EntreContos

Detox Literário.

Contracorrente (Rodrigues)

Cidade

Eis que a menina se arruma toda num ritual macabro de três horas na frente do espelho. Usa e reusa vestidos, joga roupa amassada na cama, pinta o olho duas mil vezes. O cigarro acabando no vão dos dedos, queima, nem sente. Rebola. Esguia, afasta as coxas pra olhar a bunda magra.

A velha guarda o resto de frango na geladeira. Com a mão no estômago, olha pra mesa. Raspa as unhas verdes comidas na perna de apoio. Ela mora no andar de baixo. Quando ouve os passos da moça acima, pragueja contra a “vagabunda”. Arrasta o vestido preto até a porta do guarda-roupa e geme de dor abaixando. Abre a gaveta e tira uma caixinha, segura o queixo com a mão enrugada e olha pra cima.

Ela abre as portas do 41 a uma e meia da madrugada. Um cheiro de perfume escoa pelas escadarias, chapa o elevador. Desce. Térreo. Cumprimenta o vovô porteiro com um rasgo de gralha e ouve o “tic” de abrir da trinca da porta. Sai. Na frente do prédio, um grupo de fedelhos está num carro ouvindo funk: “Ela não anda, ela desfila, ela é top, capa de revista. Ela é a mais-mais, ela arrasa no look, tira foto no espelho pra postar no Facebook”.

A velha deixa o objeto em cima da mesa e senta no sofá. A tevê de plasma com a tela empoeirada. Puxa o controle remoto e aperta o botão vermelho ligar. Propagandas de lojas de departamento, um apresentador ruivo de mais de 80 anos, a vida das lebres do deserto e policiais que perseguem um negro. Olha o relógio de pulso que já nem mais funciona, levanta e cavalga lenta até a mesa. Senta, desliza a palma da mão sobre a caixinha de madeira. Suspira, coça a cabeça.

Aí vem a garota. Passa rápido na frente dos botecos, raspa o vestido na quina do carro. “Cuidado aí, garota. Essa cidade é perigosa”, grita alguém com a voz do vocalista da banda Blitz. Tateia as pedrinhas do asfalto com a ponta do salto, estende o braço, balança duas vezes o pulso de cobra. O táxi para. Entra rápido e dá um boa noite todo mole: “Boa noitchy”.

 

A velha cerra os olhos de zanga. Remexe as pernas e ajeita o vestido. Os cabelos brancos caindo aos olhos. “Ah, fazem questão de lembrar que sou uma velha!”. Abre a caixinha e retira dois volumes grandes de cartas. Chega uma delas perto da vista. A empregada mexeu, deixou a energia nelas. Marcas de polegares redondos. “Desocupada, vai ver”. Coloca as cartas na horizontal, olha para a cadeira vazia à frente, chacoalha os ombros. “Hunf”. Espalha o monte pela superfície da mesa, mexe de forma circular. Tira oito cartas e as coloca de lado, separa-as na distância quase certa. Esfrega a ponta do indicador no dedão antes de revelar a primeira. Um copo quebra na cozinha e o gato sai correndo.

“Você gosta desses negócio de funk?”, pergunta o taxista. “Gosto não”, diz a menina. O táxi vira a esquina e para no posto. Ela sai, caminha até a conveniência e abre a geladeira. Pega três cervejas long-neck geladas, coloca-as numa sacola branca e vai levando do lado das pernas finas. Paga no crédito, volta pro carro e ajeita as garrafas. O cara não consegue olhar pra frente, olha no retrovisor, fixa nela, cai de olho no velocímetro, volta rolando pro espelho, reolha. Ela odeia. “Moço, vou descer aqui mesmo”. “Mas tá muito looonge”. “Não importa, quanto deu aí? Toma, fique com o troco, viu?”. Sai do carro. Abre uma garrafinha e entorna com gosto, os prédios jogam luzes no seu caminho, faltam quatro quadras pro sofázinho velho da “boite”.

“Mazel! Gato feio! Gato horrível”. O animal arregala os olhos de azeitona. Sobre no beiral da janela e desvia do tapa da velha. Esconde-se embaixo da cama e de lá não mais sai. “Oras, que abuso!”. (A velha odeia um pouco o gato pelo andar esguio, que se parece com o da garota. Mas mantém o companheiro por ter mais ódio à solidão). Senta-se novamente à mesa, fecha os olhos e passa a mão na carta escolhida, muda a escolha, levanta a pontinha dela, deixa bater na madeira, “tap”.

O segurança ajeita a gravata e olha a fila. Fios de cabelo longo apalpam o vento, a fumaça sobe da boca estufando os neons da entrada. Garotos olham pra trás de cinco em cinco segundos e ganham um risinho forçado. Diz ao segurança que não trouxe a identidade. “Não, não tenho outro documento”. É barrada. A fila de machos reclama. “Nããããããooooo”. Alguns ameaçam ir embora. A hostess chama-a de volta, digita algo num computador e libera a menina. Na noite, mulher bonita não paga, mas sempre leva.

A mão trêmula vira a carta na mesa. A velha se concentra e observa. Um homem de lado, bastão apoiando o corpo. Uma lanterna corta metade do rosto e a luz que sobra embaralha o azul do manto. É como brasa perdida que corre na floresta. A chama da lanterna roda os troncos de árvore e cria listras no chão escuro. Na parte de baixo está escrito: L`Hermite.

Afofa o estofo da banqueta fedendo a cerveja antes de sentar. O DJ usa dois fones gigantes e tem um olhar caído. Coloca as mesmas música de sempre enquanto grupos mexem a cintura tímida. Ela levanta, caminha até a cabine do DJ e pede uma música. Ele tira os fones e fala seco olhando uma capa de LP. “Essa eu não tenho”. Sai nervosa e sobe as escadas.

“OOOOOOOHHH, OOOOOOOHHH, OOOOOOOHHH!”, o berreiro ecoa pelo prédio. O casal de javalis do 54 está no cio. A velha se perde, sai do transe. Vai pra janela. Mil cabeças saem dos buracos para espiar. A gritaria passeia e o interfone toca. “Essa besta desse porteiro deve ter errado o número de novo”, diz a velha. Atende, desliga. Estava certa. Olha a cozinha limpa, o vazo de hortelã murcha. Volta pro tarô.

A garota está no espaço reservado para fumantes. Acende o cigarro, encosta na grade. Os caras tentam puxar papo. Ela tenta, mas não consegue. Toda aproximação termina numa tentativa de beijos, abraços, ou é merda que pula da boca. Termina o fumo e vai ao bar, pega mais uma garrafa. Vê a mancha de corpos descobertos espalhando-se. Escolhe um, troca palavras, desce à pista. Beija-o. Entrega-se à lambuzeira.

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Praia

Um tom de cinza enrola a cidade quando a bêbada entra na venda. Já está fechando, mas ela consegue pegar os últimos minutos com gente lá dentro. Anda pelos corredores enfiando quantas águas consegue na cestinha. Vai pagar no caixa mas vê que a fila está enorme. Irrita-se, o cabo da cesta quebra e a garrafa rola até o pé do segurança. Ele chuta a garrafa pro outro lado e ri. A moça arca a coluna, pega do chão, levanta e encara o bruto, exala o resto de uísque. “Vocês já me venderam ovo podre! Esse mercado vende ovo podre!”.

A velha ali, ouve tudo enquanto escolhe batatas, e vai pelo corredor bem discreta. Passa pela bêbada que rosna. Joga algo em sua bolsa meio aberta. Sussurra algo ao pé d’ouvido do vigia. Fica bem quietinha na fila especial de idosos. O homem vai em direção à encrenqueira. “Por gentileza, poderia abrir a bolsa?”. “Minha bolsa? Olhe aqui a minha bolsa! Não roubei nada!”. Ele mete a mão e fuça. Abre o bolso lateral e tira dois absorventes com preços. “Eu não roubei essa merda! Eu nem menstruo!”. A fila toda gargalha enquanto a mulher é imobilizada e atirada à rua.

É manhã. A ressacada sai de casa com joelhos vermelhos de Merthiolate. Compra um sombreiro de palha por que os olhos ardem. Ajeita-o para a caminhada na orla. O vento raspa forte os banhistas. Após as grandes pedras, avista uma tenda feita de panos rosados. A casinha misteriosa faz acenos místicos. Entra. Cheiro quente de incenso. No centro, um tapete, uma mesa, o tarô na caixa aberta e alguns vidros de licor. A velha cigana apresenta-se como Dulce e reponde que o valor da consulta muito depende das suas dúvidas.

“Nunca que ela ia me reconhecer”, pensa e ri a velha por trás do véu que lhe encobre o rosto. Olha o colar que cai entre os seios da bêbada do mercado. Traga a inveja e solta. Pede para que ela embaralhe as cartas. Depois as espalha como boa jogadora. “Puxe três”. Vira oito na sequência, olha com atenção a primeira. No beco do precipício, um homem de capuz segura uma lanterna à altura da cabeça. Na outra mão, um cajado. Acima, a lua está rodeada por um verde oscilante. A barba amarela jorra do buraco que escurece seu rosto. Atrás dele, há um lobo solitário. Não se sabe se quer guiá-lo ou se busca achar o próprio caminho. Escrito na parte de baixo: “IX – The Hermit”.

A moça observa a carta curiosa. Molha os lábios e pergunta: “Por que eu não consigo viver como todo mundo?”. Após a indagação, uma rajada de vento joga o véu da cigana de lado e revela seu rosto. “É você! É você que me fez ficar toda fodida naquele mercado! Sua velha escrota!”. Levanta e bate o joelho doído na mesa. Leva as cartas e o licor pra fora. A velha tenta lhe cravar as unhas, mas toma um empurrão e cai. A moça corre em direção ao mar. Quebra o vidro numa pedra e taca as cartas com força às ondas. Chuta a água e some dali.

O mar embaralha o tarô enquanto a velha tenta levantar-se. Apóia-se num banquinho e põe-se de pé. Pega um copo e senta no banco, bebe tremendo de raiva. Ajeita o vestido pra não sujar na areia. Caminha devagar até a beira da água e tenta em vão achar alguma carta. Desiste com as mãos na barra da saia e volta praguejando. No caminho, percebe alguns corações desenhados na areia com nomes de amantes. “Roberto & Dalila”. “Arícia & Juliano”. Arrasta o pé por cima dos escritos antes de voltar à tenda.

_________________________________________________________

Campo

– Mas você faltou uma semana!

– É, eu sei.

– E cadê os atestados?

– Não trouxe.

– Lamento, queridona. Mas a minha única alternativa é demitir você.

A moça saca todo o dinheiro que tem na conta. Esconde metade na meia-calça preta e deixa metade na carteira. Chega à rodoviária e escolhe uma cidade qualquer do interior. Após a vertigem da viagem, caminha sem rumo pela cidade desconhecida procurando abrigo. Informa-se com os taxistas e se depara com uma casa de pensão sendo torrada pelo Sol.Toca a campainha.

A velha deita no sofá enquanto lixa a sola do pé. Está só de toalha. A casca branca rarefeita vai caindo no tapete. Ela grita para que uma das hóspedes atenda. Uma negra sai do quarto dos fundos e vem pisando forte pelo corredor. “Já disse que não tenho obrigação. Já falei pra sinhóra… “. A velha julga-a fazendo um bico torto que lhe estica as bochechas. A negra desce as escadas e abre o portão para a recém-chegada.

– É você a dona?

– Não. A dona ta lá no sofá estirada.

– Ah, obrigado.

A garota entra e a velha a observa da cabeças aos pés. Para por um momento nos joelhos, levanta os olhos.

– Pois não.

– Queria alugar um quarto.

– Ah, sim. Temos um ainda.

– E quanto é que custa?

 

Arruma a toalha na barriga saliente e troca o lado da perna esticada. Lixa a sola esquerda enquanto olha o busto da garota.

– Então, é seiscentos reais e tem que pegar logo que entra.

A garota olha ao redor. Uma tevê fora do ar e um cheiro de mofo que sobe.

– Você tá querendo o meu dinheiro, né? Tá caro demais pra essa pocilga. Deus me livre!

A velha dá de ombros e olha pra baixo. Encara a menina, cruza as pernas rechonchudas e ajeita a toalha nos seios. Vira-se de lado e dorme com a cara no apoio do sofá.

A negra volta, abre a porta pra garota. “Sorte a sua, viver com essa daí é um inferno”.

– Deve ser mesmo, velha nojenta. Uh.

Desce a rua procurando outra morada. Tem pouco dinheiro, mas precisa de um lugar pra passar um tempo. Entra na recepção vazia de um hotel. Uma senhora baixinha caminha até ela. A quantidade de pintas em seu rosto a faz parecer um peixe, a pele é escamosa. As duas se encaram, discutem, mas chegam a um acordo. A garota levanta a trouxinha de roupas e recebe a chave.

“Não queremos gente desajustada por aqui”.

“Tudo bem, querida. Gentileza…”.

Entra no quarto à meia luz, liga o ventilador e se joga na cama. Dorme ouvindo o barulho gostoso das hélices que junto ao vento espantam o calor. Acorda perto das nove da noite. Sai à procura de algo para comer e encontra uma pizzaria furreca. Depois de matar a fome, observa o portão de um casarão que desce o morro. Fuma um cigarro olhando as árvores escuras que ladeiam o lugar. Termina de fumar e volta ao hotel.

Um senhor barbudo desce a rua com um lampião. Com uma bengala, equilibra seus passos. Está coberto por um manto verde e não usa nada por baixo. Ao seu lado, um vira-latas trança suas pernas. Ora lambe suas botas, ora dá ganidos de fome. O ancião mexe nos restos de comida da pizzaria. Retira as bordas queimadas e tritura garganta abaixo. O cachorro late e ganha um bom pedaço.

Passa pela pensão e coloca a bengala atravessada no portão. Uma fumaça vermelho-terra sobe de dentro do manto. Caminha e pendura o lampião na entrada do hotel. O amarelo da barba reluz pelas janelas de madeira. Pragueja contra algo e se coça. Abaixa as calças e caga na calçada. O cachorro também caga. Despe-se, dá boa noite ao companheiro e faz um sinal em respeito à Lua. Depois agacha e some dentro do seu barril.

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22 comentários em “Contracorrente (Rodrigues)

  1. Pedro Luna
    26 de fevereiro de 2014

    ”Na noite, mulher bonita não paga, mas sempre leva.”

    GÊNIO. Hahahaha

    Gostei do conto e dos personagens avariados. Bom trampo.

  2. Frank
    26 de fevereiro de 2014

    Está muito bem escrito e a leitura é bem prazeirosa. Só não consegui conectar as histórias.

  3. Weslley Reis
    25 de fevereiro de 2014

    Gosto desse estilo de escrita, mas não tive as capacidade de ligar os pontos. Logo, não tenho algo a dizer

  4. Leonardo Stockler
    25 de fevereiro de 2014

    Apesar de o conto estar muito bem escrito, a narrativa revelou-se bem pouco envolvente pra mim. O ritmo, como já disseram, é mais adequado ao romance – por isso concordo que as descrições são boas, mas talvez acabem arrastando um pouco a coisa toda. Apesar dessas críticas, acho que o autor escreve muito bem e gostaria de ver outras coisas vindas dele, ou dela.

  5. Felipe França
    25 de fevereiro de 2014

    Gostei muito da maneira na qual foi escrito. Um jeito debochado e sem compromisso levou a leitura fluir em uma única batida. Muito bem escrito, o autor soube conduzir até o final a complicada relação da protagonista com seus participantes. Minha única crítica é que em algumas partes o texto ficou solto; algumas palavras a mais (mais precisas) encaixariam melhor na ação. No mais… excelente! Parabéns!
    Ao infinito… e além.

  6. Thata Pereira
    21 de fevereiro de 2014

    O texto também não me prendeu a atenção. O cenário da primeira parte é realmente o mais interessante, mas o desenvolvimento dele não me atraiu tanto. De qualquer forma, boa sorte!

  7. Bia Machado
    21 de fevereiro de 2014

    Achei interessante, mas não me cativou. Bem escrito, mas acho que serve para algo maior, não cabe em um conto. Opinião minha, claro. Boa sorte!

  8. Blanche
    20 de fevereiro de 2014

    Bem escrito. Não consegui ligar os pontos, mas é notável a experiência do(a) autor(a) em conduzir o leitor através de suas ideias. Parabéns.

  9. Pedro Viana
    19 de fevereiro de 2014

    Infelizmente, não gostei. Achei a construção de personagens muito clichê e a narrativa distante. Apesar disso, o conto foi bem escrito. Houve sim o elemento tarô, mas me deu a impressão de que ele poderia ter sido muito melhor aproveitado. Desculpe a sinceridade. Boa sorte nos próximos trabalhos.

  10. Paula Melo
    17 de fevereiro de 2014

    Bom conto gostei bastante da ideia,esta muito bem escrito e a narrativa flui bem.
    Boa Sorte!

  11. Tom Lima
    17 de fevereiro de 2014

    Achei muito bom. Acho que não tenho criticas a fazer!

    É impressão minha ou a personagem principal é transexual? Se for é uma sacada muito interessante e deixada solta no ar de forma bem sutil, como tudo no conto.

    Parabéns!

    • Rodrigues
      1 de março de 2014

      Fala, Tom! É. Pode ser ou pode não ser, hahahaha. Fico honrado com a sua dúvida, cara. A personagem é baseada numa pessoa que conheci e, sim, ela já foi confundida com um travesti, mas é uma mulher, cara. Abraços e valeu a leitura!

  12. Gustavo Araujo
    16 de fevereiro de 2014

    Achei bacana os recortes suburbanos, essas cenas de anônimos que pontuam nosso cotidiano sem nos darmos conta. No início achei que a relação entre os personagens e as histórias de cada cenário fossem se encontrar no fim, mas depois percebi que a intenção do autor foi justamente deixá-las jogadas, à livre interpretação de cada leitor. Achei o final muito bom, a figura do ermitão ficou realmente interessante. Parabéns ao autor.

  13. Anorkinda Neide
    14 de fevereiro de 2014

    Gostei bastante.. achei uma delícia de ler. O final muito bom!
    Considero um bom conto apesar de.. não ter um fechamento, por assim dizer.. onde foram parar as histórias? ficaram no ar!

    um abraço!

  14. Rodrigo Arcadia
    14 de fevereiro de 2014

    Gostei da viagem e do texto. ha muitos detalhes, cenas, movimentos, gestos. É o cotidiano de uma grande cidade metropolitana. e o conflito entre a moça e velha achei situados. bom, gostei do conto sim.

    Abraço!

  15. rubemcabral
    14 de fevereiro de 2014

    Achei interessente, pareceram-me mais recortes do cotidiano mesclados às figuras do tarô, embora eu não tenha feito conexão entre os três minicontos.

    Enfim, gostei da narração descompromissada – acho inclusive que sei quem é o autor – mas o texto não funcionou muito bem como conto, ao menos para mim.

  16. Ricardo Gnecco Falco
    14 de fevereiro de 2014

    Não consegui embarcar na viagem, mas valeu a leitura por apresentar uma boa ambientação. Boa sorte!
    🙂

  17. Eduardo Selga
    13 de fevereiro de 2014

    São três minicontos independentes com as duas mesmas personagens ou é um só em três espaços ficcionais distintos? “Praia” pode ser considerado continuação de “Cidade”, mas “fica difícil dizer que Campo” é a continuação de “Cidade” porque a velha que aparece neste não é a mesma daquele: o jogo do tarô é o ofício da idosa nas duas primeiras partes, mas não na terceira. Apesar disso, há uma união do fim com o início: antes era a manipulação da carta O Eremita pela velha; depois, a presença “física” dele.

    O conto trata de um mote bastante usado em literatura, a inveja de uma mulher velha em relação a outra muito mais nova, bonita e sexualmente ativa. A novidade foi incluir a carta do Eremita personificada num personagem, ao final do texto. Uma inclusão escatológica, na qual o citado personagem, que lembra algumas histórias sobre o filósofo grego Diógenes de Sinope, defeca em público, mora num barril e tem a presença de um cachorro. O(a) autor(a) aproveitou o fato de a carta do Eremita ser possivelmente uma alusão a Diógenes e ampliou um pouco seu espectro significante, aproximando o Eremita do Louco, de certa maneira.

    O texto se arrasta numa dinâmica textual que não é adequada ao conto, e sim ao romance: cenas longas com alguns detalhamentos que funcionam mais para pintar um cenário do que para dinamizar a ação, e digressões. Isso provocou uma diluição no enredo. Porém, essa obervação minha deixa de ter efeito se “Contracorrente” for um conjunto de três minicontos.

  18. Pétrya Bischoff
    13 de fevereiro de 2014

    A primeira parte foi a que mais gostei, meio que me fluiu um noir. A narrativa e a escrita são bem gostosas. Diógenes (como o Louco e o Eremita) fechou fantasticamente!
    Enfim, acho que gostei. Parabéns e boa sorte!

  19. Claudia Roberta Angst
    13 de fevereiro de 2014

    A leitura correu fácil, movida pela curiosidade. O Eremita no final é uma figura misturada com o Louco. Muito doido. Narrativa muito bem conduzida no underground do tarô. Gostei bastante. Boa sorte.

    • Claudia Roberta Angst
      13 de fevereiro de 2014

      Ah, esqueci de comentar sobre o pseudônimo Gargamel – amo os Smurfs e você é o principal inimigo deles. 😦
      O gato do conto é o Cruel??? kkkk “Mazel! Gato feio! Gato horrível”

  20. Jefferson Lemos
    12 de fevereiro de 2014

    Um texto muito bem escrito, acho. Até gostei, mas não cheguei a entrar de cabeça na história. No meu caso,é questão de gosto.
    Parabéns e boa sorte!

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Informação

Publicado às 12 de fevereiro de 2014 por em Tarô e marcado .