EntreContos

Detox Literário.

Era Uma Vez na Noite… (Felipe Falconeri)

Dizem que houve um tempo em que essa cidade era pura. Que havia beleza, cor, brilho. Um tempo em que as pessoas eram felizes. Um tempo mágico. Duvido. Tudo o que vejo é lixo, miséria, violência, dor. Não vejo como um reino encantado poderia se converter nesse mar de podridão e agonia. Mas pouco importa. Cresci nesse lugar, gosto dele. Gosto da escuridão das ruas mal iluminadas, do cheiro de latrina dos bueiros entupidos, do som do lamento dos viciados que mendigam nas calçadas. Aguçam meus sentidos. Fazem eu me sentir em casa.

À noite a cidade grita. E sangra. É então que eu saio. Como um lobo se esgueirando pelas esquinas sujas, farejando o rastro daqueles que fazem minha casa sofrer. Conheço cada recanto desse lugar, cada beco sem saída, cada prédio desdentado. Reconheço cada filho da puta que já feriu essa cidade. Ninguém escapa aos meus sentidos. E nem às minhas presas.

Mas esse lugar ainda guarda suas cartas na manga, ainda tem suas surpresas a oferecer. E numa noite fria e cortante, onde os pingos de chuva caíam como navalhas, a cidade me ofereceu o acorde de beleza que quase me fez acreditar em mágica.

Eu fora chamado para investigar o assassinato de uma garota num prostíbulo no centro da cidade. Era um prédio antigo, que há algumas décadas fora um hotel de luxo. O tempo e o abandono o presentearam com diversas rachaduras e infiltrações, mas o local ainda resguardava alguma majestade. Os quartos grandes, o piso de taco bem lustrado e as garotas limpas atraíam os barões da cidade, sôfregos por gastarem seu tempo atolados entre um robusto par de coxas e enriquecerem o cafetão que devia explorar as meretrizes daquele pardieiro. Era por ele que eu esperava no saguão. O moleque ossudo e desajeitado que fora me chamar me observava curioso, enquanto se distraía embaralhando algumas cartas.

E então ela apareceu. Devia ter seus quarenta anos, mas resguardava a beleza e o frescor de uma debutante. A tez fina e pálida contrastava com os traços fortes do rosto que exalava determinação. O corpo embalado num longo e justo vestido verde bruxuleante lhe emprestava uma aparência onírica. O decote profundo permitia entrever os seios fartos, emoldurados pelos cabelos que caíam em grossos cachos ruivos e deixava algumas mechas escaparem pela frente dos ombros. Flutuou através do saguão e seus límpidos olhos verdes perscrutaram minha alma.

– O senhor é o detetive? – A voz suave e melodiosa transpassou meus ossos.

– Sim. E a senhora?

– Cecília. – Respondeu quase num sussurro. – Proprietária desse lugar.

– Você é a cafetina?

– Sim.

– Não me parece uma cafetina.

– E como uma cafetina deve parecer?

Eu não tinha uma boa resposta.

– Então… uma de suas garotas foi assassinada.

– Sim. Clara. Foi morta em seus aposentos. A cena do crime ainda está intacta. Me acompanhe, eu o levo até lá.

Segui Cecília pelos corredores. Seu perfume inebriava meus sentidos. Ela se locomovia de maneira tão suave que era como se seus pés não tocassem o solo. Tudo nela parecia irreal, como o fragmento de um sonho. Era como uma fada. Uma fada em meio àquele mundo de trevas.

Chegamos ao cômodo em que ocorrera o crime. Era um quarto amplo e bem cuidado. Havia algumas gaiolas dependuradas pelo ambiente, com pequeninos pássaros coloridos. No criado-mudo repousavam uma caixinha de música e uma bandeja com uma maçã mordida, última refeição que Clara não tivera a chance de completar. Na cama, jazia o corpo nu da garota, apenas com um laço cor de rosa ornamentando o topo da cabeça. Tinha a pele mais branca e o cabelo mais negro que eu jamais vi em toda a minha vida. A garganta fora rasgada num corte único e profundo. Seja lá quem fosse o algoz da garota, sabia o que estava fazendo.

– Algum suspeito?

– Não.

– Um cliente insatisfeito, talvez?

– Improvável. Esse era o quarto onde ela vivia, não onde atendia os clientes.

– Dois quartos para cada garota? Me parece meio improdutivo.

– Não acho que elas devam trabalhar na mesma cama onde dormem. Essas meninas merecem o mínimo de dignidade.

– Entendo. Mas, bom, uma prostituta deve fazer inimigos, não?

– Duvido. Clara era a menina mais doce que conheci. Entrou nessa vida porque foi largada pela mãe e tinha sete irmãos pequenos para sustentar. Todo o dinheiro que ganhava ela enviava para eles. E ainda assim era uma moça linda e otimista. Passava o dia cantando e cuidando de seus passarinhos.

– Algo estranho ocorreu no dia, qualquer coisa digna de nota?

– Foi um dia comum, nada diferente do usual. Até que fui atraída por uma música.

– Vinda daqui?

– Sim, dessa caixinha no criado-mudo. Era uma melodia realmente encantadora. Nunca a tinha ouvido antes e não acho que a caixinha pertença à Clara. Quando cheguei aqui, a música estava tocando e ela estava morta.

– Talvez seja algum tipo de assinatura do assassino.

– Receio que sim. E por isso temo pela vida das outras meninas.

– Talvez fosse prudente parar as atividades por um tempo.

– Se eu paro todas elas morrem de fome. Nenhuma delas tem para onde ir ou como se sustentar. Eu acolho essas meninas, dou-lhes um teto, tento educá-las. Talvez o senhor não acredite, mas eu realmente me importo com elas.

Eu acreditava. Perguntei se poderia ficar com a caixinha, já que era a única pista que eu tinha para trabalhar naquele momento. Ela aquiesceu. Guardei o objeto no bolso do casaco e deixei o prostíbulo.

A chuva agora caía fina e intermitente. O manto negro da noite ainda embalava a cidade, fazendo vis criaturas saírem de suas tocas e vandalizarem o meu lar. Mas, naquele momento, eu não me importava. A imagem de Cecília e de seu desespero contido assombravam minha mente. Sua pureza conseguia abalar até mesmo o coração de um lobo, de um predador como eu. Me arrastei até um bar e pedi uma dose dupla de uísque. Enquanto bebia, desejei que Cecília estivesse errada, que fosse um assassinato casual e que o assassino jamais voltasse a importunar nenhuma de suas garotas.

Infelizmente, ela estava certa.

Duas noites depois outra prostituta foi assassinada. Scarllet. Dessa vez, porém, o crime ocorrera no meio da rua. A garota fora encontrara jogada na calçada com a garganta cortada num único e preciso golpe. Usava uma capa vermelha para se abrigar da chuva que teimava em castigar a cidade. Próxima à mão direita, uma cesta com provisões que Scarllet fora comprar. O ataque acontecera quando ela voltava ao prostíbulo. Ao lado do corpo, uma caixinha de música, que ainda tocava quando lá cheguei.

Cecília não conseguia entender por que a menina saíra no meio da noite para fazer compras. A cafetina sempre advertira para os perigos daquela região, nunca deixava nenhuma das garotas saírem depois de escurecer e, mesmo à luz do dia, tentava acompanhá-las para onde quer que fossem. Scarllet sempre fora obediente. Cecília a encontrara ainda muito jovem, jogada nas ruas após a morte da mãe – uma inglesa que saíra de sua terra natal com um homem por quem se apaixonara e que depois a largaria na miséria. A garota começara a trabalhar há pouco tempo, a fim de juntar dinheiro para voltar para a Inglaterra, na esperança de conseguir localizar sua avó, de quem sua mãe sempre falara com muito carinho, e viver num lugar melhor.

Revistando a cesta que a Scarllet levava, encontrei duas garrafas de um uísque barato que circulava bastante em locais de clientela pouco exigente ou bêbada o suficiente para não notar a diferença entre aquele xarope mal acabado e a marca cara que ele tentava imitar. Só havia um lugar onde vendiam aquela água suja: a loja de bebidas de Alberto Salliteri.

Alberto era o mais velho dos irmãos Salliteri. Três italianos gordos e sebosos como porcos que montavam empreendimentos fajutos para lavar dinheiro para criminosos com mais gabarito do que eles. Gostavam de posar de mafiosos, mas não passavam de bandidos pés de chinelo, a base da cadeia alimentar do crime na cidade. Eu já havia conseguido desmontar os negócios dos dois irmãos mais novos, mas ainda não os mandara para a cadeia – ou para o inferno. Eles então se encastelaram junto a Alberto que, tenho que admitir, conseguira montar um esquema difícil de ser quebrado. Bom, cedo ou tarde eu conseguiria. Mas agora minha prioridade era outra. E era hora de fazer uma visita aos irmãos Salliteri.

Quando cheguei à loja, os três estavam juntos numa mesa, jogando cartas, bebendo vinho e discutindo acaloradamente sobre algum assunto em italiano.

– Ora se não estão os três porcos aqui juntinhos! Algum tipo de confraternização em família?

– O que você quer? – Aberto continuou impassível, enquanto os outros dois se entreolhavam aterrorizados.

– Não vão me convidar para a reunião familiar? Achei que a gente já fosse quase parente. Afinal, eu fui o responsável por juntar vocês, não? Quando ferrei com os negócios dos porquinhos mais novos.

– Meu negócio é limpo, você não tem nada pra usar contra mim. Vá embora. – Alberto começava a mostrar um pouco de irritação na voz. Os outros dois estavam aterrorizados.

– Tenho certeza que é. Mas eu vim falar sobre outra coisa. Uma garota veio aqui na noite passada comprar um pouco daquele seu uísque vagabundo. Uma loirinha com uma capa de chuva vermelha.

– Não faço ideia de quem você tá falando.

Saquei minha pistola e disparei na garrafa de vinho que estava sobre a mesa dos irmãos. Os cacos saltaram sobre seus corpanzis, a bebida se espalhou sobre as cartas que estavam na mesa. Alberto levantou, furioso.

– Já disse que não sei de porra de menina nenhuma! – Vociferou entre dentes, o barrigão se projetando ainda mais para frente, quase estourando os botões da camisa.

Um alvo enorme e redondo. Atirei.

– Então, se algum de vocês dois souber de alguma coisa, ainda dá tempo de levar o irmão de vocês para o hospital.

– Não fala nada pra esse filho da puta! – Berrava Alberto, cuspindo saliva para todo lado, o rosto empapado de suor.

Apontei a arma novamente para ele.

– A menina veio aqui! – Disparou o porquinho do meio.

– Mas a gente não fez nada com ela. Eu juro! – Emendou o porquinho menor.

– Acho melhor vocês me darem alguma coisa. – Respondi, ainda com a arma apontada para Alberto.

– Mas a gente não fez nada mesmo! – Prosseguiu o porquinho caçula. – Ela chegou, pediu as bebidas e foi embora. O Alberto só fez uma piada, disse pra ela ter cuidado que à noite os lobos saem para caçar. Ela disse que só tava fazendo umas compras que o Grilo pediu e já tava voltando pro puteiro. Mas ele ficou aqui, não foi atrás dela, eu juro. Depois a gente ficou sabendo que ela tava morta, mas a gente não fez nada!

Abaixei a arma. Grilo era o menino magrelo que fora me chamar no dia da morte de Clara. Ganhara esse apelido pela magreza excessiva. Olhei para Alberto, que continuava berrando, praguejando alguma coisa em italiano. Uma enorme poça de sangue se formava em torno do seu corpo descomunal.

– Melhor vocês levarem logo o porcão aí pro hospital. Antes que ele fique magro.

Voltei para o prostíbulo a passos largos, debaixo dos pingos grossos de uma chuva que parecia ser feita de pedra. Eu faria aquele grilo falar. O faria até cantar se fosse preciso.

Cheguei ao prédio e Grilo estava sentado no saguão tentando montar um castelo de cartas. Me aproximei do garoto e derrubei as cartas que ele estava empilhando tocando-as de leve com o pé. Ele olhou pra mim sem entender. Então, num golpe rápido, o suspendi pelo pescoço com ambas as mãos e o arremessei contra a parede. Caído no chão, o menino tornou a me olhar, dessa vez com desespero estampado em sua face, sem conseguir ainda absorver o que estava acontecendo. Um filete grosso de sangue escorria do seu supercílio direito. Saquei a pistola e apontei bem no meio dos seus olhos.

– O que você tá fazendo? – Cecília viera correndo quando me viu agredindo o Grilo.

Não respondi. Mantive meu olhar fixo no do garoto. Não devia ter mais do que dez anos. Era magrelo e desengonçado como um boneco de marionetes. A pele repuxada acentuava ainda mais sua face ossuda e seu nariz longo e pontudo.

– Fala.

– O que você quer que ele fale? – Cecília me olhava confusa.

– O nome do assassino.

– O que ele tem a v…

– Ele tem trabalhado com o assassino.

– Eu não sei o nome dele. – O menino enfim quebrou o silêncio.

– E o que você sabe?

Grilo então contou que algumas noites antes do assassinato de Clara um homem com cara de gringo chegara ao prostíbulo, procurando por uma garota. Parecia recém-chegado de viagem, carregava uma bolsa grande às costas. O menino percebera ali uma oportunidade de ganhar dinheiro. Mentiu dizendo ao homem que todas as meninas estavam ocupadas, ofereceu-lhe uma bebida e disse que eles poderiam jogar cartas enquanto o homem esperava por uma das garotas. O viajante pareceu animado com a ideia. Meia hora depois, Grilo já tinha lhe tirado quase todo o seu dinheiro. Apesar disso, o homem não perdera a compostura, ao contrário, parecia até se divertir com a situação. Até que percebeu que o menino estava roubando.

– Então ele se transformou. – Disse Grilo, já com a voz embargada. – Ficou furioso, puxou uma navalha e disse que ia cortar o meu pescoço. Eu fiquei desesperado e disse que não tinha feito por mal, que a dona do lugar era quem me mandava passar a perna nos clientes. Ele disse que ia se vingar, que ia acabar com todo mundo aqui e que eu ia ajudar. Achei que ele nunca mais ia voltar, mas então ele voltou e eu… – O menino olhou para Cecília, já sem segurar o choro – Eu não sabia o que fazer. Foi tudo por causa duma mentira minha. Desculpa madrinha, desculpa.

Cecília o abraçou com ternura. Grilo agarrou-se a ela e pôs-se a soluçar, enquanto pedia desculpas repetidamente. Fiquei desconcertado com aquela cena. As mentiras daquele garoto levaram ao assassinato de duas jovens. Meu dedo estava coçando para apertar o gatilho e mandá-lo para o inferno. Mas Cecília ainda era capaz de demonstrar compaixão. Era um tipo de amor que eu jamais seria capaz de compreender.

*******

A jovem cruzou os braços com força, se encolhendo para proteger-se do frio. A chuva fina e insistente enregelava-lhe os ossos. Tinha uma aparência frágil, seus tristes olhos azuis encravados num rosto ainda de menina fitavam o chão, apreensiva. Os longuíssimos cabelos loiros – jamais cortados por conta de uma promessa que sua mãe fizera ao saber que a menina tinha poucas chances de sobrevida ao parto – desciam numa interminável trança que chegava aos seus pés.

– Ainda passa ônibus por aqui a essa hora, prinzessin? – A voz rouca tirou a moça de seus pensamentos. Ela ergue o olhar e avistou o homem de traços fortes e sorriso amigável que lhe fez a pergunta.

– Passa sim. – Respondi, saindo do beco por trás do ponto de ônibus, com a arma apontada para o assassino. Cecília ao meu lado. – Mas duvido que vá para algum lugar que você queira ir.

O homem me encarou, surpreso. Por alguns instantes alternou o olhar entre mim e a menina, sem saber o que fazer. Então sacou uma navalha do bolso e avançou em direção a ela. Disparei a pistola.

A garota correu em prantos para os braços de Cecília que a amparou delicadamente. Caminhei até o corpo do homem e abri a bolsa que ele carregava.  Parecia não haver nada além de um amontoado de caixinhas de música. Examinei cuidadosamente e percebi que havia um fundo falso. Nele, uma outra caixa, maior, dourada e repleta de ornamentos. Na tampa havia um nome em alemão e um brasão. Provavelmente uma relíquia de família. Abri a caixa. Uma flauta. Aparentemente uma flauta qualquer, ordinária. Retirei-a da caixa e notei uma inscrição na parte de baixo do instrumento. Não dizia nada, apenas o nome da cidade e a data de fabricação: Hamelin, 1282.

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27 comentários em “Era Uma Vez na Noite… (Felipe Falconeri)

  1. dibenedetto
    5 de dezembro de 2013

    Outro conto muito bem bolado.

    Tanto a narrativa quanto a transfiguração dos contos de fada ficou muito legal.

    Só o flautista podia ter sido melhor trabalhado (esse aspecto da “vingança desmedida”, a maneira como ele mata as vítimas… ao invés de caixinhas de música, ele poderia ser um músico por exemplo. Tocar outro instrumento ao invés da flauta, pra não ficar óbvio que ele era o criminoso.)

    Também gostei do fato do “lobo” usar força bruta na investigação, mas acho que teria que ser estabelecido melhor durante a história um motivo pra ele não ter problema com a lei depois (contatos na polícia, todo mundo tem medo dele, ele é maluco e simplesmente não se importa… etc…)

    Mas são só observações pessoais. Não acho que tire mérito do conto. =)

  2. Leandro B.
    5 de dezembro de 2013

    Gostei muito. Muito mesmo. Mas, como o Gustavo, também sou suspeitos, pelos mesmos motivos. Não vou apontar para o assassino como crítica, os (as) camaradas já o fizeram. O que me incomodou um pouco E ISSO É PURA CHATICE MINHA é que achei um pouco exagerada as referências aos três porquinhos.

    Teria achado mais divertido se elas tivessem sido mais sutis, sem a descrição dos irmãos como porcos. Mas isso é apenas besteira minha. O conto é ótimo e o senhor(a) está de parabéns. Está na minha lista de favoritos.

  3. Pedro Luna Coelho Façanha
    4 de dezembro de 2013

    Achei muito interessante. Fiquei o conto todo com a impressão de que teria algo a ver com o Flautista de Hamelin e ao final, eu vibrei. kkk…acho que ficou muito legal no limite de caracteres do conto, mas se fosse possível aumentar, eu também mudaria a motivação do assassino. Mas ficou bem louco. Parabéns pela obra.

  4. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE
    Português impecável. História redonda e bem acabada. Atmosfera Noir perfeitamente caracterizada. Proposta muito criativa (apesar de que, curiosamente, não é o primeiro conto do desafio que mistura Noir com fábulas infantis).

    SUGESTÕES

    A referência ao flautista de Hamelin é interessante, mas não tem impacto o suficiente para merecer o papel de “revelação final”. Também achei meio esquisita a motivação do serial killer… geralmente, esse tipo de assassino age por motivos que têm grande relevância pessoal para eles. Uma mera trapaça em jogo de azar poderia ensejar uma reação raivosa, mas daí a servir de motivo para assassinatos a sangue frio já é um grande salto. Pra encaixar melhor na história do flautista, ficaria mais redondo se o gringo aparecesse misteriosamente e oferecesse algum serviço, firmando um contrato com a dona do bordel, e ela depois não cumprisse com sua parte do acordo. O menino poderia ajudar ele por medo e mentir para todos, mantendo-se na representação do Pinochio sem nenhum problema.

    TRECHO FAVORITO

    “À noite a cidade grita. E sangra. É então que eu saio. Como um lobo se esgueirando pelas esquinas sujas, farejando o rastro daqueles que fazem minha casa sofrer. Conheço cada recanto desse lugar, cada beco sem saída, cada prédio desdentado. Reconheço cada filho da puta que já feriu essa cidade. Ninguém escapa aos meus sentidos. E nem às minhas presas.”

    • Big Bad Wolf
      3 de dezembro de 2013

      Cara, adorei sua sugestão! De fato, faria muito mais sentido se eu tivesse mantido a estrutura da lenda original, com uma quebra de contrato motivando a ira do Flautista. É tão óbvio que tô me sentindo meio burro em não ter pensado nisso antes, rs. Mas pra isso que servem os comentários e por isso que é tão bom ouvir opiniões sobre nossos escritos. Obrigadão pela sugestão! 😀

  5. Alana das Fadas
    2 de dezembro de 2013

    Genial, sem dúvidas um dos meus favoritos. Ao contrário da maioria, não achei que ficou faltando algo! Brilhante!

  6. Felipe Falconeri
    2 de dezembro de 2013

    O maior mérito do conto foi conseguir trazer os personagens de contos de fadas para o mundo real sem que ficassem excessivamente caricatos e colocá-los numa história com elementos Noir. É uma mistura interessante.

    A trama é bem simples, linear, sem grandes reviravoltas. Como o vilão não apareceu no conto até o final, o leitor não tinha como descobrir quem era antecipadamente. De certa forma, isso é uma “trapaça” em contos policiais. Mas como os personagens já são conhecidos do público, vá lá, “dá pra passar”, rs.

    Não vi grandes erros de escrita. Uma repetição de palavras, um verbo mal conjugado… Coisas que podem ser limadas numa revisão mais atenta.

    É um conto simples, mas eficiente. Bacana.

  7. Alexandre Santangelo
    2 de dezembro de 2013

    Bom conto. Misturou muito bem os elementos do Noir com Contos de Fadas. Em nenhum momento ficou forçado. Parabéns.

  8. fernandoabreude88
    2 de dezembro de 2013

    Muito interessante o conto, além de bem escrito. Gostei da clima de miséria e sujeira com que ele começa, dos personagens e da trama. O final muito bem sacado me fez ativar a busca do Google quase automaticamente. Parabéns!

  9. Agenor Batista Jr.
    30 de novembro de 2013

    Mesmo a falta do clima “noir” não tira do conto seu valor como criação literária de qualidade sem rebuscamentos, com sentimento e ação de verdade. A qualidade da escrita é flagrante embora o final tenha tido um desenrolar morno. Parabéns, Grande Urso Mau! Me pegou no horário da “siesta” e não me deixou cochilar. Obrigado pelo prazer da leitura.

    • Agenor Batista Jr.
      30 de novembro de 2013

      Ops! Grande Lobo Mau!

  10. rubemcabral
    29 de novembro de 2013

    Ótimo conto, boa ideia, boa execução. Gostei muito dos personagens de contos de fadas somente “insinuados” (noirmente transformados), e não “escancarados”.

    A motivação do flautista foi um tanto fraca, realmente, mas poderia ser só um pretexto para quem já era um serial-killer ou algo do tipo.

    • EntreContos
      29 de novembro de 2013

      Em algumas versoes, especialmente da Alemanha, se nao me engano, o flautista é de fato um serial killer.

  11. Marcelo Porto
    29 de novembro de 2013

    Bom demais!

    Esse desafio serve para mostrar que criatividade não falta por aqui. Essa mistura de contos de fadas e noir ficou muito interessante.

    O que mais gostei é que a história é linear, sem reviravoltas e muito bem escrita.

    O lobo mau sempre foi o meu personagem favorito.

    Parabéns!!

  12. Marcellus
    24 de novembro de 2013

    Tirando o já falado problema da motivação, o conto é muito, muito bom! Dá de dez em “Once Upon a Time” da ABC.

    Parabéns!

  13. Lúcia M Almeida
    22 de novembro de 2013

    Parabéns ! Gostei da mistura de contos de fadas, ficou bem original !

  14. Thata Pereira
    21 de novembro de 2013

    Também sou suspeita para falar, pois gosto MUITO de contos de fadas, principalmente de desenvolvê-los em meus poemas de uma forma distorcida.

    Muito boa todas as associações que foram feitas com os personagens, muito bem caracterizados. Só demorei um pouco para sacar em era Cecília — Fada Madrinha?

    Por fim, também achei o motivo para o crime vago, mas também já li a explicação que você deu ao Jefferson. Faltou uma maior caracterização do personagem mesmo. Parabéns!!

    • Big Bad Wolf
      22 de novembro de 2013

      Sim, Cecília é a Fada Madrinha. A senhora gente boa que cuida das princesas. Se bem que de princesa aí só tem a Branca de Neve, mas enfim, rs.

      Minha ideia original é que ela tivesse um envolvimento sexual com o Lobo. Mas a cena ficou muito bizarra na minha cabeça. =P

      É, como eu disse, acho que o maior problema não é nem a falta de um motivo consistente para os assassinatos, mas a falta de um desenvolvimento que mostre que aquele motivo é suficiente para o Flautista. Achei que a vingança desmedida dele no conto original fosse suficiente para sustentar as ações dele aqui, mas talvez essa seja uma visão particular minha, daí não funcionou. 😦

      Obrigado pelo comentário. 🙂

  15. Gustavo Araujo
    21 de novembro de 2013

    Cara, sou suspeito para falar de contos assim. Eu gosto muito desse tipo de metáfora, dessa adaptação do universo infantil aos olhos adultos e vice-versa. Achei que o autor foi muito feliz na escolha dos personagens (Três Porquinhos, Chapeuzinho, Pinóquio, Rapunzel e, claro, o Lobo), bem como no desenvolvimento dos mesmos nessa trama que mistura o universo noir com a lenda do Flautista de Hamelin. Ficou muito bom. Como ponto negativo, aponto o que já foi dito: o motivo dos crimes ficou muito raso e poderia sem dúvidas ter sido melhor abordado. De todo modo, um conto acima da média.

  16. charlesdias
    21 de novembro de 2013

    O conto não é noir, fato, mas a mistura de personagens de contos infantis num ambiente policial ficou interessante. É um enredo que merece ser melhor trabalhado.

  17. Jefferson Lemos
    21 de novembro de 2013

    Gostei!
    A trama, a narração e as personagens ficara muito bem feitas.
    O que me incomodou um pouco foi o que levou o homem a se vingar. Achei fraco. E o final também, mas o autor está de parabéns, pois escreve muito bem!

    • Big Bad Wolf
      21 de novembro de 2013

      Você tem razão Jefferson, a motivação do assassino é bem fraca. Não vi nisso um grande problema porque no conto original a motivação do personagem é bastante fraca mesmo (e também envolve dinheiro) e a vingança ainda mais cruel. Então meu foco era mostrá-lo como um personagem extremamente vingativo, que não aceita ser enganado e não mede consequências em sua vingança. Mas faltou dar mais carne ao personagem para que isso se tornasse crível. Corri demais com o final e acabei o deixando anticlimático, você está certo. Obrigado pela crítica e que bom que gostou do conto mesmo assim. Abs.

  18. Ricardo Gnecco Falco
    20 de novembro de 2013

    Também gostei. O cenário foi bem construído e o autor conseguiu moldar, mesmo que à força, a névoa noir em sua criação. Percebi, portanto, este esforço do autor em se adequar (não a história, mas o seu próprio estilo de escrita) ao gênero pedido pelo Desafio deste mês; o que, então, tirou um pouco da imersão, enquanto leitor, na trama criada. Pareceu-me, mesmo tudo sendo muito bem colocado dentro da temática, que o autor forçou-se ao extremo para dissimular sua criação artística, como se estivesse “preso” (ou melhor, “prendido a si mesmo”) dentro de uma caixa muito pequena; limitando-se, podando-se, mutilando-se…
    Engraçado isso. Pois, enquanto lia, ia percebendo este silencioso debater-se do autor nas entrelinhas da história, o que fez com que minha experiência, enquanto leitor, ficasse parecida com a vida daquele personagem do Jim Carrey no filme “O Show de Truman”, onde tudo em volta, por mais que parecesse real, não o era.
    Enfim… Não sei se consegui explicar. Contudo, o importante é que o autor realizou um bom trabalho!
    Parabéns! Boa sorte!
    🙂

    • Big Bad Wolf
      21 de novembro de 2013

      Curiosa essa sua sensação, Ricardo. Mas na verdade eu estava bastante confortável com o tema e não tive que fazer grandes concessões para adequar meu estilo de escrita a ele. Então, se te passei essa sensação, deve ter sido por incompetência mesmo, hehe. Agradeço o feedback. Abs.

      • Ricardo Gnecco Falco
        22 de novembro de 2013

        Que mané incompetência, Wolf! Você escreve (e apresentou aqui) um trabalho muito bom! Esta sensação de “estar preso” que eu falei, agora que li sua resposta para a nossa coleguinha Thata, provavelmente deveu-se a esta “poda” da “phoda”… (rs!).
        E, inclusive, talvez até lhe sirva de lição. rs… Se o personagem lhe pediu alguma (qualquer) coisa, você é “literalmente” obrigado a atender! Por mais que nos sintamos “deuses criadores” (enquanto escritores), somos na verdade o cocô do carrapato do cavalo de nossas próprias personagens e nem adianta tentarmos fingir não escutarmos seus clamores (mesmo os mais indecentes). O autor não tem qualquer direito sobre seu ofício, principalmente quando em desacordo com os “ecos” de sua própria criação. Nem adianta reclamar… Pois não temos nem para quem! ELES mandam. E ponto.
        Talvez por isso mesmo não tenhamos carteiras assinadas… (rs!)

        PS: Não sei se você já leu um dos contos aqui deste Desafio, intitulado “Lágrimas são vãs sob a chuva”. Neste conto (que não é de minha autoria, melhor já dizer – e sequer sei quem escreveu tal obra), o autor certamente teve de descer ao nível que o protagonista (e ao mesmo tempo antagonista!) lhe exigiu. E o fez sem sequer pestanejar. Recomendo-lhe, portanto, a leitura detalhada deste texto, que serve como “personificação literária” do que acabo de lhe sugerir acima. Sei que sou pentelho, mas por gostar e apostar em sua (ótima) escrita, acredito que tal ação irá ilustrar bem o que quero lhe passar com toda essa chorumela aqui. (rs!)
        Bem… É isso, parceiro! Parabéns e agora vou pegar o atalho da floresta! 😉
        Abrax!
        Fui…

  19. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    20 de novembro de 2013

    O final deixou um gosto de quero mais. Achei um pouco fraco, sem impressionar o leitor. A narrativa no geral foi bem costurada, prende a atenção e segura o suspense. Simples, sem grandes malabarismos literários, mas muito bom. Boa sorte.

  20. Masaki
    19 de novembro de 2013

    Que conto excelente! A trama, os personagens, enfim… Tudo fluiu da forma mais perfeita possível. A autor foi muito sagaz em não apresentar qualquer pista que fosse relacionada ao assassino. Só quase perto do final, ele apresentou-o de súbito. Impacto forte e brilhante. Parabéns! Todo crédito ao autor. Apenas o final achei um pouco simples, mas de forma alguma tira o mérito deste conto.

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Publicado às 19 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .