EntreContos

Literatura que desafia.

Questão de Honra (Victor O. de Faria)

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I

Ainda não conseguia lembrar-se de quem realmente era. Tinha certeza apenas de um fato: possuía o gatilho mais rápido do oeste.

Naquela manhã empoeirada, a cidadezinha de Nova Vitória iria mudar com a chegada da filha do prefeito, Catherine. Enquanto isso, o desconhecido tomava uma bebida qualquer no único bar disponível.

Foi neste mesmo local que ouviu aquele som pela segunda vez, metal sendo arrastado pelo chão. Exclamou ao atendente:

– Tire as pessoas daqui!

Após o primeiro tiro acertar seu copo e quebrá-lo, sabia o que viria a seguir. Não se moveu. Ouviu um zumbido. E o caos tomou conta de tudo. As garrafas foram destruídas. Os bancos, erguidos pela força dos projéteis. As paredes, que seguravam os cartazes de procurados, desabaram por completo permitindo que os tímidos raios de sol entrassem. O zunido cessou.

Sacudiu seu chapéu, colocou a mão na cintura e preparou para sacar sua estranha arma triangular. Uma metralhadora modificada apontava três feixes de luz para sua testa. Lá fora, o padre tentava afastar a criatura com um símbolo e um livro sagrado, enquanto as pessoas corriam em desespero. Era a primeira vez que presenciavam algo assim. A criatura de metal, de mais de três metros de altura, ignorou a gritaria e marcou seu alvo.

– Padre. Saia daí. O monstro me persegue há dias. Tá na hora de acertar as contas.

O desconhecido falava de forma engraçada para os habitantes daquela cidade. Um misto de mendigo com advogado, segundo alguns párias.

Visto de longe parecia um sapo gigante de outro mundo, pois seus braços e pernas eram pequenos em comparação à sua cabeça. Com uma visão de cento e oitenta graus estudava o ambiente, através de seu assustador olho vermelho. O desconhecido notou que a metralhadora ainda resfriava. Foi neste instante, quando a criatura de metal resolveu utilizar o outro braço, que o impensado aconteceu.

Seu braço foi arrancado e lançado longe. Um feixe de luz o atingiu.

O desconhecido empunhava a arma triangular. Fumaça ao redor indicava que algo havia saído daquele cano incomum.

– Tenho que consertar essa coisa.

Andou um pouco e ficou cara a cara com a criatura. Apontou novamente para seu olho.

– Fale! Por que me persegue? Quem são vocês, cães sarnentos?

Um inesperado empurrão vindo do braço que havia sobrado o fez voar alguns metros. A parede que restava do bar caiu de vez. Não muito longe dali, a carruagem de Catherine se aproximava. O condutor percebeu a balbúrdia e diminuiu a velocidade. Os cavalos estavam assustados. A criatura ignorou o desconhecido quando seu olho inquisidor alterou o foco para o cristal pendurado no pescoço da filha do prefeito. Engatilhou a arma que havia sobrado.

Imediatamente o desconhecido se livrou do feno e da madeira quebrada e correu em sua direção. Pulou na frente da criatura e acertou seu olho. Os sistemas entraram em curto e a carcaça sem vida tombou sobre seu próprio corpo. Catherine estava visivelmente assustada com o desenrolar da situação.

– Me desculpe senhorita. O monstro se interessou pelo seu colar.

– Mas o que em nome do céu e da terra é esta coisa?

– Também tô atrás de respostas. Encontrei isso nos limites da cidade e desde aquele dia, esse cão do inferno me persegue.

Recuperando o fôlego, continuou.

– Agradeço a gentileza, senhor… Como devo chamar o meu salvador?

– Não tenho nome senhorita.

– Não tem nome? Ora, que fato inusitado.

– Na verdade, não lembro.

– Tudo bem… Desconhecido. Será perdoado pela indelicadeza diante da filha do prefeito… Apenas se me acompanhar como protetor por esta cidade tão perigosa e barulhenta.

– Ora… Peço desculpas senhorita, mas não tenho tempo pra isso. Tô numa busca.

– Mas que audácia. É uma ordem. Ou será preso imediatamente.

Sacudiu novamente a poeira do chapéu e quando estava disposto a concordar em ser preso, olhou atentamente o colar de sua anfitriã. A criatura estava atrás daquele ornamento. Seria uma boa oportunidade para estudá-lo.

– Tá certo, senhorita…

– Catherine Amber Manchester.

– Ok…

As pessoas que antes se afastaram da criatura retornaram aos poucos às suas casas. Algumas crianças insistiam em cutucar a carcaça que restara, ignorando a ordem de seus pais – o que de certa forma era compreensível, pois jamais haviam visto tal coisa. Os adultos costumavam contar histórias de terror, mas nada era como aquilo.

O desconhecido acompanhava a certa distância os passos de Catherine.

– Desconhecido e calado…

– Se tivesse algo pra lhe contar, com certeza não taria aqui. Mas, diga, senhorita. De onde veio esse colar? Presente de família?

– Foi encontrado por meu pai no meio do deserto.

– No deserto de Saora?

– Sim. Impressionado? – perguntou, de forma cautelosa.

– Já tive lá. Ou seu pai é muito bom… Ou muito burro.

– Como se atreve? Papai é um dos melhores arqueólogos da região. Além, é claro, de ser um ótimo prefeito desta cidade.

– Tenho que concordar que Nova Vitória é acolhedora, tirando um aqui, outro ali.

Apontou para ela. Virou seu rosto e fez um bico. O que, ironicamente, comprovava o que estava dizendo. Teve de encerrar a conversa quando um grupo de homens armados o abordou. O detentor da estrela dourada foi o primeiro a falar.

– Ouvi dos cidadãos que o monstro estava atrás de você. Seria uma boa ideia se deixasse nosso distrito. Mas… Por ter salvado a filha do prefeito Alexander, vou lhe dar um voto de confiança. Esta noite pode ficar no hotel dos Richard, mas amanhã deve partir.

– Xerife! Ele é meu protetor!

O desconhecido baixou a cabeça e fez um sinal com os dedos, tocando a aba de seu chapéu. O grupo armado se retirou, incluindo o xerife.

– Vai me deixar sozinha?

– Pra sua segurança, sim.

– E se alguém tentar me atacar novamente?

– Apenas não pare de falar. Ele vai desistir depois de alguns minutos. Garanto.

Acertou um tapa em sua face, com satisfação, e o deixou. Realmente não estava tendo um bom dia. Voltou ao local do incidente e examinou o braço decepado. Retirou a arma de seu coldre e a analisou. O material era incrivelmente semelhante. Uma criança se aproximou.

– Senhor Desconhecido! É verdade que essas criaturas saem debaixo da terra pra nos atormentar? Dizem que seu lar é um vulcão de lava, assim… Cheio de fogo por todos os lados. E sofrimento.

– Não sei garoto.

– Eu sou Harold. Ouvi essa história do prefeito.

– Do prefeito é? Harold; quero que fique com isso e guarde pra mim. É um segredo, ok?

Seus olhos brilharam quando o desconhecido removeu o chip do braço da criatura e o entregou. Aquela peça estaria mais segura nas mãos de uma criança de imaginação fértil. No outro dia, antes de sair da cidade, falaria com o prefeito. Dispensou o garoto e pegou uma pá. Era preciso enterrar aquela coisa. Não queria trazer mau agouro e problemas àquela cidade.

Depois de aproximadamente três horas, estava esgotado. Pensou ter visto luzes no horizonte – apenas o trem em sua última viagem da noite. Seguiu para o hotel. O atendente o olhou de forma desconfiada, mas permitiu que subisse. O que mais queria agora era colocar lenha na fogueira e tomar um bom banho na banheira suntuosa.

Alguém bateu na porta.

– Entre.

Uma mulher alta, de cabelos ondulados e profundos olhos verdes, o encarou.

– Trouxe roupas novas, senhor…

– Me chamam de “Desconhecido”. Muito agradecido. Mas qual o motivo?

– Meu irmão mais novo gosta do senhor. Não são muitos que o deixam tão entusiasmado. Falar nisso, meu nome é Rosa.

– Rosa… É melhor seu irmão ficar afastado de mim.

Virou o rosto e olhou para o chapéu sobre a cama, o casacão, as botas no chão e suas armas estranhas, dotadas de símbolos e escritos indecifráveis. Um dos desenhos parecia um leão. Notou que aquilo a incomodou.

– Senhorita. Quero terminar meu banho.

– Já vi essas coisas. Outro homem utilizava armas iguais. Riam de sua cara e quase todo dia era convocado prum duelo. Armas triangulares? Onde já se viu? Mas ganhou todas.

O desconhecido se interessou pela história. Saiu da banheira de repente, pegando-a de surpresa. Virou-se, constrangida.

– Quem era? Sabe seu nome?

– Já se vestiu?

– Já.

– Se não me engano… Ramires.

E saiu, desejando uma boa noite. Deitou e permaneceu pensativo. As novas roupas eram bem confortáveis. Em meio a devaneios e sonhos incompletos teve uma lembrança. Uma estrutura gigante revestida por materiais desconhecidos permanecia enterrada no meio do deserto. Não se parecia com nada que já havia visto. Ele já estivera lá. Estava certo disso.

Então, a manhã se fez presente.

Coçou a barba. A luz do Sol começava a incomodar. Acordou. Esticou bem os braços, colocou o cinto com as armas e ajeitou o chapéu. Pegou o casacão e desceu. Vestiu no caminho. Cumprimentou o atendente e saiu. Olhou ao redor.

Algumas pessoas caminhavam, outras conversavam. As crianças corriam ao redor dos cavalos. Tudo estava tranquilo e normal, exceto pelo pequeno amontoado de terra no meio do caminho. Seguiu até a pousada do prefeito, construída sobre uma elevação quase na saída da cidade. Era maior que todas as outras, indicando que fazia questão de ostentar seu poder.

O nome “Ramires” não saía de sua mente. Talvez o prefeito pudesse conhecê-lo. Bateu palmas.

Uma mulher esbelta, loira e vestida com uma saia grandiosa cheia de dobras e pedras preciosas, o atendeu.

– Ah… É você.

– Prazer em revê-la também, senhorita.

– Papai! O ser desprezível gostaria de falar com o senhor. Aguarde aqui, senhor desconhecido.

Um homem quase idoso, vestido com muita pompa, retirou seu chapéu alto e o cumprimentou com a mão que não segurava a bengala de apoio. Convidou-o a entrar, para desespero de Catherine.

– Agradeço por ter salvado minha filha das garras do monstro ontem à tarde.

– Não foi nada.

“Nada”? Catherine enrubescia cada vez mais.

– O que posso fazer por você, antes de partir?

– Sua filha disse que é um grande arqueólogo.

– Fui meu rapaz. Tempos que não voltam mais. Minha filha gosta de nutrir meu ego. Ela fala demais.

O desconhecido a olhou com um sorriso sarcástico. Recebeu um olhar furioso em resposta.

– Preciso saber uma coisa. O senhor já viu algo parecido com isso?

Retirou a arma do coldre. Alexander pegou os óculos em cima da escrivaninha.

– Ora, ora. Não vejo uma dessas desde que Ramires acabou cum os homens do xerife no deserto de Saora. Aquele desalmado desapareceu sem deixar vestígios. Onde conseguiu uma dessas?

– Esse é o problema. Não sei.

– Problemas de memória, filho?

– Por isso vim pedir uma carruagem e suprimentos. A resposta deve tá no deserto. Tenho sonhado com isso há dias.

Catherine, atenta a tudo, aproveitou a oportunidade.

– Só se eu for junto!

– Está louca filha?

– Papai; você me prometeu que iríamos viajar e conhecer o mundo um dia. Ouço isso desde que… Minha mãe morreu. E o máximo que o senhor faz é me trazer a esta cidade suja e empoeirada. E tem mais… – Procurou lembrar-se de outras coisas.

– Certo; certo…

Dessa vez o olhar sarcástico foi para ele.

– Senhor Alexander. Sua filha vai tá em perigo se for comigo. Não sei o que vou encontrar por lá. E o Sol escaldante? Se a moça acha ruim aqui, quem dirá no deserto.

– Nossa diligência é praticamente uma casa. Tenho tudo o que preciso lá, para sua informação.

– Mas…

– Está decidido! Leve minha filha junto e terá seus suprimentos. E traga-a de volta inteira! Se ela tiver um arranhão se quer, mando executá-lo em praça pública!

– Ouviu bem, senhor Desconhecido?

Aquele dia começou bem. Se o dia anterior já tinha sido péssimo, agora tinha de servir de babá. Voltou à cidade e despediu-se do garoto e da mulher gentil.

A diligência de seis rodas e quatro cavalos estava pronta. Catherine subiu segurando um guarda-sol rosa bordado. Ignorou a mão estendida. Aquela seria uma longa viagem.

O caminho foi percorrido de forma silenciosa e sem grandes problemas. Atravessando a estrada de terra se encontrava o desfiladeiro que separava a cidade do deserto. A ponte, larga, comportava a diligência e os cavalos tranquilamente. Sua preocupação era o peso.

Deixou esses pensamentos de lado quando avistou uma sombra além da ponte. Não conseguiu identificar à primeira vista.

– Senhorita! Fique aí dentro e não saia.

– Ora, por que motivo?

Um tiro passou de raspão no braço do desconhecido, arrancando um pedaço da madeira superior da carroça.

– Fique aí!

O desconhecido ordenou e os cavalos pararam por completo. Desceu. O tiro fora apenas de raspão, mas sentiu a queimadura. Imediatamente colocou a mão sobre o coldre.

– Quem é?

Não houve resposta. Puxou o binóculo e olhou rapidamente. O sujeito vestia roupas típicas de Nova Vitória, como casacão, cinto de couro e chapéu estilo oval. Seu rosto estava coberto por uma máscara amarela. Levantou o braço e apontou algo estranho em sua direção. Mas não foi isso que lhe deixou inculcado. Seu braço estava revestido por uma liga de metal e aço. Disparou um feixe em seu peito.

– Ramires?

Ajoelhou-se. Aquilo estava ardendo. Catherine abriu a porta e saiu correndo em sua direção.

– Fique… Dentro!

– Você está ferido, homem!

– Fuja enquanto é tempo…

E desmaiou logo em seguida.

II

Quando acordou, seus olhos ardiam. Estava escuro. Puxou os braços, sem sucesso. Estava amarrado? Percebeu isso logo em seguida. Não sabia em que estrutura se encontrava, mesmo assim parecia familiar. Uma tocha acendida de repente o fez virar o rosto. O sujeito ria.

– Maldito seja.

– Boa tarde para você também, colega.

– Não sou seu colega!

– Então o quê? Não lembra nem de onde veio…

Ramires sabia alguma coisa a seu respeito. No entanto, ficou quieto. O peixe morria pela boca. Cedo ou tarde contaria algum detalhe que esclareceria tudo.

– Pobre homem… Tolo. Ainda nem percebeu o que corre por suas veias.

Catherine surgiu em meio à escuridão. Como se isso não bastasse, um líquido estranho escorria em seu abdômen.

– Catherine? O que fizeram comigo?

– Contamos a ele ou o deixamos delirar?

Ramires coçou o nariz, fingiu que cuspiu e tomou uma decisão.

– Conte. Já, já, vai estar morto mesmo. Um homem, ou quase um, tem o direito de saber o motivo de sua não existência.

A linguagem utilizada foi aos poucos se tornando diferente. Bem mais intelectual e… Avançada. Estava bem claro que aqueles dois fingiam ser pessoas que não eram. Mas como se infiltraram tão bem na cidade? Catherine prosseguiu.

– Estou enjoada desta língua bárbara. Vamos acabar logo com isso.

Mesmo desorientado, ainda raciocinava. Jogou um “verde”.

– Filha do prefeito hein? Bela escolha.

– Aquela sonsa morreu há muito tempo enquanto procurava seu pai no deserto. Foi uma bela oportunidade e um ótimo disfarce. Apenas aproveitei o melhor desta época, enquanto a hora certa não chegava. Aí você apareceu e tive de ajustar os planos.

A palavra “época” ecoou em sua mente.

Enquanto isso, o xerife seguia os rastros deixados pela carroça. O prefeito era um homem muito inteligente e acionou a diligência. Havia caroço naquele angu. Não confiava no homem que protegia sua filha. Mas confiava no julgamento de Burt, vulgo “Lobo da Lei”. Burt possuía a característica incomum de “enxergar a alma” da pessoa. Se ele tinha visto algo de bom naquele homem, tinha de considerar. No entanto, como todo pai, precisava ter certeza.

Os rastros morriam de repente no caminho que levava ao deserto de Saora. Burt parou um instante, levantando a mão direita para seus companheiros. Conhecia aquele local. Retirou o chapéu e esperou que ventasse. Cheirou o ar, franziu a sobrancelha e cuspiu. Já estivera lá. O homem chamado Ramires matou cinco de seus companheiros mais leais. Ele estava por perto.

– Hora certa?

– Difícil conversar com uma inteligência inferior. Podemos matá-lo agora?

– Não. Quero que ele saiba quem o mandou para o inferno.

Levaram-no para fora. E se apavorou ao saber que estava muito acima do solo, em cima de uma estrutura completamente negra, piramidal. O sol escaldante refletia nas inúmeras esferas distribuídas ao redor da pirâmide. Seu sonho!

– Gostou? Você nos persegue a tanto tempo que já estava começando a gostar de você. Mas aí você matou meu “cachorro”…

Era visível a cara de insatisfação de Catherine. Quase havia se machucado naquela “brincadeira” de soltar um autômato explorador atrás dela.

– Cansei de você, caçador de recompensas! Escute aqui! É a última vez que arruína nossos planos.

– Mas que maldito plano é esse?

Catherine se aproximou, com seus típicos gracejos, e disse em voz suave, sussurrando ao seu ouvido.

Esta é a época em que um garoto encontrará um artefato alienígena e fundará um império atômico, começando com uma simples ideia à vapor.

Não acreditou naquelas palavras, mas de alguma forma, fazia sentido. Lembrou-se da peça que havia deixado com o garoto em Nova Vitória. Mas por que motivo? Deixou que ela continuasse.

– Esse mesmo império irá dizimar nossa civilização no futuro. A minha. A sua. A nossa! Imbecil!

Perdeu toda a “pompa” com que conduzia a conversa. Prosseguiu com os xingamentos.

– E veio atrás de nós para impedir que alteremos a história. Mas é tão burro que não percebe que está condenando sua própria raça! Acorde!

E o esmurrou na ferida aberta. Novas conexões surgiram em sua mente. Vagas lembranças. Uma longa viagem. Uma estrela. Veículo em chamas. Acidente. Acordar no meio do deserto.

Burt parecia não acreditar no que seus olhos viam. A pirâmide negra quase eclipsava o Sol. Todos fizeram vários sinais religiosos. Alguns nem sabiam o que estavam fazendo, mas criavam gestos absurdos mesmo assim. Aquilo era um pesadelo que duraria semanas.

Com armas em punho, largaram os cavalos perto da gigantesca sombra. Dois deles fugiram, enquanto os outros ficaram apenas por que seguraram seus laços a tempo.

Havia uma larga entrada, travada e retorcida. Fundida por mil sóis. Não pensou duas vezes. Reuniu a coragem que acumulava todos esses anos e entrou. Se Ramires estivesse ali, seria julgado com todos os rigores da lei. E ai dele se exigisse um duelo.

– Entendeu agora? Homenzinho irritante… Nós somos os seres humanos do amanhã! E deixaremos de existir tão logo nosso império caia nas mãos de…

Foi interrompida por uma gritaria esparsa. Ramires sacou as duas armas triangulares. O xerife apontava para a cabeça dos dois. Seus homens apontavam para todos, inclusive para ela.

– Catherine, o que está havendo?

Retomou a farsa.

– Ainda bem que o senhor está aqui! Acredita que esses brutamontes me sequestraram? Se eu fosse o senhor, prendia os dois… Ou os matava agora. – sussurrou.

Ramires a olhou de forma repreensiva. Ela lhe respondeu com um sorriso sarcástico. Mas, um homem como ele, sabia muito bem lidar com sinucas de bico. Deu um passo a frente, fazendo Burt engatilhar o revólver.

– Pelas leis de Nova Vitória, exijo um duelo digno! Com este homem! Nosso destino será decidido pelo gatilho mais rápido!

Todos se entreolharam. Catherine ficou sem saber o que fazer. O xerife conversou de canto com seus homens, sem retirar a mira de seus alvos.

– Muito bem. Todos pra fora!

O desconhecido foi desamarrado. Desceram a estranha escadaria orgânica, seguidos por Burt e seus homens. Lá embaixo, a areia quente castigava seus cenhos. Mas quando a honra de um homem era posta à prova, nada o impediria de aceitar o desafio. Caso contrário, morreria como um ninguém. O xerife foi o primeiro a falar.

– Escute! Não costumo me enganar com as pessoas. Se vencer esse duelo, faz um favor pra nós. Se perder, é cada um por si. E o senhor… Ramires… Pagará pelo que fez aos meus colegas.

Entregou-lhe suas armas.

Ainda não conseguia lembrar-se de quem realmente era. Tinha certeza apenas de um fato: possuía o gatilho mais rápido do oeste.

Separaram-se em alguns metros, contados calmamente por um homem já cansado de fazer isso, e permaneceram de frente um para o outro.

– Vocês sabem o que fazer. Quando eu jogar essa moeda pro alto, antes dela cair, quero um de vocês morto. Ou os dois. É o que diz a lei invocada.

Suavam. Cada uma de suas mãos estava alguns centímetros de seus coldres. O desconhecido ignorava a dor no peito. Houve uma rápida troca de olhares. O Sol não dava trégua. A linha do horizonte tremia devido ao calor. A moeda voou. Sacaram. Um corvo que passava por ali foi desintegrado no mesmo instante que as duas rajadas se cruzaram. Incrivelmente rápidas. A moeda caiu. E um corpo também.

O tiroteio tomou conta.

Sem nome, sem lembranças, sem lar… Sem sepultura. O desconhecido já não era o gatilho mais rápido. Ramires tombou em seguida. O Lobo da Lei não ostentava este título por nada. Catherine correu para seu lado e se jogou nos braços do mais jovem (continuaria sua farsa por mais alguns anos. No entanto, sozinha e sem conhecer o alvo, desistiria um ano depois).

A pirâmide desvaneceu diante de seus olhos.

O desconhecido deu um último sorriso, quando finalmente entendeu que ele, um ninguém, fazia parte da história. O xerife fechou seus olhos.

Uma vingança à custa de um império. Justo? Não.

Mas o que estava em jogo era a honra de um homem. Um desconhecido nascido no futuro e morto no passado.

Teria uma segunda chance.

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34 comentários em “Questão de Honra (Victor O. de Faria)

  1. Pedro Luna
    24 de maio de 2014

    Pra mim, os personagens nem precisam ser tão desenvolvidos. Mas tem que ser pelo menos interessantes, e não curti os personagens desse conto. Achei que o autor tem muita imaginação, mas tem que manejar o conto para que prenda o leitor.

  2. Bia Machado
    17 de maio de 2014

    Hum, no começo estava gostando, mas principalmente quando os diálogos se intensificaram, me senti incomodada com a falta de naturalidade deles. Desculpe, mas a história não me prendeu. Talvez se ela fosse mais bem desenvolvida, observando essas questões pontuadas aqui… Boa sorte!

  3. williansmarc
    7 de maio de 2014

    Achei o conto razoável, a ideia é boa, mas conta com muitos clichês. Algumas considerações:
    – A mistura entre os gêneros não me incomoda, mas realmente é difícil alinhar os dois temas e acredito que por esse motivo o autor(a) tenha se confundido um pouco entre os discursos coloquiais ou formais.
    – A quebra truncada entre os locais onde a estória se passa também incomoda e deixa o leitor um pouco perdido.
    – Gostei das descrições dos personagens e locais, porém, existem algumas falhas, além do que já foi exposto nos comentários dos colegas, destaco o “caroço no angu”. Angu é uma comida tipica brasileira, não faz muito sentido usar essa expressão para um estória que se passa no velho oeste.

    Abraço e boa sorte no desafio.

  4. vitorts
    6 de maio de 2014

    Não me incomoda a mescla de estilos. Aliás, acho a experiência super válida. O problema deste conto também teria ocorrido caso fosse puramente western. Há uma falta de verossimilhança. Os personagens estão plásticos, como pré-fabricados. Talvez pelo limite estipulado pelo desafio você não tenha conseguido desenvolver como o esperado, então dá para entender.

    Confesso que também tenho um medo do caramba de escrever sobre viagens temporais. São interessantes, mas abrem espaço para muitos paradoxos. Mas isso é papo para outra ocasião.

    Bom texto, e boa sorte!

  5. Davi Mayer
    5 de maio de 2014

    Cara, o começo estava muito bom. O cara meio fodão iria botar pra quebrar no lugar. Mas começou os erros. Tanto as ideias lançadas em cada paragrafo, de uma ação pulava para outra… falas dos personagens que não se caracterizavam com o individuo ou que não tinha noção e fluidez. Foi tudo uma salada de ideias jogadas numa correria que infelizmente não consegui chegar até o final. Tentei, mas não consegui. Tente histórias mais curtas, não tão épicas, trabalhe mais o personagem, pense em como ele é, o que ele pensa, o que o motiva… e depois trabalhe as situações que ele vai viver. Através disso você pode interagir cenário e personagens, depois personagens e personagens, e enfim chegar ao clímax e desfecho da história.

    Acredito em seu potencial, não desista, agora precisa melhorar.

  6. Marcellus
    4 de maio de 2014

    Esse é um conto que parece ter sido “transformado” especialmente para o desafio do mês.

    A filha mimada do rei transformou-se na filha mimada do prefeito (que, numa democracia, mesmo no velho oeste, jamais teria o poder de “mandar prender” ninguém. Especialmente por motivo tão fútil.). Depois disso ela (uma mulher de… mil oitocentos e poucos… início dos anos 1900…) EXIGE que o pai deixe ir a um deserto, SOZINHA com um HOMEM DESCONHECIDO.

    Já o rei transformou-se no prefeito, que vestido “com muita pompa”, sob o sol do Arizona ou do Texas ou da California, morreria facilmente, desidratado.

    O monstro transformou-se… num monstro mesmo. E o o desmemoriado herói conseguiu lembrar-se do que seria um ‘chip’. No dia seguinte, a vida seguiu normal como se o monstro fosse apenas uma tempestade que houvesse passado.

    Diligências, por definição, têm quatro rodas. Mais que isso, só em contos de fantasia FORA do velho oeste americano.

    Aí o conto avança, a princesa é desmascarada e tal… mas é um sacrifício continuar. Eu sinto muito. Tentei por duas vezes ler, mas é inverossímil demais. A princesa é chata demais. Claro, pode funcionar com outros leitores, mas não comigo. Boa sorte.

    Depois de todos os comentários sobre os comentários, espero que a autora entenda que estamos aqui justamente pela crítica. Um texto de Drummond não é uma unanimidade. Saramago muito menos. E é preferível um comentário duro mas sincero, que um falso e açucarado.

  7. Swylmar Ferreira
    4 de maio de 2014

    Oi. O conto em questão mescla western e ficção, tem uma ideia interessante de sequência, tem um inicio muito bom com o duelo no saloon. A sequência envolveu coisas demais. Faltou separar melhor as partes do texto. Achei confuso. Concordo com a colega que citou que se fosse maior daria uma boa novela.
    Boa sorte Emily Green.

  8. Ricardo Gondim
    30 de abril de 2014

    Tento evitar — na medida em que isso é possível — o juízo de valor. Pessoalmente, a mistura de gêneros me agrada muito. A questão é que o autor talvez tenha “coberto território demais”, para usar uma expressão de Hitchcock. No meu entendimento, essa é a fragilidade da narrativa.

  9. rubemcabral
    29 de abril de 2014

    Eu não gostei: achei a narração acelerada, em linhas gerais. O inicio até me pescou, com confronto com o robô, mas depois desandou pelo excesso. Acho que foram elementos demais, comprimidos num espaço relativamente pequeno.

  10. R. Sollberg
    28 de abril de 2014

    Achei o conto agradável, talvez o excesso de informação tenha tirado um pouco da importância do mote. Apreciei o tom bem humorado dos diálogos. Discordo categoricamente de que os gêneros não possam ser mesclados. Aliás, um dos melhores livros que já li sobre o tema chama-se Black Flag e ele faz uma mistura fantástica de inúmeros temas. Tenho certeza que em uma estória um pouquinho maior, a coisa teria funcionado muito melhor.
    No frigir dos ovos, acho que o saldo é positivo e que o autor conseguiu o que esperado.
    Parabéns e boa sorte!

  11. Thiago Lopes
    26 de abril de 2014

    Bom conto. Mas o que eu gostaria de comentar aqui é que os cometários me nauseiam. Pior do que aspirantes a escritor são os aspirantes a crítico. Talvez nunca tenham lido algum texto crítico na vida, mas, fazer o que? paciência. É obvio que seu texto tem falhas, mas todos os textos postados aqui tem falhas. E , levando-se em conta que os que aqui criticam também foram os que postaram os textos, aqui os sujos falam dos mal lavados.

    • Thiago Lopes
      26 de abril de 2014

      Relendo o que escrevi, pareceu grosseiro. Não foi minha intenção.

    • Marcellus
      4 de maio de 2014

      “Pior que aspirantes a escritor são os aspirantes a críticos…”.

      Bem, pelo visto só podemos agora ser aspirantes a leitores. 🙂

  12. Felipe Moreira
    26 de abril de 2014

    Acho que o limite do conto atrapalhou sua proposta. Achei algumas partes da aventura bem interessante, porque eu me senti entretido. Os diálogos meio forçados, mas tenho uma leve impressão de terem sido assim por carregar um senso de humor do tema proposto. A mistura de gêneros não me agradou muito, pelo menos quando notei que não iria além do que o ritmo nos levava. Existem outros termos técnicos que o Fábio e o Eduardo exemplificaram perfeitamente.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio. =D

  13. Renata de Albuquerque
    25 de abril de 2014

    Gostei bastante da mistura de ficção científica com faroeste. Gosto muito da ideia de uma personagem feminina decisiva em um contexto normalmente tão masculinizado. mas sinto que talvez haja muitas ideias para um espaço que, aqui, mostrou-se curto. Talvez se o conto fosse mais longo, ou se o autor selecionasse apenas algumas das situações para enfocar, seria mais produtivo. Mas, no geral, gostei muito.
    Boa sorte!

  14. Fabio Baptista
    22 de abril de 2014

    Algumas palavras que me incomodaram devido à excessiva repetição:

    desconhecido
    estranho / incomum (metralhadora)
    criatura

    Vírgulas faltando e pequenos deslizes gramaticais:

    “Fui meu rapaz”
    “acabou cum os homens”
    “Está louca filha”
    “se quer”
    “persegue a tanto tempo”

    Diálogo que mais gostei:

    – E se alguém tentar me atacar novamente?
    – Apenas não pare de falar. Ele vai desistir depois de alguns minutos. Garanto.

    Acredito que seria melhor deixar as falas da Catherine mais acentuadas com trejeitos “caipiras” e depois deixar o leitor perceber a mudança para algo mais “avançado”. Ficou muito artificial da forma como foi colocado.

    Bom, sobre a história… gostei do começo. Os personagens estavam bem marcados, a ambientação estava boa. A cena de luta com o robô é muito bem descrita. Mas depois do encontro com o Ramirez e a revelação do segredo, a coisa desandou.
    O final foi muito confuso, esse duelo ficou meio sem pé nem cabeça. As motivações não estavam claras ali, parece algo que foi inserido apenas para ter um clímax. Ficou muito forçado.

    Uma boa escrita, mas um resultado aquém do potencial que a trama poderia oferecer.

    Abraço.

  15. Hugo Cântara
    22 de abril de 2014

    O conto foi curto para o que o autor pretendia contar. Não houve erros gramaticais assinaláveis, mas a narrativa não fluiu bem, tornou-se monótona e cansativa. Quanto às personagens, não conseguiram cativar-me, nem o próprio desconhecido. Na minha opinião, houve muita informação, contou-se muito, mas mostrou-se pouco.
    Mas parabéns pelo conto e Boa sorte!

    Hugo Cântara

  16. claudia roberta angst CRAngst
    22 de abril de 2014

    Narrativa longa com real vocação para novela. Um “de volta para o futuro” com vestes de cowboy. Sou analfabeta quanto a questões de steampunk. Portanto, nem devo opinar a respeito. Como leitora, senti que o texto trava em alguns momentos. Os diálogos suavizaram o peso da narrativa. Boa sorte!

  17. Thata Pereira
    22 de abril de 2014

    Na minha opinião, o que atrapalhou o desenvolvimento do conto foi o limite de palavras do desafio. Acredito que se ampliado, ficaria uma história muito interessante. Algumas palavras formaram ecos que chegaram a me incomodar um pouquinho. Fiquei um pouco perdida na segunda parte do conto, não estou acostumada com Steampunk e por isso, a culpa deve ser mais minha do que do autor.

    Boa sorte!

  18. Anorkinda Neide
    22 de abril de 2014

    Muita história numa execução fraca e rápida, infelizmente.
    Anote todas as dicas dos colegas e transforme este conto numa novela q vai ficar legal! 😉

    ps: Não entendi o título, pra mim não casou com a história proposta.

    Abração

  19. Leandro B.
    21 de abril de 2014

    Então,

    no que diz respeito à gramática, pouca coisa me causou qualquer tipo de incômodo. Assim, diria que o texto foi razoavelmente bem escrito, mas algumas coisas que dizem respeito à narrativa me incomodaram um pouco:

    eu tenho uma teoria de que personagens ‘fodões’ não costumam dar certo em contos e romances. Claro que podem ter exceções, mas no geral esse tipo de personagem funciona muito melhor na televisão ou em HQ’s. Não sei bem o motivo para isso. A leitura do homem no bar, alheio ao tiroteio que se passa por volta dele, que ajeita o chapéu antes de começar a revidar… É tão inumano que chega a ser um pouco… apático.

    Quanto à história, me parece que ela tem um grande problema: é grande demais. Existe pano o suficiente para um romance e as coisas acontecem de maneira tão rápida que simplesmente não permitem nenhuma apropriação do leitor (falo, pelo menos, de mim) sobre o que está acontecendo.

    Veja bem (Spoiler): Desconhecido num bar sem memória, robô com metralhadora futurista, arma triangular futurista, destruição do bar, colar com cristal especial, duelo, braço arrancado… e isso tudo apenas no início do texto.

    Depois disso, a história se torna muito corrida, talvez para abarcar todos os elementos. Isso acaba levando a personagens e situações bem rasas. Alguns trechos, como o ‘desconhecido’ se levantando da banheira, que poderia gerar cenas melhores são deixados de lado. Se busca apenas o avançar da história para que ela se conclua e não o aproveitamento dos causos.

    Outras situações que ficam estranhas por conta desse ritmo frenético são o desapego do pai/arqueólogo/prefeito pela filha (ta bem, vai lá no deserto com esse estranho logo depois de ter sido atacada por um robô gigante) ou a inserção do xerife, bem como frases como:

    “– Esta é a época em que um garoto encontrará um artefato alienígena e fundará um império atômico, começando com uma simples ideia à vapor.”

    Apesar d’eu gostar do nonsense da coisa, não houve tempo para essa ideia ser trabalhada, o que tornou tudo, de novo, muito raso.

    Existe uma repetição do termo ‘desconhecido’ que também me incomodou. Talvez fosse interessante substitui-lo.

    De resto, eu recomendaria ir com um pouco mais de calma. Claro que essa pode ter sido só uma experiência ruim de alguém que tem outros ótimos trabalhos. Peço desculpas por qualquer presunção.

  20. Vívian Ferreira
    21 de abril de 2014

    O texto tem boas ideias mas não me cativou. Algumas expressões coloquiais como ¨tᨠficaram perdidas no texto, pois parecia que estes personagens não as utilizavam sempre. De uma forma geral não empolgou, mas como alguém já mencionou é um bom material que merece um tratamento melhor. Boa sorte no desafio.

  21. Eduardo Barão
    21 de abril de 2014

    A história não é tão burocrática assim, mas me perdi em algumas passagens graças aos cortes na narrativa (que, por sua vez, é um tanto insossa e sem emoção). Não pude gostar, mas deixo claro que não achei o conto ruim. Apenas não me cativou.

    Continue escrevendo. 😉

  22. Rodrigo Arcadia
    20 de abril de 2014

    achei nada bom. São muitas ideias, mas que pecam em exageros. o duelo no final, pra mim não tem nada a ver. como também um pai, deixar uma filha seguir numa exploração. Aliás, não entendi quase nada. Além disso, um personagem seco, sem chamar atenção. Sem nenhum efeito nas palavras. bom,é isso.

    Abraço!

  23. Sérgio Ferrari
    20 de abril de 2014

    Precisa treinar a naturalidade dos diálogos. Tudo é burocrático e as vezes parece q o autor ficou com preguiça ou dó de reescrever certos trechos, como por exemplo os 2 últimos parágrafos. De modo geral, achei chata a história (principalmente pelos diálogos) essa arma triangular ta pobre demais e quando descreve as roupas parece livro de receitas

  24. Brian Oliveira Lancaster
    20 de abril de 2014

    É quase impossível hoje em dia termos algo inédito. O que fazemos é recontar história de outra forma. Percebi vários elementos conhecidos, mas que são inevitáveis em um faroeste. No entanto, como os colegas já disseram, notei algumas repetições de palavras e o final foi um tanto corrido. Mesmo assim, a ambientação e estilo me agradaram.

  25. Eduardo Selga
    20 de abril de 2014

    Esse conto suscita uma questão interessante: até que ponto, em se tratando de textos ambientados de modo a remeter ao western, funciona a mescla de outros gêneros bem díspares quanto aos seus estatutos narrativos? Temos aqui a ficção científica, mas acredito que não tenha funcionado bem. São discursos narrativos demasiadamente diferentes e nivelá-los (o que geraria a palatabilidade) demanda uma técnica muito aprofundada.

    A respeito dos diálogos travados entre o protagonista e a filha do prefeito, gostaria de dizer que, dentro do estereótipo que nos chega por meio dos filmes, eles estão bem construídos, mostrando uma diferença no comportamentos dos indivíduos de sexos diferentes, tipificando-os. Se a intenção foi reproduzir o estereótipo (o galanteio cínico do homem e a mulher mimada por se saber sexualmente atraente), deu certo.

    No entanto, ainda em relação aos diálogos, quero concordar com o colega Tom Lima relativamente à estranheza da seguinte sequência:

    “– Hora certa?

    – Difícil conversar com uma inteligência inferior. Podemos matá-lo agora?”

    Novamente a questão do primeiro parágrafo. Ao sair do discurso do western e entrar num diálogo entre personagens que pertencem ao futuro (ficção científica) acontece um truncamento, em que há excesso de subentendido.

    Ainda em relação a diálogo, o personagem diz ao protagonista que “Esta é a época em que um garoto encontrará um artefato alienígena e fundará um império atômico, começando com uma simples ideia à vapor”. Logo em seguida o narrador onisciente diz que o protagonista considerou que a fala do personagem “de alguma forma, fazia sentido”. Mas não poderia fazer sentido para ele, de forma nenhuma, pois o conceito de “império atômico” para alguém do tempo das diligências (séc. XIX) era totalmente inimaginável.

    Outra inverossimilhança é o comportamento do prefeito, confiando a um desconhecido a companhia da filha numa viagem ao deserto. Por mais que ele a tenha salvado na cidade, parece estranho, afinal os homens de poder econômico à época em questão eram seguramente muito machistas e patriarcais.

    Nas falas do protagonista o registro textual segue a norma padrão. No entanto, várias vezes encontramos frases semelhantes a “sua filha vai TÁ em perigo se for comigo”, ou seja a redução da forma verbal ESTÁ para o coloquial TÁ. Se toda a fala dele fosse marcada pela oralidade, tudo bem, mas isso não ocorre. O personagem domina bem a chamada norma culta. Logo, essas reduções ficam sem sentido.

    Em muitas vezes ocorre uma supressão da vírgula do vocativo. Isso pode parecer um preciosismo de minha parte, mas não é. Não é apenas um tracinho no texto: isso muda completamente o ritmo da frase. Refiro a trechos como esse:

    “– Não tenho nome senhorita”.

    Quando deveria ser:

    _ não tenho nome, senhorita.

  26. Tom Lima
    19 de abril de 2014

    Os cortes nas cenas me incomodaram bastante.

    “Cheirou o ar, franziu a sobrancelha e cuspiu. Já estivera lá. O homem chamado Ramires matou cinco de seus companheiros mais leais. Ele estava por perto.

    – Hora certa?

    – Difícil conversar com uma inteligência inferior. Podemos matá-lo agora?”

    Entendi o que aconteceu, só não gostei. Isso funciona muito bem na tela…

    A mistura é bem interessante, mas contém tantos elementos e tantos personagens que ficaria melhor num texto ais longo. O final, por exemplo, fica extremamente corrido. Ambos morrem, ela desiste do plano, tudo corre como antes e eles acabam sendo a causa do que tentavam impedir (ótima sacada aqui). Tudo em um par de parágrafos.

    Bom material que merece um tratamento melhor.

    Boa sorte.

  27. Jefferson Lemos
    19 de abril de 2014

    Assim como os amigos abaixo, percebi a forte ligação com Cowboys & Aliens, e achei legal essa coisa meio futurista. A mistura de vários elementos pode dar certo, com a história certa. Gostei mais de alguns trechos do que outros, e acho que isso se deve a forma que a narração foi conduzida em alguns momentos.

    Para mim foi um texto agradável. Não diria que é a melhor escolha, mas gostei do que li.

    Parabéns e boa sorte!

  28. Martha Angelo
    19 de abril de 2014

    Achei até interessante a mistura de gêneros, o steampunk western, como disseram, mas a história não me prendeu. Boa sorte.

  29. mariasantino1
    19 de abril de 2014

    Quando vi o monstro de Metal achei que iria falar da história de Ned Kelly da Austrália.

    Gostei dessa frase: “Um misto de mendigo com advogado”
    .

    Repetições de palavras em um curto espaço: metal, metal… braço, braço. Nada que prejudique a leitura, mas eu optaria por sinônimos
    .
    Na frase: “Mas que audácia. É uma ordem. Ou será preso imediatamente”. Seria bom colocar uma exclamação no fim, para complementar o sentido, pois a moça não está satisfeita com a atitude do estranho.
    .

    Inculcado? Acho que seria encucado. Inculcar = indicar, demonstrar. Encucar= cismar.
    .
    Olha, eu gostei da trama do texto, acho que algumas coisas se explicam no fim. Brincar com o tempo e espaço é uma boa ideia.
    .

    O texto me fez lembrar de Cowboys Aliens. Um abraço.

  30. Thales Soares
    19 de abril de 2014

    Senti a inspiração em Cowboy vs Alienígenas e em O Estranho Sem Nome.
    Sua história foi muito bem contada. Ótima escrita e descrições, não há nada que atrapalhe a fluidez da leitura.

    Os personagens estão cheios de vida. A filha do prefeito parece ser uma pessoa irritante que se comporta como se fosse rainha.

    Achei um tanto desnecessária a divisão da história em dois capítulos sem títulos, sendo que o segundo é uma continuação direta do primeiro.

    O duelo do final foi ótimo.

  31. Pétrya Bischoff
    19 de abril de 2014

    Como o Thiago bem apontou, o conto parece conter elementos de várias fontes. Gostei da coisa meio “Steampunk Western”. Está bem escrito mas não me prendeu por inteiro. Boa sorte 😉

    P.S. Penso que não há necessidade de apontar os clichês, visto que isso ainda será muito explorado nesse desafio.

  32. Thiago Tenório Albuquerque
    19 de abril de 2014

    O texto parece uma mistura de Il mio nome è Nessuno, Cowboys and aliens e Bad Lands. A figura do pistoleiro sem memória e rápido no gatilho, que segue a jornada do herói já foi explorada demasiadamente.
    O texto é bem escrito mas não conseguiu prender minha atenção até o final. A cena do duelo sob o Sol se mostrou um tanto óbvia.
    Realmente não me atingiu.
    Boa sorte no desafio.

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Publicado às 19 de abril de 2014 por em Faroeste e marcado .