EntreContos

Literatura que desafia.

Recomeço; um registro do início do fim (Victor O. de Faria)

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Não se preocupe. Tudo, um dia, havia de chegar a este ponto. Só não esperava me unir ao cosmos desta forma. Mas deixo-lhe um consolo: em cada raio de sol, em cada brilho intenso invadindo seu quarto, em cada novo jardim prometido, lá estarei. Nunca se esqueça disso!

Adeus! Sempre te amarei, mesmo que, no final, me transforme em poeira de estrelas…

ALERTA DE COLISÃO! ALERTA!

O alarme soou novamente. Vou ignorá-lo, mas está na hora. No entanto, antes de partir, gostaria de deixar-lhe um registro dos acontecimentos. Quando as ondas de rádio atingirem o planeta, conte aos meus futuros netos o que descobrimos. Diga-lhes que seu avô era um homem de fé.

Encontramos na Nebulosa do Caranguejo algo além da compreensão. As forças gravitacionais envolvidas eram (e são) incalculáveis. É claro que tomamos as devidas precauções. Mas a mente humana é pequena demais para os mistérios do universo. Não prevíamos aquilo. Ainda estou perplexo e tentando manter a cabeça no lugar.

Não sei como este relato chegará a você. Provavelmente fragmentado. Devido a isso, utilizando o restante de minha sanidade, resolvi enviá-lo em pequenos parágrafos – que poderão ser lidos corretamente ou então, de baixo para cima, como um palíndromo. Você entenderá.

Chegamos à orla interior, mesmo com os avisos persistentes. O quadrante inteiro está cercado por nuvens, de formas variadas. Nosso veículo começa a apresentar rachaduras. Quanto à tripulação… Permanecem vagando entre dois extremos psicológicos: pavor e admiração. Os dados nos dizem que existem vários tipos de gases ao nosso redor, como carbono, nitrogênio, oxigênio e um que não consegui identificar. Então…

Estou em meio a devaneios sem sentido, como se o próprio tempo não existisse. Algo persiste em afetar minha percepção. Essas leituras estão mesmo corretas? O que estamos fazendo?

Espere! Meu bom Deus, como não havia percebido? A luz… O enxofre!
Devo estar sofrendo algum tipo de alucinação. Veja! Um brilho elétrico percorre a tela! O indescritível e colossal horizonte pisca para mim. Uma onda massiva acaba de se formar. O vento estelar sopra e arrasta consigo uma escuridão pulsante, um elemento literalmente vivo, quase…

… VERMELHO… ALERTA VERMELHO! ATENÇÃO! FALHA NA ESTRUTURA DORSAL. A INTEGRIDADE DA TRIPULAÇÃO ESTÁ COMPROMETIDA!

(Por alguns instantes, a linha ficou muda).

Desculpe. Tudo isso ultrapassa o limite do inacreditável, do inconcebível. Estou fazendo associações desconexas, mas incrivelmente familiares. O que diziam os últimos textos sagrados? Uma criatura celestial seria aprisionada em local semelhante – um abismo – no fim dos tempos. E estamos a mais de seis mil anos-luz da Terra. Relatividade!

Está acontecendo!

Preciso me acalmar. Foco! O capitão insiste. Devemos cumprir nosso objetivo, a qualquer custo: registrar o conhecimento perdido de eras passadas. Lamento pela sua falta de imaginação. Se você pudesse ver! As ondas, o mar! Uma pérola de trinta quilômetros no meio do oceano – uma estrela de nêutrons! E, em seu interior…

(Naquele instante, os motores pararam. A fusão cessou. Foram puxados para dentro do quadrante inexplorado, como se pouco a pouco uma mão invisível os estivesse arrastando em agonia para o interior da nebulosa. Uma formação de nome tão comum, para um evento de tamanha magnitude. A última transmissão do único ser humano ainda lúcido voltou a ser enviada, através das fronteiras desconhecidas do espaço).

O que somos nós? Um mísero filamento de carbono perante o vazio do vácuo? Um grão de areia no agitado mar de forças desconhecidas? Sei apenas o que sou – um homem em busca do conhecimento que pulsa nas entranhas do universo. E tive o privilégio de ser agraciado com uma revelação.

O que lhe aguarda, valerá uma vida. Acredite!

Infelizmente, não a verei novamente. Talvez nunca mais. Deixo este estranho relato para que saiba que, onde você estiver, estarei olhando… Mesmo que das profundezas de uma nebulosa. Difícil de acreditar, não é mesmo? Explicarei, em seu devido tempo.

MENSAGEM SENDO TRANSMITIDA.

Infelizmente, não a verei novamente. Talvez nunca mais. Deixo este estranho relato para que saiba que, onde você estiver, estarei olhando… Mesmo que das profundezas de uma nebulosa. Difícil de acreditar, não é mesmo? Explicarei, em seu devido tempo.

O que lhe aguarda, valerá uma vida. Acredite!

O que somos nós? Um mísero filamento de carbono perante o vazio do vácuo? Um grão de areia no agitado mar de forças desconhecidas? Sei apenas o que sou – um homem em busca do conhecimento que pulsa nas entranhas do universo. E tive o privilégio de ser agraciado com uma revelação.

(Naquele instante, os motores pararam. A fusão cessou. Foram puxados para dentro do quadrante inexplorado, como se pouco a pouco uma mão invisível os estivesse arrastando em agonia para o interior da nebulosa. Uma formação de nome tão comum, para um evento de tamanha magnitude. A última transmissão do único ser humano ainda lúcido voltou a ser enviada, através das fronteiras desconhecidas do espaço).

Preciso me acalmar. Foco! O capitão insiste. Devemos cumprir nosso objetivo, a qualquer custo: registrar o conhecimento perdido de eras passadas. Lamento pela sua falta de imaginação. Se você pudesse ver! As ondas, o mar! Uma pérola de trinta quilômetros no meio do oceano – uma estrela de nêutrons! E, em seu interior…

Está acontecendo!

Desculpe. Tudo isso ultrapassa o limite do inacreditável, do inconcebível. Estou fazendo associações desconexas, mas incrivelmente familiares. O que diziam os últimos textos sagrados? Uma criatura celestial seria aprisionada em local semelhante – um abismo – no fim dos tempos. E estamos a mais de seis mil anos-luz da Terra. Relatividade!

(Por alguns instantes, a linha ficou muda).

… VERMELHO… ALERTA VERMELHO! ATENÇÃO! FALHA NA ESTRUTURA DORSAL. A INTEGRIDADE DA TRIPULAÇÃO ESTÁ COMPROMETIDA!

Devo estar sofrendo algum tipo de alucinação. Veja! Um brilho elétrico percorre a tela! O indescritível e colossal horizonte pisca para mim. Uma onda massiva acaba de se formar. O vento estelar sopra e arrasta consigo uma escuridão pulsante, um elemento literalmente vivo, quase…

Espere! Meu bom Deus, como não havia percebido? A luz… O enxofre!
Estou em meio a devaneios sem sentido, como se o próprio tempo não existisse. Algo persiste em afetar minha percepção. Essas leituras estão mesmo corretas? O que estamos fazendo?

Chegamos à orla interior, mesmo com os avisos persistentes. O quadrante inteiro está cercado por nuvens, de formas variadas. Nosso veículo começa a apresentar rachaduras. Quanto à tripulação… Permanecem vagando entre dois extremos psicológicos: pavor e admiração. Os dados nos dizem que existem vários tipos de gases ao nosso redor, como carbono, nitrogênio, oxigênio e um que não consegui identificar. Então…

Não sei como este relato chegará a você. Provavelmente fragmentado. Devido a isso, utilizando o restante de minha sanidade, resolvi enviá-lo em pequenos parágrafos – que poderão ser lidos corretamente ou então, de baixo para cima, como um palíndromo. Você entenderá.

Encontramos na Nebulosa do Caranguejo algo além da compreensão. As forças gravitacionais envolvidas eram (e são) incalculáveis. É claro que tomamos as devidas precauções. Mas a mente humana é pequena demais para os mistérios do universo. Não prevíamos aquilo. Ainda estou perplexo e tentando manter a cabeça no lugar.

O alarme soou novamente. Vou ignorá-lo, mas está na hora. No entanto, antes de partir, gostaria de deixar-lhe um registro dos acontecimentos. Quando as ondas de rádio atingirem o planeta, conte aos meus futuros netos o que descobrimos. Diga-lhes que seu avô era um homem de fé.

ALERTA DE COLISÃO! ALERTA!

Adeus! Sempre te amarei, mesmo que, no final, me transforme em poeira de estrelas…

Não se preocupe. Tudo, um dia, havia de chegar a este ponto. Só não esperava me unir ao cosmos desta forma. Mas deixo-lhe um consolo: em cada raio de sol, em cada brilho intenso invadindo seu quarto, em cada novo jardim prometido, lá estarei. Nunca se esqueça disso!

Fim do início do registro um; Recomeço.

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29 comentários em “Recomeço; um registro do início do fim (Victor O. de Faria)

  1. tamarapadilha
    12 de julho de 2014

    Criativo e bem escrito. O enredo não me atraiu particularmente mas ficou bom. Parabéns.
    A frase “O que somos nós? Um mísero filamento de carbono perante o vazio do vácuo? Um grão de areia no agitado mar de forças desconhecidas?” me chamou atenção.
    Boa sorte.

  2. Bia Machado
    10 de julho de 2014

    Gostei da forma como a narrativa se desenvolveu, muito bacana o “looping”, imagino a dificuldade que deve ter dado pra fazer isso de uma forma que quem lesse achasse positiva a ideia, porém não me envolvi, não houve um personagem que me cativasse, e isso diminuiu um pouco o gosto da leitura, no meu caso, claro. Mas parabéns!

  3. Rodrigues
    3 de julho de 2014

    Acho que um conto como esse – no qual perdemos a noção de espaço e flutuamos com os personagens – merecia algumas descrições mais criativas e elaboradas. Por exemplo, dois contos que já li em concursos anteriores na Entrecontos, como “O Universo Antes do Universo” e “Musas Marcianas Selvagens”, conseguem nos passar essa sensação do infinito universal – nós, humanos, tão pequenos no cosmo sem sentido – através de personagens, lugares e objetos completamente fora do comum, levando nossa imaginação realmente e algum lugar no espaço. É disso que senti falta aqui. A narrativa do texto é primoroso e tudo se encaixa. Realmente, o palíndromo – que muito me lembrou o walkie-talkie da série Lost – foi bem empregado, mas poderia ser um pouco menor. Ao final, a reconstrução dos parágrafos, terminando com uma mensagem emocionada, foi o mais legal do conto.

  4. felipeholloway2
    2 de julho de 2014

    Do ponto de vista técnico, o conto está muito bem escrito, e, apesar de se tratar de ficção científica, não cai na armadilha clássica de soar artificialmente expositivo. A mensagem à deriva no espaço interestelar parece retomar, em escala amplificada, o mote do bilhete engarrafado e lançado ao mar por um náufrago. A solidão e pequenez diante do insondável, bem como o reforço de elos afetivos como forma de não sucumbir ao desespero que o colosso e o sublime (na acepção proposta por Kant, do horror a certas grandiosidades naturais, como um precipício ou uma tempestade em alto-mar) nos infundem, conferem densidade ao personagem, bem como aos eventos que narra de forma quase desconexa. A retomada invertida da mensagem me pareceu um artifício apenas parcialmente justificado, e talvez merecesse maior atenção numa possível revisão.

    Um texto que sem dúvida vale a releitura.

  5. Swylmar Ferreira
    2 de julho de 2014

    Gostei do conto!
    A ideia central é muito boa, pecou um pouco na narrativa.
    John Bevis, em minha opinião, veja bem, se você tivesse diminuído um pouco no looping teria ficado mais interessante.
    Sempre gosto de misturas, principalmente ficção e terror.
    Parabéns e sorte.

  6. Cristiane
    2 de julho de 2014

    O autor domina bem a narrativa e a qualidade da escrita me cativou. Uma sensação de despedida ecoando tornou a leitura bastante interessante.

    A estrutura diferente me chamou a atenção e dou grande valor a isso. Cansada de mais do mesmo. rs

    Parabéns e boa sorte no desafio!

    • Cristiane
      2 de julho de 2014

      “mais do mesmo” não se refere a seu texto. rsrsrs Só para deixar bem claro. Abraços novamente!

  7. Thata Pereira
    30 de junho de 2014

    A ousadia do autor chama bastante atenção, mas o conto não me agradou. Achei interessante a estrutura. Encarei de uma forma romântica, pois recordei uma poesia que lia muito na infância, mas não sei o nome. Uma que lida de cima para baixo tem um sentido e debaixo para cima tem outro. Atribuem a autoria à Clarisse Lispector, porém, há controvérsias.

    O conto não é ruim, mas, infelizmente, os sentimentos foram simples ao extremo. É claro que considerei a situação que o personagem principal passava, mas também imaginei a frustração de quem receberia a mensagem.

    Boa sorte!!

  8. JC Lemos
    25 de junho de 2014

    Achei a ideia legal, e o conteúdo do conto, como já foi citado, essa mescla de religião e ciência é algo que aprecio muito. Entretanto, senti falta de algo que desse mais consistência ao texto. Faltou emoção, ao meu ver.

    De qualquer forma, está de parabéns, e espero que outros possam apreciar mais do que eu.

    Boa sorte!

  9. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Achei bem interessantes a proposta e o conto. Sinto falta de uma trama mais concreta, mas isso é questão de gosto pessoal, não deve se refletir em seu texto.

  10. Edivana
    15 de junho de 2014

    Boa noite,
    Bem, ainda não tinha lido nesse estilo espelhado, e no começo fiquei meio irritada, tipo, vou ter que ler de novo? Quero ler mais do texto original, mas depois entendi sua proposta e achei legal, mas não muito bem executada. Já sugeriram uma forma de fazê-lo melhor e concordo com os outros colegas. Na verdade o tema não é muito do meu agrado, isso é pessoal, nada contra a sua narrativa, que é boa! Achei muito bom o primeiro que se torna o último parágrafo. Boa sorte!

  11. Anorkinda Neide
    14 de junho de 2014

    Infelizmente, a coisa toda ficou nebulosa pra mim, não entendi o que aconteceu. e a repetição ficou chata, podia-se saber que a mensagem se repetia, sem necessariamente fazer o leitor ler tudo novamente…rrsrsrs
    Sei lá, inovador demais pra mim.

    Abração

  12. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Eu gostei do texto, essa mescla de religiosidade e ciência me agradam.
    A forma como o texto foi trabalhado me incomodou em certos pontos ao mesmo tempo em que me atraiu.
    Enfim, gostei.
    Boa sorte no desafio.

  13. Eduardo Selga
    11 de junho de 2014

    Costumo dizer que na composição do conto a técnica narrativa é mais relevante que a “estorinha”. E reafirmo. Porém, o enredo não pode se transformar num mero pretexto para a demonstração da técnica. Dores e/ou alegrias humanas precisam haver.

    O conto é muito bom, mas apenas do ponto de vista do domínio de técnicas narrativas. Por causa disso, ficou um tanto engessado, faltando mais o elemento humano, redundando numa falta de tencionamento, apesar de a narrativa “gritar” alertas vermelhos.

    Simbolicamente, o espelhamento e o palíndromo podem ser entendidos, no conto, como uma alegoria do conceito que temos de universo, infinito e, de certa maneira, repetitivo em seus elementos, desde estruturas macro (recentemente descobriu-se um planeta muito semelhante à Terra) até os fractais.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    10 de junho de 2014

    Aprecio estes contextos. Mas, como os colegas disseram, talvez faltou um pouco mais de desenvolvimento interno – se é que isso é possível, devido ao estilo. Isso me lembra aquelas contos com restrições ou acrósticos (em que cada letra do parágrafo forma uma palavra no final do texto). Já vi até um sem verbos! Um belo desafio.

  15. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2014

    Bom, devo dizer que ficção científica não costuma me agradar muito. Gostei da ousadia da construção narrativa, embora o espelhamento de parágrafos tenham me passado a princípio uma ideia errônea – o autor confundiu-se e repetiu as passagens. Enfim, admiro quem se joga e explora novas possibilidades. Boa sorte!(Fim do registro)

  16. rsollberg
    6 de junho de 2014

    Uma construção muito peculiar. A ideia é muito original. Pra falar a verdade, gostei mais da estrutura da ideia do que propriamente do texto em si, O interessante é que o estilo é, na realidade, a própria trama.

    Muito ousado. Adorei a proposta.

    Parabéns e boa sorte!

    Adorei a proposta. Muito Ousado
    O interessante é que o estilo é, na realidade, a própria trama.
    Pra falar a verdade, gostei mais da estrutura da ideia do que propriamente do texto em si, A ideia é muito original..

  17. mariasantino1
    6 de junho de 2014

    Putz! Gostei demais! Demais, mesmo. Alguns sabem usar a ficção científica para diversos propósitos e o que vi aqui foi uma mescla de palavras que despertam um turbilhão de sentimentos (talvez seja por me interessar pela escrita e gênero). Gostei do ir e vir, gostei da ânsia e imagens criadas. Há um choque de realidades boas aqui.
    .
    Parabéns, abraços e muito bom desafio para você.

  18. Jefferson Reis
    6 de junho de 2014

    Gostei!

    Adorei o encontro de religião e ciência.

    O conto me lembrou “Manuscrito encontrado em uma garrafa”, de Edgar Allan Poe. Gosto muito de narrativas assim, literatura especulativa é o máximo.
    Não gostei do desdobramento, no entanto. O “loop” poderia ser mostrado de outra forma. E também sou da opinião de que o conto merecia mais conteúdo, como comentaram antes de mim.

    O “loop” poderia ser o clímax de uma narrativa maior, mais trabalhada, com personagens mais “sólidos”, se é que isso existe.

    Foi uma leitura inspiradora. Ficção científica, amamos você.

    • John Bevis
      6 de junho de 2014

      Agradeço o comentário e sugestões. Uma narrativa maior e mais sólida demandaria maior complexidade e equações quase matemáticas para a inversão. No entanto, poderia ter me alongado mais no conteúdo… e enlouquecido junto no processo. Mas esse é o preço da escrita! Tentarei ser mais prolixo na próxima.

  19. Rafael Magiolino
    5 de junho de 2014

    Bom, vamos lá. Ideia boa, porém mal executada. A repetição de parágrafos chegou a me confundir em alguns momentos. Acredito que se a narrativa fosse feita em terceira pessoa, o resultado final seria muito mais satisfatório.

    Entretanto, sua intenção e coragem de tentar inovar merece respeito. São poucos os textos de ficção científica parecidos com esse estilo atualmente.

    Além do mais o texto foi bem escrito. Abraço!

  20. Davi Mayer
    5 de junho de 2014

    Também não gostei muito do conto, e como relatado abaixo, contos em formato de relato, diário… e muito dos contos propostos até agora estão nesse sentido… acho que é isso que está cansando um pouco. Tem que ter mais originalidade e formas de abordar a história.

    Algo que me incomodou um pouco também foi o tempo presente, quando ele dizia algo que já se passou.

  21. Pétrya Bischoff
    5 de junho de 2014

    Gostei da ideia central; me agradam muito as cousas dos Universos. De certo modo, foi legal essa transmissão eterna, mas pode ser mal recebida pelos leitores. Ousado, enfim. Boa sorte.

  22. rubemcabral
    5 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: a ideia central, o comprometimento da causalidade, o loop temporal, o “palíndromo” construído ao redor da frase central (MENSAGEM SENDO TRANSMITIDA).

    Pontos fracos: a ousadia de espelhar o texto, dobrá-lo ao redor da já citada frase central, cobrou seu preço, pois há muita repetição, muito déjà vu para o leitor. Como o conto é curto, acabou também por não permitir muito desenvolvimento das personagens.

    Sugestões de melhoria: insinuar o loop, ao invés de mostrá-lo em sua completitude. Isso permitiria também estender o conto um pouco mais, dar mais “carne” e alma às personagens.

    Conclusão: o conto é bom e bem escrito. Penso, no entanto, que a tentação da “forma”, de fazer do texto uma imagem “teste de Rorschach”, comprometeu o seu desenvolvimento em outras áreas.

    • rubemcabral
      5 de junho de 2014

      Ah, relendo notei uma insinuação bíblica: 6 mil anos-luz, 6 mil anos, o tempo de existência da Terra segundo a bíblia. O demônio seria o tal prisioneiro, não?

      Um detalhe técnico me incomodou: carbono em gás? A nave estaria num meio a mais de 3900 graus Celsius?

      • John Bevis
        6 de junho de 2014

        Novamente, agradeço as críticas. Quantos aos detalhes: 6 mil anos luz de distância é o tempo para se chegar à esta nebulosa, segundo estudos – o que, coincidentemente, tem a ver com o sentido simbólico sagrado. Quanto ao inimigo aprisionado, foi referência direta (lembrando que este texto é uma “ficção”, não o sentido real. O último livro é recheado de eventos simbólicos, alguns reais). Agora, quanto ao carbono, a wikipédia diz que sim hehe, mas convenhamos, ninguém foi até lá para dizer se isso é verdade ou não. Quanto ao tamanho, foi bem complicado defini-lo (ler e reler para que fizesse sentido é cansativo). Neste caso quis dar maior valor à inovação, mas pelo visto, falhei no meio do caminho.

  23. Fabio Baptista
    4 de junho de 2014

    Não gostei.

    A ideia é ousada, mas não foi muito bem explorada, na minha opinião. O trecho repetido parece mais o CTRL + C / CTRL + V de um autor distraído do que algo proposital.

    Já estou meio saturado (isso é totalmente subjetivo) desses textos estilo relato, diário, etc. Tem que ter algum diferencial na escrita ou na trama central para que esse tipo de história me agrade. Infelizmente, não encontrei nenhum dos dois aqui.

    Aqueles trechos entre parênteses, onde se explica o cenário ficaram meio perdidos.

    Eu tiraria todo o trecho repetido, exceto o primeiro / último parágrafo (que aliás, ficou muito bom). Já daria uma boa ideia do “loop”. Tiraria também o narrador diferenciado (texto em itálico)… esses eventos poderiam muito bem ser narrados pelo próprio piloto.

    (Só gostaria de deixar claro que não sou crítico profissional, tampouco um mestre da escrita… tudo que digo aqui é baseado no meu gosto pessoal e com a intenção de oferecer um ponto de vista sincero ao autor. Pode servir melhor para uns do que para outros, não é uma questão de certo e errado, muito menos uma ciência exata).

    Abraço!

    • John Bevis
      6 de junho de 2014

      Agradeço as críticas. Quanto ao estilo relato, eu já possuía esse texto “engavetado” e nem havia lido os concorrentes quando o enviei. Chame isso de coincidência irônica. E posso afirmar que não foi preguiça – fazer com que o texto tivesse sentido de baixo para cima, de cima para baixo, do meio para cima, do meio para baixo ou tudo isso de forma inversa, deu um trabalho “desgraçado”. E possui algumas diferenças sutis dependendo de como você o lê. O trecho repetido poderia ter sido melhorado mesmo, concordo, mas se eu colocasse uma observação no final do tipo “agora leia de baixo para cima” – ninguém ia fazer isso.

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Publicado às 3 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .