EntreContos

Literatura que desafia.

O Mistério da Alma Desnuda (Cácia Leal)

Lili-2

A dupla de investigadores percorreu, com a luz difusa da lanterna, por uma espécie de labirinto de formas e desenhos geometricamente elaborados, a fim de conseguir chegar ao corpo que lhes aguardava. Algumas esculturas abstratas pendiam do teto. Nas paredes, grafites e versos soltos, rabiscados artisticamente, ajudavam a criar o clima almejado pelo artista. Um ruído artificial com sons do cotidiano entrava pelos ouvidos e pelos poros, a fim de levar o visitante, através dos sentidos, a um mundo interior muitas vezes inabitado ou inalcançável. Aromas da natureza eram borrifados de tempos em tempos para ajudar nessa introspecção.

“Alma Desnuda”, esse era o nome da exposição de um tal Della Vecchia, artista italiano de quem jamais se ouvira falar. Lili Artman lembrou-se de ter lido uma crítica bastante fraca sobre ele no Caderno de Cultura do jornal, que ressaltava a ideia do artista de abrir os olhos da alma, mesclando uma linguagem poética com a visual e fazendo o público interagir com a obra.

Nicholas Stendorff, seu parceiro, apenas a seguia observando tudo.

Foram parar no último ambiente da exposição, onde o jogo de espelhos e luzes debilmente captadas pelos spots apropriava-se das imagens dos visitantes de ângulos diferentes, muitas vezes até deformando a visão e a percepção de quem por ali passava.

Viu-se, então, um corpo estirado no chão, sujando o carpete negro e mesclando com quadros e esculturas o sangue que escorria de múltiplos cortes na face e no corpo da mulher.

Lili aproximou-se do corpo estendido sobre a poça de sangue para examinar melhor. A provável causa mortis era um corte profundo em sua jugular, provocado por um pedaço de vidro pontiagudo que ainda estava fincado no local. Ela passou a luz da lanterna pelo corpo da vítima. Os cortes da face e dos braços indicavam que havia ocorrido resistência por parte dela, uma luta corporal talvez. Pedaços de vidros cravados em sua pele indicavam de onde provinham os ferimentos e Lili levantou a luz da lanterna até a parede à frente, onde o jogo de espelhos sobrepostos estava espatifado.

– Provavelmente, durante a luta, o agressor a arremessou contra aquela parede. – Concluiu para o parceiro.

Nicholas concordou e perguntou em seguida, ainda examinando ao redor, em busca de vestígios do possível assassino:

– Você acha que poderia ter sido latrocínio?

Os dois percorreram com a luz da lanterna a pequena sala e encontraram, a poucos metros do corpo, a bolsa caída, aparentemente intacta. Foram examiná-la e aparentemente nada estava faltando. Lili pegou a carteira, abriu e verificou:

– Eunice da Cunha, 34 anos.

– Cadê o celular dela? – Ele lembrou.

Procuraram outra vez, porém não estava em nenhum lugar.

Perceberam movimento de alguém chegando. Eram os peritos, que apenas analisaram brevemente a cena e saíram em busca dos materiais necessários. Os dois continuaram sozinhos por mais algum tempo. Lili voltou a observar a exposição. Pareciam estar numa espécie de casa dos espelhos, com espelhos sobrepostos, justapostos, desenhados e recortados e, agora, também, estilhaçados e ensanguentados. E entre os espelhos, esculturas e grafites modernistas. Um ganido estridente soou distante, mesclado com uma melodia doce e um perfume silvestre que vinha do alto, borrifado suavemente.

– Eu gostaria que alguém desligasse esse som. – Nicholas comentou e a parceira concordou, sorrindo com o canto da boca.

Os peritos retornaram com holofotes e geradores de energia para poderem trabalhar. Lili agradeceu silenciosamente porque poderia, também, enxergar melhor a cena do crime.

Enquanto montavam os equipamentos, ela retornou para o início da mostra, a fim de ver se havia deixado escapar alguma coisa. Aproveitou para fotografar tudo, pois poderia necessitar, principalmente os versos escritos soltos, como se tivessem sido negligentemente dispersos na parede.

Ao perceber a luz intensa no interior da ala dos espelhos, a investigadora retornou para o local. Sorriu com o resultado e aproximou-se outra vez do corpo, observando melhor a vítima. Parecia uma mulher simples, que não costumava frequentar esse tipo de galeria. Nenhuma joia aparente e, a julgar pelas roupas que trajava, não estaria usando joias caras para ter sido roubada. Até poderia, quem sabe, estar usando algum relógio caro a ponto de chamar a atenção de algum ladrão, mas não o suficiente para ser seguida até ali para ser roubada. E ela comentou isso com o parceiro. Concordaram que conseguiriam verificar essa e outras informações nas câmeras de segurança.

O rosto da mulher foi outro fator que chamou bastante a atenção de Lili. Apesar de bastante ferido e quase irreconhecível, seus traços demonstravam que estava bastante transtornada.

Ela abaixou-se ao lado do corpo, de joelhos, sem tocar na poça de sangue, para examinar a mão da vítima. Pediu ao perito que mexesse na mão da vítima e a abrisse, pois ele estava de luvas. E puderam constatar cortes também em ambas as mãos.

– Ela pegou um pedaço de espelho para revidar ou tentar se defender. Pode ter ferido o agressor. Talvez haja sangue dele aqui. – Nicholas comentou.

Lili olhou ao redor para ver se algum dos cacos do espelho poderia ter servido de arma, quem sabe teriam sorte de encontrar sangue do assassino. No entanto, nada lhe pareceu adequado.

Por fim, sem nada mais encontrar, os dois desceram para o saguão para conversar com as testemunhas e os funcionários. Ninguém havia sido liberado sem as medidas de praxe.

Pela fachada de vidro, era possível ver o movimento de curiosos lá fora, impedidos de se aproximarem pelos policiais militares que guarneciam as portas do edifício em que se encontrava a galeria.

Lili encarregou-se de conversar com os que ali aguardavam, enquanto o parceiro iria checar as imagens das câmeras. Não conseguiriam muito, pois apenas duas pessoas visitavam a exposição na hora do crime. O testemunho que mais chamou a atenção foi o da senhora que encontrara o corpo:

– Ainda era cedo, a galeria estava vazia, sabe… eu estava ainda na primeira sala…ouvi uns barulhos estranhos, mas achei que faziam parte daquele som que tocava. Ouvi uns gritos horríveis, ruído de coisa quebrando… jamais poderia imaginar que estivesse acontecendo alguma coisa. Daí, quando entrei na última sala, vi a mulher caída e sai correndo, chamando os seguranças. Achei que ela estava apenas desmaiada, não sabia que estava morta. Que horror!

– E quem veio ajudar?

A senhora apontou para um dos seguranças.

Lili também o ouviu, mas ele tampouco ajudou a elucidar alguma coisa.

Assim que o parceiro retornou, atualizou-a quanto às imagens. Nada havia encontrado. A vítima estava sozinha e, aparentemente, ninguém a seguira. Não carregava joias, nem relógio, tampouco nada chamativo. Não havia nada estranho ou suspeito. Eram dois visitantes, um deles não foi possível identificar de imediato, pois estava de cabeça baixa, conversando com alguém por mensagem de celular. No entanto as câmeras captaram a imagem dele em outro momento e o chefe de segurança o identificou. Era o artista, o Sr. Della Vecchia.

Estavam para dar por encerrado seus trabalhos na galeria, quando perceberam, através das portas de vidro, um movimento estranho no lado de fora. Um senhor de cerca de 40 anos havia começado um tumulto, tentando forçar sua entrada. Parecia muito nervoso, desesperado, gritava e queria a todo custo passar. A polícia militar precisou contê-lo e mobilizá-lo e o estava algemando.

Como Lili e Nicholas iam sair naquele instante, foram ver do que se tratava. O sargento veio ao seu encontra assim que saíram do edifício.

– Ele disse que a esposa ligou há uma hora e meia e que estava em risco. Ela é doente e ele acredita que alguma coisa aconteceu com ela. Não sei, ele tá parecendo meio confuso. – O policial explicou.

– Precisamos falar com ele. – Lili falou. – Você pode trazê-lo?

O sargento concordou e fez sinal para o colega trazê-lo.

Lili e Nicholas pediram para que o levassem pra dentro, evitando os curiosos de plantão, e foram conversar na sala da administração, gentilmente cedida.

Nicholas perguntou o nome dele e o da esposa.

– Meu nome é Gerson e minha esposa é Eunice da Cunha.

Ao ouvir o nome dela, os investigadores se olharam. Nicholas prosseguiu:

– O senhor poderia nos dizer o que houve, Sr. Gerson?

– Há mais de uma hora, minha esposa me ligou desesperada, ela não dizia coisa com coisa. Ela tava com problemas, só soube me dizer onde tava. E eu ainda tive que pesquisar na internet, pois ela nem soube me explicar direito onde era… olha, ela tem problemas… vocês não entendem… se alguma coisa aconteceu, vocês têm que entender… ela tava muito nervosa… eu ouvi muitos gritos… e vim o mais rápido que pude… o trânsito não me deixou chegar mais rápido…

– Calma, Sr. Gerson. – Lili pediu. – Que tipo de problemas sua esposa tem?

– Ela tem um problema com espelhos, ela tem medo, sabe… um pavor muito grande, se chama eisoptrofobia. Ela pode entrar em pânico se ver um espelho. – Ouvindo isso, Lili e Nicholas se entreolharam curiosos, mas continuaram e ouvi-lo: – Ela faz tratamento há muito tempo e estava até melhorando, já estava até usando notebook e celular, tava saindo de casa e tudo, coisa que não fazia há muito tempo.

Houve um silêncio e os dois investigadores apenas analisaram aquele senhor, que aparentava ser um simples, trabalhador, que vestia camisa e calça social. Pela pasta que trazia, provavelmente estava quase chegando no trabalho, naquele trânsito infernal da grande São Paulo, quando recebera o infeliz telefonema da esposa.

Ele perguntou mais uma vez da esposa e Nicholas contou-lhe.

A primeira reação dele foi de negação, achando que era algum equívoco. Não poderia ser verdade, não a sua “Nice”. No entanto, aos poucos, a julgar pelo telefonema estranho que recebera, foi começando a acreditar e o desespero foi começando a tomar conta. Veio o pranto. Não era fácil encarar a verdade.

Lili pousou delicadamente a mão em seu ombro:

– Sr. Gerson, sei que é difícil, mas o senhor precisa se controlar. Nós vamos precisar de sua ajuda para descobrir o que realmente ocorreu.

Nicholas a ajudou:

– O senhor precisa ser forte, Sr. Gerson, para nos ajudar e ajudar os seus filhos. O senhor tem filhos, não é mesmo? – O senhor balançou a cabeça afirmativamente. – Então, eles irão precisar muito do senhor. Pense neles.

Ele foi se acalmando aos poucos. Lili perguntou se poderiam continuar e, como ele concordou, ela prosseguiu:

– Sr. Gerson, sua esposa morreu dentro de uma galeria de artes, em uma exposição de espelhos. A questão é: se ela sofria dessa fobia e não podia chegar perto de espelhos, o que ela fazia aqui?

– Não sei. Ela nem gosta dessas coisas. Nunca entrou numa galeria de artes antes, nunca sequer comprou um quadro.

– Será que ela poderia estar acompanhando alguém ou viria encontrar alguém? – Nicholas levantou a hipótese.

Não houve resposta.

– O senhor disse que sua esposa estava usando notebook, – Lili retomou. – ela poderia estar conversando com alguém que o senhor não saiba. – Ele olhou-a extremamente ofendido e ela emendou, consertando: – Alguma amiga, por exemplo, com quem ela trocasse confidências. O senhor se importaria se déssemos uma olhada no computador dela?

Ele não se opôs e Lili perguntou se haveria alguém em casa que pudesse entregá-lo, pois queria mandar um policial buscá-lo. Havia a empregada. E assim ela fez.

Retornaram à delegacia e, no trajeto, Lili aproveitou para pesquisar sobre a doença na internet e comentava com o parceiro, que dirigia o automóvel, sobre suas descobertas. Os dois não estavam a fim de almoçar e resolveram passar em um drive thru para comprar lanche. Levaram quase uma hora para chegar ao destino, de modo que, quando chegaram, o notebook já estava lá, para felicidade da investigadora.

Nicholas prontificou-se a investigar sobre o casal civil e criminalmente, sabia que Lili iria se deliciar com aquele computador por muito tempo.

E ele não estava errado. Ela não poderia nem esperar terminar de comer, ainda com o sanduiche nas mãos, abriu o notebook da vítima e foi analisando o histórico das últimas páginas de internet que haviam sido visitadas. A vítima pesquisara muito sobre o artista e a exposição.

Lili entrou no site da exposição. Havia pelo menos umas dez visitas. Ela queria compreender melhor o que se passara na cabeça da vítima e porque tinha ido àquele local. Uma das fotos especificamente lhe chamou a atenção, pois o verso escrito na parede destoara, e a investigadora pegou seu celular, onde estavam as demais imagens que fizera na galeria. Baixou-as para seu computador pessoal e imprimiu-as. Montou todos os versos e descobriu porque tanto cismara com eles antes. Chamou seu parceiro e leu, em voz alta, o arranjo que se formara, como um poema:

Dilacera meu corpo impuro e vil,

Flamejante fagulha do meu ser.

Acalenta-me em teu peito sombrio,

Traiçoeiro e fúnebre entardecer.

 

E então embebeda-me nesse néctar imaculado…

e com o mais puro espectro me ilumina.

Faça-me renascer livre de todo o pecado,

desperta minha Alma Desnuda, minha sina.

 

 

– Interessante! Você percebe o desafio, Nick? Parece que o artista quer que o público deixe o corpo material e ascenda ao plano espiritual, acesse sua Alma Desnuda. Não lhe parece algo como uma morte? Será que foi o que a vítima procurou? – Ela perguntou ao parceiro. Ele encolheu os ombros, não entendera aonde ela queria chegar. Poesia e arte não pertencia a seu mundo.

– Não sei nada dessas coisas de poeta, Lili. Não entendo muito bem. Mas continue procurando. Precisamos provar isso.

Foi o que ela continuou a fazer. Por curiosidade, foi verificar o que os jornais mencionavam sobre o crime e se havia alguma manifestação por parte do artista sobre o crime. Vários jornais teceram comentários e noticiavam o ocorrido. O autor havia mandado um press release para diversos meios, informando sobre uma coletiva de imprensa que daria em sua galeria, no dia seguinte, às 9h, para falar sobre o ocorrido. Lili não perderia essa coletiva, queria muito saber o que ele iria dizer. Chegou a ler as informações contidas na nota que havia sido publicada junto com a informação:

“Alma Desnuda significa alma despida, seja de tabus, das amarras, seja do que for. E o crime que ocorreu aqui tem tudo a ver com isso. É o que somos. A alma humana é obscura e inalcançável. E o espelho mostra exatamente isso, mostra a nós mesmos. O espelho é incapaz de mentir.” Dizia a matéria.

No entanto, sua curiosidade aumentou quando conseguiu acessar a caixa de mensagens da vítima, que por sorte (ou inexperiência) estava aberta. Havia muitas mensagens trocadas com um mesmo endereço e qual não foi a sua surpresa ao constatar que não era ninguém menos que o próprio artista, Sr. Della Vecchia. E a surpresa maior fora o teor das mensagens. A primeira havia partido da vítima e questionava o tema escolhido pelo autor e, principalmente, o uso dos espelhos. As respostas dele, no entanto, era o que mais surpreenderam. Ele defendia sua obra e a instigava a conhecê-la, mesmo após ela ter-lhe explicado seu temor. E ele discursava sobre a pureza da alma, despida de convenções sociais, tabus, preconceitos e medos. E dizia que ela precisava enfrentar seus medos, desafiar seu maior pesadelo, para purificar sua alma e ficar em paz consigo mesma. Aparentemente as conversas foram muito além do que falaram por e-mail, pois eram mencionados assuntos que não estavam ali. Provavelmente se falaram também pelo whatsapp.

Lili imprimiu tudo e, com todo esse material sobre sua mesa, chamou o parceiro outra vez.

 

Na manhã seguinte, o saguão da galeria estava lotado de curiosos, loucos para entrar na exposição, e de representantes da imprensa, curiosos para saber o que o Sr. Della Vecchia tanto queria falar sobre o crime ocorrido em meio a suas obras de arte. E, no meio de toda essa gente, Lili e Nicholas não poderiam perder esse espetáculo de jeito nenhum.

O discurso, feito com um sotaque meio italiano, meio espanhol, começava igual ao enviado aos jornais, acrescido de uma exaltação à beleza da alma pura, despida de preconceitos, pecados e todo aquele mesmo discurso que ele repetira também à vítima. A alma pura, era o que ele chamava de “alma desnuda”. Explicou, ainda, que o jogo de espelhos era para o público ver a si próprio, como realmente era.

Finalizou dizendo que não havia mexido na cena do crime, apenas mandara recolher os pedaços de espelho do chão para que ninguém se ferisse ao transitar. Tudo passaria a pertencer à exposição, como parte do conjunto de obras, pois o que ocorrera mostrava o lado cruel da alma humana, seu lado sombrio e obscuro. Afinal, o objetivo da obra sempre fora mostrar o lado verdadeiro da alma em todos os seus aspectos, e o assassino conseguira exteriorizar o seu pior.

As perguntas foram muitas e o público estava bastante alvoraçado diante dos comentários. No fundo, muitos queriam mais era que liberassem logo a sala de exposição para verem a cena do crime, pois nunca haviam visto uma. Lili chegou a comentar com o parceiro a morbidez do ser humano.

Os investigadores foram pacientes e apenas observavam tudo, até mesmo para verem se percebiam mais alguma coisa que denunciassem esse Sr. Della Vecchia, que até então já parecia suspeito até demais.

Ao término da entrevista, enquanto os repórteres foram falar com o público, os dois investigadores foram direto ao artista e o interpelaram. Queriam conversar com ele em particular e dirigiram-se à sala da administração.

Enquanto isso, já combinado, um colega deles estava, na mesma galeria, executando um mandado de busca a apreensão, a fim de localizar o celular desaparecido.

O Sr. Della Vecchia sentou-se na poltrona da administradora e convidou-os a ocuparem as cadeiras do outro lado da mesa.

– Finalmente o senhor conseguiu seus 15 minutos de fama, não é mesmo, Sr. Della Vecchia? – Nicholas comentou, dando um tapinha nas costas dele, antes de sentar-se.

Ele fez-se de desentendido.

– Vimos que o senhor estava na galeria no momento da morte da Sra. Eunice.

– Sim, eu venho muito aqui, mas não costumo ficar muito tempo.

Inicialmente, a conversa deu-se totalmente em tom amistoso. As perguntas eram aquelas de praxe. Até que Lili mencionou a troca de mensagens entre ele e a vítima. Inicialmente ele fez-se de desentendido, depois alegou que estava apenas tentando ajudá-la, por causa da doença dela. Sempre com o sotaque ítalo-espanhol.

– Sabe o que está parecendo depois dessa entrevista que o senhor deu? – Lili pergunta, depois de um tempo e prosseguiu no comentário: – Que o senhor está se beneficiando com a morte daquela pobre mulher. Sabia que isso é um agravante, caso venha a se provar alguma participação sua na morte dela?

– Eu não tive nada a ver com isso. Só tentei ajudá-la!

Nicholas resolveu pressionar também:

– O senhor sabe o que está ocorrendo na galeria neste momento? Ela está fechada e um monte de policiais está vasculhando cada centímetro em busca do celular da vítima que desapareceu. Nós sabemos que foi o senhor quem o pegou, porque vocês estavam trocando mensagens pelo whatsapp naquele dia, pouco antes do crime.

Desta vez ele preferiu calar-se e os investigadores consideraram um princípio de vitória.

– Quero meu advogado. – Ele pediu enfim.

– Ei, Nick, você percebeu que agora foi o sotaque dele que desapareceu?  Sabe o que eu acho? Acho que, quando acharmos esse celular desaparecido, vamos encontrar digitais sim e descobrir uma identidade bem brasileira nelas, além de descobrir todas as mensagens que foram trocadas com a vítima. Sabia que é possível recuperar mensagens de whatsapp apagadas?

– O senhor quer advogado pra quê? Disse que não fez nada.  – Nicholas também caçoou.

Cerca de dez minutos depois, um policial bateu na porta e entrou, sacudindo um saco plástico transparente de evidências, contendo um celular cor de rosa.

– Estava no fundo de um contêiner de lixo, lá nos fundos. – Explicou.

Aos poucos os dois investigadores foram vendo a cor na face do artista desaparecer e ele ia ficando cada vez mais pálido. Logo essa falta de cor foi se tornando púrpura, à medida em que Lili ia citando trechos das mensagens mandadas por ele. Ele se irritou e deu um berro:

– E vocês queriam o quê? Aquela alma pobre e infeliz. Imunda! Negra! Eu precisava salvá-la. Eu precisava fazer alguma coisa! Eu não poderia ficar parado, vendo-a definhar sua alma, perdê-la daquele jeito!

– Tá legal, seja lá quem seja o senhor, já chega desse papo. Agora quer nos convencer de sua insanidade? – Nicholas ironizou. No entanto ele não parava com o discurso inflamado contra a pobre mulher e sua alma impura.

– Ok, mas o senhor está preso pela morte, ou pelo induzimento ao suicídio, da Sra. Eunice da Cunha, com os agravantes de ter ocultado provas da polícia e por obstrução da justiça, sem contar com a falsidade ideológica. – Lili completou. –Ah, e “Alma Desnuda” é espanhol e não italiano.

Mais tarde descobriram que ele se chamava João Pedro da Silva, era bem brasileiro e morava na região de Interlagos.

Mais um mistério decifrado, e a imprensa, que ainda estava no saguão, deliciou-se com a cena da saída dos três e cercou-os efusivamente. Nem é preciso mencionar o que os jornais noticiaram nas horas seguintes e nos dias que se passaram.

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32 comentários em “O Mistério da Alma Desnuda (Cácia Leal)

  1. Laís Helena
    13 de junho de 2015

    1 – Narrativa, gramática e estrutura (3/4)

    Neste conto a fobia ficou em segundo plano, mas teria sido um complemento interessante se a trama tivesse sido melhor desenvolvida. O poema, entretanto, teve bastante relevância. O texto apresenta alguns erros de revisão e deslizes no uso do tempo verbal. Também achei que você poderia ter utilizado um pouco mais a linguagem policial para dar maior credibilidade à narrativa.

    2 – Enredo e personagens (1/3)

    Como já mencionado, o enredo poderia ter sido melhor desenvolvido. Talvez tenha sido o limite de palavras, mas faltaram aqueles detalhes que teriam tornado a revelação do final mais interessante. Os personagens também mereciam mais destaque, especialmente o artista: senti falta de uma motivação para ele.

    3 – Criatividade (2/3)

    A ideia de relacionar uma fobia a um conto policial foi interessante, mas infelizmente o conto me decepcionou.

  2. Bia Machado
    13 de junho de 2015

    Bonito título de conto, gostei muito! Mas infelizmente o texto foi um balde de água fria da metade para o final, após uma primeira metade muito interessante… Conto policial, de investigação, pra mim tem que saber produzir mesmo, considero como o mais difícil entre os contos. Agatha Christie, inclusive, diz que uma história de terror cabe em um conto, mas uma trama policial não, rs. Tente escrever um texto maior a partir desse, com mais detalhes que possam ser apresentados ao seu leitor. Outra questão: a fobia, ficou em segundo plano, não se destacou. Há fobia no conto, mas também poderia não haver, certo?

  3. Felipe T.S
    13 de junho de 2015

    A narrativa não me agradou. Um tom de superficialidade pairou durante toda a obra. Não achei os personagens nenhum pouco atrativos ou interessantes, coisa que é essencial em uma história policial.

    Os diálogos são fracos, mas ainda assim, o autor leva certo jeito com as palavras, creio que o deslize foi na tentativa de criar uma história policial curta e bem amarrada, coisa que é difícil de se fazer.

    Boa sorte no desafio!

  4. Pétrya Bischoff
    13 de junho de 2015

    Pois bem, Miss Marple (Cristie remete-me à adolescência, e está muito apropriado ao conto, einh!)
    Eu gostei, simples assim. O texto sobressai-se muito mais pelo romance policial que pela fobia em si. Ela está presente e isso é o correto, mas toda a atmosfera criminal criada foi muito melhor. Adoreias primeiras cenas, que descrevem a galeria e o achado do corpo, remeteu-me quando encontram o corpo em O Código Da Vinci. A narrativa é suficiente, mas a escrita apresenta vários deslizes, principalmente de concordância e repetição de palavras. E o poema. ah! achei muito bonito.
    Foi interessante acompanhar desde a descoberta do corpo até o desfecho final em um único (e sucinto) conto. Parabéns e boa sorte.

  5. Wilson Barros
    13 de junho de 2015

    Curioso, mais um conto sobre fobia de espelhos. O único conto de mistério desse desafio tem uma característica bem interessante, que é prender o leitor que não é muito afeito a esse estilo. Os contos da escritora que criou o pseudônimo da autora, por exemplo, são, na minha opinião, terrivelmente monótonos, salvo raras exceções. No entanto, no presente conto, a narrativa é ágil e sem “gorduras” tornando-o facilmente lível. Além disso a história do crime é bastante crível. Bom conto, boa escritora de mistério, gênero bem mais lucrativo que o das revistas literárias…

  6. vitor leite
    12 de junho de 2015

    história bem contada mas quase sem fobia, talvez a trama mereça um olhar mais tranquilo e ser transformada numa história maior. Li outra vez e até achei interessante. Agora será de na próxima semana o(a) autor(a) repegar nesta trama, vale o tempo e pode chegar a um bom resultado. Parabéns e boa sorte.

  7. Fabio D'Oliveira
    12 de junho de 2015

    ❂ O Mistério da Alma Desnuda, de Miss Marple ❂

    ➟ Enredo: Escrever uma história policial é um verdadeiro desafio. Tem que criar um clima fortíssimo de suspense e um enredo muito bom. Pelo visto, Miss Marple, a senhora não tem muita experiência nessa área. O conto, em seu geral, não ficou bom. De forma alguma. Primeiro, os personagens são superficiais demais. A ambientação também ficou ruim. A policia brasileira não funciona bem assim. Se fosse para fazer um CSI da vida, ambientasse nos EUA. E por que os protagonistas tem nomes estrangeiros? Segundo, já sabemos quem é o assassino logo no início. Ficou muito óbvio! Terceiro, não há nenhum suspense no conto. Nenhum! E quarto, por fim, a execução não deve funcionar dessa forma. Tudo caiu nos braços dos investigadores, não teve uma real busca pela resposta. Deve ter uma série de sequências bem desenvolvidas e executadas que levam os detetives a encontrarem o assassino. Enfim, pratique mais, esse gênero exige isso. Vi que você tem capacidade para fazer melhor! Não desista!

    ➟ Poema: Ficou bom. Achei acessível ao texto e à história, o que é ótimo. Foi a melhor parte do conto. Parabéns!

    ➟ Técnica: Muito boa, de verdade. A narrativa é fluída, ou seja, não cansa de forma alguma. O que ficou ruim na história você conseguiu compensar, um pouco, é claro, na técnica. Nada mais a declarar!

    ➟ Tema: Não se encaixou. A fobia só foi menciona e usada como pretexto para colocar a vítima no local do crime. Quando falamos no tema num desafio, ele deve ficar sempre em primeiro plano. É o fator principal! Nunca se esqueça disso!

    ➟ Opinião Pessoal: Não gostei. A história ficou muito forçada e superficial para o meu gosto. Amo a vida! E por isso a procuro na literatura. Sua técnica é boa, tem talento, mas precisa prestar mais atenção ao desenvolvimento. Talvez inexperiência. Talvez preguiça. Não sei…

    ➟ Geral: História superficial e mal executada. Técnica boa. Escritora talentosa. Precisa desenvolver suas habilidades. Poema muito bom. Não se encaixou com o tema. Não gostei, no geral.

    ➟ Observação: Esqueça por alguns momentos que você escreve bem e se lembre que sua história ficou muito ruim. Depois disso, procure escreve um conto verdadeiramente criativo. Apenas para você. Faça isso uma, duas, três vezes. Quantas vezes achar necessário. E verá o delicioso fruto que você irá colher no futuro!

  8. Fil Felix
    12 de junho de 2015

    Não gostei muito :/ Por ser um suspense, envolvendo investigação com provas e suspeitos, faltou o principal: que é o suspense. Tudo é entregado de bandeja e as reviravoltas soaram artificiais. Lá no meio já dava pra saber que ela havia se matado por conta dos espelhos e que o artista estava envolvido. Mesmo com a perda de identidade, não pareceu natural. Apesar de serem dois detetives, só a mulher já bastava, pois o outro par ficou de escanteio.

    O poema ficou bem interessante e, particularmente, acho que poderia ter utilizado daquelas casas de espelhos em parques, dá um tom mais sombrio, e não estender tanto.

    Numa outra camada, dá pra tirar uma crítica à arte contemporânea e conceitual, cercada de pão e circo.

  9. Tiago Volpato
    12 de junho de 2015

    Um bom texto, concordo com o pessoal de que a fobia só está no texto para fazer de conta. O início do conto é interessante, mas ele vai caindo de qualidade e o final foi bem sem graça. O problema pra mim, é que já li muita história de detetive e já fiquei um pouco cansado disso, se não for algo genial, já não me chama muito a atenção. Você não construiu um texto ruim, só que não vi nada nele para se destacar dos inúmeros textos deste estilo que estão por aí.
    Voltando a fobia, talvez em um outro desafio o seu texto se encaixasse, mas nesse ele me pareceu muito deslocado. Abraços.

  10. Jowilton Amaral da Costa
    12 de junho de 2015

    Pô, Santino, não acha empolgante ir ao dentista? Bem em relação ao conto, eu gosto de contos policiais, inclusive, quando comecei a escrever queria ser escritor de romance policial. A narrativa é regular, não empolga, mas, também não me fez querer parar de ler. A resolução foi muito rápida e direta, não houve nenhum outro suspeito, não teve suspense ou emoção, me pareceu tudo um tanto frio, como numa reportagem. Boa dorte.

  11. mariasantino1
    12 de junho de 2015

    ↓Perdão, perdão, perdão. Mas quase desisti de ler até o fim e só o fiz porque achei a trama muito boa além da fobia e o poema. Porém esse é o tipo de narrativa que (para mim) é tão empolgante como ir ao dentista, gostosa como comer chuchu (desculpe se pareço rude). Sinto que você pode escrever numa boa um romance e até sagas usando esse tipo de narrativa, mas para mim, por questão de gosto, por apreciar ideias e descrições bem mais condensadas, não consegui apreciar de todo o seu conto. Não gostei do final também, meio que me senti frustrada com ele. Esperava um fechamento mais redondo.

    ↑Se não gostei da narrativa, fiquei boquiaberta quando chegou o poema. É muito bom, ritmado, e tem tudo o que mais curto nele, que é a indução de imagens e pensamentos. A trama é igualmente instigante e a fobia da dona Eunice é interessantíssima.

    Boa sorte.

  12. Carlos Henrique Fernandes Gomes
    11 de junho de 2015

    Miss Marple, adoro literatura policial e se for na minha cidade e com cara de investigação eficiente e apaixonada, com cara de conto policial americano, tipo aqueles da Ellery Queen’s Mistery Magazine, muito melhor ainda. Assim como o seu. Gostei demais! Pena que não era num desafio “policial”. Só um toque para melhorar esse caso bem legal, aliás dois toques: tem palavras repetidas na mesma frase em demasia e o último parágrafo não ficou legal (sei que faltou espaço) porque, nesse caso, ele nem precisava estar aí. Gostei, mesmo assim.

  13. Catarina Cunha
    11 de junho de 2015

    TÍTULO delicioso. Passei o texto todo pensando nele. Simples e eficaz.
    O POEMA cumpre sua função social, mas não ficou clara sua autoria no contexto.
    FLUXO DO TEXTO. Como a história exige muitos detalhes, talvez pela limitação de 3.500 palavras, não houvesse espaço para evolução dos personagens, já que usou 3.497. Deve ter sofrido com isso. Sugiro trabalhar melhor as cenas, sem limitação de palavras, e fazer um roteiro ou romance. Percebi que precisou cortar e isso, para alguns autores, é mais trabalhoso do que escrever.
    TRAMA clássica dos seriados americanos. Daria um capítulo de CSI se houvesse outros suspeitos e mais espaço para isso, já que o estilo do autor (a) exige longas sequencias. A ideia de uma fobia a espelhos gerar um crime é muito boa. Os personagens estão superficiais. O trabalho merece um investimento.
    FINAL . Previsível pela ausência de outro suspeito. E o único mistério que havia não foi desvendado. Afinal foi suicídio, indução ao suicídio ou homicídio? Não perca o próximo capítulo.

  14. Simoni Dário
    10 de junho de 2015

    O conto começa com uma cena que realmente lembra “O Código da Vinci”, entusiasma até um ponto, a narrativa continua firme, mas o enredo vai enfraquecendo a medida que chega no final,, ou seja, a fobia fica de coadjuvante, o argumento para o assasino cometer o crime é frágil – um psicopata? – .O autor tem talento, pois consegue despertar a curiosidade do leitor, Constrói boas frases resultando numa boa narrativa, descreve bem o ambiente,mas no quesito alegações (fundamental em uma história policial), deixa a desejar. No mais, é um bom conto.
    Parabéns e boa sorte!

  15. Anorkinda Neide
    10 de junho de 2015

    Pois é, eu achei um tanto superficial toda a investigação.
    Um bom exercício para treinar este estilo, mas ainda falta chão…

    O poema é bom… não brilha, mas cumpre seu papel dentro da psicologia do artista assassino.

    Não ficou legal o encaixe da fobia da vítima, não achei ‘normal’ o que se passou com ela e o artista nem mesmo o assassinato com essa filosofia doida do cara… enfim, não consegui comprar a história num texto bem frágil, carente de lapidação. Mas isso vem com o tempo mesmo e a prática. Ok?!

    Boa sorte
    Abraço

  16. rsollberg
    9 de junho de 2015

    Então, Miss Marple!
    Curti, mas queria ter curtido muito mais.

    Adoro contos de mistério e acho dificílimo escrevê-los.
    Você aqui misturou CSI e policia brasileira, mas até que deu liga.

    Gostei da narrativa, bem ágil. A Lili foi um personagem bem interessante.
    Senti pouca presença da fobia, acho que se o conto fosse esticado mais um tantinho, o autor poderia investir mais nisso. O poema ficou ótimo e casou com a trama. Ponto positivo!

    Como um conto de suspense, confesso que o final me decepcionou um pouco.
    Tipo, você fica esperando uma reviravolta fantástica, tipo Agatha C., e ai vem um negócio tipo Dan Brown. Sei lá.

    Penso também que os diálogos precisam ser mais dinâmicos, mais rapidez, aproveitando para inserir traços dos personagens.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio!

  17. Virginia
    9 de junho de 2015

    Contos policiais são sempre bem-vindos! Atendeu bem ao tema, com uma fobia legal, e soube aproveitar a poesia. A história de suspense clássica ficou interessante, sem muuitas surpresas mas bem agradável de se acompanhar. A técnica é simples e fluida, sem grandes problemas. Parabéns pelo conto e boa sorte !

  18. Ana Paula Lemes de Souza
    8 de junho de 2015

    Olá! Que conto bacana, Miss Marple. Muito bem escrito, parágrafos bem divididos, leitura fluida, que prende do início ao fim.
    Como ponto negativo, quero citar que torci por todo o momento pela não participação do Della Vecchia no crime. O enredo ficou muito planificado, e isso de certa forma tira o meu “tesão” pela leitura. O óbvio não me agrada e esse roteiro terminou por ficar reto demais!
    De qualquer forma, creio que para um público infanto-juvenil seja uma ótima pedida. Ah! E a poesia é muito boa mesmo!

    Alguns erros:
    – “entre os espelhos, esculturas e grafites modernistas. Um ganido estridente soou distante, mesclado com uma melodia doce e um perfume silvestre que vinha do alto, borrifado suavemente”. = entre os espelhos, esculturas e grafites modernistas, um ganido estridente soou distante, mesclado com uma melodia doce e um perfume silvestre que vinha do alto, borrifado suavemente. (faltou a vírgula, que foi substituída erroneamente por um ponto final);
    – “sanduiche nas mãos” = sanduíche, no novo acordo ortográfico, continua com acento. Lembrando, as vogais i e u, oxítonas ou paroxítonas, continuam a ser acentuadas se a vogal que antecede estas não formar ditongo.

    Desejo-lhe sorte no desafio!

  19. Fabio Baptista
    7 de junho de 2015

    * TÉCNICA: 2/3
    A leitura fluiu fácil, embora não tenha oferecido muitos atrativos – metáforas elaboradas, tiradas sarcásticas, personalidades marcantes, etc.

    Peguei pequenos problemas durante a leitura, mas estou no celular e não anotei. Mas é coisa de um “a” trocado e uma variação de tempo verbal num dos diálogos.

    Fiquei um pouco incomodado com a repetição de palavras com proximidade, em alguns dos diálogos.

    Mas foi uma leitura gostosa.

    * TRAMA: 1/3
    Então… eu estava curtindo até o final. Mas aí achei que a coisa desandou de um jeito terrível. 😦

    Essa “reviravolta” sobre a identidade do artista não ficou legal.

    * POESIA: 2/2
    Gostei muito! Acho que poderia ter mais um ou dois blocos.

    * PESSOAL: 1/2
    Gostei da maior parte da história. O final infelizmente me decepcionou, mas levarei em conta o todo.

    * TEMA: x1
    Medo de espelhos, adequação ok!

  20. Gustavo Castro Araujo
    6 de junho de 2015

    Inevitavelmente este conto me remeteu ao desafio noir, já de longa data. Ao ler a trama, tive uma sensação de dèja vu, lembrando que naquele vez diversos contos foram prejudicados por conta da limitação imposta pelas regras — aliás, se não me falha a memória, também naquela ocasião o limite foi de 3500 palavras.

    Trago isso à memória porque mais uma vez se constata a crueldade da regra. Contos policiais são extremamente difíceis para serem resumidos a um limite desses. Aqui isso mais uma vez ficou provado.

    A ideia é muito boa. O início foi particularmente empolgante — a cena no museu, com o corpo sendo encontrado, ficou excelente. Me lembrou de “O Código da Vinci”, que li quando Dan Brown ainda não era Dan Brown. Enfim, bem escrita, mantendo o suspense ideal para prender o leitor. E lá fui eu, preso, curioso — ainda que temendo que, no fim, tudo tivesse que ser resolvido de modo apressado.

    E infelizmente — digo isso com dor no coração — meus temores se confirmaram. No instante em que o autor da mostra aparece, o tal Della Vecchia, eu pensei “por favor, não seja ele o culpado”. Mas… pimba! Não deu outra. À medida que a narrativa se desenrolava eu esperei por uma virada, por uma surpresa, algo que me dissesse que as suspeitas levantadas antes mesmo da metade da história foram infundadas. Mas, não. Della Vecchia culpado, sem que a dupla de detetives tivesse que se esforçar tanto para confirmar a suspeita. Uma investigação rápida e fácil, sem becos-sem-saída. Tudo limpo demais…

    De qualquer maneira, o texto está muito bem narrado, fluido, fácil de ler. Ganha pontos por ter inserido uma mulher como protagonista, já que normalmente homens é que figuram como tal nesse tipo de literatura. Praticamente não há erros gramaticiais e o poema casou bem com o restante da história. Aliás, quero dizer que gostei muito dos versos.

    No geral, portanto, uma história bacana, com um desenvolvimento competente, mas que me deixou um tantinho decepcionado no fim.

    Boa sorte no desafio!

  21. Leonardo Jardim
    5 de junho de 2015

    Minha avaliação antes de ler os demais comentários:

    ♒ Trama: (3/5) é boa e bem desenvolvida, mas para um texto de mistério, achei a solução muito óbvia. Nesse tema, a surpresa no final é muito importante. Podia ter guardado algumas informações para serem divulgadas apenas no final. Senti falta de um melhor desenvolvimento dos investigadores, entrar na mente deles.

    ✍ Técnica: (3/5) boa, sem erros e com narrativa fluida. Li o conto todo numa tacada só para desvendar o mistério. Mas tem alguns problemas que incomodaram, principalmente a repetição de palavras.

    ➵ Tema: (1/2) a fobia está no texto, mas não é o foco principal.

    ☀ Criatividade: (2/3) achei criativo, embora utilizando muitos elementos estrangeiros para um conto situado no Brasil.

    ✎ Poema: (1/2) é boa, mas não gostei muito da pontuação (não é necessária) e os versos poderiam ser um pouco menores (acaba diminuindo a sonoridade).

    ☯ Emoção/Impacto: (3/5) o texto prendeu do início ao fim e me fez querer saber quem era o assassino (isso é muito importante em contos policiais), mas faltou impacto no final. A resolução simples e sem muito clímax.

    Anotei só esse erro aqui, mas estava muito preso à trama pra pegar mais:
    ● aparentava ser um simples trabalhador (sem a vírgula)

  22. Claudia Roberta Angst
    3 de junho de 2015

    Nesta cena de crime, a fobia ficou de pano de fundo. O medo de espelhos poderia ser um pouco mais explorada, mas o autor preferiu privilegiar o suspense. Gosto de contos policiais, mas faltou algo aqui para mim. Talvez um pouco mais de enfoque na vítima, na sua fobia, uma revelação mais surpreendente embora o final tenha até me agradado.
    O poema está legal, bem encaixado na trama.
    Uma revisão mais cuidadosa também seria bom. Boa sorte!

  23. Evandro Furtado
    3 de junho de 2015

    Em primeiro lugar, gostei do pseudonimo.

    Realmente, as pessoas estão me surpreendendo por aqui, um conto policial? Nem imaginava.

    Gostei da maneira como apresentou a trama, só acho que podia ter desenvolvido um pouco mais pra dar aquele tom de surpresa, bem Agatha Christie, mas entendo que pelo tamanho isso dificulta um pouco as coisas.

    Você trabalhou bem o tema proposto como plano de fundo para uma boa história com personagens bem marcantes, daqueles que poderiam dar uma séries.

    Parabéns.

  24. Rubem Cabral
    3 de junho de 2015

    Olá, autor(a).

    Um bom conto policial, com certo “quê” hollywoodiano. Gostei do enredo, achei o poema instigante e apreciei tbm a investigadora e a trama. Também achei que o tema “fobia” foi bem explorado.

    Quanto ao Português, houve alguns pequenos deslizes, mas foram bem poucos, feito alguns colegas já apontaram. A narração foi simples, sem muitas firulas, porém eficiente. Contudo, esta certa frieza narrativa não me fez visualizar bem o que acontecia ou nutrir empatia pelos personagens.

    Achei bem criativa a exposição do artista. A ideia de ter incluído elementos que fizessem atiçar os sentidos foi bastante feliz.

    Não me agradaram muito os nomes dos investigadores, acho que teria escolhido algo mais nacional para ambos, embora reconheça que poderiam ter os nomes escolhidos. Aliás, o investigador Nicholas é um personagem um bocado apagado, não? Não sei exatamente que função (além de escada) ele teve no conto.

    Um bom conto! Parabéns!

    • Cácia Leal
      16 de junho de 2015

      A estrela é a Lili, Rubem Cabral! 😉 Ele é somente a sombra dela!!!… rs

  25. Brian Oliveira Lancaster
    2 de junho de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)

    E: Um clima bem interessante, misturando exposições de arte estilo americano ao Brasil.
    G: Um enredo sem muitas pretensões, mas que consegue prender o leitor. A fobia foi bem explorada, apesar de ser direcionada a uma coadjuvante da história. Notei um pouco de pressa em certas passagens, que pedia um pouco mais de desenvolvimento.
    U: A escrita é leve e competente. Mas no fim, senti que faltou um algo a mais.
    A: Acho que se encaixou bem ao tema, com uma história de detetive particular (Sherlock fez muitos fãs por aqui).

  26. Cácia Leal
    1 de junho de 2015

    Conto bem escrito e bem desenvolvido, percebi poucos erros gramaticais, que já foram apontados.
    Criatividade: Achei muito criativo e bem elaborada a trama. Um policial a la “Agatha Christie” e a menção a Miss Marple confirma isso.
    Adequação ao tema: O tema está bem descrito e a fobia está bem trabalhada.
    Enredo: O enredo é bem elaborado e com uma trama rica em detalhes. Uma detetive mulher, deferente de todos que sempre desenvolvem um homem neste papel.
    Enfim, gostei.

  27. Wallace Martins
    31 de maio de 2015

    Olá, meu caro Autor (a), tudo bem?

    Então, meu caro, sinto-lhe dizer, mas o seu conto não me agradou, olha que sou um grande fã de textos investigativos, contudo, senti que faltou uma grande elaboração na sua escrita e narração para poder criar a aura para a trama proposta, a ideia foi muito boa, contudo, se fosse para o tema investigativo ou assassinato, pois aqui como é fobia, ela foi, simplesmente, deixada de escanteio, era somente mais uma coisa presente no texto, mas não ganhava o enfoque necessário e pertinente. Faltou também uma maior elaboração deste final, o cara é um assassino, pelo que pude entender, não um assassino qualquer, mas um Serial Killer, se for assim, eles raramente se entregam, eles esperam até o último segundo, eles tentam de tudo, porque eles são egocêntrico demais para acreditar que serão presos, sempre se veem como melhores, mais inteligentes e que vão achar uma saída para tudo.

    Alguns erros de português e repetições me fizeram parar de prestar atenção na leitura e em todo o enredo, pois desgastava a leitura, tornava-a cansativa demais, fora que, o diálogo precisou também de um maior esmero, sugiro-lhe uma revisão mais apurada, uma maior leitura de romances e/ou contos, para que possa prestar atenção nestes pequenos detalhes e apreendê-los da melhor forma possível.

    No mais, desejo-lhe boa sorte e obrigado por ter compartilhado o conto conosco.

  28. Jefferson Lemos (@JeeffLemos)
    30 de maio de 2015

    Olá, Miss Marple.Tudo bem?

    Vou ser bem sincero. Não gostei do conto.

    A fobia ficou muito em segundo plano e a história não conseguiu me convencer. Os diálogos estavam fracos, as ações meio sem sentido, e a história correu demais, sem descrever, em nenhum momento, as cenas com algum tipo de emoção. O texto ficou artificial.
    O final tampouco me agradou, pois foi ainda mais simples do que o restante da história. O poema, no entanto, ficou bom.

    Talvez retrabalhar o conto possa melhorá-lo.Revisar, tirar alguns excessos, inserir novas informações, e principalmente narrar com menos superficialidade.

    De qualquer forma, parabéns pelo trabalho.
    Boa sorte!

  29. Sidney Muniz
    30 de maio de 2015

    Olá Autor(a)

    Não gostei não.

    A gramática não ajuda, falta uma revisão bem rigorosa para amenizar. O enredo não prende, diálogos precisam ser trabalhados e o suspense não existe visto que o assassino está aí. A fobia mal foi explorada, está sim no conto, mas de como mobília da casa, nem chega a ser um sofá ou uma mesa, ago bem menos importante.

    Vou deixar abaixo alguns apontamentos:

    Pela fachada de vidro, era possível ver o movimento de curiosos lá fora, impedidos de se aproximarem pelos policiais militares que guarneciam as portas do edifício em que se encontrava a galeria. – Sugiro “do lado de fora” lá fora sugere que o narrador conversa com alguém que participa da estória.

    a mulher caída e sai correndo, chamando os seguranças. – saí

    O sargento veio ao seu encontra assim que saíram do edifício. – encontro

    – Ele disse que a esposa ligou há uma hora e meia e que estava em risco. Ela é doente e ele acredita que alguma coisa aconteceu com ela. Não sei, ele tá parecendo meio confuso. – O policial explicou. – repetição de ele. 3X

    Lili e Nicholas pediram para que o levassem pra dentro, evitando os curiosos de plantão, e foram conversar na sala da administração, gentilmente cedida. – Como não se trata de diálogo o correto é “para”.

    jornais mencionavam sobre o crime e se havia alguma manifestação por parte do artista sobre o crime. – Repetição de sobre o crime.

    Repetição de “ele” e “ela” durante o conto incomoda bastante. Sugiro uma releitura e revisão.

    Bom, algumas coisas já foram apontadas, não vou me alongar muito.

    No mais, desejo boa sorte e que utilize-se das dicas dos amigos para crescer.

  30. Rogério Germani
    29 de maio de 2015

    Olá, Miss Marple!

    O conto investigativo é interessantíssimo,mas acabou afastando-se da fobia que, ao meu ver, serviu apenas de pista para os investigadores.

    Vamos à análise do conto

    Pontos fortes

    1- Técnica e linguagem apropriadas para prender a atenção do leitor.

    2- Trama repleta de dinamismo.

    3- Poema bem elaborado, coerente com o texto.

    Pontos negativos

    1-O modo como a fobia ficou em segundo plano, servindo apenas como mais um simples caso a ser investigado. Pensei que encontraria a vítima exibindo os sintomas da eisoptrofobia momentos antes da morte…

    2-O final ficou muito acelerado: de uma hora para outra, o artista autoconfiante se revela o culpado apenas ouvindo algumas insinuações? Pareceu-me inverossímil.

    3- “que até então já parecia suspeito até demais.”
    Para evitar a repetição da palavra até, a frase poderia receber alterações tipo:

    que até então já parecia suspeito por demais.
    ou
    que até então já parecia deveras suspeito.

    “um mandado de busca a apreensão”
    = busca e apreensão

    Parabéns pelo conto e boa sorte!

E Então? O que achou?

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Publicado às 29 de maio de 2015 por em Fobias e marcado .