EntreContos

Detox Literário.

Em Nome do Pai (Pedro Teixeira)

Imagem - Entrecontos

O fluxo de garçons no Café Brasil era intenso. Eles caminhavam entre as mesas cheios de pressa, em impecáveis smokings, equilibrando enormes bandejas com perícia, o olhar concentrado, tais quais hábeis malabaristas.

Werner, enquanto os observava, saboreava seu filé mignon com salada e sorvia goles de vinho tinto. Olhou ao redor, para as outras mesas, e constatou que todos os fregueses ali presentes conversavam, produzindo um murmúrio onipresente naquele ambiente luxuoso de paredes espelhadas. Balançando a cabeça em aprovação, voltou-se ao companheiro de mesa sentado à sua frente e lhe disse:

– Veja só, Simão. É por isso que gosto deste lugar. Aqui as pessoas comem, bebem, conversam. Um ambiente normal. Não estão hipnotizadas pela tela dos seus celulares, cada uma presa num mundinho particular. Não. Estão vivendo o presente, o aqui e o agora, com tudo o que ele oferece.

Simão sorriu levemente, e fitou João com seus duros olhos azuis, que pareciam reproduzir o áspero céu de uma tarde de calor causticante:

– Bom, talvez seja porque aqui o Wi-Fi não é liberado – respondeu, apontando com um movimento de cabeça um cartaz na parede.

Werner riu enquanto chacoalhava a taça de vinho. Depois de mais um gole, afirmou, enquanto batia repetidamente o dedo indicador no tampo direito da mesa:

– Exatamente, rapaz. Esse é o ponto. Guardadas as devidas proporções, é claro, por qual motivo eu não dou uma ferramenta a um macaco? Porque ele pode se machucar. Machucar pessoas. Existem instrumentos, e conhecimentos, que não devem estar ao livre acesso de todos, pois a humanidade ainda não está preparada. É preciso certo controle.

Simão franziu a testa:

– Essa metáfora tem a  alguma coisa a ver com os livros e rituais de que o senhor não nos fala?

– Sim, Simão. Os outros ainda não estão preparados. Mas você está. Tenho uma história pra te contar. Estive esperando por muito tempo que surgisse alguém com sua inteligência e capacidade…. Temos um trabalho monumental a fazer. Bem, deixe-me começar do início.

É uma longa história.

 

A HISTÓRIA DE WERNER

Werner explicou que tudo tinha começado há muito tempo. Ele vinha de uma linhagem célebre por seus conhecimentos do oculto, e por sua riqueza. Cresceu solitário em uma mansão, tendo na maior parte do tempo somente a companhia dos livros. Imitava o pai, Benjamin Braun, um estudioso voraz de grossos tomos que tratavam de encantamentos, invocações e outros rituais. A venda de seus livros em todo o mundo lhes garantia uma vida abastada, nas verdes colinas de uma cidadezinha chamada Jardim.

Quando Werner completou a maioridade, foi iniciado em tais práticas. Ao longo desse processo, Benjamin explicou-lhe o que buscava: nada mais, nada menos do que a chave da imortalidade. Havia tentado várias abordagens, e todas tinham falhado. E, a partir daquele momento, o velho ocultista iniciaria a última e mais arriscada de suas tentativas. Soubera, por meio de um estudo aprofundado, que havia algo a reger toda a existência. Alguns livros extremamente raros diziam que se tratava da Partitura, um conjunto de inscrições divino cujas linhas narravam toda a trajetória do universo, em seus mínimos detalhes. Nem os anjos seriam capazes de suportar tanta informação, de modo que o Criador teria entregado a eles apenas trechos de tal obra, em plaquetas, para que pudessem concluir suas missões com êxito. As palavras contidas nesses objetos garantiriam, além de um conjunto de habilidades e saberes, a imortalidade.

O ocultista descobriu que, por meio do ritual adequado, poderia obter um desses trechos. E, após várias tentativas, que lhe consumiram muitos anos de vida, ele conseguiu o que queria, num longínquo solstício de inverno. Benjamin e o filho nunca esqueceriam do dia em que finalmente puseram as mãos, trêmulos de excitação e medo, naquela pequena placa dourada e reluzente que havia se materializado no centro do círculo místico, coberta por inscrições, palavras poderosas que traçavam o destino do universo. Um objeto vindo de dimensões até então inacessíveis ao ser humano, de poder incalculável, agora pertencia à família Braun.

Aquela parecia a vitória definitiva, mas eles estavam apenas no começo. Havia um conteúdo a decifrar nas minúsculas inscrições da plaqueta, e isso exigiu um trabalho ainda mais intenso e febril. Assim, pai e filho atravessaram madrugadas inteiras analisando aqueles caracteres, cujos elementos pareciam uma combinação de todos os hieróglifos que já tinham visto.

Werner recordava de ter adormecido muitas vezes sobre um emaranhado de papéis, livros e pergaminhos. Acordava na escuridão e lá estava seu pai, sob a luz de uma lamparina, a testa franzida, buscando a resolução daquele enigma.

O velho Benjamim tornara-se obcecado com a questão da morte desde que sua esposa, Eleonora, a mãe de Werner, falecera, vitimada pela tuberculose. Para este último, as lembranças de sua agonia eram tênues, quase etéreas, reminiscências esvoaçantes da infância. Mas o pai vira e vivera de perto todo o lento definhar, o esmaecimento das faces, os olhos fundos, a pele tornando se cada vez mais seca e mortiça. Toda a fortuna e recursos dos Brauns, e mesmo os rituais de que o patriarca lançara mão não produziram nenhum efeito, de modo que a moléstia continuara a avançar, inexorável, até que por fim a morte a envolvesse num sufocante abraço.

Werner lembrava da atmosfera de tristeza no cemitério da família, um ar soturno e pesado materializado na chuva gélida e fina torrencial que se seguiu. Não eram muitos os presentes; apesar dos títulos que seu pai recebera por tornar aquela cidadezinha conhecida, a reputação dos Brauns era a de uma família envolvida com a bruxaria. Ao final, restavam somente ele e Benjamin diante do túmulo, na capela. O velho mago estava cabisbaixo e de seus olhos brotavam veios avermelhados.

Notando o desalento do pai, o garoto teve uma de suas ideias de criança; disse a Benjamin que, se a mãe estava dormindo, bastava abrir o esquife e acordá-la. O alquebrado homem então sorriu, pela primeira vez em muitas semanas, abaixou-se, acariciou os cabelos do filho e disse:

– Um dia poderemos fazer isso, garoto. Um dia.

Assim, todas as vezes que Werner via o pai o via dedicando horas a fio naquela tarefa, lembrava-se dessa frase. Tal rotina durou longos anos, o que tornou a realidade lá fora cada vez mais estranha para os dois. No entanto, estavam certos de que cada segundo valeria a pena quando obtivessem êxito.

No entanto, o velho Benjamim não contava com o que viria a seguir. A tuberculose que matou Eleonora também o acometeu, e ocorreu com ele o mesmo processo de lenta destruição ocasionada pela bactéria. Werner trabalhou de forma desesperada para traduzir as inscrições, e chorou ao dar-se conta de que, possuindo um objeto tão poderoso, não estava nem perto de conseguir fazer algum uso dele; amaldiçoou a plaqueta e a jogou contra a parede. Era uma triste ironia: ele e o pai foram capazes de obter um artefato que continha um poder inimaginável, mas caíam, impotentes, diante das investidas de um micróbio.

Nas noites de febre de Benjamin, Werner o via murmurar coisas aparentemente sem sentido. Até que, no dia em que foi desenganado pelo médico, o velho bruxo teve o corpo tomado por violentas convulsões. Debatia-se na cama, tremia, suava. O filho permaneceu ao seu lado, sem saber o que fazer, murmurando de vez em quando palavras de encorajamento, sentindo-se fraco e patético. Essa agonia durou até o momento em que Benjamin abriu os olhos, cujas pupilas dilatadas ao máximo emitiam um brilho intenso. Então, trêmulo, pediu com um gesto para que o filho se aproximasse, e, respirando ruidosamente, disse-lhe ao pé do ouvido:

– A música. Ouça a música.

Um instante depois, sua respiração cessou.

O luto de Werner durou duas semanas. E em todo o tempo ele pensava sobre a morte dos pais, aquele agravamento inexplicável de uma doença, que, a rigor, considerando todos os recursos à disposição da família, não deveria ter se tornado fatal. Havia algo errado, e o herdeiro de Benjamin começou a acreditar que talvez aquilo fosse um castigo por terem se apropriado de conhecimentos tão elevados. Talvez tivessem indo longe demais.

Entretanto, o que mais o intrigava era a derradeira frase do velho, sussurrada em seu ouvido . Será que estava apenas delirando? Ele adorava música, não havia dúvida, especialmente “A Cavalgada das Valquírias”, de Wagner. Mas não a ponto de destinar a essa arte as últimas palavras que mencionaria antes de morrer.

Num dia em que Werner só pensava em desistir de tudo, ele guardava os volumes que havia examinado com concentração redobrada em busca da fórmula que decifraria a tabuleta, mais uma vez em vão. Até que deparou-se com um livro cuja capa exibia anjos de asas negras, que empunhavam trombetas em expressões graves. Então, subitamente, como uma luz que de repente nos atinge em cheio num dia nublado, veio o estalo.

Em todos aqueles anos, havia escapado a eles a informação mais importante, e óbvia, das inscrições: tratava-se de uma melodia. Não era a toa que se chamava “A Partitura”.

Imbuído dessa certeza, Werner voltou a trabalhar na tradução no dia seguinte, com o ânimo redobrado. Após mais um ano de trabalho árduo, ele consegui converter aquelas inscrições em uma partitura, tal como a conhecemos. Resolveu tocá-la ao piano, e então teve a experiência mais impressionante de sua vida.

Logo nos primeiros acordes, uma névoa surgiu e o ocultista sentiu-se de imediato abraçado por ela, que se espalhava pelo ambiente, a tudo envolvendo, até que nada mais restasse do que Werner conhecia como seu lar, a não ser o próprio piano. Todo o resto havia se tornado neblina e vazio, como se ele estivesse a flutuar no vácuo. Parou de tocar e levantou-se, sem estranhar o fato de que a melodia continuava, num crescendo, dentro de sua cabeça. Parecia um sonho.

Notou que mais adiante havia luz, e caminhou em sua direção, sobre a névoa. E então deparou-se com uma figura assustadora. Tratava-se de um homem alto, de cabelos encaracolados, em vestes negras, que olhava para cima, com uma expressão surda de súplica e consternação. Werner aproximou-se mais e viu que de seus olhos vertiam lágrimas rubras. Lágrimas de sangue. Havia também manchas da mesma cor nas suas costas. Era uma cena angustiante, a ponto de poder matar alguém aos poucos se pensasse demais nela.

Mesmo diante daquela visão extremamente perturbadora, o mago continuou a avançar. Percebeu então, com alívio, que o homem não o enxergava ali, e colocou-se ao seu lado para descobrir o que tanto atraía sua atenção. Quando ergueu os olhos em busca da fonte da luz, sentiu de repente o corpo astral ser puxado com violência para cima por uma força irresistível, e então mergulhou em uma miríade de imagens e sensações, que se sucediam de forma vertiginosa. Sentiu a mente estilhaçar-se em mil pedaços, dispersando-se pelo universo, ao mesmo tempo em que atravessava espaços infinitos e assistia ao nascimento e à morte de estrelas, de deuses e monstros e deparava-se com imagens do céu e do inferno, da escuridão mais intensa e da luz mais ofuscante.

Não soube precisar quanto tempo durou a experiência – poderiam ter sido horas,  anos, ou milênios, em que os fragmentos seu espírito vagaram à deriva, até o momento em que finalmente retornaram ao ponto de partida, trazendo-o de volta, quando despertou, aos gritos, na sala de estar do casarão. Por um bom tempo teve a impressão de que parte da sua alma ainda vagava por outros mundos, perdida e sozinha, como se algo que pertencia a ele houvesse ficado do outro lado.

Mas o mais importante é que, depois de apreender o trecho da Partitura, Werner tinha obtido respostas para questões que há tempos o afligiam, as quais de alguma forma extraíra daquele turbilhão de imagens e sensações; era um conjunto precioso de regras básicas sobre a ordem do universo, integradas ao seu ser quase como um instinto primal. E, claro, ele finalmente estava protegido contra a morte. Para sempre.

***

A garrafa de merlot estava no fim. Werner, já um tanto entorpecido pelo álcool, ergueu a taça contra a luz, admirando a coloração rubi da bebida, como se fosse um químico a manusear tubos de ensaio. Depois desceu os olhos a Simão, e percebeu que este mantinha a mesma expressão tranquila. Não se notava qualquer agitação, nem mesmo um sinal de espanto naquele rosto impassível. Na verdade, percebia-se certo desdém; parecia que ele estava a ouvir mirabolantes proezas sexuais de veracidade duvidosa e imaginativas teorias sobre a terra plana.

– Contei-lhe tudo isso, Simão, porque preciso de sua ajuda. Há algo a mais no trecho da Partitura, uma conexão com o todo, posso sentir. Se formos capazes de encontrá-la, poderíamos conhecer todo o ordenamento do universo, e não apenas um trecho dele…. Imagine o que poderíamos fazer!

Nesse instante, Simão riu. Um riso seco, sardônico, que continha em si uma força mais devastadora e um teor mais ofensivo que todo um conjunto de impropérios.

João rilhou os dentes e disse, esforçando-se para conter a raiva:

– Já tenho minhas dúvidas se realmente estou certo sobre você, rapaz. Porque penso que só um imbecil seria capaz de rir dessas revelações. Ou você não acredita em mim?

Em resposta, Simão fitou-o, desafiador, exibindo os dentes num sorriso cheio de ironia, as pupilas azuis faiscantes como lâminas afiadas. Então, o velho ocultista, sem tirar os olhos dele, enfiou a mão no bolso do paletó, e de lá puxou, num movimento brusco, um objeto, depositando-o na mesa com ruído:

– Aí está. Se me disser que não é capaz de sentir o poder, desisto de você. Reze para que isso não aconteça. E não ouse mentir. Eu vou saber.

– O problema não é esse, Werner. Eu sei qual é o poder da Partitura. E sei também que um macaco com ferramentas não vai ser capaz de fazer muita coisa a mais com ela.

– O que disse?– grunhiu Werner, surpreso.

– O que você ouviu. Palavra por palavra – respondeu Simão, numa voz gélida e áspera.

Já falou demais hoje, Werner. Está na hora de ouvir um pouquinho. Também tenho uma história para contar.

 

A HISTÓRIA DE GABRIEL

Simão então começou a falar sobre um arcanjo chamado Gabriel, o qual ocupava um alto posto na hierarquia divina. O Criador atribuíra-lhe funções de primordial importância, inclusive a de Anjo da Morte.

Quando o trecho da Partitura dado a ele por Deus desapareceu misteriosamente, Gabriel caiu em desespero, pois seu código de conduta lhe dizia que havia falhado. Entre os anjos, há certa ingenuidade e honra inconcebíveis para os humanos. No caso dele, a vergonha foi grande a ponto de fazê-lo pedir a Deus que o destituísse de seu posto.

Foi atendido, mas não ficou só nisso. Gabriel tornou-se um bode expiatório. Foi expulso do Paraíso, o lar que protegera desde tempos imemoriais; perdeu a imortalidade que a plaqueta lhe garantia, além de quase todos os seus outros poderes, inclusive o dom que mais lhe aprazia: o de ouvir a partitura, e acompanhá-la tocando sua trombeta. Tentou extrair a mesma melodia de instrumentos musicais terrenos, especialmente do saxofone, desenvolvendo uma técnica apurada. Mas em nenhum momento conseguiu sequer aproximar-se da transcendência daquelas notas celestiais.

Como se não bastasse, foi difamado por seus irmãos caídos, até mesmo por Lúcifer, pois este último desconfiava que Gabriel estava envolvido em uma artimanha do Paraíso para sonegar-lhe uma alma muito valiosa, ajudando-a a escapar; tratava-se de um bruxo chamado Werner Braun, que havia feito por merecer o inferno após os sacrifícios de humanos e animais dos quais participara a fim de obter a imortalidade, os quais aprendera com o pai. Além disso, havia os pactos feitos pelo velho Benjamin que acabaram por comprometer toda a família Braun, de modo que eles haviam sido levados, um a um, com exceção do filho.

Todas essas circunstâncias levaram ao completo isolamento de Gabriel, que lutou o quanto pôde para preencher o vazio, o silêncio ensurdecedor que povoava todas as suas horas, esquecido por Deus em um lugar que detestava.  Até que conheceu uma mulher e casou-se com ela. A vida do anjo caído tornou-se um pouco mais tranquila durante certo tempo, e logo o casal teve um filho.

Gabriel voltara a tocar saxofone, e fazia isso tão bem que logo se profissionalizou como músico de apoio. Foi nas festas dos camarins que encontrou as drogas, as quais alteravam-lhe a percepção, fazendo-o viajar até aquele tempo de glórias. O contraste das visões de seu passado com a realidade que vivia foi se tornando tão forte, tão devastador, que numa manhã cinzenta de domingo, para não precisar mais voltar da viagem de ácido, trocou a pastilha de LSD pelo chumbo quente de um revólver, em um quarto imundo de hotel.

Ao chegar a esse ponto da narrativa, Simão fechou os olhos, respirou fundo e concluiu:

– Essa é a história de Gabriel. Ele era meu pai.

***

Werner emudecera diante daquele relato. A vermelhidão da pele, causada pelo álcool, dera lugar a uma lividez extrema. As veias em sua testa e pescoço eram visíveis, e a mão direita pendia sobre a mesa, imóvel, como se estivesse completamente sem forças. Até que ele balbuciou:

– Eu ainda… Estou protegido. Tenho o trecho da Partitura. E as regras….

Então, sob os olhos espantados do mago, a placa arrastou-se sozinha pela mesa rapidamente até as mãos de Simão, como se atraída por um ímã.

– Conheço as regras, Werner. Meu pai falava muito sobre elas. E sei que a proteção só dura enquanto o ladrão for capaz de se ocultar dos anjos. No momento em que o herdeiro legítimo encontra a plaqueta, ela volta a pertencer a sua família. Está tudo aqui, na parte que você não conseguiu decifrar  – zombou Simão, segurando a plaqueta entre o polegar e o indicador.

– Eu ainda posso…. Te oferecer poder e conhecimento inimagináveis….

– Não há nada que possa me oferecer. Você está morto há muito tempo, Werner.

– Não…. Não pode ser – disse, numa voz trêmula, o ocultista. Sentia-se repentinamente fraco, esgotado, sem qualquer ânimo para reagir. Foi quando enxergou seu reflexo nos espelhos da parede e estremeceu ao perceber, aterrorizado, que a pele enrugava-se mais e mais, os olhos afundavam no crânio, o cabelo tornava-se alvo e caia. Ninguém notava sua dor e desespero, sentia-se como se fosse uma tênue recordação de um sonho prestes a ser esquecido, uma fotografia em preto e branco que ardia no incêndio de uma casa desabitada.

Nos últimos segundos, antes de sentir o corpo tornar-se uma substância viscosa e borbulhante, ainda pode olhar para a porta do Café, e lá viu um homem magricela, de testa larga e longos bigodes castanhos, trajado com um terno preto. O sujeito, cujos olhos ardiam como brasas, parecia esperar Werner há muito tempo.

***

Simão saiu para a rua, e apalpou o bolso em busca de um cigarro. Enquanto o fazia, viu o homem de terno preto emergir das sombras com um sorriso de satisfação.

– Ah, garoto…. Seu pai ficaria orgulhoso de você.

– Viu a sacanagem que fizeram com ele? Foi tudo muito, muito injusto. Poderia ter acontecido com qualquer um de vocês – respondeu o filho do anjo, enquanto acendia um cigarro.

– Talvez. O importante é que normalidade, se é que realmente podemos chamá-la assim, foi reestabelecida. Finalmente recebi a alma que me era devida, e acredito que ainda posso lucrar muito com essa história. E o nome de Gabriel está limpo.

Simão balançou a cabeça, enquanto soltava lentamente a fumaça:

– Para Deus, o nome dele nunca esteve sujo. E Ele poderia ter resolvido tudo com um estalar de dedos.

O Portador da Luz deu de ombros. E falou, enquanto girava nos calcanhares e caminhava para o outro lado da rua:

– Caso ainda esteja com muita raiva do Todo Poderoso, sabe onde me encontrar. E se levar essa plaqueta junto, te darei o mais alto posto de meu reino, com exceção do meu, claro. Pensando bem, talvez até mesmo divida o comando com você. Pense nisso.

– Não vai acontecer, Estrela da Manhã. Tudo o que sei de pactos com o diabo é que eles sempre dão errado no fim. A família Braun que o diga.

Ainda pode ver Lúcifer balançar a cabeça e responder:

– Tsc, tsc. Quanto preconceito, rapaz. Pensei que tivesse a cabeça mais aberta.

E então ele desapareceu nas trevas.

Simão acabou seu cigarro e, após o descartar, voltou os olhos ao firmamento estrelado. Apanhou no bolso a plaqueta, ergueu-a como num oferecimento e disse:

– Descanse em paz, pai. A música está mais uma vez em boas mãos.

Depois, iniciou sua caminhada rumo à estação de metrô, em passos vagarosos, enquanto ouvia a sinfonia dos astros.

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28 comentários em “Em Nome do Pai (Pedro Teixeira)

  1. ram9000
    2 de abril de 2016

    A escrita está bem feita e apropriada ao tema. O enredo tem sua graça, mas não me cativou muito. Uma ideia poderia ser a revelação do filho de Gabriel se dar num clímax maior; talvez ele pudesse agir mais como um parceiro na transcrição da partitura e revelar seu verdadeiro intuito em um último momento, antes de Werner ter o prazer de concluir o trabalho.

  2. André Lima dos Santos
    2 de abril de 2016

    História muito o interessante e que aborda um tema que adoro: mitologia judaico-cristã.
    A linguagem utilizada me agrada bastante, inclusive a leveza e a “modernidade” que o autor utilizou para contar a história.

    Por algumas vezes achei a história um pouco confusa. Tive que reler várias vezes algumas partes, mas ainda saio sem entender muito bem a questão de como a partitura foi cair nas mãos de Werner. Acho que uma história complexa como essa necessitaria uma ambientação maior.

    O conto está bem escrito, embora precise de uma revisão. O autor demonstra um domínio muito legal da língua portuguesa.

    A resolução da história é muito boa, inclusive o diálogo final com Lúcifer foi muito bom.

    Parabéns, este é um dos meus contos favoritos desse desafio.

    Boa sorte!

  3. Wilson Barros Júnior
    1 de abril de 2016

    Um conto estilo “Contos da Taberna” de Clarke. As frases são inteligentes, como “se a mãe estava dormindo, bastava abrir o esquife e acordá-la”. A história é extremamente criativa e inédita. O texto é muito claro, fluente e sem defeitos. O conto é marcante por descrever a injustiça com que os homens são tratados, enquanto aguardam bêncãos. Muito interessante.

  4. Leonardo Jardim
    1 de abril de 2016

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 História (⭐⭐⭐▫▫): o conto mostra a mesma história de dois pontos de vista diferentes e, no que tange à tabueta, se fecha de forma satisfatória. Como teve que abranger um longo período de tempo, acabou ficando um pouco superficial. Ainda assim senti falta de algumas coisas, como a forma em que os dois se conheceram e como ficaram tão amigos à ponto de Werner contar seu maior segredo. A parte em que descobre-se que a Partitura voltaria à família se a encontrasse surgiu como uma informação nova na hora errada, acho que poderia ter sido introduzida antes para causar mais efeito. O fim, depois que Werner morre, se estendeu além do necessário, pois pouco do que ocorreu era realmente último para compressão da trama. Enfim, com alguns ajustes, é uma boa história de anjos e demônios.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): boa, é daquelas que não chega a se destacar demais, mas não incomoda em nada. E funciona como juiz de futebol, se não foi notado, então fez um bom trabalho.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): existem alguns elementos novos, mas parte de uma base bastante usada de anjos, demônios, Gabriel e Lúcifer.

    🎯 Tema (⭐⭐): mitologia judaico-cristã e magos. Está adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o “xeque-mate” de Simão em Werner foi o ponto alto, mas teria sido melhor se não usasse uns informação nova (ficou parecendo Deus Ex). O fim arrastado também diminuiu um pouco o impacto. Ainda assim, gostei no geral.

  5. Gustavo Aquino Dos Reis
    1 de abril de 2016

    Bem escrito, gramaticalmente impecável.
    Porém, autor(a), falhei miseravelmente com o seu conto. A história se divide em dois blocos – temos a história de Werner e de Gabriel -, mas ambas não promoveram o impacto necessário em mim. E, não, isso não é um problema inteiramente seu. Você mandou muito bem no conto; porém, sinto que faltou algo… Um elemento de alta fantasia, algo que não se apoiasse apenas no oculto. Gostaria de ter visto essa história num universo povoado por outros mitos, outros Lúciferes (perdoe-me meu neologismo esdrúxulo), outras realidades. É um trabalho excelente: um trabalho de realismo mágico.

    Boa sorte no desafio.

  6. Rubem Cabral
    1 de abril de 2016

    Olá, Oliver.

    Um conto muito bom, com um enredo interessante e algumas reviravoltas. O trecho não traduzido da partitura soou meio “deus-ex”, mas funcionou a contento.

    Achei, contudo, que houve muito contar e pouco mostrar, o que não me permitiu uma conexão muito boa com os personagens.

    Nota: 8.

  7. Thomás Bertozzi
    31 de março de 2016

    Muito rico, profundo e bem construído. Conseguiu imprimir novidade a elementos já utilizados em inúmeras outras narrativas.

    “uma fotografia em preto e branco que ardia no incêndio de uma casa desabitada.”

    Gostei dessa!

  8. Gustavo Castro Araujo
    30 de março de 2016

    Gostei do conto. Bem escrito, envolvente e de leitura fácil. Não notei erros, o que favoreceu a leitura. O desenvolvimento está excelente na medida em que cria uma atmosfera densa, em que prevalece o suspense. Apreciei de modo especial a história de Werner, dada a maneira como foi contada. Já a história de Gabriel ficou um pouco aquém – tive a impressão de que o autor carregou um pouco na ironia. Não obstante, de modo geral, os personagens foram bem construídos e colaboram para a imersão no texto.

    Histórias sobre a imortalidade são sempre interessantes e neste caso o autor soube utilizar o mote para criar algo que, se não prima pelo ineditismo, soa competente. A ligação com a partitura foi bastante criativa. O laço no fim, arrematando a questão, com a redenção de Gabriel, fechou muito bem a trama.
    Enfim um conto inteligente e bem articulado que, se não emociona, trata o leitor com inteligência.

    Nota: 8,5

  9. Renan Bernardo
    30 de março de 2016

    Muito legal! Parabéns, autor. Bem escrito, história envolvente e ideia excelente. Tem um trecho que me lembrou bastante Duna, inclusive. Me lembrou também, vagamente, um conto do Stephen King (Extensão Justa).

    Nota: 9,0

  10. Laís Helena
    30 de março de 2016

    Narrativa (1/2)
    Sua escrita é boa e na maior parte do tempo me manteve entretida. Entretanto, em alguns momentos (especialmente quando Werner e Simão contam suas histórias) ficou muito corrida. Certas cenas demandavam mais detalhes, daqueles que fazem o leitor se sentir dentro da história. Há um ou outro erro de revisão (como o aparecimento de um João na parte que sucede a história de Werner).

    Enredo (1/2)
    Normalmente gosto bastante de histórias que lidam com a morte (e principalmente com as tentativas de frustrá-la), mas achei que seu conto tinha coisas demais para apenas 4 mil palavras. Essa é uma história que pedia muito mais detalhamento e, como dito acima, muitas coisas foram apresentadas de maneira corrida, sendo que alguns elementos (como a história de Gabriel) não foram bem explorados. No entanto, gostei da trama no geral.

    Personagens (1/2)
    Para um conto como este, senti falta de uma caracterização mais forte dos personagens. Durante a leitura, não consegui sentir a devoção de Werner aos seus objetivos, ou os sentimentos de Simão quanto à sua missão. A relação entre Werner e o pai, que também parece importante para a história, poderia ter sido mais explorada.

    Caracterização (1,5/2)
    No começo do conto você foi competente em ambientar o leitor e consegui me ver transportada para o restaurante descrito. Só estranhei nomes como Werner e Benjamin, que parecem destoar de uma ambientação brasileira.

    Criatividade (2/2)
    Gostei da forma como os elementos cristãos foram utilizados. Embora eles estejam presentes em muitas histórias, não me senti lendo mais do mesmo.

    Total: 6,5

  11. phillipklem
    29 de março de 2016

    Boa tarde.
    Confesso que no começo eu não estava gostando nada da história. Parecia só mais uma daquelas histórias repetitivas sobre imortalidade que já estão enchendo o saco. Mas a partir da história de Gabriel, o conto foi ficando mais interessante. É um argumento já saturado na literatura, o de anjos caídos e blá blá blá, mas a história convence.
    Sua escrita é boa. Um pouco cansativa, pois você enfeita demais, mas é muito boa. Estilo é estilo, não é?
    Enfim, um bom conto, não muito original, mas muito divertido de se ler.
    Meus parabéns e boa sorte.

  12. angst447
    29 de março de 2016

    Apesar de longo (não vou parar de reclamar disso nunca), o conto não me cansou, talvez devido à divisão de relatos dos personagens. Gostei do confronto de Werner (lembrei de um tio meu que se chama assim) e de Simão. A ganância humana e a herança angelical. Uma ótima combinação.
    Lúcifer, como participação especial no final, deu um toque de ironia ao enredo.
    Conto bem escrito, sem grandes falhas… só me lembro de ter encontrado um “pode” no lugar de “pôde”.
    A leitura foi bem agradável e instigante.
    Boa sorte!

  13. Wender Lemes
    28 de março de 2016

    Olá, Oliver. Entre os finalistas, seu conto é minha décima primeira leitura.

    Observações: você criou uma boa história, só precisa de uma revisão mais apurada. Quanto ao desenvolvimento dos personagens, os fatos descritos moldam bem a trajetória de cada um, assim como corroboram para seus objetivos. Senti o modo poético de narrar meio “engasgado” no começo (quando descreve os olhos de Simão, por exemplo), como se não combinasse com o apresentado até ali, mas depois passou a fluir bem.

    Destaques: esse olhar poético sobre a história é um ponto forte, tira-nos da zona de conforto. A história de Gabriel também o seria, achei uma pena ter sido tão corrida.

    Sugestões de melhoria: “tornando se” (tornando-se); “fina torrencial” (soa contraditório); “via o pai o via” (imagino que tenha mudado o trecho e isso passou); “João rilhou os dentes” (João?); “conjunto de inscrições divino”, não é errado, mas talvez ficasse melhor como “conjunto divino de inscrições”. Fora estes detalhes, acho mesmo que poderia explorar mais a história de Gabriel, tem espaço para virar um baita personagem.

    Realmente vejo potencial na história, perdão pela implicância. Parabéns e boa sorte!

  14. catarinacunha2015
    28 de março de 2016

    O COMEÇO em nada acrescenta à VIAGEM num estilo contido, meio inglês tupiniquim. O FLUXO é lento e pesado, mas a história cresce e ganha corpo a partir da metade. O FINAL não é fantástico, mas tem seu charme. 7,5

  15. vitormcleite
    26 de março de 2016

    desculpa mas não gostei muito da história, não houve nada que despertasse, que mexesse com a leitura, uma história bem desenvolvida e com fantasia, mas que não trás nada que deixe o leitor em alerta. Desculpa mas este conto não me empolgou

  16. Davenir Viganon
    25 de março de 2016

    A mitologia cristã foi muito bem trabalhada aqui. O mágico (ou divino) envolveu o mundo aparentemente igual ao nosso e me conduziu em duas viagens bem bacanas e olha que não é minha mitologia preferida. Enfim, 100% adequado ao tema e uma história boa e bem contada. Os personagens ficaram muito bons também e a escrita ficou envolvente mesmo com poucos diálogos, e digo isso porque prefiro diálogos que explicações, mas aqui está tão bem feito que só tenho a completar que terminei a leitura muito satisfeito.

  17. Rodrigues
    24 de março de 2016

    O problema em escrever um conto desses é saber dosar – nos diálogos, descrições e flashbacks – a quantidade de informações a ser diluída no texto, pois, se o autor não conseguir a façanha – o que é bem normal – a história passa a ser cansativa. Algo do tipo aconteceu nesse conto, por mais que ele contenha uma infinidade de diálogos onde nomes, fatos marcantes e ações buscam mostrar a história ao leitor a partir de lembranças. Sem ação ou nada parecido, senti-me afastado do texto, como se aquelas lembranças fossem distantes até mesmo dos protagonistas que as contam, e então comecei literalmente a cansar e a leitura tornou-se quase inviável. O final conservador também não me agradou.

  18. Brian Oliveira Lancaster
    22 de março de 2016

    OGRO (Objetivo, Gosto, Realização, Ortografia)
    O: Conceitos bem interessantes, misturado ao clima “noir”. Pega um pouco dos clichês conhecidos e os distorce, o que deixou bem melhor o contexto. – 8,0
    G: A história é simples, se parar para pensar. Mas consegue cativar pelo seu suspense, apesar de encontrar, como leitor, certas passagens um tanto corridas. O desenvolvimento dividido em relatos foi uma escolha acertada para o fim que viria. – 8,0
    R: A abordagem um tanto cotidiano é bem inusitada, e transformar o grandioso em algo do dia a dia. Gostei desse estilo. O texto, como um todo, não chega a ter um grande ápice, mas satisfaz. – 8,0
    O: Escrita leve, fluente e tranquila, sem erros aparentes. – 9,0
    [8,3]

  19. piscies
    18 de março de 2016

    Rapaz… tive que pensar bastante na nota desta história. Ela é maravilhosa! Muito bem pensada, com aqueles clichês colocados no lugar certo mas sem exagero. São bons personagens, uma boa situação, e algumas tiradas geniais. Porém, a execução me pareceu um pouco apressada. Não muito apressada quanto tantos outros contos deste grupo, mas apressada o suficiente para incomodar… um pouco.

    Acho que, de tão boa que a história é, eu, como leitor, queria presenciar uma narrativa mais épica e detalhada da história de Werner e, depois, o mesmo para a narrativa de Simão. É claro que a limitação de palavras não permitia isso, mas acabou que a leitura “deixou a desejar”, no sentido de deixar aquela sensação de que o conto poderia ter sido muito mais do que é.

    A técnica do autor é muito boa. Notei várias falhas de revisão, como letras faltando, gêneros trocados e algumas coisinhas a mais, mas nada o suficiente para confundir a leitura ou desviar a minha atenção. Novamente, fiquei com o sentimento de que, dado mais espaço ao autor, ele escreveria uma verdadeira obra prima com essa história.

    Gostei muito de Werner, mesmo ele sendo uma espécie de vilão. O autor conseguiu trabalha-lo de tal forma que o leitor acaba “torcendo” por ele, mesmo ele fazendo o que faz. Gostei muito de Simão também que, apesar de só entrar na história mais para o final, rouba a cena como um personagem muito forte. O autor sabe trabalhar os personagens, até mesmo Lúcifer, Gabriel e o Benjamin.

    Excelente conto. Parabéns!

  20. Pedro Luna
    18 de março de 2016

    Bem bacana a história. O método de dividir o conto em ”a história de..” foi bem utilizado, criou a ponte entre presente e passado com perfeição. No início, uma história de alquimistas, magos, e no fim, Anjos no meio da treta. Bom, para mim fugiu um pouco do tema, mas trouxe elementos da fantasia. Foi um conto ousado, que misturou muita coisa mas conseguiu não ficar fraco. Ao contrário, a situação do filho do anjo, a vingança e a aparição de Lúcifer no fim foram muito bacanas. Gostei.

  21. Anorkinda Neide
    18 de março de 2016

    Olá!
    Olha eu gostei da leitura, fluiu bem, não cansou, tem uma boa linguagem.
    Apenas o enredo não me fisgou… Não entendi, e deve ser falha minha, como os bruxos conseguiram a plaqueta, depois a historia sobre Gabriel fala do pacto e tal, mas nao consegui visualizar o momento desta conquista…
    .
    Não sei, achei o texto muito bom e maduro, como falei antes, mas a historia esquisita, sabe? Novamente, acho que eu não me adequei a esta ideia ou precisava-se de uma ambientação maior sobre os arcanjos e os bruxos para que esta narração não me soasse tão ‘avulsa’ na minha cabeça… rsrs
    .
    De qualquer forma um bom texto… Boa sorte. Abraço

  22. andreluiz1997
    18 de março de 2016

    Seu conto foi muito bem pensado e certamente você teve um bom trabalho no desenvolvimento desta trama, pois teve tudo que um bom texto sobre anjos poderia ter. E mais, você conseguiu trazer o contexto de sua história para o mundo real, o que eu achei muito interessante é diferente, como se aqueles seres etéreos estivessem sendo contaminados pelas mazelas da raça humana. Eu apenas achei que você poderia ter garimpado as palavras e produzido um texto um pouco mais enxuto. Boa sorte!

  23. Simoni Dário
    17 de março de 2016

    Olá Oliver
    Bonito teu conto. Confesso que tive que voltar pra entender algumas partes, mas acredito que captei a mensagem. Escreves bem, a narrativa prende a atenção, não sei dizer se gostei, mas também não desgostei. O final foi bem legal e que a música continue sempre em boas mãos. Parabéns!
    Bom desafio!

  24. Swylmar Ferreira
    15 de março de 2016

    Muito bom o enredo – a eterna luta da luz e trevas remodelada – criatividade pulsante e tem pertinência com o tema sugerido, além de ter uma trama bem engendrada. Tem alguns erros de grafia que poderiam ser vistos em uma breve revisão. A conclusão foi objetiva e até certo ponto surpreendente.
    A nota é 8,3.

  25. Evie Dutra
    14 de março de 2016

    Sua escrita é muito boa e achei os diálogos muito bem construídos, o que torna a leitura bastante fluída e envolvente.
    Só a história em si que não me cativou, pois não sou fã de nada relacionado ao “dark side”. Mas, independente disso, seu conto está muito criativo e gostei especialmente do fato de você ter colocado música nele. 🙂
    Se enquadra perfeitamente com o tema e tanto o título quanto a imagem foram bem escolhidos.
    Parabéns e boa sorte. 🙂

  26. Anderson Henrique
    14 de março de 2016

    Um conto que utiliza bem a temática angelical. Não encontrei problemas ortográficos ou de linguagem. A estrutura escolhida para narrar as duas histórias que se entrelaçam é interessante. Há alguns clichês e a utilização de lugar-comum, mas percebi-os como formar de encurtar a narrativa e ir direto ao ponto proposto pelo autor.
    Nota 8

  27. Emerson Braga
    9 de março de 2016

    Oliver, que texto! Foi difícil aceitar que ele havia terminado, poderia passar dias lendo sobre Simão e Werner se a narrativa se estendesse por páginas e páginas, contanto que mantivesse a atmosfera que me cativou. Foi legal analisar uma história que não se passa no passado (Tendemos a fazer isso quando escrevemos sobre temas fantásticos). Ter ambientado a narrativa no presente, apesar dos flashbacks e flashforwards, foi uma sacada que deu um up na dinâmica do enredo. Os personagens também são espetáculos à parte (o diálogo inicial é interessantíssimo), bem talhados, convincentes… Juro que os vi em minha mente, tamanha a nitidez que sua escrita proporciona à imaginação do leitor.
    Olha, você não sabe como me dói ver um texto bacana assim ter seu brilho comprometido por descuido de digitação. Oliver, seu conto poderia ter ficado impecável se você houvesse feito uma revisão mais acurada, uma leitura mais atenta. Só envie seu texto depois de lê-lo ou de solicitar a leitura de alguém capaz de identificar grandes falhas (o que seu texto não tem) e pequenos deslizes, como os que identifiquei no decorrer da leitura. O vacilo mais doloroso é o da frase “João rilhou os dentes e disse…”. João?! Quem diabos é joão?! O nome de seu protagonista é Werner! De onde saiu esse João, Oliver?! Atenção… Faltou atenção de sua parte. Mas nada muito sério. Sua escrita é primorosa, gostosa de se ler, flui muito bem.
    Rapaz, saltei da cadeira aqui quando imaginei o anjo Gabriel, depois de caído, humanizado, na sarjeta, tocando saxofone, chapado de LSD e suicida. Ousado! Diferente! Empolgante! Só não leva nota máxima pra te motivar a fazer revisão. E aquele João… Ah, aquele João foi doloroso! Não deixa isso acontecer mais, ok?
    Boa sorte!

    Nota: 9,0

  28. Fabio Baptista
    6 de março de 2016

    Outro conto muito bom, de onde foi difícil desvincular o gosto pessoal – a temática sobre anjos/demônios é uma das minhas preferidas.

    Aqui achei que o autor conseguiu criar uma boa trama, tendo como centro as tais partituras e colocar as “reviravoltas”, revelando a identidade dos personagens envolvidos, na hora certa.

    Muito bom.

    – a pele tornando se
    >>> tornando-se

    – o via dedicando horas a fio naquela tarefa
    >>> dedicando-se

    – em que os fragmentos seu espírito vagaram
    >>> faltou um “de”

    – Já falou demais hoje, Werner
    >>> deveria continuar no mesmo parágrafo

    – O importante é que normalidade
    >>> faltou um “a”

    NOTA: 9

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Publicado às 5 de março de 2016 por em Fantasia - Finalistas, Fantasia - Grupo 3 e marcado .