfume estranho era aquele no ar?

O cliente, um deinonico gordo de meia-idade, coçou a cabeça, parecia confuso e ao mesmo tempo desejoso em agradar à vendedora.

— Convenceu-me, linda fêmea. Levarei então os dois adultos.

— Ótima escolha!

Após a pesagem dos animais numa balança alugada, tendo recebido tantas conchas como pagamento como jamais fizera, Terceiro não pôde deixar de comentar:

— Pelo Mar Interior! Vendemos quase tudo, só sobrou o filhote! Illya, nunca consegui mais de dez por peso-padrão! Eu… Hã, não sei… – ele coçou a cabeça. — A mentira não tem asas de pteurossauro: talvez quando eu voltar aqui em outra ocasião, ele saberá que pagou muito por iguanodontes absolutamente ordinários.

— Ou Illya terá o influenciado de tal forma que ele nunca terá provado carne melhor, e tornar-se-á teu melhor e mais fiel cliente! Honestidade não enche barrigas.

— Vai, me conta a verdade! Que odor é esse? O pobre parecia apaixonado, quase febril! Alguma feitiçaria do Vale Seco? Ou… Não, você não ousaria…

Sim, Illya está no cio – ela cochichou. — No Vale Seco os ciclos são diferentes do padrão. Além disso, lá as sábias conhecem certas plantas que anulam o cheiro e somente se cruza quando as fêmeas assim o desejam. O efeito está passando e ela tem que deixar a cidade em no máximo um ou dois dias, ou…

— Louca! Será violada por uma multidão! E eu não sou muito afetado, por que…

— Tu és ainda muito jovem, meu naco de couro curtido no sal! – ela sorriu e apertou-lhe a bochecha escamosa.

Outro cliente se aproximou e Illya já começou sua preleção quase poética sobre a excepcional qualidade do gado costapedregoso, quando uma moça muito jovem esbarrou com a cauda numa barraca de temperos próxima, derrubando muitas cabaças de produtos ao chão e caindo a seguir.

— Desculpa-me! Que a Deusa de Mil Olhos lhe reponha as perdas…

— Desculpas não me pagam o prejuízo, mocinha! – Rosnou o vendedor, levantando a garota do chão e sacudindo-a com brutalidade.

A jovem parecia desnorteada e Terceiro notou que ela possuía olhos esbranquiçados.

— Eu não tenho conchas comigo, senhor – ela disse com voz chorosa. — Mas… Assim que encontrar os dois…

Terceiro saltou no ar, atleticamente, e correu como um corisco em direção à banca de temperos. Não aceitaria que alguém indefeso fosse maltratado na sua frente. Sua avó ficara cega quando ele era filhote e, mesmo pequeno, chorou e implorou tanto que não permitiram que ela fosse sacrificada conforme mandava a tradição.

— Ela não quebrou nada, no máximo empoeirou suas ervas que já estavam emporcalhadas pela água suja que você usa para borrifar. Ela não deve coisa alguma, nem deveria ter se desculpado, pois não pode ver!

O comerciante, um dromeoossauro de farta penugem cinza, observou o adolescente raptor; ele não devia ter mais de dez anos. Embora não muito alto, exibia musculatura avantajada, típica de quem viveu uma vida dura de trabalhos braçais. A perna semilevantada, em posição de velada ameaça, fez com que o vendedor repensasse o impulso óbvio de se reagir com violência.

— Vá, leve a aleijada com você e não a deixe mais estragando o negócio dos outros, cabeça-de-vulcão. E que eu não a veja novamente por aqui.

Illya e Terceiro apoiaram a jovem e a conduziram até um tronco próximo do curral dos iguanodontes, para que ela se sentasse, mas ela preferiu permanecer de pé.

— Ah, finalmente! O Pequeno Valente e a Sagaz Fugitiva! Sabia que os encontraria aqui! Chamo-me Delphia, sou uma pitonisa do Oráculo da Deusa e necessito do auxílio de vocês para alterar o porvir…

Os dois arregalaram os olhos quando ouviram a expressão “pitonisa”. Então era aquela pequena uma bruxa adivinhadora do futuro?

— E… E o que está por acontecer? – gaguejou Terceiro.

— Morte. A morte de todos nós: em Ssstlas, Vale Seco, Costa Pedregosa, Alagados, em todas as vilas, ainda que remotas. Espalhando-se mesmo até os abismos sem fim por trás das colunas que sustentam a Terra: a leste e oeste, a norte e sul. Mas não foi uma visão comum: em verdade, creio que visualizei toda possibilidade, cada bifurcação da estrada à frente, como nunca fiz. E, em quase todo percurso possível, só encontrei um beco sem saída. Isso, fora uma frágil opção, a que estou tentando trilhar agora. Precisava, por isso, ser presa e fugir, necessitava encontrar vocês aqui também. Causas e consequências…

— Sinceramente, eu não entendi patavinas… Del… Como é mesmo o seu nome? E como podemos saber que você é realmente quem afirma ser?  – disse Terceiro.

Delphia sorriu e se sentou. “O outro passo a dar, depois de ter derrubado os temperos de propósito”, pensou.

— Uma vez sentada aqui, estenderei minha mão. Agora! E alguém, cuja filha morreu de Febre Necrosante no último Mês-da-colheita e que me achará semelhante à jovenzinha morta, me dará duas conchas como esmola.

— Hunf! Ninguém dá tanta esmola em Ssstlas… Eu bem sei! – protestou Illya.

De fato, uma fêmea raptora que passava depositou dois amonites pequenos na mão da jovem.

— Precisarei desse dinheiro; uma concha para pagar a alguém para tomar conta de seu filhote ainda não vendido, Pequeno Valente. A outra, para convencer a Sagaz Fugitiva a se unir, ao menos temporariamente, à minha causa. Vamos! A Garra, a guarda de honra do Magister, já foi avisada de minha fuga.

Terceiro e Illya entreolharam-se, confusos.

— E Illya te pergunta, pitonis: ir? Ir aonde?

— Ao Monte NãoSubir, obviamente. E ainda temos que roubar nossas montarias – ela respondeu, já se levantando e se apoiando nos braços dos dois.

***

— Vossa Parcimônia, alguém informou à Garra que Delphia foi vista saindo dos portões da cidade, acompanhada dum jovem e duma fêmea adulta. Estavam montados em paquicefalossauros e seguiram ao norte.

O Ancião Tyr olhou Drac de cima a baixo, sem disfarçar o desprezo que sentia pela criatura.

— Paquis são resistentes, porém lentos. Deixe a Garra fora disso: quero as coisas do meu jeito. Libere então meus mastins farejadores e prepare meu transporte, pois já vi que estou realmente cercado de inúteis. Precisarei eu mesmo acompanhar a prisão dessa criança conspiradora e de seus asseclas. Aliás, você irá também comigo, Drac, para que eu possa ensinar como faço as coisas!

“Ou para que ele me dê de comer aos mastins, caso não recuperemos Delphia”, refletiu o serviçal.

— Como desejais, Vossa Competência… – Drac fez uma mesura e saiu, com a cauda entre as pernas finas. Seu único braço tremendo de ódio, o cotoco do outro, pulsando como se ainda estivesse lá.

***

Tudo o que se conhecerá sobre dinossauros virá à tona um dia através dos fósseis. Mas, e as espécies mais raras, ou que viveram em áreas menos suscetíveis a deixar tais evidências? Simples: estas ficarão desconhecidas para sempre. Conhecer-se-á talvez menos de trinta por cento de toda a megafauna da época.

Assim ocorreria com os mastins: espécie que jamais ganharia denominação científica, parentes distantes e espinhosos do futuro Dragão de Komodo, de faro apurado e mordida igualmente infecciosa.

Drac aproximou-se do cercado com muitos nacos de carne numa cabaça. Chamou os bichos pelos nomes e alimentou os três, que lamberam sua mão.

***

— Delphia, perto de minha vila há a Floresta do Alo Carniceiro. O nome em si já previne os pequenos que não é boa ideia se aventurar por lá. Por que, pelos Mares, subir um lugar cujo nome já é uma advertência?  – indagou Terceiro.

— Às vezes, desobedecer é o único conselho útil – ela disse. — Devemos apear das montarias aqui. De qualquer forma, os paquis se recusariam a subir. Em breve, temo, teremos companhia.

Subiram então os três apressadamente, já ouvindo os rosnados distantes dos mastins do Magister.

Ao pé do NãoSubir, o tricerátopo que puxava a carruagem de Tyr estancou. Não houve chicote do condutor que o convencesse a dar um passo a mais. À frente do transporte, os mastins que os haviam conduzido até ali aguardavam por ordens ansiosamente.

— Creio que teremos que seguir a pé a partir daqui, Vossa Magnificência.

Tyr respondeu com um rosnar gutural. Abriu a porta da carruagem e atirou Drac ao chão, como o saco de pele e ossos que ele realmente era.

— Aguarde-me aqui – ordenou ao cocheiro e saltou. — Vamos, Drac, o que está esperando? Um convite? – e dirigindo-se aos “cães”, bateu palmas e gritou: — Pega, pega, pega!

***

Terceiro, Illya e Delphia aproximaram-se de uma parede quase sólida de fumaça, que parecia formar um cone sobre o cume do monte. Feixes azuis iluminavam o céu e o ar cheirava à eletricidade. Um uivo gorgolejante ecoou então, próximo, próximo demais.

— E Illya te pergunta, pitonisa, como convenceu os dois tolos a acompanharem-te por apenas um amonite e súplicas? Para algo que certamente resultará em suas mortes ou prisões?

— Eu, eu nunca tive que convencê-los sozinha… – ela gaguejou. — Vocês já nasceram condicionados a me ajudar, como eu nasci pronta a conduzi-los até aqui. Agora, cruzem a linha, pelo amor à Deusa. Vamos!

— Mas, e você? Não vem conosco? E o fim do mundo? – perguntou Terceiro.

— Não. Não há lugar para mim do outro lado. Meu destino é outro: é melhorar o aqui. Eu nunca disse que o fim seria agora… Oh, Deusa! Prevejo que seremos alcançados por uma daquelas coisas horríveis a qualquer momento!

Terceiro e Illya foram empurrados de surpresa pela jovem, com força incompatível para alguém tão pequena. Aos tropeços, então, mergulharam na neblina.

***

O Magister e Drac subiam o monte em silêncio. Bem mais à frente, os “cães” já haviam encurralado Delphia e rosnavam e babavam, formando um círculo ao redor da jovem.

— Alguma vez contei-vos, Vossa Bondade, como fiquei aleijado? – Drac disse, quebrando o gelo.

— Não. Tampouco me interessou…

— Eu não estava sozinho em meu ovo. Éramos gêmeos: meu irmão arrancou-me parte do braço, mas eu o devorei em troca. Quando o ovo eclodiu, só havia eu. Desde o nascimento, Vossa Excrescência, eu tenho lutado. Não houve um dia fácil, mas isso apenas me forjou o caráter. O tempo passa, os líderes caem, mas eu me dobro e nunca quebro.

Tyr piscou os olhos. Talvez não houvesse notado a ofensa tão discretamente proferida.

— Tenho certeza que vosso sucessor, “O Justo”, tratar-me-á melhor que vós, que governará melhor também, tendo Delphia como consorte e eu como conselheiro. Ah, pela surpresa em vosso olhar julgo que não sabia do envolvimento dos dois… Ou dos planos… Hum, foi uma honra servi-vos, Vossa Putrescência – Drac fez uma mesura. — Raror, Tandor, Lizar – ele chamou as criaturas pelos nomes que ele mesmo escolhera – o almoço está servido! Lamento, crianças, mas não será carne de qualidade…

***

A nave que flutuava diante dos olhos incrédulos dos dois devia ter duas vezes o diâmetro de Ssstlas. Há muitíssimos anos que estava ali, coletando um par saudável de cada espécie e descartando tudo mais que não precisasse. Seus tripulantes certamente sabiam do asteroide a caminho, célere em sua órbita tortuosa. Suas projeções apontavam a data do encontro para a manhã do trigésimo-sétimo dia do Mês-do-Cio, dentro de sessenta e duas órbitas. O local da colisão? O monte que a nave sobrevoava, a região que seria chamada Península de Iucatã.

A criatura estranha que veio ao encontro do casal tinha pele lisa e acinzentada e vestia roupas colantes do mesmo tom. A cabeça grande ostentava olhos imensos, negros como poços de piche. A boca não tenha dentes ou lábios.

— Sejam bem-vindos à Arca – ela disse, soando perfeitamente nos dialetos da Costa Pedregosa e do Vale Seco, conforme pensou quem ouviu. — Estamos completos agora. Despeçam-se de seu mundo, mas não se enganem: seus descendentes voltarão um dia. Conhecer-nos-ão como “grays”, e vocês serão os “reptilianos”, nossos fieis auxiliares.

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32 comentários em “Sem Olhos em Ssstlas (Rubem Cabral)

  1. Gardel Dias
    17 de maio de 2016

    Não demoro em comentários pelo motivo bem básico, os comentários acima são bem colocados, cada um com sua característica e sua visão sobre enredo ou seja lá o que chamam, até por demais, acredito. Eu, particularmente, sou um cretáceo inferior em questão de literatura e estilos, existem coisas inteligentes demais por aqui (não é o meu caso) eu gostei, tá bem bacana, parabéns!

  2. ram9000
    2 de abril de 2016

    Bem criativa a ideia do ambiente da história e suas personagens. O enredo funciona; acho apenas que há um excesso de descrições e nomes neste mundo, que apesar da criatividade, não acrescentam muita à trama. Uma revisão para deixar os diálogos mais concisos também poderia dar mais velocidade ao conto.

  3. Renan Bernardo
    2 de abril de 2016

    A ideia é genial, mas o desenrolar da história não me agradou tanto. Não conseguiu me prender.

    O conto foge de todos os clichês e eu adorei o final. Ainda considero mais o conto como uma ficção científica que fantasia, mas a linha de separação é tênue. Se bem trabalhado, consigo imaginar essa ideia em um livro. 🙂

    Nota: 7,5

  4. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    O conto é uma ficção científica sibilante, em um dos temas favoritos, sobre o qual inclusive já foram escritos várias antologias: o cretáceo. Também gosto muito de contos de clã, houve uma profusão desse tipo nesse desafio. Na minha opinião, a melhor história fantástica de clãs é “O Castigo dos Yurth”, de Andre Norton, uma longa briga entre os “Yurth” e os “Raski” (últimos exemplares na Estante Virtual). Aqui a história é muito imaginativa, pela primeira vez em um conto os sáurios são dotados de inteligência. O final é bastante instigante, gostei, parabéns.

  5. phillipklem
    1 de abril de 2016

    Boa tarde.
    Foi um conto bem original, tenho de confessar. No início eu estava odiando, mas depois vi que era bastante criativo e até comecei a gostar.
    Os personagens estão muito bem construídos e toda a sua mitologia muito bem planejada.
    O gancho que você deu no final para a teoria alienígena dos reptilianos e tudo o mais foi bem interessante.
    Enfim, gostei do seu conto.
    Boa sorte.

  6. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): a ambientação foi fantástica, assim como a os personagens. O incio porém ficou confuso justamente por esses dois pontos: muitos termos e palavras estranhas e muitos personagens exóticos. Talvez essa história precisasse de mais palavras para que o desenvolvimento fosse mais fluido. Depois que o choque inicial passou e as apresentações diminuíram, a história ganhou mais corpo e funcionou bem. A solução final, porém, não foi totalmente de meu agrado.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐⭐): excelente. É o maior destaque do conto, pois o autor tem muita categoria para conseguir nos mostrar esse mundo tão diferente e fazer parecer comum. No fim, tem um “tenha” no lugar de “tinha” em “A boca não tenha dentes ou lábios”, mas foi a única coisa q eu peguei.

    💡 Criatividade (⭐⭐⭐): tá aqui o segundo grande mérito do conto: que ideia original! Já tinha visto mundos pré históricos com dinossauros inteligentes antes, mas nunca com tanta riqueza de detalhes.

    🎯 Tema (⭐▫): pensei bastante sobre esse quesito e é inegável que existem elementos fantásticos, mas não é o foco do conto, que flerta mais com a ficção científica, como mostrado no fim.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): como já adiantei, o final não me agradou muito. Achei a solução um pouco estranha e forçada. Confesso que esperava outra coisa. Mas, no geral, principalmente pela ótima ambientação, o texto agradou.

  7. Rodrigues
    31 de março de 2016

    Caramba, que viagem. O universo criado é muito rico, parece saído de uma pesquisa, pude até visualizar um mapa de Ssstlas na minha cabeça. O problema maior aqui, para mim, é que o tema excede o que um conto – ainda mais com limite de caracteres – pode contentar. As inúmeras paisagens e criaturas carecem de maiores descrições, pois não foi possível enxergá-las, precisam tornar-se mais táteis, ganhando o leitor. Gostei da parte da jornada entre a adivinha e os dois, foi a melhor parte do conto para mim, mas acabou por destoar do resto. O final também não me agradou, parece que o autor simplesmente pegou uma teoria já utilizada como explicação para o fim da era cretácea e simplesmente colocou-a no conto.

  8. Gustavo Aquino Dos Reis
    30 de março de 2016

    Foi uma longa e extenuante jornada até o seu término. É um conto muito bem escrito, uma obra à frente do seu tempo. Fugiu do clichê das histórias de Alta Fantasia e amalgamou elementos da Ficção Científica. Eu adoro uma escrita rebuscada, e não me incomoda em nada descrições detalhadas, porém, creio que esse conto poderá causar um certo dissabor nos outros leitores.

    O enredo é um caleidoscópio e, por muitas vezes, tive dificuldade em acompanhar. No entanto, ao término da epopéia, as narrativa se encaixa.

    É um trabalho impossível de agradar gregos e troianos, ou habitantes da Costa Pedregosa e do Vale Seco. Me agradou. Mas, confesso, que carece de uma leitura muito bem apurada.

    Parabéns.

    Boa sorte no desafio.

  9. Claudia Roberta Angst
    30 de março de 2016

    O meu primeiro impulso seria repetir a fala “Sinceramente, eu não entendi patavinas”. O conto é tão bem trabalhado, cerzido e alinhavado, que fiquei sem uma ponta para me segurar.
    Claro que a minha ignorância quanto os dinossauros e até mesmo minha falta de familiaridade com o tema fantasia não contribuíram em nada para o entendimento do seu texto.
    Boa caracterização dos personagens, com elementos da natureza bem fantasiosos. Vou precisar reler, mas estou com preguiça agora.
    Não é uma leitura fácil, mas percebe-se que o autor foi muito cuidadoso ao criar a narrativa, desenvolvendo o enredo dentro de um plano bem estudado. Pelo menos, foi a impressão que tive.
    Não é o meu tipo de conto preferido, mas não se pode negar a habilidade com as palavras e imagens.
    Boa sorte!

  10. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Seguramente um dos contos mais criativos do desafio. Todo o universo concebido demonstra uma predisposição do autor para o fantástico com pinceladas de sci-fi. Muito bacana a ideia de misturar dinossauros com questões aparentemente inofensivas mas que guardam certo apelo filosófico. Gostei dos diálogos, das descrições e sobretudo do fato do conto caber em si só, não caindo no pecado de muitos dos textos do certame que não souberam encaixar as (boas) ideias nos limites impostos pelas regras.

    Achei bacana também a relação entre Ilya e Terceiro e muito bem montada a estratégia de Delphia ao oferecer-lhes o caminho da salvação, nessa arca miraculosa vinda de outro planeta. Como ponto a melhorar digo que não me identifiquei muito com os personagens. Apesar de bem construídos, não despertam muita empatia, não me conquistaram a ponto de torcer ou sofrer por eles. Entendo que isso decorreu da opção do autor em privilegiar as (ótimas) descrições desse mundo fantástico em detrimento de características que conectassem os protagonistas com o leitor.

    De todo modo, é um conto excelente.

    Nota: 8,8

  11. Laís Helena
    30 de março de 2016

    Narrativa (1/2)
    Você escreve frases muito longas, interrompendo várias vezes o assunto principal para adicionar explicações, e quando chegava ao final delas, já tinha esquecido qual o assunto sendo tratado. Isso fez com que a leitura ficasse truncada; senti dificuldade de me prender à sua narrativa. Além disso, as descrições são muito detalhistas, ao menos para o meu gosto, o que também atrapalhou o ritmo. Elas não foram eficientes em formar uma imagem na minha mente.

    Enredo (1/2)
    No começo o seu enredo até me deixou interessada e eu fiquei curiosa para saber como os diferentes pontos de vista se entrelaçariam. Entretanto, o final me decepcionou. Achei que ficou um pouco apressado, enquanto a introdução se alonga em detalhes que talvez nem sejam tão importantes para a história. Também não causou o impacto que eu esperava, especialmente por ter feito referência à Arca de Noé.

    Personagens (1/2)
    Achei que o trio principal até tem uma boa caracterização para um conto desta extensão. Entretanto, Magíster e Drac são mencionados várias vezes e não parecem, realmente, ter importância para a trama. Eles perseguiram Terceiro e os demais, mas no fim não houve um confronto, e a traição de Drac também não fez sentido. Se você não tivesse se estendido nas motivações deles (que não têm importância para a trama, pelo menos não do modo como ela é conduzida), talvez tivesse tido mais espaço para melhorar a caracterização dos demais e investir num final não tão apressado.

    Caracterização (2/2)
    A escolha de uma ambientação pré-histórica, com criaturas estranhas, uma cultura interessante e cenários exuberantes foi, ao meu ver, o ponto forte do conto.

    Criatividade (2/2)
    A criatividade está na ambientação inusitada e pela qual poucos escritores de fantasia optam. Embora eu goste das histórias mais tradicionais, coisas diferentes sempre me agradam.

    Total: 7

  12. Evandro Furtado
    30 de março de 2016

    No início senti que o desenvolvimento de trama ficou comprometido, creio eu que pelo excesso de arcos. Depois, quando as coisas foram tomando forma, personagens se tornaram mais palpáveis e a própria história ganhou sentido. Gostei particularmente do final.

  13. Davenir Viganon
    28 de março de 2016

    Gostei muito do teu conto. Eu achei que a preocupação em situar no nosso mundo, explicando porque não convivemos com essa raça, deixou o conto muito interessante e ao mesmo o distanciou do gênero Fantasia, aproximando-o da Ficção Científica, pois a grande diferença entre eles é que o segundo carrega um enorme quantidade de convenções que são estritamente vigiadas pelos leitores.
    Com receio de ser intransigente (ou um simples cagador de regras) com os participantes, penso que o conto de Fantasia tem que jogar o leitor de cabeça nesse mundo sem se preocupar em amarrar com o nosso. Nas Crônicas de Nárnia por exemplo, a crueza da situação das crianças inglesas que são enviadas para o interior do país durante a 2ºGM não precisa de mais do que um guarda-roupas mágico e um punhado de crianças curiosas para se conectar com o elemento de Fantasia da história. Enfim, apesar do espaço que minhas considerações ocupam no meu comentário, o que importa para mim é contar uma boa história e isso você fez. Este conto mostra que o autor tem imaginação e isso me faz pensar que foi o que o trouxe a segunda fase.
    Os personagens estão bem construídos, e as descrições físicas, como a do Drac, tem relevância e não são adjetivações sem sentido. Ponto para você!
    A escrita buscou uma profundidade e confesso que me atrapalhou no início, mas essa é uma variável que acharia injusto transformar-se em decréscimo na nota final, pois exigirá uma segunda leitura, que não posso fazer no momento. O final ficou muito bom, com direito a desforra do criado que não deu uma de “João sem braço” kkk
    Foi uma boa leitura!

  14. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Jack! Seu conto é o terceiro que avalio na fase final do certame.

    Observações: e eu achando que ninguém faria um conto de dinossauros com extraterrestres em um período apocalíptico… Gostei do desenvolvimento do cenário, os dinos também são bem carismáticos, embora não muito profundos. Algo que estranhei foi o final repentino com a “arca de Noé e.t.”.

    Destaques: o texto destaca-se pelo vocabulário rico e pelo ambiente bem descrito; outro ponto positivo é o humor sugestivo nas relações entre os dinos.

    Sugestões de melhoria: quanto à ortografia, só notei “Fora assim que seus cidadãos preparam…”, imagino que queria dizer “prepararam”. Em relação ao desenvolvimento dos personagens, é possível melhorar os laços entre eles. Transpareceu um pouco de “utilitarismo”, ou seja, eles se relacionavam mais pela vontade visível do autor que fosse assim, do que por necessidade imposta pela trama.

    Parabéns por ter chegado à fase final. Boa sorte!

  15. catarinacunha2015
    28 de março de 2016

    O COMEÇO pega logo pesado na VIAGEM. Bebeu na fonte de “Avatar”? Talvez. Sem dúvida as imagens são muito ricas e criativas. A história ficou monótona, o FLUXO poderia ser mais ágil. A arca no FINAL foi uma boa sacada, sendo totalmente desnecessários os comentários depois de “— Sejam bem-vindos à Arca”. 7

  16. vitormcleite
    25 de março de 2016

    Desculpa-me mas não gostei do teu texto, estava repleto de personagens e de ambientes que até cansa ler o texto de tanta informação que temos de processar. Mas é só a minha opinião, desculpa e desejo as maiores sortes neste desafio

  17. Pedro Teixeira
    25 de março de 2016

    Olá, autor(a)! Um conto com grandes qualidades, como boa narrativa e um universo interessante e bem pensado, além do bom encadeamento dos elementos da trama. O maior problema acaba sendo que há pouco de fantasia e muito de fc aqui – o único toque de fantasia fica por conta de Delphia. Além disso, o final não me convenceu muito, não sei se porque acho essas teorias de conspiração um tanto manjadas ou porque a fala do alienígena me pareceu despropositada. Mas foi uma leitura divertida. Parabéns pela participação e boa sorte no desafio!

  18. André Lima dos Santos
    23 de março de 2016

    Estou dividido com esse conto… Haha
    O autor é um excelente escritor! Domina com maestria a norma culta da bela Língua Portuguesa. Nesse caso, não senti falta da linguagem coloquial (Linguagem que sou fiel defensor). Os elementos da narrativa estão saltando aos olhos, visto que não perderei tempo em destacá-los.

    O que me incomoda na história é apenas a trama… Embora o autor tenha notória criatividade nos excelentes diálogos e em toda ambientação que criou, senti falta de uma trama mais atraente.

    Mas não deixa de ser um excelente conto. Parabéns!

  19. Brian Oliveira Lancaster
    21 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Não é fantasia no sentido básico, em minha opinião, mas se encaixa em fábulas e contos de outros mundos. Talvez a parte “fantasiosa” tenha sido a própria “fala” entre os dinossauros. – 8,0
    G: Já havia comentando antes, mas para complementar, curti toda a criatividade embutida na sociedade jurássica inteligente. – 9,0
    R: Novamente cito o final apressado e subentendido. Aliás, a parte subentendida não teria problema, mas acabou dando um plot-twist carpado duplo. Foi algo muito fora do que estava sendo construído no decorrer do enredo. Tiraria a parte da abdução e resolveria de alguma outra forma. – 8,0
    O: Escrita tranquila e fluente. Nomes difíceis, mas diálogos entendíveis e envolventes. – 9,0
    [8,5]

  20. Rubem Cabral
    21 de março de 2016

    Olá, Jack.

    Então, a ambientação do conto é muito boa, com tantos aspectos culturais dos dinos: hábitos alimentares, religião, economia, etc.

    A partir do ponto onde Illya, Terceiro e Delphia se encontram, contudo, o texto corre um pouco e o final deixou talvez muitas pontas soltas.

  21. Simoni Dário
    18 de março de 2016

    Olá Jack.
    Seu(teu) conto é interessantíssimo, muito criativo. A narrativa não é fluída porque tem muita informação complicada formando uma história que usa extraterrestres, dinossauros e me parece que até misticismo. A referência à Península de Iucatã me fez pesquisar e só aí entendi melhor o texto.. Você usa argumentos existentes no mundo científico e ufologístico e cria a sua história. Um bom texto, de leitura um tanto complicada, mas conteúdo e narrativa muito inteligentes. Parabéns!
    Bom desafio!

  22. Pedro Luna
    18 de março de 2016

    Um texto interessante. Você fez um conto bacana sobre dinossauros, ainda que tenha dado características humanas a eles para facilitar as coisas. Não achei dentro do tema do desafio, preciso dizer. Quanto ao texto, achei bacana a mitologia que você criou, como nas partes em que fala das tragédias que haviam acontecido e de momentos do passado, o que dá força para o leitor acreditar no mundo da história. O final, por um lado super esperado, o lance do meteoro, trouxe uma pequena surpresa pelo lance da nave. Os reptilianos são uma teoria da conspiração nossa, não me atrai em nada, mas achei curioso inserir isso no texto. O conto é bem escrito ainda que muito cansativo em seu início. Eu enxugaria o primeiro parágrafo e suas descrições que podem afastar o leitor já em uma passada de olho.

  23. Carlucci Sampayo
    16 de março de 2016

    Este conto se destaca pelo vocabulário rebuscado e bem construído, numa adesão de palavras e expressões típicas do alto nível do enredo, que, derreado à era jurássica, personifica os integrantes da fantasia em funções e afazeres comuns, numa rotina de vida perpendicular à vida comum. Parece-me intensamente cerebral, dado que a compreensão é desafiada, a cada parágrafo e linha, numa tentativa de entender a real mensagem da narrativa. Pelo fato de não ser conhecido, ao menos por mim, leitora, nenhum conto ou escrito que retrate a era dos dinossauros, a fantasia então se encarrega desta lacuna de forma brilhante, inovadora e altamente intelectualizada. O estilo é primoroso e bem construído, com ideias concatenadas e exposição elegante de frases e interjeições dos personagens. O final parece nos trazer a compreensão de que tudo remonta ao cataclismo que pôs fim à era jurássica, numa previsão futurística da queda do mundo perdido dos dinossauros. Os nomes e espécies, as qualidades e características de cada um dos personagens são explorados de forma bastante descritiva e prendem ao leitor enquanto se movimentam dentro do enredo. Uma leitura desafiadora, se posso assim dizer. Acredito que este conto se destaca na categoria de intelectualidade, contendo criatividade para além da proposta do desafio, o que é bem vindo, posso supor. Nota 10.

  24. andreluiz1997
    15 de março de 2016

    Achei o conto muito fascinante, pois criou uma verdadeira sociedade reptiliana e brincou com a questão dos dinossauros de tal forma que o leitor realmente pode sentir o clima de fantasia na trama. Contudo, se retirarmos a parte central da trama, o texto fica completo, visto que a parte central é um adendo, contando como é a sociedade dos dinossauros, mas carece de um tal motivo que conecte o fato de serem racionais à abdução pelos aliens da arca. Boa sorte!

  25. piscies
    15 de março de 2016

    CARALHO.

    CA-RA-LHO.

    PUTA QUE O PARIU.

    MELHOR CONTO DE TODOS OS TEMPOS.

    Ok, parei com o entusiasmo. Ufa! Estava dentro de mim!! Que conto foda! MUITO bem escrito, MUITO bem apresentado e trabalhado. Eu sinto como se estivesse lendo o trabalho da vida de alguém aqui. A escrita quase sem erros, os personagens bem desenvolvidos, diálogos vivos, cenários fantásticos…

    DEZ DEZ DEZ DEZ!!!

    Os nomes dos lugares e das coisas foram muito bem bolados. O tema eterno de do fim do mundo dos dinossauros foi muito bem explorado, de forma diferente e inovadora. E o final… o final!! Até o título é bem trabalhado. Estou me sentindo um fã de carteirinha do escritor elogiando e elogiando… então acho melhor parar antes de me estender muito nisso.

    Mas quem quer que você seja… sou seu fã!!

  26. Swylmar Ferreira
    15 de março de 2016

    O texto trás um enredo interessante e muito criativo (dinossauros inteligentes – por que não?). A linguagem é muito rebuscada, mas é compensada pelos diálogos sensacionais. O conto tem lá sua pertinência ao tema proposto, embora me pareça mais ficção, de qualquer forma é muito imaginativo, o que é essencial. A conclusão surpreende.
    A nota é 8,6.

  27. Anderson Henrique
    14 de março de 2016

    O conto possui muitos elementos interessantes. O mundo criado pelo autor é rico. Talvez funcionasse melhor em um formato maior como uma novela. O encerramento é interessante por trazer um elemento inesperado. Boa aplicação de um fato científico na conclusão do conto. Em relação à linguagem: o autor usa construções longas e complexas, com utilização recorrente de apostos. Alguns diálogos exigiram que eu fizesse uma releitura para captar o significado e me parecem um pouco truncados. A literatura moderna utiliza de construções mais diretas e períodos menores. Não considerei este ponto ao dar minha pontuação. Trata-se apenas de uma observação. Peguei apenas um problema ortográfico em minha leitura (Vossa sapiência, permiti-me interromper?)
    Nota 7

  28. Anorkinda Neide
    11 de março de 2016

    Olá!! Enfim os dinossauros chegaram!! reptilianos…hummmm
    confesso que a última frase não me agradou, acho ela dispensável. mas tudo bem… o conto é seu e não meu :p
    .
    No começo eu achei q a leitura seria chata, fui patinando nos primeiros parágrafos, mas logo peguei o ritmo da leitura, identifiquei a ambientação e daí em diante, fluiu e achei bastante criativo e obviamente, muito bem escrito.
    Parabens pela obra.

    .
    obs: acho bastante óbvio tb que este conto esteve pronto ou prépronto na gaveta até surgir a oportunidade de participar por aqui.
    Abraço e boa sorte.

  29. Evie Dutra
    9 de março de 2016

    Confesso que, para mim, o conto foi bem confuso.
    Senti que tinha muita informação desnecessária e, as necessárias, se perderam em meio a tantos nomes e palavras estranhas.
    Tive dificuldade em permanecer com atenção na leitura. Haviam frases tão complexas e tão cheias de floreios que eu simplesmente me desconcentrei, inúmeras vezes.
    Sei que ninguém gosta quando não entendem o que escrevemos, por isso peço desculpas. É que para mim é realmente complicado me concentrar quando me deparo com palavras “diferentes” em conjunto com muita informação.
    Enfim… Você foi muito criativo, reconheço isso. Parabéns e boa sorte.

  30. Brian Oliveira Lancaster
    9 de março de 2016

    Uma ideia que gostei muito. Só achei a parte da explicação dos mastins meio deslocada, didática. Os diálogos em terceira pessoa também pedem bastante atenção. No geral, lembrou-me de Chronno Trigger e de um filme antigo onde as crianças iam parar num mundo governado pelos dinossauros. Toda a construção e cenário são cativantes, pena que o final, mesmo esperado (a parte do meteoro), foi rápido demais. Acho que deixando eles serem levados, sem a explicação futura, ficaria melhor. No geral, é um ótimo texto e traz uma atmosfera incrível, só não sei se encaixaria na definição clássica de fantasia.

  31. Emerson Braga
    8 de março de 2016

    Jack O’Room, você tem talento para a escrita, mas – não sei se particularmente nesse conto – achei sua linguagem um pouco cansativa. Acredito que o autor, como bom contador de histórias, tem que apresentar suas personagens de forma clara e empolgante, mas devo confessar que me esforcei para concluir seu texto. Não é que ele seja ruim, sua premissa é bem original, mas a história não amarra o leitor.
    Também foi difícil ver suas personagens como se fossem seres de outra espécie. O tempo inteiro, durante a leitura, tive que ficar repetindo para mim “não são humanos, não são humanos”. Esse tipo de problema interfere no ritmo da leitura e compromete o envolvimento do leitor com a narrativa.
    Outra coisa, eu não entendo muito de período geológico, mas acredito que não haviam “mastins farejadores” no Cretáceo Superior.
    O desfecho foi algo inesperado. Porém, nem mesmo a surpresa do clímax foi capaz de me empolgar.
    Gostaria de ver mais trabalhos seus. Tenho certeza de que você deve escrever coisas bem legais. Mas esse texto em particular não me cativou.
    Boa sorte!

    Nota: 5,5

  32. Fabio Baptista
    6 de março de 2016

    Excelente técnica, parabéns!

    No começo, confesso que tanta excelência me incomodou um pouco: muitas descrições extremamente detalhadas, adjetivos e tal. Não estavam jogando a favor do desenvolvimento da trama.

    Depois, o padrão se manteve, mas acabei me acostumando, eu acho, e a leitura fluiu melhor (mas ainda torci o nariz para a adjetivação em alguns pontos).

    A leitura foi bastante agradável, mas isso se deu mais pela qualidade da escrita do que pela história. Não consegui me envolver muito com os dinossauros e aqui, além do gosto pessoal, também entra um pouco a questão do rebuscamento excessivo – talvez uma narrativa um pouco mais limpa contribuísse para um maior envolvimento na história.

    O final conseguiu ser previsível (asteroide) e inusitado (ETs) ao mesmo tempo, o que ficou bacana.

    – A boca não tenha dentes ou lábios
    >>> tinha (pecado para tirar os 100% no finalzinho…)

    NOTA: 8,5

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 3 e marcado .