EntreContos

Literatura que desafia.

Óleo sobre tela n° 16 (José Leonardo)

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Pica nesse cu, Seo Élio, dizia o bafo me chegando à nuca. É dizer vai, patrão, a Berenice tá com o focinho comichando, dois buracos compridões no rumo da mata, e coragem não pode faltar. Tá certo, Zé Cumprido, eu respondi, mas desfechar logo o balaço, e se for homem humano?; me lembrei do Guima Rosa, licença poética da porra. Minha vez primeira enfronhado naqueles esguichos de folha verde, parecem cair do céu de meu Deus e ficar assim suspensas, ad aeternum. Mas o patrão não entende patacas do campo?, perguntou, Povo da capital não sabe o que é macaxeira, roda de matuto, nada? Não tem galinha pra comer, na mesa? Na cidade, Zé Cumprido, é a galinha que corre atrás de um pé de mesa, mas deixa pra lá. Oilá, tá mexendo! Pega o comedor dos patos, patrão! Num deixa escapar igual ontem!

Pám-pám!

Puta que me pariu, patrão!

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62 comentários em “Óleo sobre tela n° 16 (José Leonardo)

  1. José Leonardo
    30 de janeiro de 2016

    [ATENÇÃO: este comentário é absurdamente 17 vezes maior que o micro conto. Uma incongruência minha, embora ache que vale a pena tamanho agradecimento e esclarecimento.]

    Olá, caríssimos.

    Terminado o certame, e como disse anteriormente, gostaria de trazer à luz algumas elucidações e detalhes que ficaram meio obscuros em “Óleo sobre tela n° 16”.

    Comecemos pelo título. Quis aludir, com ele, a uma ‘pintura’, ideia que poderia afluir em outra, que é um ‘momento’, mas não como um fotograma parado, e sim com um simples instante (dura talvez vinte segundos) durante a caçada de um animal. O “n° 16” só faz sentido para o autor: é a décima sexta tentativa de escrita para o EC desde minha última participação (“Multitemas”). O enredo é pobre e insosso: dois homens prestes a abater um possível predador de patos. O narrador (o “patrão”, um citadino arraigado, que eu quis deduzir “recentemente instalado no campo”) e seu ajudante (esse sim, um típico e abençoado roceiro), carregando uma espingarda antiga, de dois canos (“Berenice”), observando movimentação suspeita num matagal e prestes a soltar o balaço (atire primeiro, pergunte depois). O desfecho é interpretação pessoal.

    Se quiserem ler, assim ficaria o microc:


    — Pica nesse cu, Seo Élio — dizia o bafo me chegando à nuca, como dizendo: “Vai, patrão, a espingarda tá com o focinho comichando, dois buracos compridões no rumo da mata, e coragem não pode faltar.”

    — Tá certo, Zé Cumprido — respondi-lhe —, mas desfechar logo o balaço, e se for homem humano?

    Lembrei-me do Guima Rosa, uma licença poética da porra! Minha vez primeira enfronhado naqueles esguichos de folha verde, parecem cair do céu de meu Deus e ficar suspensas, ad aeternum.

    — Mas o patrão não entende patacas do campo — perguntou-me —, povo da capital não sabe o que é macaxeira, roda de matuto, nada? Não tem galinha pra comer, na mesa?

    — Na cidade, Zé Cumprido, é a galinha que corre atrás de um pé de mesa, mas deixa pra lá…

    —Oilá, tá mexendo! Pega o comedor dos patos, patrão! Num deixa escapar igual ontem!

    Pám-pám!

    — Puta que me pariu, patrão!

    Porém, das profundas do Inferno das Ideias, Ed Gein subiu até mim, dizendo: “Mas isso tá muito ruim. E muito fácil. Picota, retalha! Bagunça logo essa porra toda!”. Cedi. Ainda tirei “espingarda” e pus “Berenice”, para dar um possível duplo sentido de objeto (espingarda ou cadela de caça). Portanto, o Diabo sendo o Pai da Mentira, posso muito bem ser o Padrasto da Tesoura Incoerente.

    Sempre estou experimentando. Ainda não me vejo pensando concorrer aos primeiros lugares. Sou um químico (mau, mas químico) ainda apanhando béqueres de palavras, estudando fórmulas frasais, montando estruturas maleáveis de parágrafos instáveis, e depois, como numa roda de baianos espoletados, misturando tudo e chegando em lugar nenhum.

    Eu, deliberadamente, compliquei a vida do leitor (como no “Multitemas”, em que pus tantas notas de rodapé). Isso fez parte da experimentação. De modo que, se não puderam entender, grandiosíssima parte da culpa é minha.

    —– & —–

    HARLLON, as ideias estão conectadas, embora tal conexão (a costura) não esteja clara. Culpa do autor. Agradeço pela opinião.

    NIJAIR, obrigado pelo comentário, pois vejo que você captou o “espírito” da coisa e gostou do resultado. Realmente, somos tantos Brasis e um só, ao mesmo tempo.

    TAMARA PADILHA, também não sou muito fã de palavras do tipo, mas a expressão inicial significa algo como “mão na massa” ou “prossiga”. Concordo que tenha ficado brusco; minha inabilidade e o limite exíguo acabaram deixando o texto assim. Obrigado pelo comentário.

    RAFAEL SOLLBERG, fico muito contente por você ter gostado do texto, pois é um cara cuja escrita admiro bastante, principalmente na arte dos diálogos. Ah, Berenice! Quando escrevi, o nome remetia àquela personagem, sim. Muito obrigado pelo comentário, é muito valoroso.

    THALES SOARES, pudera eu escrever um romance que tivesse um único parágrafo!… Como o “Noturno do Chile”, de Bolaño, que só para “quebrar” cento e tantas páginas de parágrafo único, “zoou” com um final em linha nova, com poucas palavras. Escrever em blocão é um desafio em que pretendo ainda me arriscar… Mas entendo perfeitamente a sua colocação. Muito obrigado pelo comentário, é de grande valia.

    TOM LIMA, fiquei muito feliz com suas palavras, foi mais ou menos o que quis demonstrar, sobretudo no que você cita no segundo parágrafo. Muito obrigado.

    PEDRO LUNA, entendo seu comentário e me desculpo pela confusão que fiz no texto, tornando-o não tão fácil de ser compreendido. Muito obrigado pelo comentário, ótimo ano para ti.

    WILSON BARROS JÚNIOR, minha intenção não era usar o “gancho” da citação de Guimarães Rosa para seguir num estilo parecido, mas entendi seu comentário e fiquei muito, muito feliz com ele, e com o fato de você ter compreendido o conto. Muito obrigado pelo comentário, considero bastante.

    MIGUEL BERNARDI, fico muito feliz que tenha gostado! Acompanhei suas produções no Recanto, principalmente nos DTRLs. O que você externou é, na verdade, síntese da intenção desse texto. Agradeço pelas suas impressões.

    FIL FELIX, como respondi ao seu comentário, ter citado Guimarães Rosa talvez tenha feito o leitor imaginar que o autor enveredaria por um estilo semelhante ao grande autor de Cordisburgo. Meu texto está muito aquém até mesmo para uma “tentativa” de Guima Rosa. Compreendi sua crítica, e a levarei em consideração certamente. Muito obrigado pelo comentário, é de grande valia.

    MKALVES, sinto muito por fazê-la ler mais de uma vez uma mesma frase. Isso é inabilidade minha, e pretendo melhorar para evitar coisas do tipo. Agradeço pelo comentário, pois é muito importante para mim.

    MARIANA G, obrigado pelo comentário, eu o faria — separação de parágrafos — se não tivesse mudado de ideia logo em seguida. Levarei suas palavras em consideração.

    SWYLMAR FERREIRA, faltou realmente algo, ou melhor, faltou eu organizar melhor o enredo dentro das 150 palavras. Isso certamente facilitaria o entendimento. Agradeço pelo comentário e pelos elogios. São muito importantes para mim.

    JOWILTON AMARAL, os regionalismos podem mesmo ter travado a leitura. Como disse mais acima, foi um texto experimental, portanto, estou em dúvida se devo me embrenhar nesse estilo blocão. Assim como está longe de Guimarães Rosa, nem preciso dizer a distância quanto ao Rubem Fonseca, de quem admiro os romances (não os contos, rs). Muito obrigado pela opinião, amigo.

    DANIEL REIS, você acertou na mosca. O “ad aeternum” foi dito, na verdade, pelo patrão, o narrador — porém, não devo ter sido suficientemente claro na distinção das falas dos personagens, causando essa pequena confusão. Muito obrigado pela opinião, a considero bastante.

    RENATO SILVA, que pena não ter gostado. O início parece uma expressão de impacto, mas não passa disso, e não pretendia “tentar chocar” (na verdade, nunca pretendi, e autores que utilizam o quesito “impacto”, por exemplo, sempre notam a falta deste em meus textos). Mesmo assim, muito obrigado pela opinião, é bem relevante.

    VITOR LEITE, olá, fico feliz que tenha gostado. Seu conto “Mundo Paralelo”, a meu ver, foi um dos melhores do desafio “Multitemas”, e gosto do seu estilo, o modo como dispõe ideias e riqueza em detalhes. Agradeço bastante pela atenção e comentário.

    ANDRE LUIZ, obrigado pelo comentário; resumiu meu objetivo com este experimentalismo.

    ELICIO SANTOS, de fato, esconder demais é um grande defeito meu nos contos. Eu gosto quando o leitor fareja, força um pouco o entendimento para vislumbrar a situação/objeto que eu teria exposto em palavras mais claras, mas para isso é necessário ter habilidade, e eu ainda não a tenho em grande cota. Agradeço seu comentário.

    CILAS MEDI, o senhor não sabe o quanto me contentei com seu comentário. Era mesmo uma atmosfera descontraída a que eu tentei externar ao leitor. Muito, muito obrigado.

    CATARINA CUNHA, é sempre gratificante receber opiniões de quem sabe do riscado, nesse caso, de quem é especialista em escrever micro contos. O texto é truncado, mesmo, e a culpa é do autor. Agradeço bastante pelos seus apontamentos.

    MARINA, fico feliz que tenha compreendido a atmosfera, mesmo tendo de ler uma segunda vez. Agradeço por isso, pois não é sempre que é concedido ao autor a chance de uma segunda leitura. Muitíssimo obrigado pela opinião.

    PEDRO HENRIQUE CEZAR, com algo igualmente apontado pela MKalves: não sei exatamente onde estaria minha “ousadia”. A primeira frase, na verdade (mesmo que necessário ler a sequência para perceber), é somente uma expressão geralmente usada em círculos masculinos, coisa entre amigos ou colegas de trabalho, por exemplo. É muito comum aqui onde moro. Agradeço bastante pelo comentário.

    SIMONI DÁRIO, eu contribuí para que houvesse esse estrago na leitura. Quando um texto é experimental (e o autor sendo bem amador), raramente o leitor compreenderá tudo de primeira. Resta ao autor burilar mais, desenvolver o estilo, ser mais transparente… Obrigado pela opinião.

    ANTONIO STEGES BATISTA, aquilo na verdade foi somente uma citação, mas minha salada acabou misturando tudo e dando a falsa impressão de que o que se caçava era um homem. Na verdade, mata fechada, eles tendo observado algo na mata, o patrão ainda hesitou, pois poderia ser um homem. Agradeço bastante por seu comentário.

    LEONARDO JARDIM, a técnica (ou falta dela) foi mesmo proposital, pois deliberadamente quis “dificultar” a leitura, como disse mais acima. Agradeço bastante pela leitura e pelos critérios utilizados.

    EVANDRO FURTADO, gosto do critério adotado, e agradeço pela análise. Fico contente que, no geral, tenha gostado.

    LAÍS HELENA, “Berenice” realmente era para gerar ambiguidade, se era uma espingarda ou cadela de caça. Sou um louco querendo complicar tudo rsrs. Isso desde a leitura de David Foster Wallace. Muito grato pelos apontamentos.

    GUSTAVO ARAÚJO, que baita comentário. Já vale muito para mim. Afora minha tentativa de dificultar a leitura como alguém que coloca obstáculos numa pista no meio da prova, meu objetivo era exatamente aquilo que você apontou. A citação foi ligeira. Dentro do proposto, e apesar de minhas dificuldades (150 palavras, para mim, é botar elefante num táxi), acho que o resultado pode ser dito como positivo. Agradeço com força seus apontamentos.

    MATHEUS PACHECO, grato pelo comentário. A confusão ficou por minha conta.

    DANIEL, errar na fluidez de diálogos, tendo somente 150 palavras à disposição, realmente comprometeria toda a estrutura e dificultaria ainda mais o entendimento. Muito grato pela opinião expressa.

    THATA PEREIRA, tanto fui sintetizando aquele início de texto que só depois de enviado ao site é que fui perceber a ambiguidade que poderia ser interpretada na frase destacada por você no comentário. Grato imensamente pela opinião dada.

    KLEBER, eis um dos percalços por tentar experimentar novos estilos: testar a paciência do leitor e querer que ele leia novamente. De fato, um texto enxuto e realmente bom deveria “se mostrar entendido” na primeira tacada. Agradeço pela opinião sincera.

    RUBEM CABRAL, compactei demais aquilo que planejava ser separado em parágrafos, e isso contribuiu para o não-entendimento pleno da coisa. Muito obrigado pela opinião, sempre hei de altamente considerar os apontamentos do autor de “As velhas opiniões”, uma pérola de que não esqueço.

    ANORKINDA NEIDE, é isso mesmo, deveria ter dividido em parágrafos, embora minha parte péssima tenha feito o que fez rsrs. O título, no fim das contas, demonstra menos conexão com o conto do que eu supunha. Mais uma vez, agradeço pela opinião e pelos chubs.

    BIA MACHADO, muito obrigado pelo comentário, realmente errei na dose, podia ter facilitado a leitura. A opinião de quem trabalha com editoração de livros, independentemente do meio de publicação, é sempre muito bem vinda.

    LEDA SPENASSATTO, pois é, texto compactado demais e nesse estilo (na verdade, tentativa de estilo) acabou truncando o enredo. Obrigado por ter lido duas vezes, o autor não se sente merecedor de duas tentativas, mas mesmo assim agradece.

    MARCO PISCIES, sim, mais um escritor que soltou um perdigonaço e acertou bem no centro do alvo. Fico constrangido de você ter se dado ao trabalho de copiar e separar o conto como ele deveria ter sido, são muitos textos e isso atrasa e atrapalha, e peço desculpas por isso. Obrigado pelo comentário.

    CLAUDIA ROBERTA ANGST, grato pela opinião. Era a cena de uma caçada, mas fui diminuindo, diminuindo, até (como escrevi no início desse comentário) deixá-la bem “travessonada” e separada. No entanto, vi o resultado, não gostei, e misturar teimosia e confusão numa panela de pressão é pedir para a tampa voar longe… Sempre grato pelos comentários, são importantes para este que vos fala.

    SIDNEY ROCHA, pois é, travessão, travessão e travessão. Além de deixar tudo aclarado sem ser insosso ou demasiado transparente. Grato pelo comentário; “Óleo sobre tela” não foi uma experimentação muito boa.

    MARIA SANTINO, mana do Amazonas, a história ficou confusa, mesmo. Na verdade, quando se pretende que o leitor faça uma espécie de perspectiva de final ou suposição anterior ao começo, é preciso que o autor tenha a habilidade suficiente para deixar tais ganchos. Neste microconto, acho que falhei neste sentido também. Como sabes, sempre muito grato por seus apontamentos, e isso já de outros recantos…

    SIDNEY MUNIZ, a Amante, haha, aquele funk. É verdade. Talvez eu não tivesse habilidade o suficiente para o que se pretendia arriscar aqui, e isso travou a leitura, sem falar no entendimento. Obrigado pelo comentário, na verdade, por todos, EC, DTRL…

    JC LEMOS, entendo, eu devia ter separado melhor, como havia planejado a princípio. Muito obrigado! “O Voo da Fênix” é um daqueles textos que ficam na memória da gente.

    ROGÉRIO GERMANI, fico feliz de que tenha gostado da linguagem, mesmo que não tenha gostado da comparação naquele momento. Grato pela opinião.

    BRUNO ELERES, é verdade. O início tende a desagradar mesmo. (É doloso, intencional — sou maluco, não? rs). Se, de alguma forma, o micro conto fez você refletir sobre o que é apontado na segunda parte de seu comentário, já me sinto feliz por tê-lo escrito. De verdade, muito obrigado pela opinião.

    RICARDO DE LOHEM, grato pelo “péssimo” e pelo “não tem história nem coisa nenhuma”.

    MARCELO PORTO, sim, eu poderia ter facilitado. Escolhas, escolhas… Muito obrigado pela opinião.

    DAVENIR VIGANON, entendo perfeitamente. Ainda estou tateando nesses cenários de 150 palavras; fui experimentar e deu no que deu. Super obrigado pela sua colocação. Pretendo ser mais objetivo nos próximos desafios.

    FABIO BAPTISTA, o campeão!, entendo a colocação “sair do nada e ir a lugar nenhum”, na verdade, faço isso desde “Saturnália” rsrs. Botei coisas desnecessárias no quebra-cabeças, ao menos duas peças definitivamente não encaixavam: título e ilustração. Quem não compreendeu o texto tentou associá-lo à imagem, e como a imagem em nada ajudava… Tenho muito que melhorar. É sempre gratificante receber sua opinião; agora, em especial, que tens duas taças em cada braço.

    JOÃO MURIM, é verdade. Seu eu tivesse deixado como primeiramente planejado, não haveria esse embaralhamento (leitores concluindo que as falas de um, na realidade, eram de outro). Muito obrigado pelo comentário e bem-vindo lá na comunidade EC.

    DANIEL VIANNA, agradeço pela opinião. Pudesse reiniciar e ter mudado a forma de contar, mas as águas passaram, ficou o aprendizado e o que não fazer. Grato mesmo.

    ANDRÉ LIMA DOS SANTOS, entendo perfeitamente. Prometo que vou melhorar; isso está mais do que nunca implícito em mim. Muito obrigado.

    BRIAN OLIVEIRA LANCASTER, Victor Faria, muito obrigado pelos apontamentos e por seguir um critério sempre coerente. É salutar receber tal avaliação do autor cujo conto mais atraiu minha atenção neste desafio. Grato, de verdade.

    EDUARDO SELGA, agradeço bastante pela atenção dispensada neste texto e a opinião sempre bem fundamentada. De fato, a sintaxe muito mais atrapalhou que favoreceu. Foi o início de uma bola de neve que, ao final, nem parecia ter início, pois se tinha tornado um novelo difícil de desmanchar. Grato, muito grato.

    RENATA ROTHSTEIN, obrigado pela opinião. Ficou confuso, sim. Quis acentuar o contraste de linguagem que, na verdade, é um contraste de modos de viver.

    —– & —–

    Assim sendo, grato a todos!

    E mão na massa, pica nesse cu!

    AVANTE!

  2. harllon
    29 de janeiro de 2016

    Um emaranhado de ideias certamente desconexas, fez com que eu não tivesse nenhum libido para uma leitura e releitura.

  3. Nijair
    29 de janeiro de 2016

    .:.
    Óleo sobre tela n° 16 (Cedilha Inglesa)
    1. Temática: Regional e experimental.
    2. Desenvolvimento: O regionalismo deu toque especial ao texto. Somos vários ‘Brasis’ num imenso território.
    3. Texto: é a galinha que corre atrás de um pé de mesa – que maravilhosa sacada!
    4. Desfecho: Pica, pica, pica a mula – que lá vem o bicho!
    Muito bom! Parabéns!

  4. Tamara Padilha
    29 de janeiro de 2016

    Ah, mais um conto que eu não entendo. Acho que estou um pouco devagar hoje… Acho que foi tudo muito rápido, muito brusco, não deu tempo para o leitor formar ideia alguma. Sem contar que eu não sou fã de palavras de baixo calão.

  5. Rsollberg
    29 de janeiro de 2016

    kkkkkkkkkk, curti bastante!
    E ai, acertou ou não?

    Esse conto é praticamente uma esquete, seu grande atrativo é o estilo. A linguagem peculiar, que me fez lembrar do José Cândido de Carvalho, do incrível “O Coronel e o lobisomem”. O diálogo entre o Seo Élio e o Zé cumprido foi muito divertido. Ambos os personagens bem construídos. Ótimas tiradas, como a comparação da galinha do campo e a da cidade. rs

    Berenice – do Poe – era o nome da arma cano duplo, certo?

    Parabéns! Boa sorte no desafio.

  6. Thales Soares
    29 de janeiro de 2016

    O conto em nada me agradou.

    Primeiro porque eu desaprovo totalmente essa ideia de criar um conto na forma de blocão, com um único parágrafo enorme. Segundo por, além de estar pouco fluido, eu não consegui entender quase nada. Vi umas palavras vulgares aqui e ali (algo que gosto), mas não vi muito sentido no que lia, mesmo quando reli depois.

    Também não consegui compreender o significado da imagem de acompanhamento ou do título do conto.

    De qualquer forma, desejo boa sorte no desafio!

  7. Tom Lima
    29 de janeiro de 2016

    O estilo ficou muito bom. O contraste das falas funcionou e o final aberto fechou perfeitamente. A crueza das falas de um contrastando com a erudição do outro soaram bem.

    O titulo avisa que vem uma pintura, e assim foi. Como em uma, não se sabe o que acontece depois, e só um pouco do que aconteceu antes. O resto é conjectura, imaginação.

    Muito bom! Parabéns!

  8. Pedro Luna
    28 de janeiro de 2016

    Infelizmente não gostei porque não entendi direito.

    No início, achei que os personagens estavam fugindo de algo, mas depois achei que eles estavam caçando algo. Principalmente na menção aos buracos virados pra mata, ou seja, os furos da arma.

    Mas, supondo que o conto seja a cena de uma caçada, não gostei do todo, já que me pareceu simples demais. O ponto alto realmente fica no estilo da escrita, mas que também não me desceu bem, pois prefiro tudo muito mais simples.

  9. Wilson Barros Júnior
    28 de janeiro de 2016

    É como o título diz, uma pintura ao estilo Guima Rosa, com tintas dos regionalismos, as frases populares do sertão. Encontramos alguns quadros parecidos com esse em Sagarana:

    “Aí a beldroega, em carreirinha indiscreta – ora-pro-nobis! ora-pro-no bis! – apontou caules ruivos no baixo das cercas das hortas, e, talo a talo, avançou. Mas o cabeça-de-boi o capim-mulambo, já donos da rua, tangeram-na de volta; o nem pôde recuar, a coitadinha rasteira, porque no quintal os joás estavam brigando com o espinho-agulha e com o gervão em flor. E, atrás da maria-preta e da vassourinha, vinham urgente, do campo – ôi-ái! – o amor-de-negro, com os tridentes das folhas, e fileiras completas, colunas espertas, do rijo assa-peixe. Os passarinhos espalhavam sementes novas. A gameleira, fazedora de ruínas, brotou como raizame nas paredes desbarrancadas. Morcegos das lapas se domesticaram na noite sem fim dos quartos, como artistas de trapézio, pendentes dos caibros. E aí, então, taperização consumada, quando o fedegoso em touças e a bucha em latadas puderam retomar seu velhíssimo colóquio, o povoado fechou-se em seus restos, que nem o coscorão cinzento de uma tribo de marimbondos estéreis.”

    Um belo quadro “naif”, digno de um Ernane Cortat. Gostei muito.

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Publicado às 14 de janeiro de 2016 por em Micro Contos e marcado .