EntreContos

Literatura que desafia.

Sob o céu verde (Fabio D’Oliveira)

ceu.verde

De que nos vale fugir, se este coração é o nosso ser, se,
quando nos abandonamos à fuga, o levamos conosco?
(Jaime Balmes)

 

Ato I

ato1

Sob o olhar de duas prostitutas, Roman caminhava lentamente, aprofundando-se naquele beco escuro e imundo.

Cheiro de urina e fezes. Forte, tão forte, fortíssimo; envolvendo suas narinas, penetrando fundo n’alma.

Ignorou as provocações das mulheres, ávidas por dinheiro, e continuou andando. Parou diante uma grande porta de aço, bateu três vezes e esperou.

Tentava ignorar as lamúrias da cidade. Os sons se fundiam e surgia um turbilhão de desespero, ansioso para capturá-lo.

O portão abriu com um forte rangido metálico. Um homem alto e magro o olhou da cabeça aos pés.

— O que você quer?

Roman vacilou um pouco.

— Juan me enviou. Quero um pouco daquilo…

— Entendi — disse o homem, abrindo um largo sorriso.

Quanta malícia!

— Espere aqui.

Por breves momentos, sentiu-se em paz. Iria conseguir fugir daquilo tudo, mais uma vez. Acariciou o maço de notas que carregava consigo. Sorriu levemente. Mas o belo sentimento fugiu, escondendo-se no âmago de seu ser, quando viu o homem retornar com uma pequena sacola na mão.

Apreensão incentivada por aquela diminuta chama interior que sabe tudo.

— Aqui — falou ele, entregando a sacola. — Use com cuidado. Uma gota em cada olho a cada vinte minutos e você ficará no paraíso por muito tempo, yehe, confie em mim.

Entregou o dinheiro e foi embora. Não olhou para trás. Não falou nada. Algo diferente nascia dentro dele. Com passos rápidos e sentidos alarmados, o rapaz penetrou a viela até seu canto mais escuro. Sentou-se no chão, retirou um frasco de vidro da sacola e encarou-o.

Corpo trêmulo e respiração ofegante, pois sabia o que o esperava. O verdadeiro paraíso no inferno.

Desatarraxou, pegou o conta-gotas e capturou um pouco do líquido do frasco. Prendeu a respiração e inclinou a cabeça para trás.

— Um, dois, três… — sussurrou ele.

Olhando para aquela gota que se formava, devagar, singela; ele percebeu, em nível subconsciente, o sentido da vida…

Assustou-se com o impacto da primeira gota, mas a segunda serviu apenas para aumentar sua ansiedade.

… Mas logo se esqueceu e mergulhou, novamente, na ignorância.

Esperou. Esperou mais. Esperou ainda mais. E o mundo se transformou diante seus olhos.

As cores se intensificaram, surgindo vida onde existia apenas a morte. Roman podia sentir tudo ao seu redor, desde o vento até a vibração causada por uma risada ao longe. Sentia Deus. Sentia a si mesmo.

A euforia é sua mãe, envolvendo-o em seus ternos braços, amando-o.

Levantou-se e, sem pensar duas vezes, correu para as ruas do centro. Era uma nova pessoa? Errado! Na realidade, Roman voltou a ser quem realmente era. Um ser humano capaz de sorrir!

Mergulhou fundo nas festas da noite, sem se preocupar com o futuro. Queria amar!

Ato II

ato2

Julie olhou no fundo dos olhos daquele homem. E não sentiu nada. Ele se aproximou. Ela deixou. Agarrou-a pela cintura e puxou-a para perto. Não resistiu. Quando tentou beijá-la, virou o rosto.

— Não quero…

O rapaz não retrucou. Jogou-a com tudo na cama, abaixou a calça e subiu em cima dela. Penetrou sem hesitação.

Com o olhar fixo no teto, sendo envolvida pelo prazer, ela se esqueceu de suas dores.

Julie começou a sentir aquela chama nascer dentro de seu peito. O prazer inconfundível do sexo. Único no mundo. Abraçou o homem. Seu gemido a deixava ainda mais excitada. Ela o incentivava. “Vai, vai, com mais força”, sussurrava em seus ouvidos.

Nada mais interessava naquele momento.

No entanto, quanto maior é o prazer, menor é o seu tempo de duração. Julie sentiu o peso do rapaz sobre o seu, sem vontade, sem ânimo, provavelmente experimentando as mesmas sensações que ela.

Ficou apenas aquela sensação de que era um maldito animal.

Tentou empurrá-lo, mas foi surpreendida com um forte soco no rosto. Encolheu-se na cama, chorando baixo, enquanto o homem se levantava.

— Sua puta — disse ele, vestindo-se e saindo sem cerimônias.

E ela ficou naquela posição, esperando a dor ir embora, como sempre ia, sem pensar em nada. Adormeceu.

Embalada num sonho que se transformou num pesadelo, a mulher se viu menina, clamando por ajuda. Mas despertou antes que alguém pudesse ouvir seus lamentos.

Quando abriu os olhos, Julie se viu completamente sozinha. Não apenas naquele momento, mas também na sua vida. Um sentimento de tristeza a envolveu com delicadeza. Deixou-se mergulhar na escuridão do seu quarto. Vivia sozinha há tanto tempo…

Não podia ficar naquela situação. Precisava resistir. Julie se levantou, ajeitou seu vestido e saiu de casa. Caminhou por um tempo, observando as ruas sempre cheias de sorrisos falsos. Quando se cansou, encostou-se numa mureta e observou a silhueta da montanha que circundava a cidade. Acendeu seu cigarro, deu uma baforada e suspirou.

Há muito tempo que as luzes que enfeitavam o céu por detrás daquela montanha não a assustavam mais. Agora, essa visão era, na realidade, um tanto confortável. Era sua libertação. Sua chance de redenção. Estava ansiosa pela chegada dos Invasores.

Morte. Grande e adorada. Apenas as almas cansadas precisam dela.

Correu os olhos pelo ambiente, por hábito, mas uma pessoa chamou sua atenção. Um homem alto e forte, que ria descontraidamente com amigos. Sentiu um frio na barriga. E uma sensação de quentura, já íntima, apoderou-se dela.

“De novo…”, pensou ela, sem resistir muito.

Apagou o cigarro, mexeu em seus cabelos e prendeu a respiração. Caminhou até o rapaz, abordando-o sem pudor.

— Eu não tenho dinheiro — falou ele.

— Quem disse que quero dinheiro? — respondeu Julie, acariciando seu pênis.

Foi para casa, mais uma vez acompanhada, e se entregou ao prazer.

Ato III

ato3

E aquele céu verde, tão cruel, tão pretensioso, brilhava mais uma vez com a ajuda do sol.

Por anos, Roman havia evitado a praia. Desde o começo da guerra, os Invasores se aproximaram pelo litoral, mas não avançaram. Não queriam as terras de seu país. Não queriam as riquezas de sua população. Eles queriam presenciar o sofrimento de todos. Verdadeiros sádicos, pensava o rapaz com constância.

Mas houve um tempo em que o céu era azul… Uma época de pura felicidade para todos. Agora, no entanto, o que restava da alegria estava contida em pequenos frascos de vidro, que duravam muito pouco.

O passado e o futuro se misturavam numa bela obra prima do abstracionismo.

Suspirou demoradamente. Encarou os barcos gigantescos dos inimigos. Presenciou a dança dos pássaros famintos. Escutou alguns gritos ao longe.

Foi quando Roman notou a presença de uma mulher. Do outro lado da praia, sentada na areia cinza, observava o nascer do dia. Assim como ele O rosto úmido e machucado, o cabelo desgrenhado e as roupas sujas não tiravam sua beleza.

Pensava o mesmo que ele? Queria o mesmo que ele?

Os olhos se encontraram. E brilharam por instantes. Roman sorriu timidamente. Ela respondeu. Por algum motivo, o rapaz sentiu o peito queimar. Era uma sensação diferente daquela droga que havia usado mais cedo, mas o prazer era semelhante.

Sentia o mesmo que ele?

Roman se lembrou de uma coisa que havia se esquecido há muito tempo. Sentiu-se mais leve. E, antes de levantar, olhou mais uma vez para cima. Oras, aquele céu verde não era tão feio assim!

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37 comentários em “Sob o céu verde (Fabio D’Oliveira)

  1. Fabio D'Oliveira
    6 de novembro de 2015

    Bom dia, boa tarde e boa noite para todos!

    Queria agradecer imensamente a leitura de todos e o tempo perdido na construção dos comentários, todos de grande valia.

    O conto foi escrito com a intenção de participar do concurso, dá mais força para ele, pois não me adaptei ao tema. Nenhuma ideia quis nascer em minha mente. Peguei uma ideia antiga, que está destinada a virar um romance, e adaptei o mundo ao texto que vemos aqui. É uma realidade gigantesca, que precisa de tempo e espaço para ser desenvolvido, então preferi me focar na rotina dos personagens e em sua fuga constante da realidade. Então não culpo ninguém, nem a mim, pelo fato da estória não agradar muito. Já esperava isso, HAHAHA!

    Sobre os trechos em negrito, devo uma explicação a vocês, pois a maioria não conseguiu capturar a essência deles; claro, por minha falha. São gritos do subconsciente de cada personagens, um mergulho dentro deles, onde o narrador transmite essa mensagem de forma poética. Na realidade, esses trechos fazem parte de um experimento. Irei usar um método semelhante num romance de terror que estou terminando de escrever. Ao mesmo tempo que será uma viagem ao subconsciente dos personagens, irá revelar, nos momentos de tensão, seus instintos animais. Bem, a recepção ficou balanceada. Alguns gostaram, outros não. Só preciso encontrar o ponto de equilíbrio!

    Agradeço mais uma vez pela leitura e comentário de todos! Esse desafio foi maravilhoso!

  2. Renato Silva
    30 de setembro de 2015

    Olá.
    Gostei do clima sombrio da estória. Achei bacana também a forma em que foi feita a narrativa, dividida em atos e cada frase em negrito parecia ser o título de um miniconto. Na verdade, gostei mais da ambientação e estrutura do que da estória em si, que nada tinha de demais. O que mais contou foi a maneira como você usou para narrar um acontecimento.
    Só o finalzinho achei “piegas”; me pareceu muito forçado esse “amor à primeira vista”.
    Meio ponto a mais pela estética e meio ponto a menos pelo final.

    Boa sorte.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Renato!

      Rapaz, muito obrigado pelo comentário. De fato, a estória não está grande coisa. Nem me preocupei em mostrar a realidade objetiva daquele mundo. Me agradou saber que você achou interessante a estrutura do conto. Foi um grande divisor de opiniões, hahahaha!

      Agradeço a leitura!

  3. Gustavo Aquino dos Reis
    30 de setembro de 2015

    Difícil esse trabalho. Conto bem escrito, dividido em três atos, e apresentando dois personagens verossimilhantes no nosso dia-a-dia. Porém – e infelizmente devo salientar que isso aconteceu muito nesse certame – não consegui compreender o enredo. Carência, imagens de um passado tenebroso que tona, solidão, pulsão sexual?

    Talvez seja necessário lê-lo novamente…

    Parabéns pelo trabalho.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Gustavo!

      Então, decidi me focar na rotina dos personagens e nos seus vícios. Realmente, falhei em não passar mais informações sobre o mundo. Pretendia fazer isso se o texto passasse para a segunda etapa, coisa que realmente não esperava que acontecesse, hahahaha.

      Agradeço sua leitura e comentário!

  4. catarinacunha2015
    30 de setembro de 2015

    TÍTULO poético, mas porque mesmo que o céu é verde? (1/2).TEMA de cotidiano decrépito sempre funciona (2/2). Gosto dessa batida de submundo, mas essas frases em negrito atrapalhou a leitura, como se fossem mais importantes; só que não. Faltou intensidade no FLUXO (0,5/2) o que deixou a TRAMA rasa para personagens tão fortes (1/2). O FINAL deixou um gancho cheio de esperança (2/2). – 6,5

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Catarina!

      Obrigado pelo comentário inteligente! Olha, na realidade, o texto deve ser visto de forma holística. As partes em negrito são importantes. Falhei em uma coisa, porém. Deixar entendido para o leitor que essas partes eram referentes ao subconsciente de cada indivíduo. Não um comentário direto, mas sim uma exploração do narrador dentro da mente dos personagens. É, não ficou fácil de entender. Falha minha!

      Agradeço a leitura!

  5. Lucas Rezende
    30 de setembro de 2015

    Olá,
    Realmente a guerra é um bom ambiente para histórias. Esses invasores parecem ser alienígenas, do modo como eles são citados no conto me deu a entender isso.
    A história e os personagens abordam uma busca por felicidade, que já não existe mais no mundo do conto. Essa abordagem é bem feita, cada um busca no que mais lhe convém. Cada personagem tem sua individualidade bem definida.
    O desfecho junta Roman e Julie, claramente criando o gancho para uma próxima parte. A história é boa. Parabéns.
    Boa sorte!

    Nota: 7,5

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Lucas!

      Na realidade, o plano de fundo faz parte de uma estória que tenho em mente que irá se tornar um romance no futuro. O maior problema é que seria necessário de tempo e espaço para explicar tudo. Fico feliz que tenha gostado!

      Agradeço a leitura e o comentário!

  6. Tiago Volpato
    29 de setembro de 2015

    O conto é muito bom, muito bem construido. Os personagens são bem elaborados o que faz a gente criar uma conexão com eles. Na verdade o conto é excelente. O que não gostei foram das frases em negrito, pra mim, quebrou um pouco da sequencia do texto.
    Abraços.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Tiago!

      Hahaha, agradeço o comentário. E fico feliz que tenha achado o texto bom! Sobre as frases em negrito, a intenção foi interromper a sequência do texto, fazer o leitor ler devagar. Mas algumas pessoas não gostam de coisas semelhantes. Já tinha ciência disso, então já me preparei desde o início para algumas pancadas!

      Agradeço a leitura, rapaz!

  7. Thata Pereira
    29 de setembro de 2015

    Assim como outros contos que gostei, esse também me pareceu terminado, Não sei se a garota que Roman encontra na praia é Julie, mas até ali deu a entender que sim e o conto fecha redondo. O final da primeira parte fecha com o último paragrafo, em um casamento perfeito.
    Gostei do conto como ele está. Esteticamente, já que tem fotos (e bem verdes) eu não usaria esse efeito nas letras, mas isso é bem pessoal.

    Como os outros contos que gostei e já pareceram fechados, quero a continuação, para ver como o(a) autor(a) irá dar continuidade as histórias.

    Boa sorte!!

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Thata!

      Muito obrigado pelo comentário! De fato, fiz um esforço especial para que o conto terminasse redondo. Por dois motivos… Primeiro, muitos textos não iriam passar para a segunda etapa e, por isso, tinham que se sustentar na primeira etapa. E segundo, bem, não pretendia passar para a segunda etapa, HAHAHAHA!

      Agradeço a leitura!

  8. Bia Machado (@euBiaMachado)
    28 de setembro de 2015

    Emoção: 1-2 – Não consegui me prender à narrativa, não é uma história que me animou a continuar, que me instigou.

    Enredo: 1-2 – Sinceramente, não consegui descobrir. Talvez por minha falta de interesse no conto. Mas acho que se o texto não tivesse sido fracionado eu não ficaria com essa sensação de que cada ato ficou incompleto.

    Construção das personagens: 1-2 – Ficaram muito rasas. Acho que deveria ter pego um dos atos e desenvolvido melhor as características delas.

    Criatividade: 1-2 – Comigo não funcionou, e é só pela minha sensação que pontuo dessa forma.

    Adequação ao tema proposto: 1-1 – Acredito que esteja adequado ao tema.

    Gramática: 1-1 – Ok, foi uma leitura rápida, sem me chamar muito a atenção, não me pareceu ter grandes problemas quanto a isso.

    Trecho destacado: “Mas houve um tempo em que o céu era azul… Uma época de pura felicidade para todos. Agora, no entanto, o que restava da alegria estava contida em pequenos frascos de vidro, que duravam muito pouco.” (Nota: Evite a expressão “muito pouco”, um tanto contraditória, rs).

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Bia!

      Sem problemas, moça, uma obra de arte é como um indivíduo. Cativa aqueles que possuem certa afinidade. Sobre a expressão “muito pouco”, de fato, nunca tinha notado que soa um tanto contraditória. Vou tomar mais cuidado com isso! Obrigado!

      Agradeço a leitura e o comentário!

  9. Gustavo Castro Araujo
    26 de setembro de 2015

    De certa maneira, este conto me fez lembrar do filme “Magnólia”, em que personagens surreais orbitam um ponto em comum. Como no filme, neste texto sobressai-se a ousadia em criar uma linha argumentativa diferente daquela a que estamos acostumados. Os trechos em negrito, centralizados, funcionam como um reforço, como se o narrador conversasse com o leitor. No fundo, é isso que o texto, como um todo, aparenta ser: uma conversa, um causo.
    Achei interessante a proposta, a maneira como as histórias de Roman e Julie se entrelaçam, mas achei que faltou algo mais contundente. Talvez tenha sido culpa do limite de palavras, mas o fato é que faltou a “chuva de sapos” que ocorre no filme e que funciona como costura das histórias. É possível que vejamos isso na segunda parte, mas, pelo menos até aqui, faltou amálgama.
    Nota: 7,3

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Gustavo!

      De fato, o enredo se concentrou na rotina dos personagens, sendo que o terceiro ato serviu apenas para finalizar o texto de forma redonda. Fiquei imensamente feliz ao saber que você lembrou de “Magnólia” durante a leitura, pois é um dos filmes mais bonitos que já vi na minha vida. A “chuva de sapos” estava guardado para a segunda parte, caso eu passasse, por acidente, para a segunda etapa.

      Agradeço imensamente a leitura e o comentário, sempre certeiros e inteligentes! Você é um dos poucos leitores por aqui que se entrega ao texto!

  10. Pedro Viana
    23 de setembro de 2015

    Não me envolveu.

    A escrita é muito carregada de adjetivos, senti falta de um pouco de fluidez. A construção de personagens também deixou a desejar, melhorando apenas com Roman. Acho que se a história fosse apenas dele, dado o pequeno limite de caracteres, teria ficado mais interessante. Minha empatia com a Julie foi muito pequena.

    Duas observações:

    – Essas interrupções visuais entre alguns parágrafos foram extremamente desnecessárias. Ao fim eu simplesmente nem estava lendo. A menos que tenha algum grande motivo narrativo guardado para a segunda parte, essas frases soltas não convencem ninguém e só atrapalham. Me desculpe a sinceridade.

    – E esse céu verde, amigo(a)? Não entendi a necessidade, não entendi a inserção dele no final. Se fosse no começo, ou no começo e no final, eu até entenderia, mas no final ficou parecendo “bom, como ainda tenho espaço, deixe-me colocar uma ambientação sci-fi para dar sentido ao título”. Eu preferiria muito mais que o tal céu fosse notado desde a primeira cena, e que este espaço tivesse sido utilizado para melhorar os personagens.

    No mais, minha nota é 6. Não foi a pior nota que dei no desafio, e o motivo é simples: o autor ou autora desta história, que não consigo reconhecer (na minha época ninguém colocava título na imagem, isso pode estragar a brincadeira se vier a se repetir), demonstra grande potencial criativo, mas que precisa ser utilizado para se sobrepor a esta estética pretensiosa, tanto na ambientação quanto na própria formatação do texto.

    Espero que meus comentários possam ajudar. Qualquer coisa, estou à disposição. Um abraço!

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Pedro!

      Agradeço seu comentário! Não se sinta mal por ser sincero, mas também não se esqueça que o que você diz é apenas seu. Você me conhece! Sempre fui ousado e sigo meus ideais com força!

      Agradeço também sua leitura, Pedro, que é de grande valia!

  11. pythontrooper
    22 de setembro de 2015

    Um conto sem pé nem cabeça, que fugiu do tema e se preocupou demais em tentar causar efeitos visuais (com figuras, negrito e espaçamentos) do que em produzir algo atraente. É uma pena, pois o autor sabe escrever e poderia entregar algo muito melhor se tivesse mais preocupação com o enredo.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Phython!

      Agradeço seu comentário! Direto ao ponto, não é, hahahahaha! Sem problemas, sem problemas! Vim preparado para algumas pancadas, pois algo diferente sempre assusta!

      Muito obrigado pela sua leitura, rapaz!

  12. Maurem Kayna
    22 de setembro de 2015

    o início do conto lembra demais Matrix e as pílulas azul e vermelha… estou impressionada com a resistência e/ou dificuldade que parece haver em escrever sobre a vida dita real / banal. Mais um conto na linha ficção científica retratando um cotidiano distópico… (sim, é cotidiano, de qualquer modo, eu sei). O final como uma mensagem de espreança / fé no amor é bonitinho, mas a narrativa no geral não me conquistou.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Maurem!

      Muito obrigado pelo comentário! Pessoalmente, não acredito que nossa realidade esteja perto do ideal da humanidade, em relação àquilo que podemos alcançar de verdade. então, obviamente, uso a escrita como uma forma de fugir disso. Seria tolice negar, mas todo artista faz isso. Usa sua arte para fugir daquilo que te perturba.

      Agradeço pela leitura!

  13. Anorkinda Neide
    22 de setembro de 2015

    Ah.. que bonitinho, romântico.. eles vão experimentar um novo vício: a paixão!
    Muito bom teu texto, bem escrito me levou junto com os acontecimentos e reflexões, dois bons ‘ganchos’, a vontade de ver a paixão acontecer e saber mais sobre os invasores, se bem que desconfio que você vai deixar isto em aberto… hehehe
    Só aconselho a não escrever ‘se esqueceu’, repetiu isso umas três vezes no texto.
    Abração

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Anorkinda!

      De fato, a paixão pode ser um vício, hahahaha. Vemos isso na nossa realidade constantemente. Era uma das coisas que iria abordar na segunda parte, caso passasse da primeira etapa. E não notei a repetição do “se esqueceu”. Vou tomar mais cuidado com isso no momento da lapidação final! Muito obrigado!

      Agradeço a leitura e o comentário, Kinda!

  14. Brian Oliveira Lancaster
    21 de setembro de 2015

    Intrigante e visceral. Não sou fã do estilo, mas a forma de contar e o uso de figuras/divisões caíram muito bem. O que aconteceu com o mundo ficou meio subjetivo, mas acho que a intenção era essa. O final ficou interessante, reflexivo, mas senti um pouco de falta de objetivo no decorrer da história.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Brian!

      Muito obrigado pelo comentário! Realmente, não consegui colocar muita objetividade no texto, já que decidi me focar no cotidiano dos personagens e nos seus vícios. A estória iria ficar subentendida, até na segunda parte, mas iria revelar coisas mais concretas, pelo menos, hahahaha.

      Agradeço a leitura!

  15. Fabio Baptista
    16 de setembro de 2015

    Foi uma leitura agradável, fluiu bem, sem erros e tal.

    Eu gostei. No começo torci o nariz para esses textos destacados em negrito, mas no decorrer eu me acostumei e até achei legal. Li novamente só essas partes, para ver se formavam algum tipo de poesia paralela, mas acho que não…

    O segundo ato, descrevendo o cotidiano da moça foi o melhor (aliás, tinha quase acabado de ler outro conto aqui do desafio em que ocorre uma cena parecida).

    NOTA: 8

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, xará!

      Olha, esses trechos em negrito foram controversos! Foi basicamente um experimento, pois irei utilizar um método semelhante num romance de terror que estou escrevendo. Queria ver a reação das pessoas, hahahaha!

      Agradeço a leitura e o comentário!

  16. Rubem Cabral
    16 de setembro de 2015

    Olá, Manahud.

    Então, não gostei do conto. Não muito pelo enredo, mas pela escrita, pela forma de narrar, pela formatação usando negrito também. As tais frases em destaque fazem a narração “soluçar”, dar trancos, cada vez que aparecem.

    A narrativa está também um tanto distante e não há boas descrições do ambiente ou das personagens. Não consegui formar imagens mentais seja do Roman, seja da Julie: ambos me saíram meio fantasmagóricos e sem substância, mais arquétipos do que personagens. A adesão ao tema, contudo, me pareceu correta: conhecemos o cotidiano de um rapaz viciado em drogas e de uma moça, viciada também, em sexo.

    Enredo: 4 (0-6)
    Escrita: 2 (0-4)

    Abraços!

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, grande Rubem!

      Tudo bem, você geralmente não gosta dos meus textos. Já aceitei esse fato, HAHAHAHA! Sobre os trechos em negrito, a intenção era deixar a leitura mais travada, para que o leitor lesse com calma essas partes e relacionasse com a situação. Não deu muito certo, pois alguns conseguiram aproveitar, enquanto outros se sentiram prejudicados. Deve-se encontrar o ponto de equilíbrio! E concordo, Roman e Julie possuem a substância comum dos arquétipos. Não parecem reais

      Agradeço a leitura e o comentário!

  17. Felipe Moreira
    16 de setembro de 2015

    Espero ler mais contos desse nível no desafio, porque está muito bom. Artístico. Tem uma sensibilidade que eu admiro. A abordagem desse cotidiano que foge à nossa rotina transformou Roman e Julie em personagens interessantes. Fiquei com vontade de ler o que ainda há pra ser contado, mesmo tendo a sensação de que ele poderia ser encerrado aqui, dessa forma abstrata mesmo. Está muito bom, de parabéns pela criatividade e qualidade do texto.

    Boa sorte.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Felipe!

      Poxa, deixou-me bastante feliz com esse comentário! Causar esse tipo de sensação em apenas um leitor faz com que todo o trabalho tenha valido a pena.

      Muito obrigado, de verdade!

  18. Ruh Dias
    14 de setembro de 2015

    As passagens em negrito me confundiram um pouco. Não entendi se elas tinham a intenção de destacar aqueles acontecimentos ou se estavam ali por acaso. Este conto me lembrou muito Kundera em A Insustentável Leveza do Ser.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Ruh!

      Na realidade, esses trechos falavam, especificamente, sobre o subconsciente dos personagens. Falhei numa coisa… Não consegui fazer com que o leitor percebesse isso. Faltou algo… Algo que ainda preciso descobrir o que é.

      Agradeço a leitura e o comentário!

  19. Rogério Germani
    12 de setembro de 2015

    Olá, Manahud!

    Gostei da abordagem em seu cotidiano: representar em atos a triste sina dos renegados- drogados e prostitutas- faz com que percebamos o tamanho da hipocrisia por detrás do teatro da “La vie est belle”.
    Não sei se foi esta sua real intenção, mas o uso dicotômico do céu verde ficou uma perfeita cortina para a encenação dos personagens; ao mesmo tempo que apresenta uma distorção da realidade, traz uma esperança aos olhos de quem vivencia as dores diárias. Outro fator positivo é que o conto não finaliza em stand by, pode ser lido e compreendido já na primeira fase do concurso.
    Ao meu ver, foram pouquíssimos erros gramaticais, nada que comprometa a mensagem do texto. No entanto, a fragilidade do conto está no excesso de frases em negrito. O que seria isto? Gritos de uma alma moribunda ou insights alucinados de quem está ilhado em dúvidas?

    Nota 7.

    • Fabio D'Oliveira
      6 de novembro de 2015

      Olá, Rogério!

      São gritos dos próprios personagens, gritos que vêm do âmago de seu ser, o subconsciente de cada um se comunicando com o leitor através do narrador. Falhei ao fazer isso, pois muitos leitores não capturaram essa mensagem. Falha minha! Falha minha!

      Agradeço sua leitura e comentário magnífico!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Meireles e marcado .